sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cultura de massa e cultura para a massa


Cultura de massa e cultura para a massa

Há uma significativa diferença quando falamos de cultura de massa e cultura para as massas. A primeira, como já vimos, é a parte fundamental do sistema capitalista moderno, e se sustenta através de uma grande indústria fomentadora de “produtos” para serem vendidos em “prateleiras de supermercados”, metaforicamente descrevendo cultura de massa. Mas sendo fiel às suas principais características, percebemos que a mesma se utiliza em primeiro lugar da indústria cultural, passando em seguida pelo mercado cultural, e chegando então finalmente na sociedade de consumo, conhecida sociedade de massa.

Não podemos generalizar, como é o caso de muitos, a cultura de massa e dizer que ela é direcionada àqueles que possuem uma realidade financeira reduzida, ou que a cultura de massa é produzida somente para as favelas, pois para obter-se essa tal cultura é preciso que se pague nem que minimamente, mas que se pague por ela, e o que percebemos hoje em dia, é que cada vez mais as camadas privilegiadas da sociedade absorvem esse tipo de cultura massificada para o seu dia a dia e passam assim a fazer parte dessa sociedade, que sem distinção econômica, passam a fortalecer um mercado cultural alienador.

Usando como exemplo, um modelo cultural que nos dias de hoje é visto como cultura erudita , a ópera foi considerada um dos primeiros elementos da cultura de massa, por suas apresentações serem direcionadas ao grande público. Ela era vista como um tipo de atividade cultural considerada massificada no século XIV, aqui não mais por ter seu valor questionado, mas pelo fato de ser direcionado para o grande público.

A cultura para as massas é aquela feita especialmente para direcionar um modelo de pensamento que envolve e desenvolve ações e manifestações para a sociedade, mas que tem como objetivo principal fazer a sociedade enxergar questões (sendo dada uma visão distorcida da realidade) que necessitem do apoio e do apelo da mesma. A cultura para as massas se baseia no sistema ditatorial, podemos utilizar como exemplo, os modelos do fascismo e do nazismo, onde a massa da população podia se enxergar através de filmes que eram feitos com esse propósito; o cinema como grande precursor da cultura de massa, era utilizado para mostrar para aquela massa que eles podiam gritar e reivindicar os seus direitos, mas o que aquela sociedade massificada não percebia, era que todo aquele aparato fazia parte de um sistema manipulador, que subjetivamente incluía na mente de cada indivíduo que todos aqueles acontecimentos da época independentemente do tipo de desgaste social ou emocional que ele estivesse causando sobre cada indivíduo, era extremamente necessário, e se fazia para o progresso de toda a nação.

A cultura para a massa, diferente pensada com relação com à cultura de massa, na primeira, todas nações são feitas pelo, chamaremos assim, “produtor da cultura para a massa” a partir de um estudo adequado para cada situação. É estranho pensarmos assim, mas se repararmos bem, esse produtor, após analisar a situação que lhe interessa converter, permanecer ou justificar, transformar qualquer situação ideal, ou seja, faz a sociedade se sentir parte realmente dos acontecimentos e logo ela está inserida, queira ou não, naqueles modelos ditados por um (quando no máximo uns) e respeitados por todos.

Já a cultura de massa, que também possui o que podemos chamar de “produtor de cultura de massa”, repensada de maneira mais universal, a preocupação com a situação ou o contexto em que a sociedade está inserida não é o que mais importa, o que importa é que se pense no modelo duradouro de absurdos culturais que quanto mais alienem a sociedade melhor, pois a possibilidade da mesma rejeitar ou se cansar logo desses produtos é, senão nula, bem menor do que se fossem esses “produtos culturais” que estimulassem o pensamento e o fizessem o receptor se questionar sobre os padrões de qualidade do produto e o padrão de satisfação que o mesmo lhe proporciona. Enfim, podemos observar que apesar de possuírem grandes características em comum, a cultura para a massa e a cultura de massa guarda algumas diferenças, como por exemplo, o fato de a primeira não se utilizar necessariamente da indústria cultural. Com o exemplo do cinema, fica claro que ela teria que passar por essa indústria, mas poderiam os produtores dessa mesma cultura utilizar discursos e manifestações para que pudessem chamar a atenção da sociedade. Já no segundo caso é mais fácil imaginarmos um tipo de cultura de massa que não se utilize dessa indústria, seja através dos meios de comunicação de massa (como veremos mais adiante) seja por meio desse mercado cultural. O que nos parece, é que a cultura de massa junta a sociedade de massa e insere nesta um determinado objeto que passa a ser então naquele momento o objeto cultural ideal para que a sociedade se sinta feliz e satisfeita com o que lhe está sendo entregue.

Para avaliarmos então os dois conceitos, basta colocarmos um do lado do outro para que percebamos como os dois são conceitos que induzem a sociedade a agir determinada maneira, o que nos torna diferentes é o modo como essa indução é feita, e como já falamos, um induz através do sistema capitalista e o outro através do sistema ditatorial, mas ambos induzem e fazem a sociedade agir de maneira que vai contra todos os princípios de uma sociedade moderna supostamente desenvolvida para não suportar esse tipo de dominação.



Djalma Thürler é Cientista da Arte (UFF-2000), Professor do Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Cultura e Sociedade e Professor Adjunto do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA. Carioca, ator, Bacharel em Direção Teatral e Pesquisador Pleno do CULT (Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura). Atualmente desenvolve estágio de Pós-Doutorado intitulado “Cartografias do desejo e novas sexualidades: a dramaturgia brasileira contemporânea dos anos 90 e depois”.

3 comentários:

jackeline rodrigues disse...

Gostei muito,sou estudante do Eja, estou aprendendo agora com 51 anos
Filosofia foi atraves de minha professora que fiz esta pesquisa sobre cultura de massas e cultura para massas Filosofia como e importante aprender mesmo nesta idade!
Meu nome e Jaqueline Ap da Silva Rodrigues estudo no Faria Lima no tucuruvi

Ser e ter, e fazer a diferença

29 de agosto de 2015 09:01
jackeline rodrigues disse...

Gostei muito,sou estudante do Eja, estou aprendendo agora com 51 anos
Filosofia foi atraves de minha professora que fiz esta pesquisa sobre cultura de massas e cultura para massas Filosofia como e importante aprender mesmo nesta idade!
Meu nome e Jaqueline Ap da Silva Rodrigues estudo no Faria Lima no tucuruvi

Ser e ter, e fazer a diferença

29 de agosto de 2015 09:01
jackeline rodrigues disse...

Gostei muito,sou estudante do Eja, estou aprendendo agora com 51 anos
Filosofia foi atraves de minha professora que fiz esta pesquisa sobre cultura de massas e cultura para massas Filosofia como e importante aprender mesmo nesta idade!
Meu nome e Jaqueline Ap da Silva Rodrigues estudo no Faria Lima no tucuruvi

Ser e ter, e fazer a diferença

29 de agosto de 2015 09:01

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