quinta-feira, 24 de março de 2011

Meu encontro com os Irmãos Lumière



 Hoje nossa coluna traz o depoimento poético da fotógrafa e escritora catarinense Lair Leoni Bernardoni sobre a visita que fez à cidade dos irmãos Lumière, Lyon e às suas obras, entre elas as primeiras fotos coloridas de que se tem notícia, datadas de 1904.
De maneira intimista e sensível, como é seu estilo, descreve a emoção de reencontrar a casa e os ambientes preservados onde os criativos irmãos fizeram várias experiências no campo visual.

"Sou, desde há muito, chamada por escolha interior a visitar casas que resguardem no interior de suas paredes a solene criação artística que seguirá como história.

Há nesse encontro do olhar pela praça uma alegria inaugural incontida.
Estou no caminho de Villa Art Nouveau onde, as gravações de luz em movimento irão ganhar o nome de Sétima Arte e nem havia ainda iniciado o século XX.

Não tenho mesmo freio algum quando o coração descompassa meu cardiolairiano que conheço bem.
Não tenho também adiamento para diminuir o passo. É preciso deixar o imaginário ser real e pronto !
Ali na Rue de Premier Film a Villa tem ainda a porta central fechada.
Preciso estar num click junto a ela por inteiro.
Poso acanhada.
Minutos de espera, a porta é aberta e posso passar à sala de atendimento e à Biblioteca.
Dalí avanço lentamente à Grande sala familiar, iluminada por janelas e onde a luz natural flui no refinamento da época.
Reconheço o lugar onde portraits de luz velada gravaram a lírica intimista e poética.

De quebra e nem tão longe no parque que avisto à volta, a paisagem cenariza outras imagens familiares.
Retratos da vida.
Hoje, o Institut Lumière tal como foi construído para ser residência tem as janelas abertas para a luz natural. Sou íntima dessa luminosidade.
A grande casa pode ser vista com detalhes no espírito de “belle époque”. São mínimas as portas fechadas.
As cores exuberantes e também suaves, bem casadas, não foram poupadas para os contrastes na decoração. Flores alçam vôo pelas laterais da grande escada.
Emociona subir as mesmas escadas, ver a mesma luz das quatro estações reacender pela fotografia o arrepio da Arte com um click. Privilégio ao alcance de estar ou propositar visitar Lyon.
Só quem é cúmplice da luz e sua revelação conhece e não esquece a Villa na Rue de Premier Film dos Irmãos Lumière."
(Lair Leoni Bernardoni)



Os irmãos Louis e Antoine Lumière





Abaixo, algumas fotos dessa preciosa coleção de auto-cromos dos irmãos Lumière que usavam como método de coloração, minúsculos grãos de amido de batata tingidos de verde, laranja e violeta para criar imagens coloridas em placas de vidro semelhantes a slides.












Agradecimentos especiais: Cadu Silvério.

 

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Izabel Liviski é Fotógrafa e Mestre em Sociologia pela UFPR. Pesquisadora de História da Arte, Sociologia da Imagem e Antropologia Visual.  Escreve quinzenalmente às 5as feiras na Revista ContemporArtes.

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