quarta-feira, 3 de setembro de 2014

IMAGENS E IMAGINÁRIOS: AS ORIGENS DA FOTOGRAFIA SURREALISTA


"Os fotógrafos que se concentraram em interferir no realismo supostamente superficial da foto foram os que transmitiram, de modo mais exato, as propriedades surrealistas da fotografia." (Susan Sontag)

Nesta semana, a coluna INCONTROS traz como colaboração a pesquisa de Vanessa Nóbrega, sobre a gênese da fotografia surrealista e seus desdobramentos, chegando até os dias atuais como forma de expressão visual. Com a palavra, a autora:

“O Surrealismo e a Fotografia se encontraram num momento em que a Arte procurava se libertar da prisão tradicionalista dentro  do  ambiente  conturbado  pelos episódios do  pós-guerra, em meados da década de 20. Neste mesmo contexto, a fotografia tentava se consolidar no campo artístico, buscando uma linguagem própria.

Envolvidos e influenciados por essa atmosfera,  a imagem  fotográfica foi palco de grandes  experiências surrealistas que serviu de abertura para uma nova roupagem estética, fazendo com que deixasse de ser vista como uma simples representação gráfica e se solidificando definitivamente no mundo das Belas Artes.

A arte passou por grandes mudanças e movimentos que fizeram história ao longo dos anos. No século XX, por exemplo, todos os conceitos que serviram de base para a criação das gerações artísticas anteriores, foram sistematicamente postos em causa pelos artistas.

A intenção dos movimentos surgidos na época era promover um novo rumo para a arte e romper com os conceitos tradicionais. As correntes artísticas que passaram a existir nesse período tinham como principal objetivo, a busca por uma nova proposta que se distanciasse do convencional. O Surrealismo foi um dos movimentos surgidos com o propósito da representação do irracional e do subconsciente, impulsionado pela necessidade de libertação da arte.

Paralelo a esse novo viés, também veio o avanço da fotografia que passava pelo processo de  conquista  de  novos  terrenos  que  ultrapassavam  os  trâmites  da representação iconográfica, do espelho fiel dos fatos. Iniciava-se uma fase de novas experiências estéticas influenciadas pelas correntes artísticas do momento.

Os primeiros experimentos fotográficos consideradas no âmbito das Belas Artes foram desenvolvidos sem o auxílio de câmeras, através da sensibilização e manipulação de imagens. O ponto de partida deste artigo é observar como o surrealismo - um movimento bastante heterogêneo e que exerceu enorme influência inclusive na fotografia - refletiu nessas imagens.

Foi no tom de experimentações e discussões de grupos de jovens artistas, que costumavam se reunir em Cafés para debater as possibilidades de um novo caminho para arte, que o espírito dadaísta e surrealista surgiu. Envolvidos pela angústia, pelas proporções da crise de toda cultura causada pela Primeira Guerra Mundial, tanto o Movimento Dadá, quanto o ideal surrealista, se propuseram discordar da racionalidade inserida na sociedade moderna; o objetivo desses artistas visionários era conduzir novos ares a esse ambiente decadente.

Batizado de forma casual como Dadá em uma manifestação de rebeldia que estourou e passou a existir a partir de 1916, primeiramente na cidade de Zurique, o Dadaísmo surgiu em meio ao caos vivenciado pela Primeira Guerra. Embora ele tenha antecedido o movimento surrealista, muitos autores consideram que o surrealismo foi uma versão mais organizada do dadaísmo.

Strickland um dos autores que considera o surrealismo como filho legítimo do Dadá. Na verdade, durante algum tempo "ambos coexistiram num fluxo contínuo de estímulos e energia".  Argan faz uma observação mais cautelosa em torno disso: "Dadá se transformou no Surrealismo, isto é, na teoria do irracional ou do inconsciente na arte, ainda que não tenha ocorrido uma fusão entre os dois movimentos".

As manifestações do grupo dadaísta são “deliberadamente desordenadas,   desconcertantes,   escandalosas   [...]   no   caso   do Dadaísmo trata-se de uma vanguarda negativa, por não pretender instaurar uma nova relação, e sim demonstrar a impossibilidade e a indessiderabilidade de qualquer relação entre a arte e sociedade”. 

Antes da oficialização do Manifesto Surrealista em 1924, o termo surrealismo começou a ser usado para diferenciar as práticas artísticas e literárias de André Breton e de seus amigos. Foi a partir delas, mais precisamente em 1919 que a alma deste movimento começou a emergir.

Pode-se dizer que o Surrealismo foi um manifesto artístico que abrangeu a poesia, a pintura, a prosa, a escultura, a fotografia, o cinema e o intervencionismo, surgido primeiramente em Paris nos anos de 1920. Com um sentimento mais declarado que o Dadaísmo, pretendendo uma completa transformação entre a sociedade e o indivíduo, ele abraçou mais que uma causa artística.

A manifestação  artística  foi  só  um  de  seus  aspectos,  ele  também  representou  um movimento político, literário e filosófico. Além disso, este autor faz uma menção quanto à finalidade que os artistas desta corrente procuravam dar às suas obras, da seguinte forma: "Os surrealistas queriam explicitar o funcionamento real do pensamento”, segundo Meira.

As inspirações eram diversas, tais como visões simbólicas, metafísicas, estranhas, radicais, primitivas, irracionais, no qual o Surrealismo mostrava o modelo anterior: a libertação do inconsciente, o profundo do conhecimento, o ilógico. Todo o movimento surrealista esteve marcado por uma natureza diferente, sem possuir exclusivamente um processo ou uma única técnica que fizesse a descrição desse estilo.

É importante observar todas as fases que o surrealismo experimentou,  tendo   o   Primeiro   Manifesto   Surrealista   sido   marcado   pelo   sentido psicológico autêntico. Já o Segundo Manifesto insistiu na defesa do irracional, do espontâneo e do inconsciente, como as pinturas de sonhos, por exemplo.

Como o movimento surrealista sempre foi composto por diversos elementos é natural a distinção entre os artistas da época. Alguns exploravam o abstracionismo, outros as cores e tonalidades diferentes, formas realistas e hiperrealistas baseadas em sonhos, entre outros.

Durante um bom período, desde a declaração oficial da criação da fotografia por Louis Daguerre em 1839, o ato fotográfico surgido de experiências óticas e químicas foi  bastante  questionado  e  discutido  quanto  a  sua  integração  no  campo artístico. Seria a fotografia uma arte?

Para Kossoy, durante a Revolução Industrial a fotografia desempenhou um importante papel como instrumento de apoio à pesquisa nos campos da ciência, pois se tornou um meio comunicativo capaz de passar credibilidade. Sua força como representação iconológica acabou limitando o olhar expressivo da atividade fotográfica, desviando a atenção para seu potencial de possibilidades informativas e representações simbólicas.

Segundo este autor, a realidade  da  fotografia  não  corresponde  (necessariamente)  à verdade histórica, apenas ao registro expressivo da aparência [...] A realidade da fotografia reside nas múltiplas interpretações, nas diferentes "leituras" que cada receptor dela faz num dado momento; tratamos pois, de uma expressão peculiar que suscita inúmeras interpretações.

Além disso, ele menciona,  que a fotografia abraça duas importantes qualidades desconhecidas pela época em que era questionada como representação artística: da mesma forma em que assume função de fonte histórica ela é ao mesmo tempo, artefato e registro visual. É possível que um único registro fotográfico tenha fins documentais com valor iconográfico, assim como valores estéticos.

Esta condição mimética, atribuida à fotografia como reflexo da realidade, segundo Braune, está ligada a visão estreita da época em que a pintura apresentava-se como a principal arte representativa da realidade.

A atividade artística era vista como um indício de inspiração criativa ligada à autoria (o ser humano interpreta o mundo a sua maneira), assim a fotografia era regida por um instrumento mecânico na qual  funcionava  apenas  na  representação  da  perfeita  imitação  da  realidade,  não possuindo uma ligação criativa capaz de fazer parte do universo das belas artes.

Por mais abstrata que seja uma fotografia, por mais que ela "minta", por mais que nela sejam adicionadas interferências de quaisquer categorias, por mais surreal que possa vir a ser uma fotografia, ela não deixa de estar atrelada ao referencial, àquilo que, no exato momento em que o disparador da câmera foi acionado, estava lá – presença incontornável –, caso contrário não haveria algo fotografado, não haveria a fotografia.

A fotografia,  só foi aceita a partir da década de 1860, quando, enfim, alcançou sua autonomia, independência e linguagem própria. Quando o período moderno chegou com o pensamento artístico de se desprender do tradicionalismo, no mesmo ambiente a fotografia começava a ser explorada artisticamente.

De acordo com Braune, esse convite à mudança estética nascia dentro do espírito em que se discordava dos princípios racionais e acusava a proposta de modernidade inserida na sociedade, ambos idealizados pelo movimento dadaísta e surrealista.

Deste modo, o surgimento da fotografia surrealista está inteiramente ligado aos grandes nomes que deram vida a essa nova estética, fazendo parte dos movimentos que permearam os ideais artísticos da linguagem moderna, já que as primeiras fotografias surgidas a partir desta nova tendência, foram obras abstratas, a partir de 1915-1916.

Paul Strand's foi um dos fotógrafos de destaque nesse contexto, conseguindo valorizar esteticamente temas e objetos normais, como por exemplo, explorando as sombras de um muro. Foi uma grande referência na obtenção de outro vértice do clima moderno com temas compreendidos entre lugares suburbanos, a utilização do ângulo close-up quando fotografou uma mulher cega, entre outros. 


Foto: Paul Strand's

Apesar disto, as primeiras fotografias consideradas genuinamente abstratas foram as séries "Vortoghaphs" feitas por Alvin Langdon Coburn, em 1917, onde fotografava pedaços de cristais, madeira e outros objetos através de espelhos arranjados que permitia a criação de várias imagens. 


Foto: Alvin Langdon Coburn
Nesse período compreendido pelo pós-guerra, um novo viés expressivo começou a surgir, conforme Argan (1992). No final da Primeira Guerra os valores começaram a ser substituídos, provocando profundas consequências que refletiam diretamente nas correntes artísticas da época.

Todo esse contexto, aliado ao sentimento pós-guerra fez surgir uma nova linguagem refletida na imagem fotográfica. As principais técnicas que revolucionaram a abertura para a direção de um novo olhar e o espaço para novas experimentações, foram os fotogramas, o princípio de solarização e as fotomontagens.

A nova técnica de abstração imagética conhecida por fotogramas, consistia em um método coincidente com os desenhos fotogênicos experimentados por Talbot, cuja origem remonta os princípios fotográficos em 1727, criados pelo alemão Johan Heinrich Schulze, quando este descobriu a sensibilidade dos sais de prata expostos à luz. Todavia, somente em 1939 estes desenhos fotogênicos passaram e ser adotados através de produções de imagens de objetos sobre folhas de papéis sensibilizados desenvolvidos por Talbot.

Neste mesmo ambiente,  por  volta  de  1919,  distante  dos  experimentos  de Talbot, o fotograma apresentou-se mais que uma adaptação da técnica. Outra forma diferenciada de abordagem consiste na técnica de inversão de parte da imagem.

A solarização, utilizada de forma mais criativa pelos artistas Man Ray e Lasló-Moholy-Nagy  -  dois  fotógrafos  de  grande  importância para a   arte  e  para a  estética  moderna  na exteriorização de pensamentos criativos nos períodos entre 1920 e 1930 - incide na transformação de um negativo em positivo em decorrência a uma superexposição.

Man Ray redescobriu essa técnica casualmente e criou seu próprio estilo com a construção dos desenhos de luz, batizando a técnica com seu próprio nome "Rayograph" (Rayografias). Já Moholy-Nagy, em 1922, experimentou fotogramas colocando objetos tridimensionais em placas ou em papéis fotográficos conseguindo imagens incríveis.


Desenho fotogênico de Fox Talbot
Outro processo utilizado para produção de efeitos surrealistas foram as fotomontagens que se originaram de colagens artísticas utilizadas nos movimentos Dadá e Surrealismo, no qual mesclavam inúmeros materiais. As fotomontagens eram combinações de recortes de fotografias e desenhos, por vezes com superposição de gráficos e dizeres, com o intuito de valorização estética do material empregado.


Foto: Man Ray  (solarização)

Em 1919 havia sido fundada por Walter Gropius em Bauhaus, uma escola de design vanguardista que explorava aulas de fotografia. Foi nessa época que muitos artistas se viram impactados com as formas descobertas através de imagens de um microscópio, chamadas de fotomicrografias.

Gernsheim comenta esses processos de uma forma mais concisa: "Todas essas técnicas visavam a transmutação do objeto em um padrão de luz não representacional,  onde  apenas  a  forma  do  objeto  era  produzida  sem  detalhes  ou gradação de tom."


Fotomontagem: John Heartfield

Mesmo que a quantidade de verificações no período pós-guerra tenham sido de estima reduzida, a cooperação para a fotografia no sentido de ampliação de técnicas fotográficas e do desapego às convenções através dos fotogramas de Moholy-Nagy e as fotos veladas por exposição excessiva de Man Ray, foram de extremo valor para a sua mudança expressiva.

Outros   nomes   se   destacaram   nesse encadeamento de ideias: Cecil Beaton foi um dos principais fotógrafos de moda da revista Vogue e criou um novo estilo de retrato. Francis Bruguière em 1933 produziu efeitos de luz em suas construções abstratas em papel e Angus McBean, foi o principal fotógrafo teatral britânico que combinou fantasia surreal com o realismo fotográfico em suas fotos de atrizes e outras disposições.


Foto: Angus McBean

Com o desenvolvimento da tecnologia, os equipamentos foram tornando-se mais leves e as emulsões mais rápidas, permitindo um maior deslocamento do fotógrafo, facilitando  assim  a  busca  por  ângulos  inusitados  que  fugissem  cada  vez  mais  da intenção de reprodução fiel da realidade.

Grandes personalidades fotográficas de vanguarda mantiveram-se na ativa nos anos de 1930 como Peter Rose Pulham com suas fotomontagens surrealistas, Edmiston e Winifred Casson na área de publicidade e Erwin Blumental e André Kertesz fizeram nome quando emigraram para os Estados Unidos se destacando  na criação de imagens distorcidas em registros fotográficos de nus.


Foto: Peter Rose Pulham

Philippe  Halsman  com   suas   inusitadas   imagens   surreais   de   saltos,   as fotomontagens fantásticas de Jerry Uelsmann, a fotografia de Dora Maar e o surrealismo das imagens de Fernando Lemos, além de outros artistas pouco conhecidos, são exemplos de destaques que após a efervescência das inúmeras aparições fotográficas surrealistas nos anos de 1930.




Foto: André Kertesz
Considerado um dos fotógrafos mais ilustres do século XX, Man Ray iniciou sua carreira artística como pintor, formou-se, em 1913 em Desenho Industrial, e além de fotógrafo, também se dedicou à escultura e ao cinema.

Sua passagem por Nova Iorque, foi de extrema importância, pois através dessa viagem conheceu Marcel  Duchamp e Picabia, entrando para o movimento Dadá. Sua trajetória fotográfica iniciou-se quando precisou fazer fotos de suas pinturas para a imprensa e para os colecionadores, foi a partir daí que começou as experimentar as técnicas fotográficas.


Foto: Jerry Uelsmann

A genialidade de Man Ray fez com que se tornasse um artista eclético. [...], ele foi um ser onírico, lúdico e diáfano com suas criações; lidava com o inconsciente e o consciente nas fotografias, enquadrando-se em qualquer estilo. Porém, foi reconhecido como um dos principais fotógrafos dos movimentos Dadá e Surrealismo.

A sua mais conhecida forma de intervenção artística foi a fotografia, e umas das técnicas que mais Man Ray utilizou foram os fotogramas, que apesar de ter redescoberto sem querer essa técnica, sem ter sido o criador, as rayografias de Man Ray foram bastante exploradas em seus trabalhos. Outro processo muito utilizado e marcante na sua obra era a técnica de solarização, já citada.

O surrealismo em suas imagens encontrava-se dentro de um espaço misterioso, a mulher retrada por Man Ray seduzia dentro de um misticismo e ao mesmo tempo um glamour. Man Ray puxa a natureza equívoca da imagem impondo um conflito entre o imaginário e o real.


Foto: Dora Maar

Inventado no início do século XIX, ao mesmo tempo em que a fotografia, o fotograma só foi utilizado com características inerentes no início dos anos 1920 pelos artistas Christian Schad e Man Ray. Ao longo de seus experimentos, o intento era o de captar a luz dos melhores ângulos utilizando objetos transparentes e translúcidos como cristais, vidro, líquidos, véus, entre outros, colocando em placas ou papéis fotográficos.


Foto: Man Ray
Em 1922, ocorreu sua primeira exposição individual de seus fotogramas e pinturas abstratas na galeria Der Sturm, em Berlim, hoje com 430 peças é a maior coleção apresentada. Não se restringindo unicamente à fotografia, dedicou- se também a pintura, arquitetura, design e outras artes além de ter lecionado em uma importante escola alemã de artes visuais, a Bauhaus. Publicou livros que descreviam os caminhos da arte contemporânea e da fotografia, além de mencionar o papel dela na arte.


Foto: Man Ray

Philippe Halsman (1906-1979) nasceu em Riga, Letônia e antes de ir para Paris, estudou engenharia. Em 1932 montou seu estúdio fotográfico. Desde a década de 1940 até a década de 1970, Halsman ficou conhecido como o fotógrafo das celebridades com  a  produção  de  retratos  espirituosos,  estampando  diversas  capas  e  páginas  de revistas como Look, Esquire, Saturnay Evening Post, Paris Match, e especialmente a Life.

Trabalhou com moda, retratos de personalidades, no qual levou o título de melhor fotógrafo de retratos na França em 1936. Sua tendência surrealista surgiu na pesquisa de trabalhos  de  artistas  dessa  corrente,  a  qual  lhe  rendeu  imagens  que  surpreenderam, compostas por iluminações leves, focos bruscos, recortes e closes. Suas fotografias combinavam glamour, sexo e energia positiva.



Foto: Philippe Halsman

Amigo de Dali, com quem compartilhou projetos com cunho irracional e perturbador, uma de suas fotografias surreais mais famosas é "Dali Atomicus", na qual o artista, a sua tela, móveis, gatos, água e todos parecem suspensos no ar. Além do mais, as imagens realizadas por Halsman tinham certo charme porque a atenção do ato de saltar e cair está no modo real que a pessoa demonstra, como se caísse a máscara de cada um.

O movimento surrealista na fotografia se deu através de grandes referências que ousaram fazer experimentos dentro de uma visão mais estética. Envolvidos por uma atmosfera visual moderna, livre das amarrações do tradicionalismo, pode-se observar como a imagem fotográfica foi conduzida neste contexto.



Foto: Moholy-Nagy
É interessante ressaltar que esse período serviu de palco para as primeiras experiências em que a fotografia buscava uma nova roupagem artística que compreendia desde a manipulação e sensibilização de imagens, utilização de novos ângulos à abertura de um novo olhar diante de temas simples do cotidiano.

A contribuição dada por esses artistas no sentido de observar a fotografia dentro do campo artístico, aliada ao ambiente surgido no período surrealista, fez com que a cultura fosse marcada por uma enorme expansão produtiva. Foi a partir desses inúmeros fatores,  que nasceu no cenário artístico uma forte revelação do simbólico na fotografia.

Hoje, pode-se observar que a fotografia foi crescendo e tornando-se cada vez mais dinâmica. Com o surgimento da tecnologia digital, por exemplo, é possível através de programas de edição de imagens (softwares) explorar muitos outros aspectos. Outro ponto crucial é que, apesar do movimento surrealista ter se dissolvido, as influências dessa corrente artística são observadas até hoje em grandes artistas mesclando uma nova representação do surrealismo fotográfico em sintonia com a atmosfera contemporânea."


Referências:
ARGAN, Giulio Carlo.    Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Trad. Denise Bottmann e Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992
BRADLEY, Fiona. Movimentos da arte moderna: surrealismo. Trad. Sérgio Alcides. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2001.
BRAUNE, Fernando. O surrealismo e a estética fotográfica. Rio de Janeiro: 7letras, 2000.
DUBOIS,  Philipe. O ato fotográfico e outros  ensaios.  Trad.  Marina Appenzeller; Campinas, SP: Papirus, 1993.
GERNSHEIM,  Helmut.    Col.  Alison Gernsheim.    A concise   history    of PHOTOGRAPHY. Londres: Thames and Hudson, 1971.
KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. 3 ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.
PANZER, Mary. Philippe Halsman: a retrospectiva. Disponível em:
http://www.npg.si.edu/exh/halsman/index.htm. Acesso em: 28 de julho. SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das letras. 2004.
STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Trad. Angela Lobo de Andrade. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.




Vanessa Kátia de Medeiros Nóbrega.

Este artigo sobre fotografia surrealista, faz parte da sua monografia  de graduação; é Bacharel em Arte e Mídia pela Universidade Federal de Campina Grande (2009). Na área acadêmica foi bolsista de projeto na área de publicidade; Ministrou curso na área de fotografia e realizou pesquisas sobre o cinema nigeriano;  Trabalhou como assistente de arte no curta-metragem “Borra de Café", e na área de criação em publicidade. Atualmente, é freelancer na área de Designer Gráfico em Brasília.




VESTIBULAR - PARA GOSTAR DE LER
Curso intensivo de leitura dos textos selecionados para a prova de literatura do vestibular 2014/2015 UFPR. O objetivo é aprofundar e compartilhar experiências de leitura desses textos em função de seu momento cultural, sua situação na história da literatura brasileira e sua realização enquanto obra de arte literária. Ministrado por Elisa Carvalho, o curso terá início na primeira semana de Setembro.
Horário: 2ªs e 4ªs pela manhã das 10h às 12h Ou 4ªs e 6ªs das 17h às 19h.
No Solar do Rosário





Izabel Liviski, é fotógrafa e doutoranda em Sociologia pela UFPR. Pesquisa História da Arte, Literatura e Artes Visuais. Escreve na revista ContemporArtes desde 2009, editando a coluna INCONTROS quinzenalmente, e é atualmente co-editora da revista. 
Contato: <izabel.liviski@gmail.com>



1 comentários:

Rogério Dezem disse...

Ótimo post! Bem escrito e didático. abs!

10 de setembro de 2014 22:26

Postar um comentário

Seja educado. Comentários de teor ofensivo serão deletados.