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Lançamentos e Acontecimentos





Acontecimentos da semana que passou e atrações da que está começando você encontra aqui no Drops. Vamos a elas: 

O editor-assistente da Contemporâneos, revista-irmã da ContemporARTES, Antonio Gasparetto, lançou no último dia 1° de dezembro, no Museu de Arte Murilo Mendes, em Juiz de Fora, o Box “Juiz de Fora em Histórias e Imagens”. O projeto foi feito em colaboração com Cláudia Viscardi, Mônica Ribeiro e Thiago Firmino. 
O Box é composto pelo livro didático “Vivendo a História”, pelo livro acadêmico “À Margem do Caminho Novo” e pelo DVD “Juiz de Fora: imagens da história”. O kit será distribuído em escolas da cidade e também comercializado, pelo valor de R$50,00. 


Até o dia 20 de dezembro estão abertas as inscrições para o VII Concurso Literário “Poesias sem Fronteiras”. O concurso tem o objetivo de estimular a publicação de poetas de países de Língua Portuguesa e tem o apoio da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências, da União Brasileira dos Escritores / BA e da Revista Artpoesia. 
Cada autor pode inscrever apenas uma poesia, de tema livre. O valor da inscrição é de R$ 8,00. “O primeiro lugar vai receber um troféu, um certificado, um exemplar do livro ‘Cartas ao Presidente Lula” e uma Revista Literária. Os escolhidos do 2° ao 5° lugar também serão premiados. 
O resultado final será divulgado no dia 20 de janeiro de 2012. Mais informações no blog do promotor do concurso ou  aqui.



O colunista da ContemporARTES Diogo de Carvalho teve um artigo publicado na revista História Viva, número 98, edição de dezembro. No artigo, intitulado “Adeus, URSS”, ele analisa o impacto das políticas da perestroika e da glasnot na cinematografia soviética do período. A revista já está à venda. 





Na próxima terça-feira, dia 6, o cantor e compositor Martinho da Vila participa do Sempre um Papo, no Sesc Palladium, em Belo Horizonte, onde lança seu 11° livro, “Fantasias, Crenças e Crendices” (Editora Ciência Moderna). O bate papo com Martinho da Vila acontece às 19h30,e  marca o encerramento do projeto em Belo Horizonte, em 2011. 
A entrada é gratuita, mas podem ser feitas doações de livros literários para o projeto “Ler Convivendo”, que faz doações para bibliotecas comunitárias. O Sesc Palladium fica na rua Rio de Janeiro, 1.046, no Centro de BH. 
No dia seguinte, 07/12, Martinho da Vila lança seu livro em São Paulo e participa de debate também promovido pelo projeto Sempre um Papo. O evento está marcado para as 20h, no Sesc Vila Mariana, na Rua Pelotas, 141. 


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Mônica Bento é jornalista, formada pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Em seu trabalho de conclusão de curso estudou a função social das salas de cinema e desenvolveu a reportagem multimídia CineMemória. Pertence a equipe de Comunicação da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural. 




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Oportunidades, lançamentos e "Primavera dos Museus"




As dicas de hoje são de oportunidade de publicação de artigo, lançamentos de livros e revistas e atividades relacionadas à "Primavera dos Museus". Vamos a elas! 


A  “Todas as Musas – Revista de Literatura e das Múltiplas Linguagens da Arte” recebe, até o dia 31 de outubro, artigos para serem publicados em sua próxima edição. Os textos podem ser em português, inglês ou espanhol. A sexta edição da revista estará disponível em fevereiro de 2012. 
Clique aqui para acessar as normas de publicação e ter outras informações sobre a revista. 

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A televisão já foi criticada, elogiada e ignorada. Mas, antes de tomar qualquer posição, é importante conhecer as curiosidades e debates que envolvem a produção televisiva. O livro “Televisão: formas audiovisuais de ficção e de documentário. Vol.1” é uma coletânea de artigos que levanta algumas questões sobre o que se vê na TV e propõe um diálogo entre a TV no Brasil e em Portugal. 

A publicação foi organizada pelos coordenadores do “XIV Encontro Internacional da SOCINE (Sociedade Brasileira de Cinema e Audiovisual” e editada pelas Edições CIAC. O livro pode ser acessado gratuitamente no site do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve, em formato flipbook ou. pdf 

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No último dia 12 de setembro aconteceu em Salvador (BA) o lançamento da revista “Cultura e Pensamento: Juventude e Ativismo”. Para marcar o lançamento, a Secretaria de Cultura da Bahia (SECULT) e a Universidade Federal da Bahia promoveram um debate sobre o tema “Juventude e Desenvolvimento”, que contou com a presença de autoridades do estado, dos representantes da ONG Contato Vitor Santana e Helder Quiroga e do professor Carlos Bonfim. 

 A revista, que é editada pela ONG Contato – Centro de Referência da Juventude, pode ser acessada aqui. Para conhecer o projeto por trás da Revista, visite o site da Cultura e Juventude – Diálogos Internacionais. 

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Nos próximos dias 29 e 30 de setembro, acontece no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) o Colóquio: "Os extremismos políticos de direita: entre a tradição e a renovação". O evento é coordenador pelos brasileiros Fábio Chang de Almeida (UFRGS/ICS-UL) e Leandro Pereira Gonçalves (PUC-SP/ICS-UL), e pelo italiano Riccardo Marchi (ICS/UL).

No primeiro dia do Colóquio será lançado o livro “Entre tipos e recortes: histórias da imprensa integralista”, organizado por Leandro Pereira Gonçalves e Renata Duarte Simões. 
Acesse a programação completa para se informar sobre as mesas e debates do evento. 

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Chega ao fim hoje (25)  a 5ª edição da Primavera dos Museus, evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) que oferece exposições, oficinas, debates, espetáculos teatrais e diversas outras atividades aos visitantes de mais de 500 museus e instituições culturais em todo o país. 

A edição deste ano teve como tema “Mulheres, Museus e Memórias”. A programação oferecida pelos museus participantes da iniciativa pode ser acessada aqui. 
Para marcar o encerramento da Primavera dos Museus, a cantora Nana Caymmi faz show gratuito no jardim do Museu da República, no Rio de Janeiro (RJ), hoje, às 17h.  



A Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul participa da Primavera dos Museus com uma mostra de filmes e uma exposição sobre mulheres que tiveram participação ativa na “construção” da cidade. A exposição “Mulheres, Memórias e Ofícios” fica aberta até o dia 11 de novembro e pode ser visitada na Avenida Dr. Augusto de Toledo, 255 - Bairro Santa Paula, em São Caetano do Sul (SP). 

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Mônica Bento é jornalista, formada pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Em seu trabalho de conclusão de curso estudou a função social das salas de cinema e desenvolveu a reportagem multimídia CineMemória. Pertence a equipe de Comunicação da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural
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Dom Quixote


É preciso ser um pouco insano para melhor saborear esta obra magnífica. Como assim? Explico. Depois de ler muitos romances de cavalaria, o personagem-título acredita que é um cavaleiro andante, em época e lugar em que não existe tal coisa. Da mesma forma, os leitores da principal obra de Cervantes também precisam se deixar levar pela sua história. Caso contrário, não poderá extrair o seu sumo deliciosamente bem humorado e apreciar sua fragrancia de justiça e honra. É preciso acreditar que Rocinante verdadeiramente existe e galopar com ele e seu dono através da paisagem de La Mancha!

Os romances de cavalaria são o ponto de partida para a loucura de Dom Quixote e seu autor. O primeiro é dito louco por vivenciar essas histórias de donzelas e espadas, e o segundo por subvertê-las. Sim, subvertê-las. Pois ele escreveu esse livro justamente como uma forma de criticá-las. Na verdade, Cervantes estava criticando, ao mesmo tempo, dois universos presentes em seu tempo: a antiga herança medieval dos cavaleiros, que já cheirava a mofo no século XVII, e a importância descomedida que se dava (e ainda se dá) aos valores materiais, tão bem encarnados no escudeiro gorducho Sancho Pança. Mas não só isso, também ressignificou essas histórias através de sua obra.


Além de causar influências dentro da própria literatura,
Dom Quixote provou ser uma notável fonte de inspiração para os criadores em outros campos artísticos. Desde o século XVII que se têm realizado peças de teatro, óperas, composições musicais e bailados baseados no Dom Quixote. No século XX, o cinema, a televisão e os cartoons [e também os quadrinhos] inspiraram-se igualmente nesta obra. (fonte: Wikipédia)

Um bom exemplo dessas influências todos é essa música da banda Os Mutantes, inspirada no Cavaleiro da Triste Figura, com a qual termino o que tenho a dizer:

A vida é um moinho
É um sonho o caminho
Do Sancho, o Quixote
Chupando chiclete
O Sancho tem chance
E a chance é o chicote
É o vento e a morte
Mascando o Quixote
Chicote no Sancho
Moinho sem vinho
Não corra me puxe
Meu vinho meu crush
Que triste caminho
Sem Sancho ou Quixote
Sua chance em chicote
Sua vida na morte


Vem devagar
Dia há de chegar
E a vida há de parar
Para o Sancho descer
E o Quixote sonhar
E os jornais todos a anunciar
Dulcinéia que vai se casar


Vê, vê que tudo mudou
Vê, o comércio fechou
E o menino morreu
Vê, vê que tudo passou
E a donzela casou
E o menino morreu
Dom Quixote cantar na TV
Vai cantar, vai subir



Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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As portas da percepção


Livro de 1954, escrito por Aldous Huxley, onde o autor pormenoriza as suas experiências alucinatórias quando tomou mescalina. O título provém de uma citação de William Blake:

If the doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite.
Retrato de William Blake,
por Thomas Phillips.
Tradução: "Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito."

Aldous Huxley
Baseado nesta citação, Huxley assume que o cérebro humano filtra a realidade de modo a não permitir a passagem de todas as impressões e imagens que existem efectivamente. Se isso acontecesse, o processamento de tal quantidade de informação seria simplesmente insuportável. De acordo com esta visão das coisas, as drogas poderiam reduzir esse processo de filtragem, ou "abrir as portas da percepção", como é dito metaforicamente. Com o intuito de verificar esta teoria, Huxley começou a tomar mescalina e a descrever os seus pensamentos e sentimentos sob o efeito da droga. A sua principal impressão foi a de que os objetos do nosso cotidiano perdem a sua funcionalidade, passando a existir "por si mesmos". O espaço e as dimensões tornam-se irrelevantes, parecendo que a percepção se alarga de uma forma espantosa e mesmo humilhante já que o ser humano se apercebe da sua incapacidade para fazer face a tantas impressões.

Foi graças a estes ensaios que Huxley tornou-se uma espécie de guru entre os hippies da contracultura californiana da década de 1970. No entanto, estas "são meditações escritas à luz radiosa da razão, relatos de experiências com a mescalina que não conduzem a uma adesão imediata aos paraísos artificiais, mas sim a uma idéia de alargamento da consciência que não elide o seu elemento reflexivo".

Essa observação é fundamental por causa da história nada desprezível da recepção de Huxley em um âmbito que ultrapassa os limites da chamada "alta cultura" (na qual ele havia se consagrado como autor dos clássicos Contraponto e Admirável mundo novo). No final dos anos 60, o compositor e poeta Jim Morrison criou na Califórnia uma banda de rock chamada The Doors, cujo nome fora inspirado na leitura de As portas da percepção. Morrison morreria em Paris em 1971, provavelmente de overdose, mas sua curta e fulminante trajetória acabaria estabelecendo uma ponte entre a poética visionária de Blake, o erotismo sacrificial dos concertos dos Doors e a obra de Huxley, que assim ganharia uma aura de guru da contracultura.


Um dos principais efeitos desses alucinógenos é a capacidade adquirida de se notar a conexão de coisas, pessoas ou acontecimentos aparentemente distantes. Se o leitor ou a leitora não estão entendendo o motivo ou o que inspirou este texto, talvez seja porque a suas portas não foram completamente abertas.


Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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Deuses Americanos


Escritor inglês, atualmente morando nos Estados Unidos, Neil Gaiman é mundialmente conhecido como o autor da série de histórias em quadrinhos The Sandman. Mas além de HQs, ele também trabalha na criação de filmes, peças de teatro e vários romances de Ficção Científica e de Fantasia, que é o caso da obra sobre a qual falerei hoje.

O livro conta a história de um rapaz que, libertado da prisão, encontra o seu mundo virado de cabeça para baixo. Sua esposa foi morta, acontecimentos absurdos se tornam comuns e um misterioso senhor oferece-lhe um emprego. Mas este estranho, que parece saber mais sobre Shadow do que é seria possível, o adverte que uma tempestade está vindo -- uma batalha pela própria alma da América... e eles estão indo diretamente a seu caminho.

Uma dos livros mais falados do novo milenio, Deuses Americanos (American Gods, no original) é uma caleidoscópica viagem dentro da mitologia e através da paisagem americana, ao mesmo tempo familiar e totalmente estranha. É, simplesmente, uma obra-prima contemporânea. Devorei-a em uma semana, tamanho o seu sabor agradável e viciante.

Àquelas pessoas que não têm dinheiro para comprar este livro ou não o encontraram em uma biblioteca, eu digo para não se alarmarem, pois podem baixá-lo pela internet. Aviso que esta versão que encontrei foi traduzida para o português por fãs, portanto não é das melhores. Mas, tirando os erros tipográficos, é possível lê-la tranqüilamente.


Vale ressaltar que Neil Gaiman esteve no Brasil, participando da FLIP 2008. Onde ele foi muito bem recebido e autografou os livros de muitos fãs. Para quem perdeu, segue um consolo no qual ele lê um conto seu:



Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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Tristão e Isolda


Escrita a partir da lenda medieval celta, Tristão e Isolda conta a história de um casal que enfrenta diversos obstáculos para se unir. Trata-se do arquétipo base que dá origem a muitas histórias que tratam de honra e traição, amor e sacrifício. Assim como é o caso de Lancelot e Guinevere ou de Romeu e Julieta.

Os muitos estudos históricos discordam das origens reais destes personagens, tornando impossível identificar uma origem em comum para a lenda. Porém, há ecos de sua narrativa em diversas culturas. As origens da lenda remetem ao início do século XII, e envolvem muitas fontes e versões, sendo as mais antigas as do folclore celta do norte da França. Dois poetas da época, Thomas of Britain e Béroul detêm os primeiros textos mais conhecidos e, apesar de pequenas diferenças, ambos possuem a essência da história.

Nestas versões da história de Tristão e Isolda não há nada a ver com a corte do Rei Arthur ou a Demanda do Graal. Porém, a partir do século XIII, este conto passa a se confundir com a literatura arthuriana, tornando-se muito popular e sendo contado várias vezes e de variadas formas, em todas as líguas da Europa.

Richard Wagner, um dos maiores compositores alemães de todos os tempos, era versado em toda a literatura que envolvia este casal medieval e compôs a sua própria versão, baseando-se principalmente nos escritos de Gottfried von Strassburg. Para se saber como ficou esta magnífica opera de Wagner, ouçam:


Houveram muitas versões para o cinema. Sendo que a última, produzida por Tony Scott e Ridley Scott e escrita por Dean Georgaris, é a mais rica historicamente, pois podemos averiguar no contexto de invasões da Bretanha a história de muitos povos e o surgimento de uma língua. Na história da língua inglesa encontramos muitas referências aos povos e locais citados no romance e que são bem nítidos e definidos no filme. Mas a narrativa deste perde, e muito, ao ignorar a influência da poção do amor na história dos dois. Caso se interessem, logo abaixo segue o trailer deste filme:


Agora, se, como eu, preferem saborear este lindo romance através da leitura, eu sugiro a versão escrita por Fernandel de Abrantes. Pois ele tenta cozinhar as visões dos outros autores aqui citados em uma única panela, além de ser um livro de baixíssimo custo.


Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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O Lirismo Amoroso do Boca do Inferno


Há vezes em que o ofício pode se conciliar com o ócio. Como é o caso de certo seminário que apresentei tempos atrás sobre a poesia lírica de Gregório de Matos Guerra. Mais vulgarmente conhecido como "Boca do Inferno", a maior parte dos estudos são sobre a sua poesia satírica. O que tornou a pesquisa mais difícil, mas não menos empolgante. Haja visto que adoro, como um todo, a obra deste que é considerado o maior poeta barroco brasileiro. Aqui vai um pequeno trecho do dito trabalho:

Quis o poeta embarcar-se para a cidade e viu, antecipando a notícia à sua senhora, umas derradeiras mostras de sentimento em verdadeiras lágrimas de amor.


Gregório de Matos, o Boca do Inferno
Ardor em firme coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido:

Tu, que um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente,
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
Como quis que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu parecesse a chama fria.


Na primeira estrofe, o poeta caracteriza seus sentimentos para com a sua musa. O sofrimento é nitidamente evidenciado ao colocar como sinônimos de amor ardor e pranto. O exagero sentimental nesses dois primeiros versos se faz com a utilização da hipérbole (quando há exagero de uma idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto) e de pleonasmo ("mares de água"). Nos dois versos seguintes, o conflito amoroso no autor se torna claro com o uso de paradoxos - incêndio disfarçado em mares, neve convertida em fogo.

Na estrofe seguinte, ele escreve sobre esse sentimento que o consome. Para desenvolver tal conotação, foi necessário que o poeta começasse a atribuir toda uma simbologia na estrofe anterior, onde neve significaria tranqüilidade e fogo seria a inquietude do amor. E, com base nessa simbologia, ele coloca que seu peito está abrasado, que esse fogo (amor) aprisionado em cristal (no peito do poeta) o está consumindo.

As contradições oriundas do amor são questionadas com interrogações no primeiro terceto para que se chegasse à conclusão que enquanto ele (o poeta) fosse a neve ardente, ela (a amada) seria a chama fria. Perceba que essas definições estão calcadas no paradoxo para ressaltar os contrastes do amor (que não é correspondido pela parte feminina).

Espero que não tenha ficado muito "técnico". Tentei fazê-lo o mais simples possível para que pessoas sem muito conhecimento acadêmico possam entender mais facilmente.

Este seminário foi (muito bem) apresentado por mim e minhas colegas, Milene e Mônica. Serviu para mostrar que mesmo o maior poeta maldito brasileiro, cheio de versos mordazes e picantes, foi também o produtor de linhas tão doces como as desse poema.



Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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Amai-vos


de Gibran Khalil Gibran.

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

Mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,

No entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.

Poeta, pintor e filósofo libanês, Gibran emigrou com sua família para Boston (EUA) em 1895. Iniciou sua carreira literária escrevendo poemas e meditações para o Al-Muhajer (O Emigrante), jornal árabe local. Seu estilo novo, cheio de música, imagens e símbolos, atrai-lhe a atenção do Mundo Árabe.

Em 1910, muda-se para Nova York, onde reúne em volta de si uma plêiade de escritores libaneses e sírios que, embora estabelecidos nos Estados Unidos, escrevem em árabe. O grupo forma uma academia literária que se intitula Ar-Rabita Al-Kalamia (A Liga Literária), e que muito contribuiu para o renascimento das letras árabes.

Os primeiros livros de Gibran -- Asas Partidas, As Ninfas do Vale, As Almas Rebeldes, Temporais -- foram uma série de escritos revolucionários, com os quais esperava destruir tradições e instituições, denunciar a vilania e a estupidez, desmantelar o trono dos gananciosos, humilhar o clero que prega o que não pratica, edificar um novo estilo de vida.

Após esses livros, Gibran, o revolucionário, transformou-se em Gibran, o filósofo. Mais preocupado com a alma humana do que com as instituições sociais, convencido de que os piores inimigos do homem estão dentro e não fora dele mesmo, e que a compreensão e a compaixão são melhores instrumentos de reforma e progresso do que a condenação e a destruição. Viriam, então, os livros de mais ampla visão e de mais profunda ternura, como O Profeta, Jesus – O Filho do Homem, Areia e Espuma, dentre outros.

Gibran procura fazer do homem um homem melhor, sensível, justo, generoso, benévolo, mais apegado aos valores espirituais do que aos materiais, mais orientado pelo coração do que pelo interesse, mais feliz em dar do que receber. Seu ideal da vida: harmonizar-se com a natureza. "O amor é a única liberdade neste mundo, porque eleva a alma às alturas, além das leis e das tradições dos homens e das necessidades e imposições da natureza" (Asas Partidas). A leitura deste escritor é mais do que uma leitura, é uma saborosa renovação da alma.



Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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As maçãs entre as Brumas



Já faz um bom tempo que eu li As Brumas de Avalon. Creio que já é hora de pegar novamente os livros da estante e tirar cuidadosamente a poeira acumulada. Ler sem pressa, saboreando cada virada de página. Mas de modo intenso, como um bom sexo antes de dormir e sonhar.

Recordo que para mim, esta história tem gosto de maçã. Obra agridoce, polifônica, que traz a ótica feminina da lendas do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda. Guinevere, Morgana e outras personagens, que em romances anteriores sobre essas mesmas lendas eram apenas coadjuvantes, passam a ser as principais nessa narrativa envolvente. A obra causou muita polêmica ao ser lançada, na década de 80, por tratar de ocultismo e abordar a bruxaria. Além de falar abertamente a respeito liberdade sexual da mulher, que infelizmente ainda é considerada um tabu, mesmo entre os mais esclarecidos.

Marion Zimmer Bradley
O romance explora fatos históricos preenchendo as lacunas ignoradas sobre a influência do paganismo e das mulheres na formação da Bretanha (atual Inglaterra). Mas a autora norte-americana, Marion Zimmer Bradley, não se detém meramente em narrar os fatos políticos e religiosos que se confrontam neste lugar. Mais do que isso, a autora mostra como as mulheres (ignoradas na História das Civilizações) foram tão importantes quanto, se não mais importantes que os homens.

Poster do Filme
A adaptação para o cinema, dirigido por Uli Edel e filmada em Praga em 2001, foi muito bem recebida pela crítica, principalmente em relação a trilha sonora. Mas para os amantes da obra literária, este filme deixou muito a desejar. Afinal, além mostrar quase que outra versão da história, seria impossível abarcar toda a sua profundidade e  detalhes em apenas 183 minutos.

Por fim, pode-se dizer que esta obra é uma torta de maçã muito bem preparada em quatro volumes apimentados. Quem concorda ou discorda, por favor manifeste-se através dos comentários. Suas opiniões são importantes!


Até a próxima refeição, digo, leitura. ^^



Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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Da Metamorfose à Metamorfossa


Hoje falarei um pouco de A Metamorfose, de Franz Kafka:

Para ler Kafka são necessários alguns cuidados especiais: contar com uma certa atenção à maneira com que toda obra se constrói, principalmente seus períodos; estar sempre consciente de que toda a sua criação literária foi feita com o intuito de não parecer bonita, de ser, principalmente, uma obra baseada na dor; e ficar atento a todos os detalhes do texto, pois em Kafka, até as imperfeições são propositais.

Sua obra está marcada por uma ruptura interior alimentada pela sua confusa identidade: um judeu tcheco que escrevia em alemão. Ao longo de toda a sua obra, Kafka entrega-se à exploração do seu universo interior.


Uma de suas obras em especial, com a primeira edição datada em 1915, reproduz a sensação do homem moderno que virou o inseto insignificante das grandes cidades. Como quase todas as suas obras, A Metamorfose é alicerçada no realismo, mas tem uma inclinação à metafísica e nela há uma síntese entre uma racional lucidez e um forte sabor irônico.

É interessante perceber que mesmo quase um século depois de ser publicada, tal obra trata de questões que ainda são muito presentes e exerce sua influência. Um bom exemplo disso é uma música da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acajú. A música de que falo faz referência tanto a esse livro de Kafka como ao poema "José", de Drummond. Ressignifica ambos em uma evidente critica a atual política brasileira, na forma de uma melodia alegre e divertida:

E agora, Gregório?
de Leonardo Bursztyn


Quando acordou, Gregório Samsoniti
Tinha se tornado um horrível sanduíche
De frango compactado
De frango com aliche

Nem em seus mais terríveis pesadelos
Tinha picles no lugar dos cotovelos
E justo ele
Que tinha um futuro promissor
Como herdeiro de uma gigante do setor
De bolsas, malas e maletas

E agora, Gregório?
Não vou poder comparecer a seu velório
Não vou poder comparecer
E agora, Gregório
Não vou poder comparecer a seu velório
Não vou poder comparecer
Que final mais inglório
Numa lixeira de praça
Uma lixeira de praça
Praça de alimentação
Praça de alimentação

O caso de Gregório não foi isolado
Era sanduba de bacana pra todo lado
Se é bom pra você
Imagine pra mim
Ver o seu deputado devorado
Com alface e gergelim

Quem era foda
Se food
Quem era foda
Se food
Acabou-se a mamata

Seu Nestor
Celebrando
O fim da mamata
Seu Nestor e os incríveis previdenciários
Celebrando
O fim da mamata

Para conhecer mais do trabalho artístico dos autores dessa "Metamorfossa" (como eles mesmos denominam), acessem o site oficial da banda. Nele é possível ouvir gratuitamente todas as músicas da banda. Os que já conhecem confirmarão quando digo que são de ótima qualidade.

Enfim, humildemente espero que tenham apreciado o que escrevi e voltem a me ler mais vezes. Até! =]

Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Já trabalhou com layout, diagramação e revisão de texto de sites e jornais. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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O Devorador de Livros




Saudações, leitoras e leitores!

Aqui quem escreve é Vinícius "Elfo" Rennó, um dos coordenadores da Revista ContemporARTES. Venho comunicar que, infelizmente, Daniele Moreira está passando por um momento difícil e não poderá mais escrever para nós, por enquanto. Esperamos que ela volte a nos brindar com seus textos quando as atribulações de sua vida acalmarem. Mas por hora, permitam-me ocupar o seu lugar e apresentar algumas tentativas minhas de crítica literária e literatura comparada (se é que eu posso denominá-las assim).

Os escritos que apresentarei a partir de agora fazem parte de um antigo projeto pessoal, chamado Devorador de Livros. O qual explico nessa minha primeira postagem aqui na ContemporARTES:

Trata-se de um eu-lírico entusiasta do Manifesto Antropófago de 1928, uma resposta às questões colocadas pela Semana de Arte Moderna de 1922. A cada livro que deglute, transforma-se em outra pessoa e escreve coisas novas; comprovando para si que nunca se é o mesmo depois que se lê uma obra literária, qualquer que seja. Acredita que uma biblioteca pode muito bem ser equiparada a uma dispensa, onde as estantes e prateleiras podem estar repletas de guloseimas saborosas ou deter apenas o essencial a sobrevivência -- afinal, é certo dizer que alguns livros são de extrema importância para se sobreviver; seja do ponto de vista profissional seja do ponto de vista social, algumas leituras são indispensáveis.

Este eu-lírico está disposto a compartilhar (com quem queira saber) o que saboreia, sente e pensa a partir dos livros que devora. Indicando o que achar de mais gostoso e alertando aos incautos a respeito das possíveis frutas podres -- sim, por fome pode acabar lendo coisas insólitas e até mesmo venenosas, mas não há razão para alarde, pois o que não o mata o fortalece. Em suma, gosta de fornecer dicas de como apreciar todo tipo de alimento, desde iguarias-poéticas-finas até um salgado-de-padaria-literário.

É com este espírito bem humorado que, nas próximas postagens, farei a degustação de alguns livros que já li.
Espero que apreciem.


Vinícius "Elfo" Rennó é graduando em Letras pela UFV. Gosta de cozer bem o que escreve. Basicamente, trata-se de um leitor glutão, amante de cinema e viciado em música. Já trabalhou com layout, diagramação e revisão de texto de sites e jornais. Atualmente é membro do corpo editorial da Contemporâneos – Revista de Artes e Humanidades e, juntamente com a Prof. Dr. Ana Maria Dietrich, coordena a ContemporARTES – Revista de difusão cultural.
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