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Bomba que dá


A cidade de São Paulo sofreu, e sofre ainda hoje, com o colapso do abastecimento de água. Não pensamos muito nisso, mas viver em conglomerados humanos pode ser uma armadilha...

É para assegurar o fornecimento de água em caso de emergência que a cidade de Berlim mantém espalhadas pela cidade cerca de 2100 bombas manuais de água, potável ou não, que são independentes das malhas da rede de abastecimento. A água vem direto de baixo da terra.

O sistema de bombas existe há mais de 200 anos e não abandoná-lo, mesmo após a construção de uma rede de abastecimento foi uma sábia decisão. Comprovada em 1943, durante a 2. Guerra, quando as bombas salvaram os seus moradores.



Dois terços delas oferecem água potável, o que é controlado regularmente. No Verão são uma opção para as crianças e, por que não?, para os adultos brincarem e se refrescarem. Afinal para a bomba não secar é preciso colocá-la em funcionamento.



As mais antigas são exuberantes, os modelos mais novo um pouco mais simples, os últimos de uma simplicidade de dar dó. Nas mais antigas, cabeças de dragões, de cegonhas ou peixes cospem água e os detalhes das peças são fantásticos. Pode-se passar um bom tempo observando e descobrindo figuras e desenhos.





Com a divisão da cidade o lado ocidental, cercado, manteve suas bombas como garantia do abastecimento. O lado oriental acabou por esquecer-se delas e por isso hoje nesta parte da cidade elas são poucas e boa parte mais modernas e simples.



Estas bombas, apesar de discretas na paisagem da cidade também são um marco dela. Em 1983, na Alemanha ocidental, foram "homenageadas" em estampas de selos. Fui dar uma volta nas redondezas de casa para saber onde poderia haver alguma. Encontrei 3, uma delas com água não potável, outra com água potável - tinha acabado de ser usada - a última, infelizmente, não funcionou... 

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Não é permitido o consumo de bebida e comida no cemitério




      Nem sempre as coisas são como parecem. Essa verdade é conhecida de muitos e ela se repete em experiências, às vezes, inusitadas. Uma amiga estava visitando Munique, cansada de andar pela cidade viu um parque agradável e tranquilo. Entrou para descansar, sentou-se primeiro num banco e ficou um tempo ali ouvindo o cantar do pássaros, admirando as flores e o verde exuberante do local. Pouco tempo depois resolveu dar uma volta no parque e qual não foi a sua surpresa ao descobrir que, na verdade, tinha ido parar num cemitério...

      
      Pois é esta uma das grandes diferenças entre Brasil e Alemanha, os cemitérios. Eu recomendo aos turistas a deixarem de lado qualquer má impressão e se aventurarem num cemitério alemão. É claro que há tempos eles já são conhecidos locais turísticos, principalmente em Paris, por exemplo, mas os da Alemanha, prometo, são outros quinhentos.

      Arborizados, ensolarados, floridos, e porque não dizer discretos. Além de ser um oásis dentro da cidade, a maneira livre, diversa, simples da construção de seus túmulos é bastante interessante. Apesar de pobre em arte tumular, a variedade e criatividade apresentam outras possibilidades aos nosso olhos. Nem sentimos falta das esculturas...



      Os cemitérios também são muito procurados para uma boa pausa do almoço e/ou para sentar um pouco ao sol. Alguns deles estão desativados e muitos de seus túmulos quase desaparecendo. Um pequeno cemitério perto de casa teve de fechar seus portões ao público, porque seus vizinhos o estavam transformando em um parque, com direito a piquenique e partidas de badminton...



      Estas fotos foram tiradas hoje no Dorotheenstädtischer Friedhof, bem no centro da cidade. Não muito longe do Bunker Boros e da Ilha dos Museus. Ali descansam em paz Brecht, Hegel e Schinkel, entre outras figuras importantes da história berlinense.

      Hoje não tive sorte, mas é muito comum os visitantes deixarem um charuto no túmulo do Brecht. Ao seu lado, também tendo uma pedra bruta como lápide, descansa a sua mulher, Helene Weigel-Brecht.



 Querendo ler um pouco mais sobre o cemitério, veja esta página.



Ana Valéria Celestino é historiadora e mora em Berlim. Terminou dois “estudos de História” uma vez no Brasil outra na Alemanha. Hoje trabalha como tradutora.



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