BRINQUEDOS À MÃO, POR SÁLUA CHEQUER
A
exposição “Brinquedos à Mão”, em cartaz na Caixa Cultural de Curitiba, apresenta
mais de 900 objetos utilizados pela infância de antigamente e ainda presentes
nas comunidades interioranas do Nordeste brasileiro. O acervo pertence à Sálua
Chequer, colecionadora e pesquisadora de cultura popular que assina a curadoria
da mostra com Zé de Rocha.
Pouco
conhecidos das crianças dos grandes centros urbanos de hoje, os brinquedos da
mostra foram feitos à mão por artesãos que transformam barro, pedaços de pau e
de pano, latas de óleo e caixas de papelão em objetos capazes de despertar
emoções e fantasias, estimulando a criatividade e a afetividade.
As peças, expostas em suportes diversos, representam cenas do cotidiano e
utensílios de trabalho como, por exemplo, pequenos moedores de cana-de-açúcar,
carro de boi e moinhos de água. Há ainda mobília de madeira e miniaturas de
utensílios domésticos como peneiras, baldes e panelinhas feitos em barro,
madeira e metal. É a própria Sálua quem comenta sobre sua trajetória e a exposição, juntamente com algumas fotos da mostra.
“Comecei minha pesquisa com brinquedos em 1980... fui motivada pelo interesse que sempre tive nessa área de manifestações populares. Convivi com essa realidade na pequena cidade do interior onde nasci e me criei, em Ibirataia... Lá, várias vezes acompanhei o cortejo do Bumba-meu-boi, frequentei a feira livre, e meu olhar sempre foi direcionado para tudo isso que o povo inventa para celebrar a vida.
“Comecei minha pesquisa com brinquedos em 1980... fui motivada pelo interesse que sempre tive nessa área de manifestações populares. Convivi com essa realidade na pequena cidade do interior onde nasci e me criei, em Ibirataia... Lá, várias vezes acompanhei o cortejo do Bumba-meu-boi, frequentei a feira livre, e meu olhar sempre foi direcionado para tudo isso que o povo inventa para celebrar a vida.
Desde
muito criança eu via minha mãe enfeitar a casa com objetos artesanais feitos de
argila, madeira, palha... creio que, de alguma forma, isso me influenciou. Mas
a atração por esse universo da cultura popular, sempre me chamou muito atenção.
O que me traz mais satisfação, é a pesquisa de campo... sair em busca de informação, conviver com as manifestações e com as pessoas que organizam, produzem e contribuem para manter viva toda a nossa tradição de raiz. Viajei por cidades do interior da Bahia, São Gonçalo dos Campos, Olhos d’ Água, São Sebastião do Passé, Ubaíra, Pintadas dentre outras e vivi experiências únicas. Um grande exemplo foi a bata de feijão em Olhos d’Água.... Amanhecemos o dia cantando enquanto os homens batiam o feijão e as mulheres separavam os grãos já debulhados. É um trabalho de mutirão muito bonito.
O que me traz mais satisfação, é a pesquisa de campo... sair em busca de informação, conviver com as manifestações e com as pessoas que organizam, produzem e contribuem para manter viva toda a nossa tradição de raiz. Viajei por cidades do interior da Bahia, São Gonçalo dos Campos, Olhos d’ Água, São Sebastião do Passé, Ubaíra, Pintadas dentre outras e vivi experiências únicas. Um grande exemplo foi a bata de feijão em Olhos d’Água.... Amanhecemos o dia cantando enquanto os homens batiam o feijão e as mulheres separavam os grãos já debulhados. É um trabalho de mutirão muito bonito.
Outro mutirão muito bonito
eu vivenciei em Serrinha (interior da Bahia), chama-se “Boi Roubado”. Um grupo
de trabalhadores chega a uma determinada plantação, isso de madrugada, e sem
que o dono da plantação saiba, eles acordam todos da casa e, em atitude de solidariedade,
ajudam a colher ou a capinar, ou plantar... de acordo com a necessidade desse
pequeno agricultor.
Eles chegam cantando com uma bandeira na frente do grupo.
As mulheres acompanham, mas não vão pro roçado. Ficam na casa do dono da
plantação cozinhando para esperar a volta dos maridos no final da tarde. Elas
os recebem na boca da noite com a bandeira e aí é a grande confraternização.
Quando acabam de comer eles se despedem e voltam pra suas casas cantando.
Atualmente,
sou professora em um colégio Jesuíta em Salvador. Trabalho com crianças há
trinta anos. Faço parte de um grupo musical, a Camerata Popular do Recôncavo.
Esse grupo tem como repertório o resultado das pesquisas musicais que fiz e
faço durante anos.
Em
minha trajetória como pesquisadora, aconteceu um episódio engraçado... certa vez
eu dei uma entrevista na TVE e falei da minha coleção de Brinquedos, do amor
que tenho a esses brinquedos e contei que passando de ônibus por uma praça,
aqui em Salvador, eu vi um senhor vendendo um brinquedo lindo, uma avestruz que
ele manuseava com muita habilidade, mas eu não tive como descer do ônibus para
comprar... fiquei muito sentida, mas não foi possível.
Dias depois eu recebi um recado que havia uma pessoa me esperando na portaria do colégio que eu trabalho... não acreditei, um senhor havia assistido essa entrevista e me levou a avestruz de presente. Ele encontrou o vendedor na rodoviária daqui de Salvador. Eu fiquei muito emocionada.
Dias depois eu recebi um recado que havia uma pessoa me esperando na portaria do colégio que eu trabalho... não acreditei, um senhor havia assistido essa entrevista e me levou a avestruz de presente. Ele encontrou o vendedor na rodoviária daqui de Salvador. Eu fiquei muito emocionada.
Na
minha coleção de brinquedos conto com o apoio de uma grande amiga, que não mede
esforços para aumentar meu acervo, Irami Muniz de Almeida. Já viajamos juntas
para João Pessoa em busca de brinquedos e graças a ela a coleção tem aumentado
muito. Gostaria de ressaltar que graças aos produtores Marcos Clement e Vanessa
Vieira, da Trevo Produções, eu estou levando essa coleção para alguns espaços
públicos."
Fotos: Acervo pessoal.
Fotos: Acervo pessoal.
Sálua Chequer, ao centro, com Vanessa Vieira e Marcos Clemente da Trevo Produções.
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Eu nasci em Itabuna, sul da Bahia, mas me criei em Ibirataia. Tenho formação em música. Atualmente faço o mestrado em Arte, Educação e Cultura e tenho como foco da pesquisa o Brinquedo Artesanal. Trabalho há trinta anos no Colégio Antônio Vieira, em Salvador no Colégio de Padres Jesuítas. Formei o grupo Música, Camerata Popular do Recôncavo. Todo repertório do grupo é resultado das pesquisas de campo que faço há mais de trinta anos. Sou responsável pela concepção dos espetáculos. Temos shows gravados na TV Educativa . Atuo como comentarista dessa mesma emissora durante as transmissões das festas juninas. Tenho três filhos: Pedro, João e Antônio. Eles sempre me entusiasmaram e incentivaram na realização das pesquisas e dos trabalhos musicais. Em 2012 essa exposição foi realizada na Caixa Cultural de Salvador.
Serviço:
Caixa Cultural de Curitiba
Exposição BRINQUEDOS À MÃO
Visitação: 30 de julho a 07 de setembro
Entrada franca
1 comentários:
Essa matéria tocou fundo em mim, pois nasci e passei minha infância no interior, numa época em que quase todos os brinquedos eram confeccionados pelas mães, pais e por nós mesmos. Ainda guardo (minha mãe guardou por anos) o banquinho de madeira no qual eu amarrava um barbante e brincava de cavalinho. Parabéns por trazer essa matéria, Izabel.
6 de setembro de 2014 às 10:40Postar um comentário
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