domingo, 27 de setembro de 2009

Drops Cultural da Banharoli - Tragédia em Santo André



Hoje, uma coluna especial. Pedi socorro a uma escritora de Vinhedo, pois precisa de um antídoto contra o mal recém chegado a mim e a conhecidos como uma bomba, em todos seus sentidos: cor, cheiro e devastação. De imediato, fui atendida.E o resultado, do meu bálsamo, em forma de reflexão literária, apresento a seguir. Simone Pedersen escreveu a crítica, logo abaixo, sobre a tragédia que aconteceu, nesta última quinta-feira, 24, em Santo André, precisamente na esquina de minha casa. Digo a todos que literalmente entre mortos e feridos, sem aspas, estamos todos bem. Minha família, pois mesmo a 500m da loja, minha casa sofreu pequenos danos e a família de minha amiga, Guelma, que Graças a Deus, está hospedada em casa junto a sua família. Confesso que foi um prazer, o maior, vê-la salva. Por sorte, a casa dela não caiu e o alicerce está íntegro. Embora portas e janelas arremessadas com os batentes, os vidros das janelas encravados nas paredes opostas, os ferros todos das esquadrias retorcidos, carros danificados, eles vão poder voltar para casa, pois ela está lá. Já com os outros vizinhos, conhecidos de 30 anos...poderão voltar...a frequentar o local, pois não têm para onde voltar. Ah! não sabíamos que o Sandro, sua mãe Sonia e sua esposa Çonceição, fabricavam lá. Sabíamos que era um bazar que vendia pipas e ,nas festas, bombinhas e rojões e mesmo assim, muiiiitos abaixos-assinados foram feitos. Mas...sabemos que País é esse. O que não sabemos é como mudá-lo. Sabemos que desta vez... tarde demais.
Sim, foram duas vítimas. Perante a proporção do estrago, só duas vítimas. Mas, não podemos ser coniventes com este estado de coisas. Foram duas mortes. Para mim basta, pois eram duas vidas. Apreciem a crônica. Neste momento de leitura me senti salva e viva, portanto, recomendo Literatura. Tenham um bom domingo!


Rosana Banharoli, poeta e jornalista, é coordenadora do blog ContemporARTES.
Brincando de Deus

Um novo amanhecer... Pássaros cantando, gatos se espreguiçando e pessoas apressadas caminhando para seus locais de trabalho.
Um novo dia... Um novo desafio na vida de milhões de brasileiros que se desdobram em forças para cumprir tantos papéis na diária conquista da sobrevivência.
Em Campinas, uma família encontra um ninho de beija-flores em sua garagem. Estupefatos, admirados e encantados com a poesia da natureza escrita nas folhas de uma samambaia, fotografam e registram a singela experiência.Em Santo André, uma comunidade toda é abalada por uma explosão. Desesperados, dilacerados e atormentados com o terror escrito em lares destruídos, são marcados profundamente. Imagens que não serão guardadas em papel, mas se farão presentes pelo resto de suas existências.
As catástrofes naturais, como terremotos e tsunamis, tiram vidas antes da hora e nos deixam perdidos na incompreensão. As catástrofes causadas pelo homem, pelo descaso dos responsáveis e das autoridades, nos deixam inconformados, inseguros e desesperançados.
Um estabelecimento comercial que foi autuado por três vezes e não apresentou a liberação por vistoria do Corpo de Bombeiros – e, ainda assim – funcionava! Um Poder Público omisso que leva seu povo a morte. Um empresário irresponsável brincando de Deus.
Enquanto populações sofrem atrocidades causadas por guerras e guerrilhas, nós, brasileiros, convivemos com o caos interno: ilegalidade, imoralidade, irresponsabilidade e impunidade.
As imagens de destruição- resultantes de ataques terroristas e forças militares - que assistimos nos jornais internacionais são idênticas as que assistimos no local da explosão em Santo André, SP. Escombros. Feridos. Desaparecidos. Mortos. Poderia ter sido na sua cidade. Poderia ter sido na sua rua. Poderia ter sido a sua vida transformada em pó.

4 comentários:

Contemporartes disse...

Desculpem os erros nas primeiras linhas. Por causas desconhecidas, não consegui arrumar. Vontade própria do texto,rsrsrsr.Obrigada!Rosana

27 de setembro de 2009 01:50
Anônimo disse...

De fato, essa tragédia vai ficar marcada durante algum tempo em nossas vidas e retinas, pedindo uma solução; que começa pelo modo como vivemos e planejamos nossa cidade.

Rosana, não se preocupe com esses erros. São coisas que acontecem, embora muitas vezes isso possa ser tratado como um crime. Crime foi o que aconteceu essa semana...

Vc está no caminho certo

Congratulations

Francisco

27 de setembro de 2009 10:22
Anônimo disse...

Rosana,

Eu ainda estou inconformada. O descaso com a segurança da população, passando por criminalidade e omissão da Adm.Pública, precisa de punições exemplares.Não só o empresário, mas os fiscais que não tomaram as medidas cabíveis. Deveria ter sido fechado, lacrado e pronto. A população que procurou as autoridades antes da tragédia deveria ter sido atendida. Mas o trauma sofrido por vocês jamais será esquecido. Simone

27 de setembro de 2009 13:10
Contemporartes disse...

Minha querida,so uma alma sensível como a sua para nos dar um testemunho desse. bjinhos, t adoro e estou do seu lado. bjs Ana

ps corrigi algumas coisinhas, era isso?

27 de setembro de 2009 16:19

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