quarta-feira, 3 de junho de 2015

PIONEIRAS DA FOTOGRAFIA: DORA MAAR E O SURREALISMO


''O artista não é tão livre quanto se poderia crer. Isso também é verdade para os retratos que fiz de Dora Maar. Para mim, é uma mulher que chora. Durante anos, pintei-a sobre formas torturadas, não por sadismo ou por prazer. Eu apenas seguia a visão que se me impunha. Era a realidade profunda de Dora.''  (P.P.)
Henriette Theodora Markovitch (1907-1997), mais conhecida pelo pseudônimo Dora Maar, foi uma fotógrafa, poeta e pintora descendente de croatas, nascida na França. Ela começou a estudar pintura em 1927, mas logo mudou para fotografia. Seguindo a escola surrealista, logo ocupou lugar de destaque entre os artistas desse segmento artístico, muito influenciada por Man Ray e André Breton.

Dora Maar, fotografada por Man Ray.

Infelizmente ela ficou mais conhecida por ter sido a bela e culta  amante de Picasso, do que propriamente pelo seu talento.  O artista catalão retratou a musa, com sua pele alva e cabelos negros, em diversos quadros, como Dora Maar au Chat , “Dora Maar com gato”. Esse luminoso quadro foi pintado em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial.

Dora Maar au Chat, de Pablo Picasso.

Na obra de Maar é possível encontrar uma atenção aos olhares, ou a falta deles, em muitas imagens são retratadas  pessoas com olhos fechados, ou cegas. Isso ressalta o caráter de sonho de suas imagens, os personagens parecem que estão olhando para dentro de si mesmos. Para atingir essa estética, a artista se utilizou de fotomontagens, retratos, nús e paisagens.


1.Foto de Dora Maar



2. Foto de Dora Maar.


3. "Silêncio", de Dora Maar.




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Izabel Liviski é fotógrafa, professora, doutoranda em Sociologia pela UFPR. Edita a coluna INcontros desde 2010, e é também co-editora da Revista.

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