domingo, 11 de março de 2012

Entre Beleza e Saúde




Esse começo de ano eu resolvi voltar a fazer academia, impulsionada principalmente pelo desejo de deixar de ser sedentária e pela possibilidade de envelhecer bem. Quando digo envelhecer bem, penso nos meus pais, ambos com mais de 55 anos, ativos e com uma saúde invejável.

Durante a avaliação física o educador físico perguntou em ordem qual é o meu objetivo em frequentar a academia. As opções eram: saúde, fortalecimento dos músculos, emagrecimento e definição de músculos. A surpresa dele foi grande quando eu respondi saúde em primeiro lugar. Afinal, segundo o educador cerca de 90% das mulheres colocam o emagrecimento como primeira opção nessa pergunta.


Tudo isso me levou a refletir. Dentro da academia, para os que preferem a bicicleta ao invés da esteira, existe uma porção de revistas que afirmam que prezam a saúde e o bem-estar, exibindo músculos e próteses em forma de mulheres. Ao sair da academia a primeira coisa a ser avistada é uma banca de jornal e lá, a mesma coisa se repete com as revistas.

Durante a história da humanidade sempre houve a valorização de determinados estereótipos, certos biotipos eram considerados como padrões. Cada civilização sempre teve um ideal de beleza, um padrão que fazia as mulheres desejar segui-lo. No entanto, hoje essa valorização é muito mais agressiva, somos muito mais expostas a esses padrões, justamente porque eles, através da mídia, estão por toda a parte.

Além disso, é fácil perceber que esse padrão imposto e aceito como ideal de belezas por milhões de mulheres sustenta diferentes segmentos da indústria. Moda, vestuário, publicidade, revistas e academias, todas estão diretamente ligadas à perpetuação de ideais de beleza, muitas vezes impossíveis de serem atingidos.

Isso tudo explica porque a maioria das mulheres busca beleza ao invés de saúde, também explica o resultado de pesquisas como essa, que afirmam que quatro a cada 100 mulheres se consideram bonita. Não é fácil pensar o contrário quando o mundo te aponta que beleza é diferente do que você é, porém, o conhecimento dessas imposições é um primeiro passo para a libertação.




Ana Paula Nunes é jornalista, Especialista em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo. Coordena a Comunicação da Revista ContemporARTES.

4 comentários:

Ana Dietrich disse...

isso mesmo, aninha, adorei sua reflexão sobre a mulher... esse tipo de texto nos ajuda a refletir como somos, nós mulheres, colocadas como um pedaço de carne e como é árduo ter que mostrar a todo momento que temos cérebro. bjs e continue...

11 de março de 2012 10:41
ContemporARTES disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Paula Nunes disse...

Ana! Obrigada, querida. Seus elogios e incentivo fazem toda a diferença.

12 de março de 2012 11:07
Mary Azevedo disse...

Bacana a reflexao. Eh sempre importante lembrar a nos mesmas que a busca pela beleza so vale a pena quando nao compromete a nossa saude. E que o proprio conceito de beleza eh muito mais relativo do que a maioria da midia nos impoe.

19 de março de 2012 02:19

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