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CRIATIVIDADE E O SISTEMA EDUCACIONAL....



“Desobediência é uma virtude necessária para a criatividade”
(Raul Seixas)


Num momento em que inovação, criatividade, sustentabilidade, empreendedorismo, tem feito diferença nos processos educativos, em que escolas colocam nos currículos disciplinas relacionadas a esses temas, a discussão sobre a visão comunitária acerca das pessoas que parecem possuir estas características de forma natural é indispensável.

Fora raras exceções, o sistema educacional é desenvolvido mais para homogeneizar que para destacar um ou outro estudante, o que é até certo ponto adequado, pois uma sociedade composta inteiramente por pessoas eficientemente letradas, razoavelmente preparadas para a vida profissional em suas várias modalidades, educadas para os inter-relacionamentos de forma equilibrada, certamente é mais desejável que uma comunidade de ignorantes capitaneados por umas poucas pessoas que detêm todo o saber.

No entanto, é também verdadeiro que estes grupos de iguais, com formação de mediana para boa, precisarão contar com alguns que se sobressaiam, que inovem, deem o “salto de qualidade”, sob pena de estagnação e eventual retrocesso. Todos os grandes avanços e descobertas na história humana foram efetivados por aqueles dotados de engenhosidade e visão acima do senso comum.

(http://centrosapiens.com.br/wp-content/uploads/2016/02/photodune-9171952-woman-with-colorful-bright-idea-lightbulb-l.jpg)

Roma e Grécia antiga já se preocupavam com o assunto, pelo menos em relação a produtos produzidos por artesãos, procurando diferenciá-los por símbolos, letras ou mesmo desenhos, que mesmo não tendo a atribuição de valor patrimonial como hoje entendemos, procurava diferenciar um criador de outro exatamente por entender que as qualidades – e portanto preços – não seriam os mesmos. Saber quem produzia as melhores peças, dar-lhes o aval de produto superior era, portanto, estímulo à inventividade, além garantia de melhor renda.

No entanto, esta proteção era apenas em relação ao produto acabado, o esforço inventivo não sendo sequer cogitado. Foi em Veneza a partir do século XI que a inventividade começou a ser valorizada no processo da fabricação do vidro, um incipiente direito sobre o design, que hoje é extremamente importante nas indústrias e comércio de forma geral. 

Entretanto, pesquisadores divergem muito quanto ao início daquilo que denominamos hoje propriedade intelectual, havendo relatos até de casos ocorridos de disputas pouco depois do ano mil, e no Brasil é com a Constituição de 1824 que o assunto veio oficialmente à baila.

A disseminação do processo informacional, o acesso quase irrestrito às mídias sociais e o acelerado crescimento da economia industrial, com a reprodução em série de produtos, fortaleceu a ideia da propriedade intelectual, ou seja, os direitos sobre a exclusividade da reprodução ou utilização de uma criação artística, literária, científica, de artigos tangíveis ou não; reconhecimento que incentiva mais inovações. 

Segundo pesquisadores, isso “possibilita transformar o conhecimento, em princípio um bem quase público, em bem privado e é o elo de ligação entre o conhecimento e o mercado”; e se caracteriza pela propriedade industrial, pelo direito autoral – desde palestras, desenhos, músicas, pinturas, fotografias, esculturas, livros, conferências; e por uma denominada proteção sui generis, que compreende hoje toda a manipulação genética, exigindo cuidados especiais pela possibilidade do ressurgimento de uma nova modalidade de eugenia.

Criatividade, assim, pode percorrer caminhos inusitados, pode significar perigos e erros – muitos erros – pois o percurso usual, que é seguro e garantido, implica em mais do mesmo. Sem ela, todo avanço tecnológico e científico inexistiria, e grandes obras literárias também.

Por isso, embora muitos afirmem que criatividade é impossível de ser ensinada, bons professores sempre tentarão desafiar o senso comum, pensar o novo, o fora dos padrões, a perder o medo de errar, já que a evolução raramente caminha em linha reta. 






Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil, assina a Coluna Educação & Cotidiano.
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Criar espaços



A necessidade de manter as coisas simples. A maioria das pessoas não conhece isso, não sabe que pra alguns é mais do que uma filosofia da moda o viver o momento, não pensar no amanhã nem no ontem, estar inteiramente naquele instante - é uma necessidade.
Manter simples, diminuir a complexidade das coisas, viver as coisas cotidianas, já é uma conquista.
Não é de fácil compreensão pra quem persegue grandes coisas, muito dinheiro, títulos acadêmicos, cargo importante... Parece se conformar com a mediocridade,
Mas manter-se em paz e fazer as coisas essenciais, como dormir, comer, se exercitar, etc. pode ser em si um objetivo de vida.  É assim comigo. E é assim pra muita gente, apesar dessa gente resistir pra admitir, ao máximo do máximo, recaindo em medicação, tratamentos alternativos e (ou) religiões importadas (tantos recursos que nem sempre fazem efeito).
Outra necessidade importante, hoje mais que em qualquer tempo: ter tempo pra não fazer nada. Apenas estar, apenas ser, contemplar, refletir.
A mim esse tempo faz falta, porque é nesse vazio que a criatividade erige e quando a cabeça está muito cheia, e as exigências são exageradas, não há vazio criativo, não há aquele buraco de onde surgem as ideias (o big bang da criação).
Preciso de tempo. De silêncio. De um pouco de nada (muito mais do que costumo ter).
Estamos vivendo um tempo em que não sabemos se o futuro nos reservará um tempo final de "espaço". Mas por este lado isso até que é bom, porque se não se praticou esse "espaço" mental durante a vida, na velhice não se reconhecerá a importância dele, não se saberá o que fazer com ele, e o tédio não dará chance à invenção e à arte, que emergem desse nada.
É tempo de pensarmos a importância do tempo enquanto é tempo, e aprender antes que nunca a criar "espaços" pra que deles possa emergir a essência, o melhor de nós, o melhor da humanidade.


Ouça esta canção e entenda com o coração o que não está dito.




Larissa Germano é autora de "Cinzas e Cheiros", e escreve nos blogs Palavras Apenas (naoapenaspalavras.blogspot.com) e Nunca Te Vi Sempre Te Amei (cafehparis.blogspot.com), tem perfil no Facebook e no Twitter e a página Lári Prosa e Trova no Facebook. É também compositora intuitiva e tem perfil no Sound Cloud e Youtube.
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