DE OUTROS TEMPOS
Você, que é fonte da volúpia,
Persiste sobre o meu mais profundo ser.
E, das suas águas, quero que saiba,
Eu quero beber.
Nada adianta esconder os sentimentos.
Suas águas sequiosas não resistirão.
E, nas cataratas dos nossos pensamentos,
Nada de solidão.
Eu quero deslizar sobre seu corpo.
Descer a cachoeira do prazer.
Sentir o padecer das turvas taras.
E, ao mesmo tempo, seu corpo esvaecer.
Eu quero sentir as suas água
Inebriadas a seguir pelo meu leito
Numa incessante queda de desejos
Em nossos momentos íntimos de pleito.
E lá vinha ela
Seus passos a desfilar poesia,
Alindando ambientes.
Seu corpo trajando alegria,
Bem o quero.
Seus olhos retocados de romance,
Cantigas de amor.
E aqui estava ela
Seus lábios sedentos brilhavam pureza,
Dádiva dos seus.
Sua cútis macia rubra de ruge,
Enfeitiçando coração.
Seus olhos retocados de romance,
Fartura angelical.
E lá ia ela
Sua cabeça refletindo aventuras,
Gatinha siamesa.
Seus traços delineando ternura,
Harmonia edênica.
Seus passos arrastando ranhuras,
Indizível sensação.
E lá se foi...
HUMOR DO AMOR
Enquanto que
O canto que-
Ente
O pássaro assovia,
Aço via
Penetrar no peito.
E no deleite,
Assim no leito,
Que seja com quem for,
Desde que se arda
Em fruto-fulgurante amor,
A queimadura
Ferva as mais
Sensíveis partes
Inerentes.
Enquanto
O encanto
Do canto
Vibra delicioso as cordas vocais,
O pássaro alado
Bica fascinado
O assinado
Do peixe assim a nado.
E o nado
Do nada
Vertente como fada
Na cabeça camuflada
Das pétalas,
Margarida prazerosa,
Esfolheadas,
Vivem a acidez
Do aço.
Vivem a placidez
Da gravidez.
Vivem o amor
E jamais ocultam
E esquecem.
Nunca apagam
Os vestígios
Com os vestidos,
Nem tencionam carcomer
As cicatrizes
Que as cicas atrizes
Atrozes
Pincelaram,
A TROTES,
Pela consubstanciada
Essência das carnes
A se enxertarem,
Carne a carne,
Olho a olho,
Canto a canto,
Órgão a órgão.
Não negam jamais
A cuspida do humor
Do humor do amor.
O ECOSSITEMA
A poluição do ar intoxicou.
A poluição das águas envenenou.
A poluição do solo contaminou.
A poluição acústica perturbou,
surdificou.
A poluição da mente condicionou,
massificou e
agrediu.
A poluição dos alimentos oxidou, cancerizou.
A poluição radioativa (o lixo atômico) invalidou.
A poluição térmica febricitou.
A poluição energética paralisou, perigou.
O meio ambiente desequilibrou. Morreu!

























