sexta-feira, 11 de setembro de 2015

SOBRE A FELICIDADE...






Da felicidade não há muito que dizer, a não ser que todos a buscamos loucamente. Quem não quer ser feliz? Corremos atrás da felicidade como quem busca o Santo Graal. Não sabemos onde está, não temos certeza de como encontrá-la e ainda assim, vivemos à sua procura.  Sabemos do seu valor. Mas como será? E o que faremos quando encontrá-la?

Para alguns, a felicidade pode estar em uma carreira bem-sucedida, em um emprego dos sonhos com um alto salário. Para outros, está no encontro do grande amor, de sua alma-gêmea. Para outros ainda, a felicidade pode estar na tranquilidade de uma aposentadoria após uma vida toda dedicada ao trabalho.
Vivemos sempre atrás de alguma coisa, sem nos dar conta de que estamos vivendo e é nesse momento de vida, nessa rápida passagem de tempo, que podemos estar sendo felizes sem perceber.


Eu me perguntei há algum tempo atrás se sou uma pessoa feliz. Isso me levou a refletir sobre o que é a minha vida e o que estou fazendo com ela.  Será que sou feliz onde estou, com quem estou, com o que faço? Então me dei conta de que não há felicidade absoluta, só momentos felizes, instantes em que o mundo, nem que seja só por um segundo é tudo e exatamente o que a sua alma tem buscado. Um estado de plenitude absoluta em que todo o resto deixa de existir e aquele momento único e fugaz acontece.



Foi assim por exemplo quando meu filho nasceu. Eu chorava, ele também mas, quando alguém o trouxe perto de mim e encostou seu rosto no meu, ele ficou quietinho na hora, os grandes olhos abertos para a vida; eu o vi e aquele amor me tomou.  Parei de chorar também e naquele momento fui absurdamente feliz.


Quando me casei, na hora de dizer o sim, uma emoção tão grande me tomou ao olhar para o homem que amava que quase não consegui falar. Eu sabia que precisava dizer sim, mas não conseguia, estava engasgada com o choro contido. Então com muito esforço consegui finalmente dizer “sim”. E naquele momento, sem dúvida nenhuma, eu fui loucamente feliz.


Quando recebi meu primeiro salário fiquei orgulhosa de mim mesma por ter conseguido.  Porque me senti uma verdadeira profissional. Após terminar o magistério, estudei muito, fiz um concurso público, fui aprovada, trabalhei e recebi. E receber pelo trabalho, experimentar essa sensação de ter feito algo bom e receber um salário por isso, tudo isso me fez muito feliz.


Quando minha mãe saiu do hospital comigo, após ter sido desenganada e ter ficado na UTI, assim que entramos no carro, ela me olhou e sorriu. Disse que não acreditava que estava indo para casa. Sua recuperação, seu sorriso e sua alegria me fizeram feliz.

Quando pisei num palco, pela primeira vez dirigida profissionalmente para apresentar uma peça, o coração batia rápido, parecia que ia explodir. O teatro cheio, aquele burburinho, as luzes, os sons, o corpo trêmulo e o texto na ponta da língua. Quando finalmente acabou e os aplausos ecoaram, enquanto todos da companhia dávamos as mãos para agradecer ao público, eu estava plena de felicidade.



Quando passei no Doutorado, após tanto investimento, tantas lutas e tanto estudo, uma grande amiga me ligou e me deu a notícia. Então eu comecei a chorar e a rir ao mesmo tempo e naquele momento, entendi  que felicidade também pode te fazer chorar.


São muitos os momentos em que vivenciamos a felicidade. Mas não só quando coisas importantes ocorrem. Também os acontecimentos mais simples, quase cotidianos podem nos fazer felizes. Isso aconteceu quando pisei no mar de Bombinhas e uns peixes vieram nadar ao meu redor. Alguns deles, mais atrevidos, beliscaram meus pés. Eu ri de alegria e susto e claro que naquele instante tão singelo, eu fui feliz.


Quando eu conheci o borboletário em Belém e centenas de borboletas voaram à minha volta, esvoaçando suas asas de luz em meu rosto,  eu senti uma profunda gratidão pela natureza e mais do que isso, me senti parte dela.  Aquelas borboletas me fizeram feliz.




Um dia eu abri o portão de casa e em frente a ele estava um dos meus gatos. Quando vi aquele gato parado, olhando para mim como se já me conhecesse, o pelo todo branco, um olho de cada cor, sua figura explodindo em beleza como uma pintura, eu soube que ele já era meu. Então naquele instante fugaz em que nossos olhares se encontraram, eu fui feliz.



Quando nadei em Bonito, no Aquário Natural e me misturei àquela vida aquática, bela e selvagem, os peixes se aproximaram de mim e me olharam nos olhos, sem medo.  Alguns até me acompanharam, enquanto eu flutuava, perdida e atônita com tamanha beleza. E apesar do frio que senti, eu fui feliz.


Quando plantei minha primeira rosa, não sabia de que cor era, pois comprei uma muda sem flores. Quando ela surgiu no meu jardim, eu acompanhei cada passo seu. Do pequeno botão à gloriosa abertura de suas pétalas. Era uma rosa branca, mas não toda, pois caprichosamente tinha as bordas rosadas. Quando eu a vi pela primeira vez, sabendo que eu a tinha plantado e também a nutrido com meu amor e minha esperança, eu me senti feliz.


A vida é feita de vitórias e derrotas, de alegrias e de tristezas. Ninguém pode ser feliz o tempo todo (e nem triste!). Mas compreendi que a felicidade está sempre associada ao sentimento de gratidão. Porque em todos os momentos em que fui feliz, também fui grata. Por isso cada momento, se bem aproveitado e aceito com gratidão pode ser um instante de felicidade. Para isso é preciso sensibilizar os sentidos, olhar para além do que se coloca em primeiro plano e valorizar o instante. A felicidade pode estar em qualquer momento e em qualquer lugar. Basta estar atento a ela, respirar fundo e abrir o coração.






* Imagens retiradas da Internet sem fins comerciais.






Vanisse Simone Alves Corrêa é doutoranda em Educação pela UFPR e co-editora da Revista Contemporartes. Ela sente gratidão e felicidade cada vez que escreve esta coluna.

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