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Saca da Arte Para Resistir



Em meio aos paradoxos da contemporaneidade, ao analisarmos individualmente e em coletivo a conjuntura e história regional nos deparamos com o dilema: a Cidade de Excessão (se tiver curiosidade, leia outra matéria que introduzimos ao tema)

Pensamos nos efeitos que os megaeventos promovem, principalmente, nas áreas periféricas e, além dos estudos iniciados, nos propusemos a dialogar mais com a população. 

Copa Pra Quem?
Coletivo ABC
O mini-documentário que recentemente elaboramos está disponível na internet:



Neste último final de semana fomos à Sacadura Cabral. Muitos nos perguntaram: - Por que lá na Saca?

Além da questão dos megatorneios e seus impactos, temos também a preocupação de entender as obras de infra-estrutura específicos da região. No caso, o Monotrilho (linha 18 do metro) que atingirá também a Sacadura Cabral. 


E lá, fomos muito bem recebido pela população local...  que se apropriaram das atividades de forma espontânea e conseguimos manter o diálogo horizontal com a "comunidade".

Iniciamos evento com a oficina de Stencil-Art:




Em paralelo a oficina, os artistas colaboradores traçaram nos muros cores, também dialogando com a população local as proposições:




Muralismo Arte Libertária
Foto: Soraia OC



Fizemos um cortejo para convidar a população para dialogar conosco e se apropriarem das atividades realizadas. Demos uma breve introdução a linguagem fotográfica e uma das moradoras registraram boa parte do evento para nós. 


Cortejo. Foto: Laisa (Sacadura Cabral)
Cortejo. Foto: Laisa (Sacadura Cabral)

O coletivo de Teatro de Rua Parlendas, que (re)existe há 10 anos apresentou a peça Marruá: 

Sinopse: Quais são as linhas que demarcam um território? Que traçados determinam uma nação? O que nos torna povo de algum lugar? A pobreza respeita fronteiras? E a resistência?  Marruá é uma expressão utilizada pelos peões do centro-oeste do Brasil, para designar um touro que se desgarra do rebanho, fugindo para as matas e se tornando selvagem e bravo (alongado), pois passa da época de ser abatido. Como o bicho que rompe as cercas que lhe prendem, deixamos de ser mansos e nos afastamos do rebanho para enxergar de mais longe. O espetáculo foi criado a partir de narrativas de diferentes brasileiros, recolhidas pelo grupo nas cinco regiões do país, em territórios de resistência e luta como: quilombos, seringais, aldeias, vilas e assentamentos. Fragmentado em blocos, apresenta o nascimento, desenvolvimento, morte e ressurreição de uma “comunidade” em constante transformação. (60m – livre – espetáculo de rua)
Fonte: http://grupoteatralparlendas.blogspot.com.br/






Após a apresentação teatral, formamos uma roda de jongo (manifestação cultural por criada por escravos no período do trabalho compulsório) com os parceiros do Preta Bandeira - grupo autônomo iniciado em janeiro de 2013.

No encerramento, o tempo oscilou e começou a garoar, foram poucos os beats remixados, porém foi gratificante ver a quantidade de MC's que chegaram para somar no microfone, tanto da comunidade como de parceiros. Para próximas, irei me preparar melhor para levar mais bases sonoras que faixas para remixagens.

Em breve postaremos o restante das fotos. 


Somos um coletivo autônomo que não dispõe de muitos recursos, gostaríamos de agradecer o Centro Comunitário Sacadura Cabral por ceder o espaço e por ter contribuído com parte do material utilizado nas oficinas. 

Soraia Oliveira Costa, mestranda em História da Ciência (UFABC), bacharel e licenciada em Ciências Sociais (CUFSA/2009). Pesquisadora que utiliza de recursos audiovisuais, da fotografia e das oralidades para fazer análises do cotidiano, da transformação sensível, do cenário urbano, da natureza, do trabalho, dos transportes, do comportamento, da cultura e das manifestações artísticas. Produtora do documentário "Transformação sensível, neblina sobre trilhos", que trata sobre a vila de Paranapiacaba.



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Cultura silenciada



Caros leitores, como de costume, as vezes abro este espaço para possibilitar aos camaradas a divulgação de seus trabalhos e com respeito a sua seriedade, compartilho nesta coluna parte da pesquisa que o militante e historiador Augusto Lopes desenvolve. De forma dialógica construímos o texto sucinto e objetivo, com a preocupação de sair do jargão acadêmico e possibilitar a maior difusão de sua leitura. Fiquem a vontade para comentar na página, debater, divulgar...

Até mais,

Soraia Oliveira Costa.

Augusto, conte para nós o que te motivou a pesquisar sobre o tema e os pontos que julga cruciais nele?

Mostrar o fenômeno da globalização não somente pelas trocas de poder, mas mostrar a história dos povos colonizados que muitas vezes ficam a margem da história oficial, uma história silenciada, não contada devido a manipulação da cultura hegemônica. Assim, meu objetivo é o de contribuir para as discussões acerca dos marcos teóricos e os conceitos sobre a cultura da diáspora e da hegemônia. 

Busco e analiso dados a respeito da relação entre a escravização africana e os interesses capitalistas para se formar esta mão-de-obra, principalmente, no fim do século XV e no início do XVI. 

Para além dos parâmetros eurocêntricos e excludentes, me incluo enquanto intelectual periférico, é de onde precede minha formação e conhecimento que deposito nesse trabalho, a história oficial não se deu ao trabalho de me incluir em seus capítulos, talvez apenas de forma estereotipada e preconceituosa, abasteceu-se do que lhe convém e descartou o restante como supra-importância. Não busco criar métodos ou caminhos permanentes de pesquisa, apenas contribuir e auxiliar no debate entre as vozes há tempos silenciadas, as vozes dos oprimidos. 

Compartilhamos aqui uma poesia do Solano Trindade, que versa sobre os anseios da pesquisa em questão:

"Eu canto aos Palmares
odiando opressores
de todos os povos
de todas as raças
de mão fechada
contra todas as tiranias!"

Beth Lesser, fotógrafo canadense
Fonte: http://www.stylemag-online.net/2009/02/03/dancehall-the-rise-of-jamaican-dancehall-culture/


Para compreender as relações existentes entre África, América e Europa, trago aqui o autor Stuart Hall que trabalha com o fenômeno sócio-histórico para explicar os movimentos populacionais em dois momentos históricos distintos. “dupla diáspora, africana no Caribe e caribenha na Grã-Bretanha".



Ska - sound system em Kingston na década 1960.   
http://mediapotluck.blogspot.com.br/2008/08/prince-buster-fabulous-greatest-hits.html
Torna-se então, necessário uma análise conceitual de cultura que se desvincule dos paradigmas eurocêntricos. Stuart Hall encara cultura no seu sentido pluralista e entende sua importância para compreensão do contexto em sua amplitude, desse modo, a cultura: 

“Está perpassada por todas as práticas sociais e constitui a soma do inter-relacionamento das mesmas. Desse modo, a questão do que e como ela é estudada se resolve por si mesma. A cultura é esse padrão de organização, essas formas características de energia humana que podem ser descobertas como reveladoras de si mesmas – “dentro de identidades e correspondências inesperadas”, assim como “descontinuidades de tipos inesperados” – dentro ou subjacente a todas as demais práticas sociais. [...] começa “com a descoberta dos padrões característicos” (HALL, 1992:127)

Desse modo, como salienta Hall, sigo a linha teórica que abrange cultura como uma construção coletiva oriunda das relações da vida social, consciente ou inconscientemente, de forma inesperada ou previamente construída, esperada e intencional.

"Iremos descobri-los não na arte, produção, comércio, política, criação dos filhos, tratados como atividades isoladas, mas através do “estudo da organização geral em um caso particular”. Analiticamente, é necessário estudar “as relações entre esses padrões”. O propósito da análise é entender como as interpelações de todas essas práticas e padrões são vividas e experimentadas como um todo em um dado período: “essa é sua estrutura de experiência” (HALL, 1992:127)

Desse modo, me identifico com o conceito pluralista abordado por HALL que parte da análise especifica e microespacial ampliando o campo de pesquisa para o macro espacial, ou seja, as relações interpessoais da vida cotidiana estão vinculados a uma gama de pontos que se intercruzam e interligam-se em sociedade globalizada, por fim, identificar os modos de resistência, existência, criação e submissão a “ordem dominante”, sendo assim, o estudo propões uma análise que não caia nas discussões conceituais exacerbadas que lhe faltam o humano em movimento ou o ser social, como também, identificar as diferenças culturas provenientes dessas relações inter-humanas, para que assim, tratemos de sujeitos reais e não apenas concepções estereotipadas cobertas de preconceitos morais.

Bob Marley & The Wailers.
http://www.lastfm.se/music/Bob+Marley+&+The+Wailers/+images/18722345

As imagens aqui ilustradas, retratam os momentos da vida social jamaicana e de sua cultura. Tanto na música, nas manifestações culturais e artísticas, como no contexto cotidiano. 

Cena do filme Rockers.
http://www.blackandbrown.es/2012/01/rockers-jamica-roots-culture-and-music/
O documentário desenvolve uma pesquisa sobre a cultura jamaicana e sua produção musical, o contexto histórico e sua difusão para o mundo. Recomendo assistirem, inclusive, foi o que me instigou a iniciar uma pesquisa sobre a cultura jamaicana e suas importantes formas de resistência e existência coletiva que são silenciadas.   




Referências bibliográficas 

HALL, Stuart. Da Diáspora – Identidades de Mediações Culturais. Ed. UFMG, MG, 1992

Augusto Lopes, graduando em História, tem como orientador para desenvolver seu projeto de iniciação científica o professor Salomão Jovino. Trabalhador, atua como professor de história na rede estadual e privada. Amante da musicalidade afro-latina, estuda e treina percussão, violão e canto. Conta que para estudar e montar as aulas, tem que tirar de perto seus instrumentos para não dispersar.   



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Flor de Ébano na Coluna Anadietrich




Agenda lotada, se deixar passo a madrugada aqui na frente do computador tendo o facebook como companhia. Mas, entre uma correria e outra, teve um evento que marcou meu calendário na semana passada, a mesa Redonda Extrema-Direita e suas controvérsias no Tempo Presente, um evento do ABC das diversidades, que aconteceu na UFABC São Bernardo. Discussão profícua, debates muito quentes. Também conheci uma nova amiga, a Alexandra, sentada na primeira fileira. Respondendo a uma pergunta, eu disse que hoje os extremistas não estão no poder como na época de Hilter, ela desferiu um contra-ataque, mas se o poder vem do povo e eles são parte do povo, eles estão no poder sim... Confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha.
Logo mais trocamos contatos e entre um post e outro do facebook, convidei-a para participar da revista e sua primeira contribuição figura abaixo.

Flor do Ébano, Alexandra, bem vinda!


Ana Maria Dietrich é professora adjunta da UFABC e coordenadora da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural - junto a Rodrigo Machado.

DA TRISTEZA A RESISTÊNCIA – A HISTÓRIA DE UM POVO



Desde a captura dos negros no Continente Africano, a vida de cada um deles foi pautada em condições sub-humanas. Mesmo tendo um grande valor comercial nada mais eram do que seres sem almas e que não mereciam nenhum tipo de cuidado ou piedade humana.

O transporte era feito da África para o Brasil nos porões dos navios negreiros, amontoados, em condições desumanas, muitos morriam antes de chegar ao Brasil, sendo que os corpos eram lançados ao mar. Como vemos no trecho do Poema de Castro Alves:



IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho 
Que das luzernas avermelha o brilho. 
Em sangue a se banhar. 
Tinir de ferros... estalar de açoite... 
Legiões de homens negros como a noite, 
Horrendos a dançar... 
Negras mulheres, suspendendo às tetas 
Magras crianças, cujas bocas pretas 
Rega o sangue das mães: 
Outras moças, mas nuas e espantadas, 
No turbilhão de espectros arrastadas, 
Em ânsia e mágoa vãs! 
E ri-se a orquestra irônica, estridente... 
E da ronda fantástica a serpente 
Faz doudas espirais... 
Se o velho arqueja, se no chão resvala, 
Ouvem-se gritos... o chicote estala. 
E voam mais e mais... 
Presa nos elos de uma só cadeia, 
A multidão faminta cambaleia, 
E chora e dança ali! 
Um de raiva delira, outro enlouquece, 
Outro, que martírios embrutece, 
Cantando, geme e ri! 

Os brancos tratavam os negros como seres ignorantes, sem nenhum tipo de habilidade, amaldiçoados por Deus e que necessitavam da misericórdia da Igreja para que fossem resgatados mediante a palavra de um Deus que eles nem sabiam quem era.


Os negros, trazidos para o Brasil como escravos, a partir do século XV, destinados à lavoura canavieira, à lavoura cafeeira, e para mineração, pertenciam a dois grandes grupos: os Sudaneses e os Bantos. 

Por mais de 300 anos os negros sofrem todos os tipos de abusos, atrocidades que um ser humano pode imaginar. As mulheres eram abusadas, violentadas, tiveram seus filhos tirados dos seus braços para que fossem vendidos como escravos, mesmo quando a Lei do Ventre Livre estava em vigor. 

Depois da abolição, os negros foram jogados à margem da sociedade, pisoteados, maltratados e ignorados. 
E infelizmente continuamos a ver essas situações acontecendo diariamente, a maioria sofre por falta de moradias, atendimento precário na saúde, de estudos, emprego não negros. Isso sem falar que a cada 10 mortes no Brasil 7 são de negros.Quando vemos as estatísticas de violência doméstica também temos a triste constatação que as mulheres negras corresponde à maioria.

Em pleno século XXI, um povo que ajudou na formação desse país ainda sofre com o preconceito, a discriminação, a segregação.  O primeiro passo para a mudança é fazer com que a Lei contra o Racismo seja reavaliada e colocada em prática como se deve, e que o mito da Democracia Racial seja tirada de vez das escolas.  Os afrodescendentes não necessitam de cotas para Universidades, para emprego, concursos, precisamos exigir que os Artigos 1º e 5º da Constituição Brasileira sejam cumpridos.


Alexandra Eliziario da Silva, é graduanda no curso de Pedagogia na Uniabc, moradora da cidade de Santo André - São Paulo








Amanhã, 16h, 10o edição do Café com PP na UFABC São Bernardo.
Rua João Pessoa, 59,  (11) 4122-7520.




Inscrições abertas para envio de resumo, ouvintes e Mini-cursos do I Seminário Nacional Laboratório de Estudos da Contemporaneidade - Lepcon, Minorias e suas representações até 30 de outubro. Não perca!




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