segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Maioridade da Bienal do Livro de São Paulo.


O Evento Literário da Semana.
por Altair de Oliveira

Nesta quinta-feira (12/08/210) inicia a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a mais famosa feira de livros do país, que neste ano presta homenagem aos escritores Monteiro Lobato e Clarice Lispector, promete reunir mais de 700 mil visitantes.

A bienal do livro de São Paulo, que acontece no parque Anhembi em São Paulo de 12 a 21/08/2010, tem seus ingressos ao preço de 10 reais (a inteira) e 5 reais (meia), funcionará das 10:00 às 22:00 hs, porém no dia da abertura (12/08), o evento será aberto somente para os profissionais da àrea (livreiros).

Assim como a maioria das bienais do livro que acontecem no Brasil, a feira de São Paulo é um evento com fins lucrativos e é bancada por livreiros (editoras, livrarias e distribuidoras de livros). Portanto, ela é primeiramente um palco de negócios dos livros que estão disponíveis no mercado, antes de ser um palco da palavra ou um espaço para que escritores e poetas possam mostrar seus trabalhos. Como também no mercado editorial, a menos que pague por ele, a poesia e os autores independentes têm muito pouco espaço na bienal, que é hoje uma espécie de vitrine da literatura brasileira. Mesmo assim, ela é o maior acontecimento literário brasileiro e grandes livros e autores podem ser encontrados lá!



Da Programação da Bienal:

Para ver a programação completa da feira, por favor, visite o seguinte link, no site oficial da bienal: http://www.bienaldolivrosp.com.br/Programacao-Cultural/

Desta progração, destacamos 2 eventos, relacionados à poesia, os quais acreditamos que não devíamos perder:

1- dia 17/08, a partir das 17:00 hs, no espaço "Território Livre", o debate " Letra, música e poesia: o trabalho de escrever e compor." Com a participação de Toninho Horta, Fabrício Corsaletti, Wilson Sideral, Lobão, André Midani. Os participantes prometem desvendar as relações entre palavras e música e o universo de quem escolhe se dedicar a elas. Temos que conferir!

Nota: sobre este tema "música poética / poesia musicada" sugiro que prestem atenção também nas letras de músicas de artistas como Luís Tatit, Itamar Assumpção, Zeca Balero, Adriana Calcanhoto, Chico Buarque, Chico Cézar, Lenine e outros, E ainda nos poemas de Alice Ruiz e Paulo Leminski, etre tantos outros bardos musicais. Ou assistam ainda ao documentário "Palavra (En)Cantada", de Helena Solberg, com depoimentos que tratam o tema.


2- Sessão de autógrafos da poeta Flora Figueiredo:

Grande poeta da atualidade, Flora Figueiredo estará autografando seus livros "Florescência", "Calçada de Verão", "Amor a Céu Aberto", "Estações, Limão Rosa" no 14 de agosto, das 14 às 16 horas, no espaço da Editora Novo Século, entre as ruas M16/N17. Imperdível!





Alguns Poemas


FLUTUAÇÕES


O sonho aprendeu a pairar bem alto,

lá onde o sobressalto nem sequer nasceu.

Namorou a trôpega ilusão,

até que trêfego e desajeitado,

desprendeu-se de seu reino idealizado,

veio pousar tamborilante em minha mão.

Assim, aquecido e aconchegado,

parece que se esqueceu de ir embora.

Na hora em que ressona distraído,

eu lhe pingo malemolências ao ouvido,

à sua inquietação eu me sujeito.

Eis que o sonho dorme agora aqui comigo,

seu corpo repousa no meu peito.



Poema de Flora Fiqueiredo, In: "Amor a Céu Aberto".


***


MILÁGRIMAS


Em caso de dor ponha gelo

Mude o corte de cabelo

Mude como modelo

Vá ao cinema dê um sorriso

Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo

Se amargo foi já ter sido

Troque já esse vestido

Troque o padrão do tecido

Saia do sério deixe os critérios

Siga todos os sentidos

Faça fazer sentido

A cada mil lágrimas sai um milagre


Caso de tristeza vire a mesa

Coma só a sobremesa coma somente a cereja

Jogue para cima faça cena

Cante as rimas de um poema

Sofra penas viva apenas

Sendo só fissura ou loucura

Quem sabe casando cura

Ninguém sabe o que procura

Faça uma novena reze um terço

Caia fora do contexto invente seu endereço

A cada mil lágrimas sai um milagre


Mas se apesar de banal

Chorar for inevitável

Sinta o gosto do sal do sal do sal

Sinta o gosto do sal

Gota a gota, uma a uma

Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre

A cada mil lágrimas sai um milagre



Poema de Alice Ruiz, musicado por Itamar Assumpção.


***


DODÓI


Eu ando tão dodói

Mas tão dodói

Que quando ando dói

Quando não ando dói

Meu corpo todo dói

Tendão dói

Dedão dói

Pomo-de-adão dói

Ouvido dói

Libido dói

Fígado dói

Até meu dom dói

Pois quando canto

Não importa o tom dói


Composição de Luiz Tatit e Itamar Assumpção.


***


DESANDANÇAS

Sou desde cedo incompleto
perto de estar descontente
busco no todo e no sempre
tomar um tento do incerto.


Esgrimo por entre as gentes

conserto meus desconcertos
e eu tento, de todo jeito,
manter um sonho por perto…


Disfarço meus embaraços,

enfrento mil contratempos
Num tempo de pouco tempo
Contemplo o pouco que faço.


Mas inda trago esperanças

que a sorte um dia me alcance
onde, apesar de impedâncias,
eu possa dançar…e não dance!



Poema de Altair de Oliveira, musicado por Iso Fischer.




Ilustrações: 1- foto da fachada da bienal do livro de SP; 2- foto da poeta Flora Figueiredo; 3- capa do livro Chão de Vento, de Flora Figueiredo; 4- foto do compositor e cantor Itamar Assumpção (1949-2003).


Altair de Oliveira (poesia.comentada@gmail.com), poeta, escreve às segundas-feiras no ContemporARTES. Contará com a colaboração de Marilda Confortin (Sul), Rodolpho Saraiva (RJ / Leste) e Patrícia Amaral (SP/Centro Sul).

1 comentários:

Armila disse...

Os poemas são lindos!Obrigada por compartilhar.

10 de agosto de 2010 04:23

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