sábado, 12 de fevereiro de 2011

"E então?"





“E então?”. Esta pergunta pode suscitar muitas e diversificadas respostas ou podem até mesmo levar o leitor a pensar que o escritor da matéria está meio louco. O objetivo desta pergunta tão curta e simples com suas duas – atenção, somente DUAS – palavras é levar o leitor, interlocutor a pensar em algo que pode ser mudado, mas que não muda ou ainda em uma luta empreendida por justas, justíssimas causas e que ninguém se atenta.



Esta pergunta não foi originada do meu pensamento e dos meus questionamentos, mas levou-me a questionar bastante coisa em um mundo globalizado no qual em alguns lugares observa-se que o vocábulo LIBERDADE, não passa de pura fantasia. Para entenderem melhor meus propósitos, transcreverei abaixo o poema “Meninas e Meninos” do timorense Fernando Sylvan:



Meninas e Meninos

Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de meninas e meninos
a defender a liberdade de armas na mão.

Todos já vimos
nos livros, jornais, n cinema e na televisão
retratos de cadáveres de meninos e meninas
que morreram a defender a liberdade de armas na mão.

Todos já vimos!
E então?


Este poema, especificamente, trata da luta de Timor Leste pela independência. Podemos estendê-lo às guerras também de independência que ocorreram em todo o planeta.



Observamos este tipo de combate ao nosso redor constantemente – por exemplo, a batalha contra a ditadura de Mubarak no Egito. Vamos nos deter, principalmente, no título e nas imagens que meninos e meninas, enfim, crianças, nos suscitam. As guerras, não importa quais, atingem a todos os cidadãos de qualquer localidade, castram direitos, liberdade, a voz de um povo. Da mesma forma age uma ditadura, um regime totalitário. Crianças são os seres humanos que conhecemos mais vulneráveis a ataques, que mais sofrem com conflitos e que muitas vezes não entendem direito o que se passa, porém, mesmo assim compreendem que devem lutar para ter o direito de existir, de ter voz no mundo em que vivem, de expressarem-se. O poeta escritor de “Meninas e Meninos”, utiliza-se da ideia de fragilidade em torno da criança, para chamar atenção a todos em relação às atrocidades que acontecem e para as quais muitos somente cruzam os braços.


Todos nós tomamos conhecimento destes acontecimentos, muitas vezes sangrentos, seja através de jornais, televisão, internet enfim, algum meio que sirva para comunicação. Vemos a injustiça a nossa frente, no entanto, nada fazemos. A pergunta feita ao final do poema é bem pertinente “E então?”: ficaremos somente como expectadores dos horrores? Continuaremos a permitir que as pessoas sejam mortas injustamente? Aceitaremos o fato de que a liberdade do outro inexiste?



Aqueles que gostaram do poema e queiram saber de onde foi retirado vale conferir: Primeiro livro de poesia: Poemas em língua portuguesa para a infância e a adolescência.





Rodrigo C. M. Machado é Mestrando em Letras pela Universidade Federal de Viçosa.



1 comentários:

Simone Alves Pedersen disse...

Rodrigo,
Fiquei emocionada com o seu texto sensível que nos faz refletir sem acordar sentimentos de ódio que não ajudam em nada.
A mídia faz isso.Mexe na sombra do ser humano para vender mais.Você falou sobre um tema tão delicado de forma humanista e responsável. Parabéns!

13 de fevereiro de 2011 11:04

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