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VI FEIRA ANARQUISTA DE SÃO PAULO


A VI Feira Anarquista de São Paulo, organizada pela Biblioteca Terra Livro será no dia 15/11/2015 das 10h às 20h no Espaço Cultural Tendal da Lapa, Rua Constança, 72 com a entrada gratuita. 

Segundo divulgação, tem como objetivo realizar um encontro de anarquistas e simpatizantes. Com a mostra e venda de livros, jornais e outros materiais de cunho libertário do país e do mundo. Contará também com palestras, debates e outras atividades culturais. 

Fonte: https://feiranarquistasp.wordpress.com/


"PROGRAMAÇÃO DA VI FEIRA ANARQUISTA DE SÃO PAULO (2015).
Para mais informações entre em contato: feiraanarquista@gmail.com
10h00 – Início da Feira Anarquista de São Paulo 2015
10h00 – Filme: Casa da Lagartixa Preta “Malagueña Salerosa”: 10 Anos de Experiências Anarquistas (70 min)
10h00 – Jogo: Jogo da Memória do Muralismo Libertário e outras brincadeiras(Espaço Adelino de Pinho)
10h30 – Oficina: Aproximações entre anarquismo e improvisação musical livre – Stênio Biazon
10h30 – Debate: Futebol Libertário – Rosanegra Ação Direta e Futebol (São Paulo/SP)
10h30 – Debate: As lutas e experiências do Coletivo Autonomo dos Trabalhadores Sociais/CATSo (São Paulo/SP)
11h00 – Oficina: Oficina de Encadernação – Imprensa Marginal (São Paulo/SP)
11h00 – Oficina: Oficina de minitransmissor de rádio FM – Coletivo Bagu.io (São Paulo/SP)
11h30 – Filme: Índios Munduruku: Tecendo a Resistência (25 min) +Mundurukânia: na beira da história (46 min)
12h00 – Debate: 150 anos da morte de Proudhon: Federalismo, Autogestão e Educação – IEL – Instituto de Estudos Libertários
12h00 – Debate: “Romancero de Mujeres Libres” de Lucía Sánchez Saornil – Thiago Lemos (Patos de Minas/MG)
12h00 – Jogo: Partilha do Tesouro (Espaço Adelino de Pinho)
12h30 – Jogo: Quebra-cabeça das Mulheres Livres (Espaço Adelino de Pinho)
13h00 – Oficina: Instalação de meio de comunicação seguro para celular Observatório da Privacidade e Vigilância
13h30 – Debate: Anarquismo e Questão Indígena – Ativismo ABC (Santo André/SP)
13h30 – Filme / Debate: Comitê contra o genocídio da Juventude Negra do Grajaú(São Paulo/SP)
14h00 – Oficina: Encadernação para e com crianças – Biblioteca Terra Livre (São Paulo/SP) (Espaço Adelino de Pinho)
15h00 – Oficina: Midiativismo libertário – RIA – Rede de Informações Anarquistas (Rio de Janeiro/RJ)
15h00 – Debate: A Greve dos Professores na Perspectiva Autônoma e Anarquista– Professores que participaram da greve em São Paulo e Curitiba
15h00 – Debate: Lançamento do livro “Anarquismo e a Revolução Negra” de Lorenzo Kom’boa Ervin  Coletivo Editorial Sunguilar (Rio de Janeiro/RJ)
15h00 – Debate: Maternidade e Militância (Espaço Adelino de Pinho)
15h00 – Filme: Curtas para Crianças e Adultos
16h00 – Oficina: Stencil para crianças com seus adultos (traga sua camiseta!) (Espaço Adelino de Pinho)
16h00 – Oficina: Oficina de minitransmissor de rádio FM – Coletivo Bagu.io (São Paulo/SP)
16h00 – Filme: Jaime Cubero – Centro de Cultura Social (São Paulo/SP)
16h30 – Teatro: Emma Goldman, uma vida libertária – Cibele Troyano / Debate:Emma Goldman e amor livre – uma aproximação com a atualidade? – Biblioteca Terra Livre (São Paulo/SP)
16h30 – Debate: Governo Progressista de Pepe Mujica no Uruguay: entre sapos e cobras – Ateneo Heber Nieto (Montevidéu/Uruguay)
16h30 – Debate: Pedagogia libertária e educação popular em cursinhos pré-universitários – Cursinho Livre da Lapa, Acepusp e Frente de Cursinhos Populares (São Paulo/SP)
18h00 – Debate: O Protagonismo Feminino na Revolução Social Curda em Rojava – Anelise Csapo (São Paulo/SP)
18h00 – Debate: Pensando o Anarquismo hoje, lançamento do livro “101 definiciones del Anarquismo” – Grupo Gómez Rojas (Santiago/Chile)
18h00 – Filme: Golpe por Golpe (85 min)
18h00 – Limpeza e organização do Espaço Adelino de Pinho
18h30 – Oficina: Jongo Preta Bandêra (Santo André/SP)
20h00 – Encerramento da VI Feira Anarquista de São Paulo
ESPAÇO ADELINO DE PINHO
O espaço Adelino de Pinho é destinado às crianças de diferentes idades que estarão com suas mães, pais ou responsáveis na Feira Anarquista. Esta é uma proposta do Laboratório de Educação Anarquista (LEA).
Ao longo de todo o dia:
– DÁDIVA
Espaço da dádiva e material anticonsumo (Fenikso Nigra e Barricada Libertária, Campinas/SP)
– EXPOSIÇÕES
* Lembramos que é importante levar sua garrafa ou copo de água pois o Tendal da Lapa não possui bebedouros, somente filtros de água. E devido ao rodízio de água promovido pela Sabesp o espaço pode ficar sem água no final do dia, por isso, programe-se!

Grupos, coletivos, editoras e publicações anarquistas interessadas em participar e, ou, expor seus materiais pessoalmente entrem em contato pelo e-mail feiraanarquista@gmail.com
Se você não puder comparecer, há maneiras de se envolver com a Feira:
Grupos e coletivos: podem enviar panfletos e, ou, painéis com informações sobre suas atividades para exposição das práticas anarquistas no mundo ou então enviar um video explicando o projeto que desenvolvem e o histórico do grupo.
Editoras e publicações anarquistas: podem enviar seus materiais que nos encarregaremos da exposição e venda.
Artistas: (amadores ou profissionais) podem criar e enviar um cartaz para a divulgação da feira. Mais informações para o envio de cartazes em: https://feiranarquistasp.wordpress.com/cartazes/"
Até lá.
 Foto: Letícia G. Camillo.

Soraia Oliveira Costa, mestre em História da Ciência pela UFABC e graduada em Ciênciais Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA). Professora de Sociologia na Educação Básica e na Educação de Jovens e Adultos no Estado de São Paulo. Trabalha com audiovisual e oralidades desde meados de 2007. Produtora do documentário "Transformação sensível, neblina sobre trilhos", que trata da história vila de Paranapiacaba, feito com incentivo do MEC/SESu, UFABC e FSA. Nas horas vagas estuda música, toca acordeon e joga futebol no Rosanegra Ação Direta e Futebol.
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Uma secretária de passado


Contrariando a (minha) regra básica de todo festival de cinema – a de que a graça não está em ver antes de todo mundo o novo Tarantino, mas em garimpar as fitas que jamais darão o ar dos créditos nem em catálogo de mostra de diretor iraniano underground –, desta vez não quis embrulhar meus neurônios mais navegantes e resolvi, por isso, atracá-los num porto seguro: o de Liverpool.

É lá que se passa boa parte do doc Nossa querida Freda – a secretária dos Beatles, cuja protagonista é uma quase setentona que, aos de-zes-se-te anos, e depois de frequentar fãzocamente os porões do Cavern Club, tornou-se o mindinho direito de John, Paul, George, Ringo e (Brian) Epstein, o primeiro empresário da banda.

Mindinho porque, apesar de colher autógrafos, dedicatórias, mechas de cabelo, pedaços de camisa e até mimos inusitados (como uma fronha dormida por Ringo) de seus patrões a fim de enviá-los (os mimos, claro) às membras do fã-clube – e de estar sempre tão perto deles a ponto de a imprensa, em dado momento, cogitar um casamento entre ela e Paul –, Freda procurou ser a garota mais nowhere possível, e em nenhum instante pareceu tirar proveito da situação para se promover ou ganhar uns trocados com souvenirs, furos ou biografias não autorizadas.

Tanto é que ainda hoje malha os dedos de secretária nos teclados da vida e raramente comenta com familiares e amigos os anos imersos no submarino amarelo. Ela mesma diz que só decidiu falar para a câmera do cineasta Ryan White quando se deu conta de que logo o neto recém-nascido encontraria a avó sentada numa cadeira, gato a tiracolo, e não imaginaria o que ela tinha feito na juventude.

Uma de suas responsabilidades (ou privilégios) era receber as centenas de cartas que chegavam toda semana à sua casa, ingenuamente transformada por ela em sede postal do fã-clube, que passou a presidir. Seu pai, coitado, nadíssima feliz com o trabalho da filha, é que se revirava para achar – entre milhares de love, love, love – as contas de água, luz e gás.

De certa forma, Freda era como essas contas: um resquício de vida-como-ela-é, um vestígio de sobriedade e comedimento, em meio a tanta histeria. Quase inacreditavelmente, a menina adolescente adulta – que, segundo a própria, amadureceu rapidamente naqueles anos – conseguiu manter os pés fincados no meio-fio da realidade, ainda que diariamente atravessasse abbey roads e penny lanes.

A certa altura do filme, ao ser indagada sobre um possível affair com um dos rapazes, ela pede entre sorrisos para pular a questã. Não se poderia esperar outra reação – à Monalisa – de quem foi tão íntima do mítico quarteto e, mesmo assim, encarava o emprego dos sonhos de qualquer beatlemaníaco como um emprego, sem aparentemente se deixar entorpecer pelo céu de diamantes que pairava sobre sua cabeça.

A você, admirador do Fab Four: se tiver a chance de ver e ouvir essa simpática história de bastidores – deliciosamente emoldurada por canções que vão da sessentíssima “I saw her standing there” à discretamente fofa (como Freda!) “I will” –, não pense meia vez. Garanta já seu ticket to ride.








Fábio Flora é autor de Segundas estórias: uma leitura sobre Joãozito Guimarães Rosa (Quartet, 2008), escreve no Pasmatório, tem perfil no Twitter e no Facebook.
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Saga acordeonística





Eu e um camarada, o Augusto, fomos de Sk8 no Show da Erykah Badu em Santo André.



No trajeto de nossa casa até lá, passamos por uma rua e vimos um churrasco acontecendo ali. Paramos para comprar uma água e um espetinho, mas era festa de casamento, não estavam vendendo nada. Nos convidaram para confraternizar a mais recente união da "comunidade". Como ainda era cedo e estávamos com fome/sede aceitamos proposta. Conversamos com algumas das pessoas presentes, brincamos com as crianças de SK8 e ensinamos para algumas delas os passos básicos do forró - som que estava rolando no casório.

Um senhor (Antônio) com sua companheira, chegou em mim e comentou que tínhamos noção de compasso e ficaram contentes por termos tratado as crianças bem, disse que em breve compraria um acordeon para dar aulas e gostaria de me ensinar a tocar.

Cheguei em casa e comentei com minha mãe nordestina. Foi então que ela comentou comigo que sempre foi um sonho para ela quando nova e que inclusive tínhamos uma tia que tocava… Porém, meu avô Manuel era extremamente conservador, embora pobre,  e machista, disse para minha mãe que acordeon não era um instrumento para mulheres tocar.

Soraia O. Costa e seu avô Manuel na Bahia em 1989. 


Comecei a pesquisar este instrumento e me encantei por ele, realmente constatei que são poucas as mulheres que o tocam. Passou o ano e o senhor Antônio ainda sem tempo e sem o equipamento para ensinar... até que minha irmã Daniela comentou comigo de um local que dava oficinas gratuitamente em Mauá. Fui até lá ver quais eram as possibilidades, apesar de ter pouco tempo, consegui encaixar as aulas de acordeon na minha rotina, que além de "grátis" não precisaria ter o meu próprio instrumento para aprender. 

Comecei a aprender e a me encantar pelo novo aprendizado. Soube que um parceiro, o Marcelo tinha um acordeon parado, consegui uma vaga para ele também fazer aulas grátis e as vezes ele me emprestava para poder treinar também nas horas vagas.

Oficinas Culturais de Mauá.
Foto: Marcelo Galindo

Como ele também tem pouco tempo para se dedicar, as vezes era ruim dividir comigo seu instrumento e o custo dele é muito alto e algumas pessoas cientes da minha situação financeira começaram a me ajudar comprando número de rifa (ideia da minha companheira Letícia!), doação de $ (presente de aniversário adiantado!) e outras com apoio moral e indicações de locais/pessoas que vendiam mais barato.

Fole gasto é mais difícil, todo respeito com os artistas de rua!
Foto: Ellen Flamboyant.

Até que um parceiro no futebol e da vida, o Danilo, sabido da minha saga, me escreveu da Áustria e se ofereceu para pesquisar um acordeon por lá! Aceitei a proposta por ter conseguido juntar uns trocados e por saber que fora do Brasil instrumentos (e muitos outros equipamentos) são muito mais baratos.

Auto-Retrato, com acordeon emprestado.
Após pesquisas realizadas, ele encontrou uma feira que haviam dois acordeons de 80 baixos… Resultado, ele comprou os dois! Porém para trazer de avião passou por algumas complicações, e do Rio de Janeiro para São Paulo teve que despachar um deles que chegou quebrado.




Para arrumar o prejuízo, levamos numa loja os dois e vimos que seria interessante trocar ambos por dois afinados, ainda assim saímos com alguma vantagem.

Agradeço as pessoas que apoiaram neste momento e vos informo que finalmente posso treinar com um instrumento nas horas vagas!

E quem sabe num futuro possa tocar as músicas que minha mãe gosta e um dia também ensiná-la a tocar?

Acredito que todas mulheres podem fazer o que quiserem! E comprovo à todas por meio dos aprendizados no acordeon, por jogar futebol e andar de Sk8 que somos, além habilidosas, fortes!


Soraia Oliveira Costa, mestranda em História da Ciência pela UFABC e graduada em Ciênciais Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA). Trabalha com fotografia, audiovisual e oralidades desde meados de 2007, quando começou a analisar o cenário urbano, a natureza, o trabalho, as transformações sensíveis, os transportes, o comportamento, a cultura, a arte...Diretora do documentário"Transformação sensível, neblina sobre trilhos", sobre a vila de Paranapiacaba, feito com incentivo do MEC/SESu pela UFABC e pelo Centro Universitário Santo André.








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E que venha (muita cultura em) 2014!





2013 foi um ano movimentado no Brasil. 2014 promete ser ainda mais.

A Copa do Mundo e as Eleições presidenciais são os dois grandes eventos que, sem dúvida, vão dominar a “pauta” e gerar muita discussão nas rodas de amigos e mesmo entre desconhecidos. Será interessante acompanhar a preparação e o desdobramento desses acontecimentos e buscar as reflexões geradas por eles.

Mas, além desses eventos, o ano será de muitas novidades no teatro, cinema, TV,fotografia, literatura, música... E tudo isso encontra espaço na ContemporARTES.

No ano que se inicia na quarta-feira, nós da ContemporARTES contamos com a sua colaboração para fazer uma revista cada dia mais completa, com conteúdo variado. O lançamento do seu livro, a exposição das suas fotos, informações sobre seu trabalho com música e teatro, um artigo de opinião, o resultado da sua pesquisa acadêmica... Você pode enviar sua colaboração para o e-mail contemporartes@gmail.com e, em caso de publicação, entraremos em contato. 


Que 2014 seja um ano de muitas realizações e de muita cultura para todos!


Mônica Bento é jornalista, formada pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Em seu trabalho de conclusão de curso estudou a função social das salas de cinema e desenvolveu a reportagem multimídia CineMemória. Pertence a equipe de Comunicação da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural.
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Põe um som aí Deejay



Hoje dividirei com os leitores um pouco da minha trajetória como Deejay. Óbvio que inicialmente tive influência da minha família que sempre agitada, fazia freqüentes visitas aos parentes e amigos, aos feriados prolongados viajávamos para a casa do meu tio na praia e subíamos de fusca azul a Serra do Mar, cantando.

Sou caçula e tenho duas irmãs, meu pai Edu, tinha a coleção completa em discos do The Beatles, além de outros artistas de rock, principalmente, nacional. Minha mãe Dio, no geral, gosta música popular brasileira e de alguns 'sons do momento', assim como minhas duas irmãs Nadia e Daniela.

Bisa Dalila, dança muito aos 92 anos. 


Fiz aula de canto lírico no Budismo e tive algumas aulas de piano, mas parei de praticar e até hoje ainda não desenvolvi, luto para ter tempo e grana para investir em ambos aprendizados. Me recordo que com as raquetes de tênis, eu e minha prima Natália imitávamos a banda Secos e Molhados:


Depois ampliei meus conhecimentos com os amigos das minhas irmãs. Um deles é o Ronaldo Vetro, hoje meu amigo também, lembro das festas que ele fazia, chamavam de "bate cabeça", junto com meu pai os levava até lá, via os discos, as caixas de som e, mais ou menos 10 anos, já me interessava.

Ronaldo Vetro e So Xing


Por volta dos 12 anos, o ex-namorado de uma amigona, a Daniela Bianco, me deu uma fita com artistas do rock fim dos anos de 1970 - pós punk. Gostava daquela ritmo com ruídos e linhas de baixo, guitarra e bateria.


Nasci e morei até os 18 anos em SBC, convivia lá com vários amigos do bairro gostavam de reggae, ska, hard core… comecei a ouvir e ir à alguns shows das várias bandas independentes, aqui da região do ABC, inclusive algumas ainda resistem na luta da produção musical: BaboomDance of Dance, Sapo BanjoSuper Chaiz… 



Tive uma decepção amorosa e passei por um processo de metamorfose… Comecei a me relacionar com outras pessoas, freqüentar outros lugares. Esta época tinha uns 15 anos, ia para um clube que tocava eletrônico e rock em São Caetano, o Atlanta.

Toca da Haninha - Foto Reggie
Depois recebi um convite do  Luciano Felix para ir à uma festa rave de: techno e fui… Foi contagiantente energicamente falando, queria mais momentos iguais aquele. Comecei a freqüentar clubes underground em SP. Até que tive um convite para trabalhar no Bar do Susi In Transe fazendo drinks e como precisava de grana, aceitei.

Carnaval na Toca da Haninha - Foto Reggie
Lá conheci muitas pessoas que vivem da música, de festas. Comecei a freqüentar outros clubes, festas nas casas dessas pessoas e também a tentar remixar nesta época com influência de um dos pioneiros Deejays de SP, o Julião

Festival de Inverno Paranapiacaba - 2011
Saí do Susi e comecei a trabalhar no Dedge, como promoter da festa MotherShip com o China e o Techjun, depois comecei a trabalhar eventualmente em outras festas.



Undercover - Rocker club
Heat - Club SPKZ
Sundaway - Livraria da Esquina

Iniciei a graduação em Ciências Sociais no CUFSA e perder noites de sono em festas não estavam sendo mais saudáveis, muito menos produtiva. Via um convite feito pela Ana Laura, comecei a trabalhar com moda, porém continuei a pesquisa musical e a freqüentar clubes. Nesta época, comecei a estudar remixagem com o Leandro Bionic e junto com sua esposa Miriam começamos a nos apresentar como Xing Lee Duo em vários clubes: Vegas, fomos residentes do Tapas, das festas Altera e Sundway. Tivemos um ano com a agenda cheia de apresentações remunerada.

Alterola - Club Tapas

Alterola - Club Tapas

Sundaway - Club 8 beats



So "Xing" e Mirian "Lee"

Há tempos parei de discotecar e ouvir música eletrônica, comecei a pesquisar e ouvir diariamente rap, hip hop, afrobeat, funky, rock, samba, chorinho entre outras músicas brasileira de qualidade. Porém, agora com a dedicação ao mestrado ando com pouco tempo para me empenhar com mais assiduidade a remixagem, mas nunca deixei de pesquisar e de ampliar o acervo sonoro.


Cat's Barbacue 3.2. Brown Sugar
Poderia ficar horas digitando as referências, mas deixarei para outro momento. Agora vou parar de contar a biografia, todo esse lenga a lenga, e ouvir um som!!

E se quiser desfrutar um set, acesse:

https://soundcloud.com/so-xing/embola-bola-balan-ar

Até mês que vem,

Soraia Oliveira Costa, mestranda em História da Ciências (UFABC), bacharel e licenciada em Ciencias Sociais (CUFSA/2009).
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Drops Cultural julino




No dia 12 de junho, a Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul comemorou 22 anos de atividade. Para marcar o aniversário, foi lançada a autobiografia "Memórias de um Engenheiro da Cerâmica São Caetano", de autoria de Urames Pires do Santos. O autor, de 88 anos, conta histórias ocorridas durantes os cerca de 30 anos em que trabalhou como engenheiro da Cerâmica São Caetano, uma das mais importantes indústrias da cidade. Através do relato de sua história pessoal, Urames dos Santos leva o leitor por uma viagem por aspectos da sociedade e da política de São Caetano.
O livro marca também a retomada do projeto editorial da Fundação, que teve sua última publicação em 2007. Outras informações no site.


A editora Literacidade divulgou a lista de poemas e poetas selecionados para o Volume 02 da Coletânea "100 poemas 100 poetas". Confira a lista completa!
Se você se inscreveu, mas não foi selecionado para este volume, continue acompanhando o site da revista e não deixe de participar das próximas chamadas. 


O mês de junho mal terminou e já ficou na história e na mente dos brasileiros pelos protestos que tomam conta das ruas de capitais e cidades do interior em todo o país. O nosso colunista Abilio Pacheco analisou o movimento dessa “massa disforme que sabe exatamente o que quer”, confira as observações dele sobre   os protestos aqui. 


Estão abertas as inscrições para quem deseja participar do 9º Encontro Internacional de Música e Mídia como ouvinte. O evento será realizado de 18 a 20 de setembro, no auditório Lupe Cotrim da ECA-USP. 
O evento é uma promoção do Centro de Estudos em Música e Mídia – MusiMid, grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-graduação em Música do Departamento de Música da ECA/USP. O centro reúne "profissionais do meio acadêmico e artístico de formação multidisciplinar, além de estudantes de graduação e pós-graduação que têm como centro de interesse comum o estudo das múltiplas relações entre música e suas formas de comunicação e recepção". Mais informações sobre a programação e como participar, no site do evento.


Mônica Bento é jornalista, formada pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Em seu trabalho de conclusão de curso estudou a função social das salas de cinema e desenvolveu a reportagem multimídia CineMemória. Pertence a equipe de Comunicação da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural.  
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A canção, a memória e a identidade





A construção de identidades, como nos mostra Stuart Hall, tem a função de garantir que relação entre o mundo e o sujeito, ou uma coletividade, seja mais estável, unificada e previsível. Para o historiador Jacques Le Goff, a memória é um dos elementos essências no processo de construção das identidades. Partindo destas duas ideias, pretendo apresentar uma pequena análise da capa do Long Play (LP) This time the World , da banda inglesa No Remorse (Sem Remorso), com o objetivo de verificar como elas estão presentes neste documento e são inteligíveis sem obrigatoriamente ser necessário ouvir as canções.
 
           This time the world ("Desta vez, o mundo", em tradução livre) é o primeiro LP desta banda Skinhead, lançado pela gravadora francesa Rebelles Européens,em 1988. Ele foi relançado, em 1992, no formato Compact Disc, pela mesma gravadora e em 1995 pelo selo sueco Last Resort. O título é uma referência ao livro homônimo, escrito na década de 1960, por George Lincoln Rockwell, fundador do American Nazi Party (Partido Nazista Americano).
 



Liderado pelo vocalista e militante nacional socialista, Paul Burnley, este LP foi dedicado a duas figuras ligadas ao Nacional Socialismo, consideradas heróis: Rudolf Hess, membro do alto comando do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NASDAP), homenageado com a canção We salute you (R. Hess), e Robert Mathews, fundador da The Order, organização supremacista branca norte americana da década de 1980, homenageado com a canção Hail the Order.
 
              A No Remorse toca um estilo conhecido como Rock Against Communism (Rock contra o Comunismo), nome criado para designar as bandas  que tocam canções que tratam, entre outros temas, da defesa da identidade europeia contra o que eles consideram os males da globalização, como o multiculturalismo.
 
Desenhada por Nick Crane (um skinhead supremacista racial inglês, que após algum tempo de ativa militância abandonou o movimento e assumiu sua homossexualidade) a imagem pretende transmitir  a ideia, como aponta Elizabeth Jelin, de uma narrativa memorial, criando uma espécie de genealogia europeia comum, independente da nacionalidade, associando a figura do Viking, ao soldado da Waffen SS e, finalmente, o Skinhead, em ordem cronológica, todos sob a bandeira da Cruz Celta, símbolo utilizado pelos grupos supremacistas raciais brancos para identificar militantes desta causa. Pretendeu-se com isto transmitir a mensagem de que o homem branco do tempo presente descende de uma linhagem de guerreiros.  A linha de combate do tempo presente é respaldada pela memória. Além disto, a imagem enfatiza a qual grupo social este disco é dedicado: jovens eurodescendentes.

 
A imagem também se relaciona com os nomes das canções expostos nas contra capa do LP, pois identifica claramente aqueles que são considerados inimigos : são os negros, na canção Niggers, os judeus, em Six Millions Lies, (canção que nega a existência do Holocausto), os comunistas, em Smash the Reds e europeus que discordam dos ideiais destes grupos, em Race traitors.
Canções com Mother England, e This Land is yours, incentivam os jovens a lutar por sua terra natal e a instituição de uma nova ordem social, baseada no nacional socialismo.
 
 
 
A imagem de crianças posando para fotografias e portando símbolos, a futura geração de ativistas, é um expediente muito recorrente na propaganda de grupos políticos, vale ressaltar, seja qual for a orientação. O objetivo é transmitir a ideia de garantia de que as próximas gerações irão lutar pela mesma causa pela qual a gerações passadas lutaram e a geração atual luta, estabelecendo um círculo de comprometimento e um sentido de estabilidade. This time the World , como aponta Jelin, constrói uma  conexão coerente entre o passado e o presente, e creio que vai além, pois pretende fazer o mesmo com relação ao futuro.
 
 
Alexandre de Almeida é graduado em Historia e mestre em Antropologia, ambos pela PUCSP. Sua pesquisa tem como foco os grupos juvenis urbanos e seus posicionamentos políticos/partidários. Também realiza pesquisa na área de Arquivologia, com ênfase em documentos audiovisuais e sonoros. Foi radialista na Patrulha FM, em Santo André (SP), especializada no gênero Rock, no final da década de 1990, onde além de apresentar a programação comercial noturna, produziu e apresentou o programa “Expresso da Meia Noite”. Trabalha, há mais de dez anos, com patrimônio histórico arquivístico, atuando em instituições como o Arquivo Público do Estado de São Paulo e Centro de Memória Bunge. Atualmente, coordena a área de Arquivos Sonoros e Audiovisuais do Acervo Presidente FHC e trabalha como professor na rede pública de ensino de São Paulo.

 
 
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