quarta-feira, 18 de novembro de 2009

1968 - o ano que não terminou nas lentes do Hair

Coluna Ana Dietrich


Prezados internautas,

Hoje é dia de nos aprofundarmos no movimento hippie de 1968, um divisor de águas em termos de revolução de costumes, hábitos, além de uma crítica mordaz a selvageira do capitalismo com grandes consequências na contemporaneidade.

Abaixo, resenha de Larissa Braulio e Talita Medeiros, historiadoras da Universidade Federal de Viçosa.


Ana Maria Dietrich, editora-chefe da Contemporâneos-Revista de Artes e Humanidades, escreve às quartas-feiras quinzenalmente no ContemporARTES. contemporaneosufv@yahoo.com.br





O imaginário Hippie e a Contracultura dos anos 60 – a contribuição de Hair (I Parte)
por Larissa Geórgia Bráulio Moura /Talita Sauer Medeiros


A contracultura foi um movimento que teve início na década de 1950 e atingiu seu auge nos anos 1960, quando teve lugar um estilo de mobilização e contestação social em relação à sociedade tradicional burguesa marcada pelo ideal de consumo. O moralismo rígido da sociedade estadunidense entrou em crise nos anos 1950 quando a expressão do “sonho americano” não conseguia mais envolver os jovens do planeta. Os anos 1960 foram marcados pela mobilização dos jovens que, contestando a sociedade em que viviam, puseram em causa valores tradicionais. Esses movimentos de contestação iniciaram-se nos Estados Unidos.

Entretanto, o termo contracultura não se refere somente aos movimentos de contestação dos jovens como o movimento hippie, os beatniks e o rock, mas remete a uma idéia mais abstrata , um espírito de mobilização que levou os jovens a contestarem a ordem vigente. Deste modo, a contracultura se caracterizou como um tipo de crítica anárquica, um modo de oposição a uma situação que não podia mais ser mantida. Essa onda de protestos dos anos 60 que começava a tomar conta da sociedade em todo o mundo, foi marcada por seu caráter não violento, pela difusão da paz e do amor, pelo livre uso de drogas e entorpecentes e pelo envolvimento social de milhares de jovens em torno de um fenômeno verdadeiramente cultural, tornando-se, portanto, uma das principais formas de expressão de uma nova geração e de uma cultura que “explodia em pleno coração das sociedades industriais avançadas”.

Através da difusão dos meios de comunicação, esses movimentos alcançaram uma dimensão planetária, universal e a juventude se uniu em torno de uma mobilização cultural de maior interação humana. A contracultura se desenvolveu também na América Latina e na Europa, mas, foi nos EUA onde as pessoas buscavam novos valores, que os movimentos adquiriram proeminência. Assim, não se podia ignorar a contracultura como forma de mobilização e contestação que buscava romper com as tradições, hábitos e comportamentos da cultura dominante, sendo a imprensa sua primeira divulgadora; É vital a importância dos meios de comunicação para configurar a contracultura: pela primeira vez, os sentimentos de rebeldia, insatisfação e busca que caracterizam o processo de transição para a maturidade encontram ressonância amplificada nos meios de comunicação. A insatisfação juvenil, suas buscas e aventuras ecoam, agora, na velocidade da luz nos tubos eletrônicos da TV. Redes comunicacionais se formam e transformam o planeta em aldeia global. (CARVALHO, 2002, p. 7).

Em vista disso a contracultura ganhou voz e se fortaleceu na busca por modificar o modo de vida ocidental, através da crítica as sociedades capitalistas, pelo movimento a favor do direitos civis, por políticas contestatórias e principalmente pelos movimentos musicais e festivais que uniram os jovens dos anos 1960 em torno da busca por um mundo melhor e mais livre.

Entre os principais movimentos de contestação nascidos nos anos 1960 encontra-se o Movimento Hippie, formado por alguns setores da juventude que insurgiram contra os valores tradicionais em vigor, como o trabalho, o nacionalismo e o excesso de consumo da sociedade norte americana vigente. Tinham como ideal a paz e o amor, bem como a liberdade de viver de um forma mais humanizada e menos dependente de fatores materiais.

Seus membros provinham dos meios burgueses, jovens ricos e intelectualizados que inspirados pelo ideal pacifista defendiam o amor livre e a igualdade entre os sexos. Revelaram-se principalmente contra a Guerra do Vietnã. Seu principal lema era “faça amor, não faça guerra”.

Ideologicamente os hippies tendem a se vestir e a se mostrar de maneira diferente da usual como forma de contraposição aos costumes vigentes da época. Os cabelos e barbas compridos tendem a compor um visual deselegante, de forma a chocar os conservadores, mas, mais que isso, os cabelos desalinhados serviam como protesto à Guerra do Vietnã, opondo-se aos cabelos raspados dos soldados. As roupas se caracterizavam pelas cores brilhantes e estilos incomuns, como calças boca de sino, camisas tingidas e roupas de inspiração oriental. O incenso e a meditação fazem parte da cultura hippie pelo seu caráter simbólico e quase religioso, bem como o uso livre de drogas e entorpecentes.

 
Cena do filme Hair de 1979.
Disponível em: http://3.bp.blogspot.com/hair.jpg. Acessado em: 01/10/2009


Larissa Géorgio Bráulio Moura, licenciada em História pela Universidade Federal de Viçosa, atual aluna do curso de Pós Graduação Lato Sensu História - Evata
Talita Sauer Medeiras, licenciada em História pela Universidade Federal de Viçosa, atual aluna do Bacharelado da mesma universidade.

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