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PAISAGENS CONTEMPORÂNEAS no CENTRO EUROPEU


"Na fluidez do mundo líquido como disse Zygmunt Bauman, olhando para a fragilidade dos laços humanos em nossos dias, devemos ser sólidos..." 


A complexidade da sociedade contemporânea inspirou a exposição fotográfica promovida pelo Centro Europeu para que os alunos da turma de fotografia pudessem mostrar seus avanços técnicos e sua capacidade de olhar de forma artística para o mundo ao seu redor, como tarefa de término do período de aprendizagem. Os temas, as técnicas, os suportes são variados, ecléticos, marca do curso - coordenado por Tânia Buchman e Charly Techio - que busca a originalidade da expressão de cada aluno.

Segundo Charly, “Com muito talento e delicadeza, os jovens fotógrafos conseguiram mostrar aspectos bem peculiares de paisagens contemporâneas, apostando também em técnicas diferenciadas." Alguns desses trabalhos podem ser conferidos abaixo, e também na sede do Centro Europeu, no Batel.
                                      

"Barulhos da Civilização"- Ana Cestari


"Medianeiras" - Belle Mattos


"Retomada" - Fabi Zeller


"Paisagens Definitivas" - Jaque Costa


"Geração Z" - Luis Carlos Segatto


"Vida sem Vida" - Luiz Fernando da Silva


"Ansiedade" - Rafael Serafim


"5 Segundos" - Roberta Maciel


"Padrões" - Thyago Barbosa





SERVIÇO:

A exposição “Paisagens Contemporâneas” está em cartaz entre os dias 31 de março a 30 de abril na sede do Centro Europeu, na Rua Benjamin Lins nº 999, Batel, Curitiba-Pr. De segunda a sexta, das 8h às 22h30, e aos sábados, das 8hs às13h.
A entrada é gratuita.

Mais informações no site: www.centroeuropeu.com.br    


                                                                                                                        


                                                                                           
                                                                                               ******


Izabel Liviski é professora e fotógrafa. Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), escreve a coluna INcontros desde 2009 e é também Co-Editora da Revista.
Contato: <izabel.liviski@gmail.com>

(ContemporARTES - Revista de Difusão Cultural, de caráter interdisciplinar e mensal. Possui Qualis Capes ​B3​ em ​Ensino,​ registro no ISSN sob nº 2177- 4404).
 
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O SURREAL POLONÊS AOS OLHOS DA ARTE


"Chciałbym malować w sposób, który mógłby sfotografować sny"
"Eu gostaria de pintar de uma forma em que pudesse fotografar os sonhos"
(Zdzislaw Beksinski)


Aparentemente o movimento surrealista em seus primórdios não atingiu a porção leste da Europa, já que quase todas as referências se concentram na Paris da década de 1920, mas só aparentemente... essa importante corrente vanguardista que viria a definir o que hoje conhecemos por modernismo e que brotou no difícil momento histórico entre as duas guerras mundiais, ganhou dimensão mundial e influenciou e influencia artistas de todas as partes do mundo até os dias de hoje. Na Polônia não poderia ser diferente.

Zdzislaw Beksinski (1929-2005), definido como o 'artista da apocalipse', embora ainda pouco conhecido, foi um pintor polonês que realizou um trabalho magnífico e que sempre foi inspirado pelo imaginário do surrealismo, e do qual iremos tratar em outra edição, particularmente. A tradição do cartaz polonês e os trabalhos de outros expoentes atuais como Jacek Yerka (1952), e os desenhos das tatuagens de Lukasz Sokolowski (1983), por exemplo, revelam essa estreita ligação dos artistas poloneses com o surrealismo.


Pintura de Zdzislaw Beksinski.
Inspirado por toda essa atmosfera da arte polonesa, foi que um grupo de União da Vitória no Paraná, realizou a primeira edição do Surreal Polonês aos Olhos da Arte em 2016, tendo a Prof.ª Marisa M. Klobukoski Marcon como idealizadora, com a coordenação de Ludmiła Pawłowski, professora de língua polonesa e de sua aluna Fernanda Strobino.

A exposição, de caráter itinerante tem o objetivo da universalização do conhecimento sobre a Polônia e a cultura polônica. Por isso, cada um dos artistas escolheu um tema para a análise criativa no contexto da Polônia, como religião, economia, política, natureza, educação, moda, amor, dança etc. Os materiais para a realização do projeto foram adquiridos por meio do apoio financeiro do Consulado Geral da Polônia em Curitiba, com a participação dos próprios artistas de forma voluntária.

São ao todo 22 artistas participantes: Israel Checozzi, Simone Koubik, Marlon Bauer, Aclair Helena Bailke, Ulisses Teixeira, Eloir Amaro Júnior, Everly Giller, Maria Salette Strobino, Márcia Széliga, Heliana Grudzien, Ana Inêz Schreineiner, Keh Michelotto, Felipe Petola, Léo Ferreira, Janete Azeredo, André Brik, Izabel Liviski, Mari Inês Piekas, Elaine Stankiwicz, Claudio Boczon, Schirlei Freder, Juliana Kudlinski. Confira alguns dos artistas e suas obras, que irão expor seus trabalhos na edição de 2017:

André Brik é curitibano, estudou Design Gráfico na School of Visual Arts e na Parsons School of Design em NY. Atua como Arquiteto, Ilustrador e Diretor de Arte. Seu trabalho tem a influência tanto do Grafitti, do surrealismo como também da criação gráfica publicitária da primeira metade do século passado: o cartazismo polonês e o “sachplakat". Mas sempre com um toque de malícia e senso de humor bem brasileiros. 

Sobre a obra 
latający pieróg” ("o pierogie voador"), André diz: "Minha avó costumava fazer deliciosos pierogies, do tipo 'ruski'com recheio de batata e ricotta e coberto com cebolas fritas. Os  dela não voavam, mas faziam você chegar nas nuvens".



"Latający Pieróg" ("O Pierogie Voador"), ilustração digital, de André Brik.


Everly Giller é curitibana, artista plástica e professora de língua polonesa. Sobre sua obra, "Przyroda" ("Natureza Surreal") Everly diz, "Meu tema é a natureza como o próprio título indica, me inspirei nas 4 estações do ano que na Polônia são bem definidas e distintas. Representei as 4 estações com árvores diferentes que se entrelaçam entre si, formando uma cruz que simboliza a união, força e espiritualidade do povo polonês. Ao fundo evidenciei o grande Rio Wisła que corta o país de norte a sul.

                          "Przyroda" ("Natureza Surreal"), acrílica sobre tela de Everly Giller.


Izabel Liviski é também curitibana, fotógrafa e professora. Sobre seu trabalho comenta: "Nós somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos, é uma fotografia realizada em Varsóvia no ano de 2016. Trata-se do recorte de uma instalação colocada em frente ao Teatr Dramatyczny Warszawa, localizado no famoso Pałac Kultury, e que faz referência à Shakespeare e sua obra. Procurei captar a luz ambiente e fazer uma composição de forma a dar esse aspecto de sonho, de irrealidade através de imagens que se fundem e se diluem, uma metáfora da passagem do tempo e da vida...o título é uma frase atribuída ao próprio Shakespeare."



"Nós somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos", fotografia de Izabel Liviski.





Serviço:
Exposição “O Surreal Polonês aos Olhos da Arte”
Abertura: 30 de março de 2017, às 19:00 hs.
Local: Casa da Cultura Polônia-Brasil.
Rua Ébano Pereira, 502
Curitiba-Paraná.
http://poloniabrasil.org.br






Todo o processo do evento e a exposição final receberam o apoio do Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba.
http://www.kurytyba.msz.gov.pl




O acervo dos quadros que fazem parte do projeto pertencem à Associação Cultural Polono-Brasileira Karol Wojtyla de União da Vitória, no Paraná e todas as atividades relacionadas ao mesmo estão documentadas no website:
https://www.facebook.com/brasilpoloniasurrealismo2016/?fref=ts



Flyer da Exposição.
Ilustração Digital: André Brik
Arte: Axel Giller


                                                              ***


















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O SOL AMARELO, EXPERIÊNCIAS DE GRAFITISMO NA PRISÃO


"A obscura cena do corredor de um presídio.
Emana daí uma representação oprimida da degradação e corrupção humana. O ambiente infestado da nefasta brutalidade. Paredes sujas e marcadas pela fuligem de uma rebelião histórica. Paredes que grafam em si as memórias do cárcere calabouço, o fundo do poço."


Robson Costa é o chefe de segurança da Penitenciaria Estadual do Paraná, um dos presídios mais violentos do brasil. Ele é quem nos atualiza a cena inicial. Porém, esta cena, cotidiana para muitos agentes penitenciários, técnicos, policiais, presos e seus familiares, visivelmente reforçava a representação monstrualizada do ambiente prisional.



Por meio de uma intervenção artística essa cena começou a mudar. Robson liderou um projeto que aliava arte do grafite como transformação local e pessoal. Inicialmente, o projeto contou com a inspiração da galera do projeto 180 graus – Congrega Church*, que levou para dentro do presídio alguns “grafiteiros” e jovens com seus skates. Eles propuseram uma vivência com atividades de grafite e arte nas paredes do pátio da PCE. 



O grupo deixou uma mensagem de esperança nas paredes do ambiente prisional. Uma esperança na forma de um sol amarelo que invade todo o ambiente com sua luz. A partir daí, foram selecionados presos que demonstravam afinidade com a arte do grafitismo. 


O resultado foi surpreendente. Essa semente se disseminou pelos corredores e a arte agora envolve e alivia o pesado caminho entre a entrada e a saída da penitenciária. Este corredor imerso em arte foi totalmente pintado pelos próprios presos.



O corredor antes marcado pela histórica mancha, recebeu uma intervenção que o transformou em uma cena de catedral. O grafite tem essa força, de atuar no contexto social e se coloca como uma possibilidade de expressar uma dimensão crítica sobre o mundo e sobre a condição de si. 



O grafite mostra, por meio de um discurso, as várias dimensões dos sujeitos, suas ideologias, suas aflições e esperanças. Emanam daí uma polifonia de imagens que se expandem em uma cena resignificada.



O corredor começa sua cena com tímidas imagens da infância, seus heróis borrados e marcados por um traçado trêmulo. Aos poucos a seiva da arte ganha notoriedade quando passa a expressar a dimensão crítica do mundo mesclado pela penitência e esperança. Cena que invade as paredes e o teto do imenso corredor.


A escuridão e a luz. A treva vencida pelo iluminado sol da justiça. O dentro e fora. Quem fica e quem vai. A luz no fundo do poço que resgada a alma purgada e atormentada no limbo da solidão. 



Tudo isso mesclado em uma tela que manifesta um discurso coletivo de sujeitos que narram sua história pelo ponto de vista dos que foram vencidos pela delinquência e que buscam uma significação de si próprios, de suas identidades e da necessidade de dar sentido à experiência vivida.



A cena nos conta que o fundo do poço pode ser vencido. Não é o fim. Pode bem significar um recomeço, como a cena da fênix que renasce das cinzas. Que quem anuncia isso, na boca do poço, são miríades de anjos com a eloquência de suas trombetas. 



Clamam para que, no fundo do poço se olhe para o alto e veja que as mão divinas estão estendidas para o resgate. São as mãos de Deus que atuam por meio de diversas mãos, como as de Robson por exemplo.


Juvanira Mendes, assistente social do presídio, reforça que, para os presos que participaram da vivência educativa, a atividade representa uma oportunidade lúdica para produzir conhecimento e se relacionar com pessoas diferentes do seu cotidiano carcerário. Esse convívio é profundamente educativo e inspirador. 


O reflexo disso pode ser constatado na forma de expressão artística, em formas e cores, que falam de vida, de esperança, de personagens da infância, representações religiosas, da família e do próprio desafio da vida.



Texto e Fotos: Julio Cesar Ponciano** e Mike Rodrigo Vieira***





Julio e Mike, coordenadores (e participantes) do projeto 180 Graus-Congrega Church, de Grafitismo na Prisão, saboreando "blindadas" no intervalo das intervenções no Presídio Central Estadual em Piraquara, Paraná.









*Para saber mais sobre a Congrega Church e seus projetos sociais:

E-Mail: mikervieira@gmail.com
Facebook: @congregachurch

**Julio Cesar Ponciano é antropólogo e sócio- ambientalista, Mestre em Antropologia Social e Especialista em Economia e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Paraná. Coordenador pedagógico da Organização Marista em Guaraqueçaba/Pr.

***Mike Rodrigo Vieira é Jornalista e Músico. Atua com jovens, e questões ligadas a comunidades                                                socialmente vulnerabilizadas.                                              

       
                                                                                  *********



Izabel Liviski assina a Coluna INcontros desde 2009, e é também  Co-Editora da Revista ContemporArtes. Fotógrafa e Professora, é doutora em Sociologia pela UFPR.

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UNIBRASIL APRESENTA: EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA "OLHARES E VOZES DO CÁRCERE"

  
"Nos encontramos em uma unidade penal, cumprindo pena por diversos delitos, mas não é por isso que podemos dizer que neste lugar há bandidas e pessoas que só fazem o mal. Espero que eu consiga mostrar os diversos sentimentos que os olhares prisioneiros transparecem" (Nicoly¹ - “Olhos são Janelas da Alma", 2015) 

                                                                                                                          
No próximo dia 20 do mês de setembro, o UniBrasil Centro Universitário abrirá a recém-inaugurada “Sala Leituras do Brasil” para a Exposição "Olhares e Vozes do Cárcere". A exposição apresenta registros fotográficos realizados por um grupo de detentas do maior presídio do Paraná.


"Aonde os sonhos se perdem"

A mostra é resultado do trabalho realizado na Oficina de Fotografia ministrada em 2015 para detentas na PCEF (Presídio Central Estadual Feminino) em Piraquara, pelos professores Izabel Liviski e Cadu Silvério, como parte das atividades de extensão do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná, coordenada pela professora Sonia Haracemiv (Projeto UFPR Unindo Talentos).

"O movimento dos cabelos sob as câmeras"

As detentas, ao final do curso, escolheram seus próprios temas e desenvolveram porfólios com textos explicativos sobre o processo de criação,  partes dos quais são mostrados na exposição, em versão reduzida, com 30 fotografias.


"Luz e Sombra"

Os Portfólios desenvolvidos por elas têm os seguintes títulos: "O Poder de Deus na Natureza", "Expressões através das Tatuagens", "Bocas", "Detalhes do meu Cotidiano", "Aonde os Sonhos se perdem", "Portraits, o que os olhos não veem por detrás das Grades", "Vivian Maier, uma Releitura", "Movimentos dos Cabelos sob as Lentes", "Luz e Sombra", "Olhos são Janelas da Alma".

"Bocas"

O objetivo principal do trabalho foi dar visibilidade e protagonismo aos olhares das detentas, que registraram seu cotidiano e o espaço prisional através de suas visões de mundo. A exposição realizada em formato itinerante, percorrerá as 23 unidades prisionais do estado do Paraná, além de já ter recebido convites para ser exposta fora do país.


"Portraits, o que os olhos não veem por detrás das grades"

Por deferência especial da UFPR, a exposição será exibida no UniBrasil no período de 20 a 29 de setembro, período em que a professora doutora Izabel Liviski ministrará, em diferentes horários, algumas palestras destinadas aos estudantes e professores do UniBrasil interessados no tema, em questões de gênero,  funcionamento do sistema prisional paranaense, e usos da fotografia para o processo de ressocialização e remição de pena.


(1) Nicoly é o pseudônimo de uma das internas, e o texto faz parte de seu Portfólio.

Fotos: Todas (acima) que ilustram a matéria, fazem parte do acervo fotográfico resultante da oficina e foram realizadas pelas detentas  participantes do projeto de extensão.

Ministrantes da Oficina de Fotografia: Izabel Liviski e Cadu Silvério
Coordenação: Profa. Sonia Haracemiv (Depto. de Educação - UFPR)

Texto: Assessoria de Comunicação do UniBrasil Centro Universitário.






Serviço:
Exposição:"Olhares e Vozes do Cárcere"
Local: Sala Leituras do Brasil (em frente ao Bloco 07).
Período:  20 a 29 de setembro.
UniBrasil Centro Universitário
R. Konrad Adenauer, 442
(41) 3361-4200
Curitiba-Paraná.



                                            ***










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A ANTROPOMORFIZAÇÃO DE FRANÇOIS ROBERT



Através de suas fotos, Francois Robert nos leva a imaginar diferentes padrões de rostos de maneira lúdica. Fotografando diversos objetos, Francois consegue fazer com que nossas mentes estimulem a interação com as imagens, encontrando sempre um rosto diferente. Já houve , tempos atrás, até uma comunidade no Orkut , chamada “Eu vejo rosto onde não tem” que possuía membros que basicamente enxergavam rostos e faces de pessoas em objetos comuns do dia-a-dia.
Esse fenômeno chama-se pareidolia, para os psicólogos, e envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma.



Em situações simples e ordinárias, este fenômeno fornece explicações para muitas ilusões criadas pelo cérebro, por exemplo, discos voadores, monstros, fantasmas, mensagens
gravadas ao contrário em músicas entre outros. O fenômeno psíquico, diante de uma figura com dados aleatórios, pode variar segundo o ângulo do observador. Para uma criança, por exemplo, uma figura notada talvez possua formas que tragam à lembrança animais de estimação, personagens de desenhos animados ou qualquer outra coisa condizente com a faixa etária de compreensão sobre coisas. Para uma pessoa com uma faixa etária superior, a mesma figura assume formas diferentes conforme a capacidade criativa de associação de formas.


Dependendo das figuras observadas, podem assumir um aspecto muito subjetivo que varia de observador para observador ao passo que outras mais claramente nítidas, possuem uma mesma interpretação ótica em comum entre vários observadores. Portanto, muito tem que ver com a condição psicológica de cada observador, do que se passa em sua mente.


Voltando ao nosso fotógrafo, ele retratou na série Faces essa nossa surpreendente capacidade cerebral de formar rostos em objetos comuns. Reconhecendo olhos, bocas e narizes em detalhes de ferramentas, tomadas ou até casas, levando a nossa imaginação a atribuir uma personalidade humana a estes objetos.


Todo mundo, alguma vez na vida, já observou pessoas imaginárias surgindo enquanto olhava para as nuvens. Ou de quantos rostos apareceram numa simples caixa de ferramentas. Eu mesma faço sempre isso, já vi até figuras animadas em azulejos de banheiro, com movimentos, conversas e tudo o mais!


Francois recorda bem o primeiro rosto que viu, era um cadeado, em 1977. Desde então, dedicou-se a registar todos os que encontrava: sorridentes, enigmáticos ou até tristes. O fotógrafo captou este mundo das expressões emocionais formadas pela nossa imaginação, pormenorizando a forma surpreendente como se associa caras humanas a estes objetos. E a verdade é que surgem, como por magia, por toda a parte: estão em casas, ferramentas, tomadas, esfregão ou sapatos.



No livro Face to Face  reuniu mais de 150 fotografias deste projeto. A edição obteve tal êxito que acabou por esgotar e levar a uma nova publicação - Faces da Chronicle Books. Desde 2004, estas imagens já passaram também por várias exposições na Suiça, Alemanha e Holanda. Veja abaixo, mais algumas dessas faces curiosas, captadas pelo fotógrafo:











O fotógrafo François Robert, nascido em La Chaux-de-Fonds, Suíça, é conhecido por seu trabalho comercial. Sua fotografia fine-art é igualmente provocativa e abrange uma ampla gama de assuntos, desde impressões de transferência evocativas Polaroid, fotografias de viagens, e naturezas-mortas. Entre as publicações de Robert estão:  GRAPHIS (artigo) de 1979, antes e depois  o livro 1981, UM DIA NA VIDA DA AMÉRICA (1986), A COR DA MODA (1992), Communication Arts (artigo) de 1988 e GRAPHIS 335, Outono de 2001. Seu livro mais famoso e que foi amplamente vendido na Europa e os EUA foi FACES publicado pela Chronicle Books. Seu livro mais recente é CRUZES publicados pela Graphis. Alguns dos clientes de Robert incluem Crate & Barrel, Coca-Cola, Chicago Board of Trade, a BP, a Sappi papel, Bentley Prince Street, Herman Miller, a Polaroid Corporation, Western Union e Yale Medical School. Francois estudou design gráfico, e atualmente vive nos Estados Unidos.



Fonte: Obvius.






Izabel Liviski é Fotógrafa e doutoranda em Sociologia pela UFPR.
Pesquisadora de História da Arte, Sociologia da Imagem, participa do  Grupo de Estudos de Gênero da mesma universidade.
Escreve a Coluna Incontros, quinzenalmente, às quintas-feiras na Revista Contemporartes.















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