quarta-feira, 10 de março de 2010

Nota de falecimento



Faleceu nesta madrugada a poeta colaboradora do ContemporARTES e detentora da marca Alemdalenda, Heloisa Galvês. Marcamos com essa pequena nota nosso pesar e homenagem. 

Equipe ContemporARTES.


Ver também
http://contemporartes-contemporaneos.blogspot.com/2009/10/segunda-poetica_26.html
Com belos poemas da autora.

1 comentários:

SIMONE ALVES PEDERSEN disse...

ALTARES ALTERADOS (Heloisa Galvez)
Eu vivo quebrando regras/Desde a infância e dos sacis/Que em meus cadernos/Tinham sempre duas pernas/Pintava casas sem portas/Pra ninguém do bem sair/Ninguém do mal entrar/E profanar meu altar anímico...

Era uma vez uma linda mulher. Escritora, encantava fadas com seus livros infantis. Mulher, estremecia pessoas com seus poemas agudos. Ilustradora. Proprietária da marca Além da Lenda. Helô viajou dormindo. E muitos admiradores passaram a noite em claro, despedindo-se de sua alma cigana.
Na Comunidade Literária Brasileira, a passagem repentina de Helô veio como uma bomba. Talvez você não a conhecesse, afinal , no Brasil é assim, poucos saem do anonimato. Mas ela deixou muitas obras. E incontáveis pegadas nos corações de seus leitores.Eu posso dizer, sem exagero, que a considerava uma das melhores poetas da atualidade. Sua personalidade marcante era pontuada por fortes opiniões, muita sinceridade e sensibilidade ímpar. A depressão a isolava do mundo por períodos infindáveis. Mas quando ela ressurgia, era sempre coerente em suas ponderações.Ela deixou um mantra, repetido por muitos autores, pois sempre que dizia “Uhm...será que fui nesse?”, estava no topo da lista do resultado do concurso literário.Dizem que a amizade virtual é gelada. Seguramente, é mais fácil gostar de quem não convive conosco. Mas em certas comunidades,como a de concursos literários da Orkut, as pessoas relacionam-se diariamente. Acabamos conhecendo a personalidade de cada um. Quando nos encontramos pessoalmente é uma festa. Eu nunca festejei Helô, infelizmente. Nunca pude cantar parabéns para ela, antes de soprarem a vela.

HIPÓGRIFO (H.G.) /As formas, não me interessam mais!/Sou aquilo que você vê dentro do caleidoscópio./Cones ovais, losangos destroçados./Trapézios interceptados por círculos quadrados./"Espelhos quebrados..."/Meu coração tem a porta de um poço.../Não abra jamais!/ Dentro dele adormece um hipogrifo./Cavalo com asas de águia, o grifo e a égua./Trégua ou entrega, sem opção./Sou eu a Senhora da Besta./Quando te amei o feto brotou-me no coração./Vem que ele esta por rebentar-me!/Vem cavalgar em nossa cria!/Vem criar o que sonhamos!/Quantos planos, quantos planos.../‘Inda é cedo, ouça a madrugada.../E as fadas, e as fadas!/Venha agora ou não venha nunca mais/Meu coração tem a porta de um poço/Não abra então, não mais.../Sem você será jazigo de um sonho./Hipogrifo algum despertará jamais./Voar...Sonhar, viver.../Jamais...

11 de março de 2010 00:17

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