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Futebol e cultura



Como atividade da disciplina Identidade e Cultura, os alunos foram convidados a comparecer a um evento cultural e fazer um trabalho de observação de elementos relacionados às reflexões em sala de aula. Os estudantes abaixo, escolheram um jogo de futebol. No país "do futebol", em ano de Copa de Mundo, foi uma escolha acertada. Muitas reflexões podem ser travadas pelas suas ricas observações de quem estava no meio da torcida.





Optamos por comparecer a um jogo do Campeonato Brasileiro de futebol entre São Paulo F.C. e 
Chapecoense S.C. a ser realizado as 18:30 do dia 19/07/2014 no estádio Cícero Pompeu de 
Toledo o MORUMBI. 
Por volta das 6hs nos encontramos na frente do shopping Morumbi, fomos de carro até o estádio 
e ficamos aproximadamente 1 km do estádio (o estádio do Morumbi não tem estacionamento) e 
fizemos esse percurso a pé, tinham muitos torcedores do São Paulo na rua, algumas famílias, 
outros com grupos de amigos ou namoradas e o que surpreendeu foi que a menos de 10 minutos 
pra começar o jogo havia um numero enorme de torcedores ainda comprado ingresso e essa 
pessoas inevitavelmente entrariam com o jogo em andamento, o que não deixa de ser curioso o 
interesse pelo jogo por se tratar de um jogo de meio de tabela sem tanta importância. Chegando ao 
portão de entrada a revista policial, há sempre o risco que algum torcedor mal intencionado por 
algum tipo de arma ou objeto que se torne uma ,agora vou me caminhar até uma catraca eletrônica 
aonde duas funcionarias do clube te desejam um bom jogo e você timidamente agradece, quando 
se entra no corredor a caminho da arquibancada a sensação que se tem e de um pouco de 
claustrofobia , um corredor fechado com pouca iluminação, paredes de concreto com um grande 
fluxo de pessoas e você meio disso sendo empurrado sempre pra frente, a frente uma luz e pronto 
se chegou a arquibancada.

Não é possível descrever o quanto o estádio do Morumbi é imponente, é sempre impressionante 
não importa quantas vezes se vá lá, quantas historias, feitos e glorias aconteceram ali , você 
consegue respirar a historia e sentir que também faz parte dela, imediatamente se conecta com os 
outros torcedores sem perceber e se envolve nesta atmosfera, espera o time subir a campo , ele 
sobe e é um êxtase você entra em contato com uma parte sua mais primitiva, irracional e 
passional. Os segundos que antecedem o ponta pé inicial são de clímax incrível a torcida canta pro 
time, a esperança no ar pela vitória, que esse onze caras nos representem com coragem,
habilidade e força. Começa o jogo milhares de pessoas cantando, uma parte do estádio puxa o 
grito a outra acompanha, se canta alto por 15 minutos e alguns estão tão envolvidos que nem 
prestam atenção no jogo, a intensidade vai diminuindo com o passar do tempo 20, 25, 30, 44
minutos e nada de gol já há uma certa agonia no ar não vai ser fácil hoje, começam a aparecer 
algumas insatisfações com o time mais dois minutos vai, vai não foi. No intervalo se conversa sobre 
o que deve mudar para alcançar a vitória, o time martelou, martelou e nada. Outro diz gente que 
você nem conhece e com quem se conversa por quinze minutos, na verdade não somos 
desconhecidos pelo menos ali, compartilhamos a mesma paixão e as mesmas esperanças. 
Começa o segundo tempo o time vai pra cima, a torcida apoia como no inicio com a mesma paixão, 
como se fosse um recomeço , passa 2,5, 10 minutos nada você olha pro lado as pessoas tem 
esperança, espera minuto 11 o chapecoense faz 1x0.
As pessoas estão atônitas, o que aconteceu? Eles não chegaram nenhuma vez! foi o primeiro 
chute a gol! como pode ter acontecido! silêncio pessoas se olhando nem uma palavra , nem um 
gesto , logo após se começa a ouvir um murmúrio seguido de reclamações mais altas, o Cosmo me 
diz eu não acredito! eu não tenho nada pra dizer, como se explica o inesperado. Os minutos 
seguintes são de apoio e nervosismo um senhor de uns cinquenta anos preocupado com o 
resultado me pergunta quanto tempo ainda resta, faltam 30 ainda eu respondo, começa-se a ouvir 
uma parte da torcida muito descontente, a um misto entre reclamar e apoiar o time e o tempo 
segue 20, 25 minutos o técnico faz mudanças alguns apoiam outros reclamam o telão anuncia 
43.075 sofredores pra uma renda de quase 1 milhão de reais, certamente é o tamanho da folha 
salarial do time da chapecoense, mais quem é que disse que a bola liga, ela não liga pra
faturamento nem tamanho de torcida, lá se vão o minuto 30 e 35 e nada a reclamação é grande, 
xingamentos com cada erro do time , era uma noite pra ser perfeita jogando em casa contra um 
time pequeno, 40 e 45 nada só mais 3 minutos a um certo desespero entre torcida e jogadores que 
tentam correr, cruzar, chutar! acabou! vaias, cara de espanto, decepção alguns não tem força pra 
se quer reclamar e já começam a se virar pra ir pra casa, um silêncio estrondoso na saída, pelos 
corredores e pelo portão não há nada a dizer, nada!

Estamos fora do estádio todos voltando pra casa em silêncio, todos estão em silêncio 
ouvimos no rádio do carro criticas e explicações sobre a derrota tudo parece besteira. 21:30-
chegamos no meu ponto e me despeço, já há alguns torcedores do são paulinos no ponto 
ninguém comenta o jogo. Saímos enfileirados como gado com olhar direcionado ao chão e apenas algumas  conversas não motivadas sobre os pontos falhos do jogo. 
Chegamos no carro, ainda sem acreditar no resultado adverso.


Anderson Souza e Cosmo Lima são estudantes do Bacharelado de Ciências e Humanidades da UFABC.
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Imagens de Sampa

 Após quase um mês em terras tupiniquins visitando a família, os amigos e matando as saudades do tempero brasileiro, cá estou eu de volta “em casa”. Aproveitei este tempinho para descansar e passear, colocando em dia as coisas da terrinha (i.e. cinema, livrarias, bares, praia etc..), mas também aproveitei para tirar muitas fotos! Essa foi a quinta vez que voltei ao Brasil em férias desde que cheguei ao Japão em março de 2010 (sim, haja $$$...), nas outras vezes tirei fotos, mas foram poucas e de forma esporádica. Desta vez, praticamente sai para fotografar quase todos os dias, principalmente na região da av. Paulista e do centro velho. Carregava minha pequena Fuji X10 para onde eu ia, sem medos ou receios. Aliás, esse foi um dos vários costumes herdados do modus vivendi nipônico.
            Andava para cima e para baixo nas desniveladas ruas paulistanas, clicando e disparando o flash da minha câmera sem muitos pudores ou temores (outra herança da minha vivência nipônica). Tirei mais de 1500 fotos, boa parte snapshots do cotidiano da paulicéia desvairada. Só tive tempo de ver os resultados aqui em Osaka, quando baixei as fotos no computador e dei uma olhada mais cuidadosa para ver o que se poderia “salvar” no quesito fotografia de rua e candid. O interessante, ao olhar atentamente para as fotos, foi comparar desde o momento da abordagem dos meus “alvos” pelas ruas paulistanas até a reação (ou não) dos mesmos. Posso dizer que os brasileiros reagem de forma completamente diferente aos japoneses quando tem uma câmera, mesmo que não diretamente, apontada para si por um estranho. A maioria dos japoneses ignora quase que completamente essa atitude, muitos absortos em seu mundo particular, seja no celular, em joguinhos eletrônicos, lendo, comendo ou se maquiando, geralmente eu “passo batido” pelas minhas vítimas. Para ser sincero, acho que o que chama mais a atenção dos transeuntes é a minha cara de estrangeiro do que propriamente a minha pequena câmera sendo apontada para o sujeito. Algumas vezes recebo um sorrisinho ou um olhar surpreso, nada além disso. Já no Brasil, grosso modo, duas reações foram quase imediatas: um olhar meio curioso/ressabiado que imediatamente se transforma em verbalização com a pergunta: “Você é repórter? É para TV? É para o jornal? Ok.”. A outra reação, não tão gentil assim, também é verbal: “Que isso, meu? Pode apagar!”. Apago, sem maiores problemas. Houve até um caso de um pedinte (eu não tirei a foto dele!) que achou que eu o estava fotografando e me parou em uma banca de jornais na av. Paulista e me disse: “Meu filho, se eu recebesse um real por foto que tiram de mim, eu não estaria nesta condição...”.
            No Japão, em três anos fazendo a mesma coisa, fatos como este NUNCA aconteceram comigo. Culturas dferentes, formas de aproximação e distanciamento também.
             Essas situações fazem parte deste ramo da Fotografia, a fotografia de rua que ainda (infelizmente) é algo pouco praticado no Brasil. Mas há aqueles (“alvos”) que nem percebem que estão sendo fotografados, fazendo a alegria deste aspirante a Cartier-Bresson.:)) Aqui vão algumas fotos “não percebidas” (i.e. Candid) que tirei nesta minha última visita. Um abraço!

Elvis Presley paulistano (Av. Paulista).

Pausa para um cigarrinho (Rua Oscar Freire).

Esperando... (Estação Pinheiros CPTM).

A alegria do povo (Rua Sete de abril).

Oops... (Rua Oscar Freire).

Amizade (Estação Osasco CPTM).

Fim de tarde (Av. Paulista).

"Esperando Godot"(Estação Antônio Dias  CPTM).



Todas imagens publicadas na coluna possuem direitos autorais Copyright ©2014AkitiDezem


Rogerio Akiti Dezem é professor visitante de língua portuguesa e cultura brasileira da Universidade de Osaka, no Japão. Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Matizes do Amarelo - A gênese dos discursos sobre os orientais no Brasil (Humanitas, 2005) entre outros livros. Além da História sua grande paixão é a Fotografia (http://akitidezemphotowalker.zenfolio.com/).


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