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Sobre futebol, torcedores e a violência




Em tempos de final de campeonato regional, publico aqui um post de 2011,que escrevi para o blog A Pauta no Ponto e que trata de um assunto que, lamentavelmente, continua sendo realidade. 

*A Pauta*

Depois do primeiro jogo da final do campeonato mineiro, no último dia 8 de maio, dois rapazes conversavam no ponto de ônibus sobre o resultado. Um deles comentou, rindo: “jogador de futebol ganha muito bem, mas não pode sair de casa quando perde que corre o risco de apanhar na rua. Pior é torcedor, que não ganha nada e apanha também!”.

*O Ponto*

A violência nos estádios, e também fora dele, entre torcedores, é um problema que não é ignorado por ninguém que acompanha minimamente o futebol brasileiro. Não se passa um ano sem que algum caso mais sério aconteça e ganhe destaque na mídia.

Como o rapaz que conversava no ponto de ônibus bem disse, jogadores de futebol de grandes clubes ganham bem. Aliás, ganham muito bem. Um jogador faz parte de um determinado time exatamente por isso, pelo salário que recebe. É uma profissão.

É isso o que parece que alguns torcedores não entendem. Futebol é esporte, é paixão, mas é também comércio. Se um jogador tiver propostas melhores, na maioria das vezes não vai hesitar em trocar o time. Verdade seja dita, acredito que (quase) nenhum jogador partiria pra agressão para “defender” seu time. Violência entre jogadores, lamentavelmente, também é comum, mas não porque eles estão defendendo o time X ou Y. A agressão acontece simplesmente porque sentem alguma injustiça contra o time em que estão jogando naquele momento, independentemente de que time seja. Se o jogador A joga no time 1, vai brigar pelo time 1. Se amanhã ele estiver jogando pelo time 2, grandes as chances de que ele brigue pelo time 2. O mesmo vale para a maioria dos técnicos. Os atletas podem até nutrir predileção ou mesmo paixão por um time, mas isso não os impede de “trabalhar” para outros. É o mesmo caso de quem, em qualquer profissão, sonha em trabalhar em determinada empresa. Se você não conseguir um emprego nela, vai trabalhar para empresas diferentes, não é?

É diferente do que acontece entre torcedores. A maioria das pessoas que gosta e acompanha futebol torce por um time só ao longo da vida. E os que se sentem compelidos a agredir torcedores adversários parecem nutrir um sentimento pelo seu time mais profundo do que qualquer jogador ou dirigente, que basicamente depende daquilo para viver. Alguns torcedores parecem não entender que o jogo é sim uma batalha, mas dentro do campo. Que o papel da torcida é dar força para o time, não se “vingar” caso algo dê errado. O resultado do jogo não vai mudar. E o que conta É o resultado.

Para mim, esporte é diversão. Eu, que não compito em nenhum esporte, não faço apostas e não tenho ações de nenhum time, não ganho absolutamente nada quando “meu time” ganha ou perde. Claro, fico alegre, às vezes emocionada. Mas eu sei que aquilo passa, depois vem outro jogo, e a sorte pode ou não estar do meu lado. Porque para mim, é tudo uma questão de sorte. Não é assim para os jogadores, que se preparam, praticam, e podem realmente mudar de vida com aquilo. Mas o pior que pode acontecer com um torcedor em caso de derrota é ouvir piadinhas no trabalho ou na escola, e só.

A violência no esporte não é exclusividade do Brasil. E é claro que se deve cobrar das autoridades medidas preventivas e soluções para os casos que acontecem no país. Mas a questão maior e mais básica, na minha opinião, é a educação e a convivência. A intolerância está presente em tantas esferas no nosso dia-a-dia, que vê-la tão presente no que deveria ser lugar de descanso e lazer, é no mínimo lamentável (apesar de não ser novidade, como a fala tranqüila do rapaz no ponto de ônibus indicou). Não fiz nenhuma pesquisa e não tenho como me aprofundar no assunto aqui, mas acredito que essa violência é reflexo de questões mais profundas, inclusive socioeconômicas. O que não justifica e nem diminui a tristeza desses casos.

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O objetivo desse post não foi encontrar explicações para esse ‘fenômeno’ da violência relacionada ao futebol, foi mesmo apenas um “pensar alto” sobre um assunto que me incomoda bastante. Se você também já se pegou pensando sobre isso, tem uma opinião diferente ou um caso para contar, divida com a gente nos comentários! 
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Prisioneiros num país livre


Estamos vendo diariamente nossos jovens morrendo, sejam eles brancos ou negros, ou é nas mãos dos policiais, ou nas mãos dos bandidos.

Mas você pode até dizer o problema não é meu, mas é. Quantas vezes você sai da sua casa e não tem medo de morrer com uma bala perdida, na mão de um ladrão, que não terá piedade de você.

Quando seus filhos saem de casa, eles podem entrar nas listas das violências, quando permitimos que as mulheres sejam escrachadas nos comerciais e nas músicas estamos sendo coniventes com o machismo nojento que também mata.



Só achamos tudo isso normal, quando acontece na casa do vizinho, mas a próxima com certeza será a sua, porque enquanto nos fechamos num mundinho hipócritas leis brasileiras estão colocando os bandidos nas ruas e essas mesmas leis estão ficando cada vez mais brandas aos criminosos.


A violência não vê raça, religião e muito menos respeita posição social. Precisamos urgentemente rever nossos conceitos e dar o grito de liberdade.







Alexandra Eliziario da Silva, é graduanda no curso de Pedagogia na Uniabc, moradora da cidade de Santo André - São Paulo


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