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Vamos passear no parque?




        Em Berlim existem vários parques, além de praças e ruas bastante arborizadas. No verão a cidade é verde, no outono dourada. Entre os parques, o mais famoso é o Großer Tiergarten, localizado entre o Portão de Brandenburg e o zoológico. O parque se estende por uma área de 3 km de "comprimento" por 1 km de "largura". O coração verde de Berlim, com muitos gramados e curiosidades, oferece uma grande possibilidade de descanso e lazer. 

       Quase no final dele esta o Obelisco da Vitória com o anjo dourado (a "Elsa Dourada", como chamam os berlinense) que fica no centro da rotatória onde se cruzamento duas grandes avenidas que apontam para os quatro cantos da cidade. A principal delas, que corta o parque em seu comprimento, é a 17 de Junho. Esta avenida é palco de muitas festas de rua e é ali também que se instala o telão para o público acompanhar os jogos de futebol da seleção alemã. 

Tiergarten 1833, Berlim.
         No século 16 era ali a floresta de caça do imperador. No final do século 17 foi transformado numa área de lazer para a população. Com o passar dos anos recebeu várias intervenções, sendo a principal delas na década de 30 do século 19, quando foi transformado num parque no estilo inglês.
     Durante a Segunda Guerra além da enorme destruição pelas bombas, todas as árvores foram cortadas para aquecerem as casas dos berlinenses. No pós Guerra foi usado por um tempo como área de cultivo de batata e outros legumes e, com o plantio da primeira árvore iniciou-se, em 1949,  a reconstrução do parque. 

Foto de Otto Donath, de 1. de julho de 1946. Ai fundo o Reichstag.
        Uma pequena coleção de luminárias de rua antigas de cidades alemãs, o monumento aos soldados russo mortos na Segunda Guerra, um lago onde se pode alugar um barco e remar um pouco, alguns jardins, cantinhos perfeitos para uma pausa, como a Luiseinsel, ou o Jardim das Rosas ou o Jardim Inglês, e estátuas como a Venusbassin são algumas das "muitas coisas" a se visitar no parque. 

A Venusbassin na frente do "Lagoa Dourada", reconstruída em 2009
   Uma outra boa ideia é simplesmente se deixar "perder" por ele, descobrir seus muitos detalhes, explorar a paisagem romântica oferecida pelas águas que cortam todo o parque e o charme de suas pequenas pontes. E no fim, quem sabe fazer um pic-nic nos seus vários gramados embaixo de uma de suas árvores frondosas.

Löwenbrücke, construída em 1838.


fotos
https://de.wikipedia.org/wiki/Großer_Tiergarten


Ana Valéria mora em Berlim e observa a cidade há quase duas décadas. Estudou história no Brasil e na Alemanha, mas cabou mesmo trabalhando como tradutora.




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Não tem, a gente faz! Cachoeira artificial do século XIX.





      Minha mãe esteve nos visitando esses tempos e chegou nos acusando de nunca a termos levado à cachoeira de Berlim.  Chegou ao seu conhecimento através de ouvir dizer, que em Berlim havia uma cachoeira numa montanha.
      Pensando na cidade, então seria um morro. agora cachoeira eu não consegui imaginar em Berlim. Mas não é que existe! Conversa vai e vem, concluímos onde seria a tal "cachoeira", no Vitktoriapark, no Bairro de Kreuzberg e, bem perto de onde acontece o Carnaval das Culturas sobre o qual falei na vez passada.

Um espetáculo da "engenharia humana", a cachoeira artificial de Berlim.
     Totalmente artificial ela começou a ser construída em 1891, o morro foi então moldado como uma réplica de uma região montanhosa da Polônia, um lugar bem frequentado na época pelos abastados turistas berlinenses. Por baixo da exuberante paisagem está um sistema de bombas que leva 13 mil litros por minuto até uma altura de 24 metros. Do alto uma vista fantástica da cidade.

Vista da Monumentenstr até o infinito...
     Ali no alto estamos ao pé do monumento da "Guerra de Libertação", Befreiungskrieg, ocorrida entre 1813 e 1815. A guerra que expulsou as forças de ocupação de Napoleão Bonaparte na hoje Alemanha. O que achei interessante, foi o fato dele lembrar e datar tanto as batalhas perdidas quanto as ganhas, homenageando, assim, a todos os soldados caídos. Antes da sua construção o morro ainda era conhecido como Tempelhofer Berg e era um vinhedo.
     Criado por Friedrich Schinkel (arquiteto preferido de Berlim), o monumento lembra a torre de uma catedral gótica. A cruz no seu topo acabou sendo uma forte referência, mudando o nome do morro como também o da região da cidade que passaram a ser chamados de "morro da cruz", Kreuzberg.

Detalhe do monumento.
      Os 13 mil litros por minuto de água vão acabar num laguinho romântico, com direito a estátua e tudo mais, que fica na altura da calçada direto na rua, numa das entradas do parque. Esta estátua aí em baixo, está lá desde 1896 e chama-se "O estranho pescado".
Berlim. Em Munique, talvez, a estátua não estaria assim...
      Agora no verão o parque é bem visitado e lá de cima o por do sol é inesquecível. Ainda há tempo, do outro lado da rua há um restaurante italiano onde é servido um café saboroso como o nosso, se você estiver precisando...



Ana Valéria Celestino é historiadora e mora em Berlim. Terminou dois “estudos de História” uma vez no Brasil outra na Alemanha. Hoje trabalha como tradutora.

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