quinta-feira, 27 de setembro de 2012

NELLIE BLY, PIONEIRA DO JORNALISMO INVESTIGATIVO



Elizabeth Jane Cochran (1864-1922), conhecida pelo pseudônimo de Nellie Bly, foi uma jornalista norte-americana, pioneira das reportagens investigativas.
Sua carreira começou com uma carta revoltada, que ela mandou ao editor de uma coluna sexista do jornal Pittsburgh Dispatch, protestando contra um artigo que se intitulava: "Para que servem as mulheres?". Não há dúvidas de que já era uma militante, também no terreno do feminismo.
A qualidade desta carta levou o editor a pedir a Cochran, que estava procurando emprego, que se tornasse repórter desse jornal.

                  

Foi o editor que criou o pseudônimo de Nellie Bly, vindo do nome de uma canção popular de Stephen Foster.
Bly escreveu vários artigos investigativos antes de ser relegada à seção feminina do jornal. Ela deixa então o Dispatch e vai para Nova York, onde conseguiu trabalho no New York World, o jornal sensacionalista de Joseph Pulitzer, o mesmo que criou o Prêmio Pulitzer.



Seu primeiro trabalho foi sobre o Sanatório de Mulheres na Ilha Blackwell, no qual se expôs às mesmas condições inumanas das pacientes do local.O resultado dessa experiência foi uma série de artigos contundentes e um livro chamado Ten Days in a Madhouse (Dez dias em um manicômio).



Em 1888, O New York World decidiu mandar um repórter numa viagem ao redor do mundo, como no livro A volta ao mundo em 80 dias de Júlio Verne. Nellie Bly foi escolhida para essa viagem, que partiria de Hoboken, Nova Jersey,  em 14 de novembro de 1889. Depois de 72 dias de sua partida, Nellie chegou a Nova York, realizando a volta ao mundo mais rápida até então, recorde esse que seria quebrado em alguns meses mais tarde por George Francis Train, que completou a viagem em 62 dias.



Na sua viagem ao redor do mundo, valeu-se de cavalos, barcos, carruagens e muitos camelos nessa proeza. Ela visitou não só a Inglaterra, Japão, China e Hong-Kong como no livro, mas também Amiens, o lar de Júlio Verne. Ela também foi a primeira mulher a viajar ao redor do mundo sem a companhia de um homem, se tornando um modelo para as mulheres da época.



Nellie Bly casou-se com o empresário Robert Seaman em 1895, com a morte de seu marido em 1904 ela passou a controlar suas empresas, se afastando por um tempo do jornalismo. Mais tarde ela retoma as atividades, cobrindo um encontro de feministas em 1913 e também os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial, do front oriental na Europa.  



Durante a cobertura da guerra, chegou a ser presa pelo Império Austro-Húngaro por suspeita de espionagem, mas foi ajudada por um intérprete que a reconheceu e disse "na América até uma criança de 7 anos sabe quem é Nellie Bly".
Elizabeth Cochrane morreu de pneumonia aos 57 anos de idade. Há um pequeno parque de diversões no Brooklyn em Nova York, com o seu nome, baseado no tema da Volta ao Mundo em 80 dias.


Trecho do relato sobre o encontro de Bly com Julio Verne:
"Júlio abriu caminho até aos coches que esperavam à frente da estação. Nellie caminhava junto a Honorine (esposa de Verne), calada pois não falavam o mesmo idioma. 
«Caía a tarde. Durante o percurso pelas ruas de Amiens, pude ver por breves momentos lojas tentadoras, um parque muito bonito e muitas amas que empurravam carrinhos de bebê», lembra Nellie Bly. 



Interessante perceber que foi uma mulher, num tempo em que o gênero não tinha voz, a criadora do jornalismo investigativo. Em seu pouco tempo de vida, conseguiu mudar muitas coisas na sociedade em que vivia e abriu caminho para mudanças ainda maiores.
Hoje as mulheres são a maioria no jornalismo, mas todos nós - homens e mulheres - precisamos resgatar essa coragem de não se acomodar que Nellie Bly inaugurou em seu tempo.











Izabel Liviski é Fotógrafa e Doutoranda em Sociologia pela UFPR.
Seu campo de pesquisa abrange Estudos de Gênero, Sociologia da Comunicação e da Imagem, Estudos Culturais e História da Arte.
Escreve a Coluna Incontros às quintas-feiras, quinzenalmente, para a Revista ContemporARTES.


2 comentários:

Francisco Cezar de Luca Pucci disse...

Izabel, sempre me surge um sentimento de culpa quando leio biografias como essa. Me parece que minha vida se esvai e que nada fiz por meu tempo ou por minha espécie. É claro que para uma visão sistêmica - como foi também a de Marx - os eventos só dão frutos quando o solo está pronto. Em outra época e/ou país Nellie Bly simplesmente teria sido mais uma vítima - foram tantas - da mentalidade conservadora. Mas isso não lhe tira os méritos. Ao contrário, sem mulheres e homens como essa não teríamos os exemplos a nos animarem e a nos puxarem para além de nossas ideias fossilizadas.
Obrigado por mais esta!

27 de setembro de 2012 18:40
Felipe Junior Pereira disse...

Eaai blz??voltei,vir visita denovo,como eu gosto de comentar vamos la...Li esse post umas 4,5 vez,o blog é bom demais,precisar nem falar nada,alguns amigos me recomendaram,Dizem que existe Rastreador de celular. Achei este link http://www.rastreador1.com/rastreador_de_celular_rastreador_gps_autotracker.php na net e gostaria de saber se alguém pode me dar referência?como criar um blog

5 de novembro de 2012 14:22

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