quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mitos Argentinos


Quando se pensa em um nome, quando se fala em Argentina, logo se pensa em Maradona, herói da Copa do Mundo de futebol de 1986. Se pensarmos em um estilo de música, lembraremos do tango: Carlos Gardel, Juan d'Arienzo e Astor Piazzolla. Atualmente existe o electrotango representado por grupos como Bajofondo, Gotan Project e Carlos Libedinsky. Se for partir para outros caminhos vamos nos deparar com Atahualpa Yupanqui e Mercedes Sosa.

Tudo isso chega para nós com certa facilidade, conseguindo ultrapassar a barreira da língua espanhola, razão da dificuldade de um maior intercâmbio cultural com os nossos vizinhos. O rock argentino representa bem a dificuldade de inserção na mídia brasileira da cultura musical deles, algo que deveria ser bem mais freqüente, porém é uma barreira que ainda precisa ser quebrada. A Comunidade Sonora de hoje tenta aproximar um pouco mais nossos grandes rivais no futebol.

A história do rock argentino é bem semelhante à nossa: a fase em que copiávamos músicas do rock americano e inglês, como Elvis Presley e The Beatles; em seguida, a proliferação de bandas que dedicaram um olhar mais voltado para as questões nacionais e/ou regionais; a luta contra o autoritarismo imposto pela ditadura militar; e o encontro do rock com os ritmos regionais e/ou latinos.

Um pouco da história recente da Argentina está presente nas letras do rock argentino. Nomes como Charly García, Luis Alberto Spinetta, León Gieco, Mercedes Sosa (ícone do movimento musical chamado Nueva Canción), Lito Nebbia, David Lebón e Miguel Abuelo afirmaram-se na cena dos últimos anos, que representou também uma prática social além de uma expressão artística.

No cinema a Argentina é uma referência forte na América Latina e se você assistir a qualquer um desses filmes compreenderá o porquê: o clássico A história oficial, de Luis Puenzo; O Pântano, de Lucrecia Martel; Leonera, de Pablo Trapero; Nove Rainhas, de Fabián Bielinsky e XXY, de Lucía Puenzo, os dois últimos com o ótimo ator Ricardo Darín.

Finalmente, além das indicações musicais que virão a seguir, gostaria de indicar dois livros: Rock y dictadura: crónica de una generación (1976-1983), de Sergio Pujol, que fala justamente de um período de grande tensão causada pela ditadura militar e seus reflexos nas canções do período e o outro é La manera correcta de gritar: ska, 2-tone y rude boys en la Argentina, de Daniel Flores, que tem basicamente o mesmo recorte temporal e que mostra como surgiram várias bandas de ska na Argentina.

Se por acaso você for para Buenos Aires, como diria meu amigo Ed, não deixe de conhecer: Puerto Madero é o antigo porto, reformado, lugar agradável para caminhar, com uns bares e restaurantes; San Telmo, andar no domingo de manhã pelo bairro boêmio que tem uma feira na rua, com shows de tango de graça; Avenida de Maio, de um lado a Plaza de Maio e a Casa Rosada, o palácio presidencial, daí percorrer a pé toda a extensão da avenida, passando pelo Café Tortoni, onde acontece show de tango para turistas, até o Congresso, no outro extremo da avenida; Caminito e La Boca, um bairro todo colorido e o estádio do Boca Juniors, bem perto um do outro; Teatro Colón, um teatro antigo; Palermo, tem uns bares e restaurantes para frequentar à noite; Malba, Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, vale a pena; Recoleta, bairro chique com o cemitério mais famoso da Argentina, onde está Eva Perón.


Comunidade Sonora – especial Argentina

01. Carlos Gardel – mano a mano
02. Astor Piazzolla – libertango
03. Carlos Libedinsky – esa
04. Atahualpa Yupanqui – la viajerita
05. Mercedes Sosa – volver a los 17
06. Cuchi Leguizamon – juan del monte
07. Mercedes Sosa – zamba de lozano
08. Almendra – muchacha ojos de papel
09. Los Gatos – la balsa
10. Soda Estereo – de música ligera
11. Divididos – que ves
12. Manal – jugo de tomate
13. Fito Paez – mariposa tecnicolor
14. Charly Garcia – cerca de la revolucion
15. Bersuit Vergarabat – se viene el estallido
16. Los Fabulosos Cadillacs – carnaval toda la vida
17. Los Pericos – pupilas lejanas
18. 2 Minutos – ska de la rutina
19. Attaque 77 – exodo-ska
20. Los Autenticos Decadentes – como me voy a olvidar







Cícero F. Barbosa Jr., mestrando em História pela PUC/SP, bacharelando em Letras pela USP, músico e artista, escreve às quartas-feiras quinzenalmente no ContemporARTES.

5 comentários:

Cícero Barbosa disse...

ah... na faixa 6 uma interpretação bacana de se escutar é a do Dúo Salteño.

13 de janeiro de 2010 13:02
Cícero Barbosa disse...

Obs.: Carlos Gardel teria nascido no Uruguai (alguns dizem que ele teria nascido na França). Foi para a Argentina com dois anos de idade.

14 de janeiro de 2010 14:26
Anônimo disse...

Boa tarde Cícero!!Adorei a matéria principalmente por homenagear essa cantora maravilhosa que é Mercedes Sosa.
Têm também uma música que ela interpreta com a cantora Beth Carvalho, que é um Poema de Mahatma Gandhicom o título, Eu só peço á Deus, que na voz dela se tornou um verdadeiro Hino de Amor ao proximo.
beijos Maria Mattos

18 de janeiro de 2010 13:27
Anônimo disse...

Olá Cícero,tudo bem?
Estamos ouvindo a música: Eu Só Peço A Deus. Da Beth Carvalho e Mercedes Sosa. Ouça essa música,
e depois podemos discutir sobre ela.
Beijos Maria Lidia

18 de janeiro de 2010 20:47
Cícero Barbosa disse...

não conheço a música (Marias Mattos e Lídia rs), vou escutar e depois podemos conversar sobre elas...

bjs nas duas,
Cícero.

10 de fevereiro de 2010 10:52

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