quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O OLHAR LÚDICO DE UMA FOTÓGRAFA POLONESA NO BRASIL...


Dando continuidade à pesquisa sobre fotógrafas pioneiras, destacamos nesta edição o trabalho da fotógrafa Stefania Bril, que dedicou grande parte de sua vida à observação, análise e à fotografia de cenas brasileiras entre os anos 1970 e início dos 90, contribuindo para a criação e difusão de uma imagética nacional.


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Stefania Bril nasceu em Gdansk, na Polônia, em 1922. Estudou ciência e química na Université Libre de Bruxelas, na Bélgica. Formou-se em 1950 e, no mesmo ano, veio para o Brasil, onde se naturalizou em 1955. A paixão pela fotografia veio tardiamente, quando já radicada em São Paulo, trabalhou como química e começou a estudar fotografia em 1969. Aos 46 anos, passou a frequentar as aulas da escola Enfoco. Daí até sua morte em 1992, foi uma presença ativa no cenário da fotografia brasileira.



Ela atuou como crítica e ensaísta em veículos como o jornal O Estado de S. Paulo e a Revista Iris. Foi também curadora em eventos como os Encontros de Fotografia de Campos de Jordão (1978 e 1979) e a Casa da Fotografia Fuji (1990), em São Paulo. Participou do Mois de la Photo à Paris além da exposição Brésil des Brésiliens, no Centre Georges Pompidou em 1983. Integrou a equipe do NAFOTO (Núcleo dos Amigos da Fotografia) e publicou o livro de fotografias Entre (1974) e a coletânea de ensaios Notas (1987), além da obra com o também fotógrafo Bob Wolfenson.



Produzido ao longo de duas décadas, entre 1969 e o final dos anos 1980, seu acervo é composto por cerca de 11 mil imagens. São ensaios fotográficos autorais, sempre com um olhar crítico e uma dose de humor, com destaque para os retratos de gente anônima. O legado de Stefania Bril inclui também uma vasta coleção bibliográfica formada por recortes de periódicos.




O olhar de Stefania Bril é, antes de ser o da fotógrafa, o da curadora e o da crítica de fotografia. Um projeto lúdico como o de seu livro A Arte do Caminhão (1981) – em parceria com Bob Wolfenson, com textos de Jorge da Cunha Lima e Ciro Dias dos Reis – deixa explícito o olhar que busca revelar, na foto, uma nova foto: o comentário sobre a desconcertante objetividade da imagem depois que ela se entrega à lente do fotógrafo.



Em tempo, o NAFOTO (1991-2011), foi segundo Rubens Fernandes Junior, uma experiência coletiva, produto do contexto político e cultural brasileiro. A composição diversificada do grupo, técnica e culturalmente falando, é que permitiu a multiplicidade de atividades desenvolvidas ao longo de seus 20 anos, pautando-se desde sempre pelas idéias de difusão, intercâmbio de informações e a educação fotográfica, durante todo seu percurso.

                          
Componentes originais do grupo NAFOTO, da esquerda para a direita: Juvenal Pereira, Isabel Amado, Eduardo Castanho, Marcos Santilli, Stefania Bril, Nair Benedicto, Fausto Chermont, Rubens Fernandes Junior e Eduardo Simões.    
(Foto:Mark James)



Fontes:

Instituto Moreira Sales: http://ims.com.br
Icônica: www.iconica.com.br

                                                               
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Izabel Liviski é professora e fotógrafa, doutoranda em Sociologia pela UFPR. Edita a coluna INcontros desde 2010 e é também co-editora da Revista ContemporArtes.




                                                             WWW.CENTROEUROPEU.COM.BR
                                    

1 comentários:

Francisco Cezar de Luca Pucci disse...

O cotidiano na fotografia me recorda o surgimento na História da História do Cotidiano, retratando fatos comuns das sociedades, ao contrário da História "oficial", voltada para eventos e personagens tidos como "excepcionais". Mas é o cotidiano das práticas sociais, muitas microssociais, que vai constituindo os "grandes" fenômenos. Nisso ambos os movimentos se encontram.

18 de novembro de 2015 13:22

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