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A GRAVURA: Arte democrática e disciplinadora


                          


                        A GRAVURA: Arte democrática e disciplinadora

 
     Historicamente, a arte da  gravura acompanha a humanidade desde o Paleolítico. Perpassa as civilizações antigas, o Egito, a China, o Japão. Chega ao Ocidente e se desenvolve, atrelada à imprensa. A invenção do papel pelos chineses foi elemento fundamental para sua difusão. Mas o que  se pretende destacar aqui não é sua história, nem os principais artistas gravadores, e sim  a função de elemento democratizante da Arte e disciplinador do artista que a caracteriza.

Xilogravuras do século XVI
ilustrando a produção da xilogravura
Anônimo
      Antes de tudo, na   gravura, a disciplina no trabalho é fundamental para um bom resultado: o desenho, a composição, o uso dos materiais, seja uma matriz de madeira, para xilogravura, seja uma placa de metal, para água-forte ou água-tinta, precisam ser criteriosamente planejados. A pressão da mão, o poder corrosivo do ácido, a gramatura do papel de impressão também devem ser controlados e avaliados. O primeiro traço depositado na matriz e o gesto final de retirar o papel da prensa com o resultado do trabalho são pesados, questionados, antes de se passar à execução propriamente dita. Nada pode ser     
                                                        improvisado ou deixado ao acaso.

Anônimo
      Além do método disciplinador de trabalho que incute no artista ao passar por várias etapas de transformação da ideia até chegar à reprodução, a gravura permite, ainda, por meio da matriz, a recuperação de tudo o que foi feito. Com a matriz à mão, pode o artista fazer leituras constantes de sua experiência, ou desenvolver e recuperar coisas que ficaram para trás.

     Essa   característica é que a define como Arte Maior. Parece que, no ato de arranhar, escavar, corroer, entintar, prensar, manipular o material de todos os modos, no envolvimento total, o artista está, de fato, burilando a própria personalidade. É gratificante retirar o papel da prensa, num gesto final, e constatar que todo o esforço e suor deram resultado. A imagem aparece ali no papel, nas cores e formas que você imaginou. É frustrante, porém, quando se percebe que houve falhas, ou que nada deu certo, mas isso não é motivo de desânimo. Ao contrário, deve estimular, pois o erro ficou registrado na matriz ou em alguma das etapas. O artista, então, arregaça as mangas e parte para a reabilitação do trabalho, e o aprendizado continua. Na gravura, até o erro tem valor significativo.





Moinho de papel de Stromer, Nuremberg
xilogravura, c. 1390
Anônimo
      Ela nos  faz compreender com clareza que a linguagem artística não pode se limitar apenas a reproduzir qualquer ser ou objeto e que em Arte não se improvisa. Na gravura, o desenho é filtrado pela matriz, o traço tem qualidade expressiva e essa qualidade está relacionada com a linguagem visual. Assim como existe a expressividade das palavras, existe a  das formas. O artista  preocupa-se  com a estética e também  com a técnica. De nada adianta ter ideias expressivas e geniais se não se domina a forma. 

No desenho ou na pintura, por exemplo, a imagem que se mentaliza vai aparecer no papel exatamente como foi idealizada, teoricamente, é claro. A gravura é um procedimento indireto, feito por etapas, e o resultado aparece invertido no papel. Deve ser por isso que não há gravadores de fim de semana. Somente a dedicação e a   persistência podem fazer um bom gravador. O nível e a qualidade artística da gravura                                               repousam solidamente sobre sua base artesanal.

Comentários sobre o Sutra Diamante
xilogravura,   c. 1340
Anônimo
     Desde o surgimento da ideia de produzir estampas populares a preços acessíveis, na China antiga e depois no Japão, a gravura continua a ser a única técnica capaz de permitir que o original (matriz) seja reproduzido várias vezes e continue a ser um original (assinado e datado pelo próprio artista), chegando assim a diversos lugares e pessoas.  Arte democrática por excelência,  permite o acesso a obras artísticas mesmo àqueles que não têm condições financeiras de comprar uma pintura ou escultura de  artistas famosos.  Por tudo isso, a gravura a cada dia se torna mais popular em nossos dias.                                                      



                                                                                                                      
                                                                                                                       

Tauromaquia II
xilogravura, 2008
Thelmo Olisar


Thelmo Olisar, natural de Porto União-SC, é graduado em Letras, bacharel em Gravura pela EMBAP e pós-graduado em Arte-Educação. Foi ilustrador gráfico e revisor de textos do Departamento de Ensino da SME de Curitiba-PR. Como artista plástico, participou de coletivas, individuais  e salões, com  premiações. Como professor, atuou em colégios particulares de Curitiba e S. Paulo e na rede pública estadual do Paraná e da Prefeitura Municipal de Curitiba-PR. Foi revisor do jornal O Estado de S. Paulo e redator do BCN-SP. Atualmente, desempenha funções de consultor gramatical do serviço de Telegramática, da Prefeitura Municipal de Curitiba-PR.
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GRAVURA - entre grandes mestres, o lúdico e a arte




Entre os grandes mestres encontramos Alberecht Durer (1471-1528), Hercules Segers (1590-1638), Rembrandt van Rijin (1606-1669), Francisco Goya (1746-1828), Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901), Wassily Kandinsky (1866-1944), Marc Chagall (1887-1985), Pablo Picasso (1881-1973), e Andy Warhol (1928-1987). (p.15)   


Alguns artistas brasileiros que utilizam a técnica da gravura, denominada XILOGRAVURA, J. Borges, Samico, Emanoel Araujo, Andréia Las, Manoela Afonso, Ana Carolina... Vamos destacar, entre esses brasileiros, um que produz arte contemporânea e faz sua obra utilizando a técnica da xilogravura - André de Miranda.  




ANDRÉ DE MIRANDA é um gravador carioca, que já morou em outros estados brasileiros, como Mato Grosso e Paraná. Além de produzir sua obra e participar intensamente da vida cultural brasileira, o artista, ministra cursos de gravura pelo País. 
MIRANDA produz a partir de uma matriz de madeira (existe a madeira plana – tábuas, e a madeira de topo, quando o corte do tronco é feito na horizontal, gerando as bolachas da madeira) que permite valorosas texturas. Editando sobre papel jornal ou em outros papéis, para gerar  discussões sobre sustentabilidade e reuso na criação artística. Atento e disciplinado sua produção é intensa e precisa. 


Sua produção pode ser em preto e branco ou colorida com muita beleza. As formas são elaboradas e traduzem seu olhar sobre o urbano e suas construções. Os animais e as figuras femininas também são temas do artista. 


O artista é premiado nacional e internacionalmente, possuí obras em coleções de diversos museus, demonstra percepção aguçada sobre o contexto urbano. Tema constante em suas mais recentes produções, quando utiliza jornais para editar imagens e nas formas resgata, aquilo que a massiva construção urbana vem desconstruindo.


 Integrado aos grupos e interagindo, faz parte do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul, um dos mais ativos e que mantém um bom site para quem quer conhecer mais sobre gravura. Vale acessar, pois dicas e uma relação de artistas gravadores pode ser conhecida. 

Mas onde está o lúdico? 

Quando pergunto as pessoas se elas curtem gravura, algumas, dizem que não; outras, que nunca viram e ainda, tem aquelas que afirmam que adoram. Então, fiquei pensando ... será que essas pessoas sabem o que é uma gravura?


Das recordações de infância vem o carimbo de batata, as estrelas carimbadas nos primeiros cadernos e tarefas escolares; e, ainda, estampas das camisetas preferidas ou  correspondências recebidas, com vários carimbos. Isso você não sabia, carimbos são uma espécie de gravura. 

                            Gravuras para serem elaboradas realizam um processo longo. 

Atualmente, vários professores e até alguns artistas usam a técnica da ¨Isopogravura¨. 
A matriz, construída com riscos, formas, figuras com o palito fazendo as vezes de um lápis, cria um baixo relevo sobre o isopor; depois, essa matriz recebe a tinta, que é passada com um rolo de espuma; finalmente, permite a edição da imagem, que é feita sobre um pedaço de papel  ou tecido. O resultado é a gravura. Esta técnica de reuso, fácil e barata, permite ensinar os princípios da gravura, a qual parte da construção de uma matriz, passa pelo  entintamento e chega a tiragem. Uma gravura.


 “A gravura tem características próprias, que exigem um grande conjunto de meios, uma série de passos intermediários, antes que a imagem seja reconhecida como arte plástica”. (p.19). As etapas de elaboração de uma gravura exigem além de aprimoramento técnico , paciência, esmero e cuidado na hora da tiragem, um tempo de secagem e finalmente a assinatura do artista. Para que  a gravura tenha qualidade o editor deve ter o cuidado de não sujar o papel deixando uma boa margem entre a imagem da gravura e a borda do papel. 

O artista ao assinar a gravura deve utilizar um lápis assinando do lado esquerdo e do lado direito deve colocar em números deve quantificar que cópia é e quantas no total editou. Exemplo : 3 /10 (significa que é a terceira cópia de um total de dez cópias).



Brincadeiras necessárias  para formar público e incentivar colecionadores à  conhecerem e apreciarem uma das mais curiosas artes. – A Gravura.

Bibliografia : catálogo - Seis Séculos da Arte da Gravura, (MON/2007)
As imagens, que você visualiza são algumas das gravuras de Miranda (foram acessadas em junho de 2014, do site do Artista). 





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