terça-feira, 29 de abril de 2014

Saca da Arte Para Resistir



Em meio aos paradoxos da contemporaneidade, ao analisarmos individualmente e em coletivo a conjuntura e história regional nos deparamos com o dilema: a Cidade de Excessão (se tiver curiosidade, leia outra matéria que introduzimos ao tema)

Pensamos nos efeitos que os megaeventos promovem, principalmente, nas áreas periféricas e, além dos estudos iniciados, nos propusemos a dialogar mais com a população. 

Copa Pra Quem?
Coletivo ABC
O mini-documentário que recentemente elaboramos está disponível na internet:



Neste último final de semana fomos à Sacadura Cabral. Muitos nos perguntaram: - Por que lá na Saca?

Além da questão dos megatorneios e seus impactos, temos também a preocupação de entender as obras de infra-estrutura específicos da região. No caso, o Monotrilho (linha 18 do metro) que atingirá também a Sacadura Cabral. 


E lá, fomos muito bem recebido pela população local...  que se apropriaram das atividades de forma espontânea e conseguimos manter o diálogo horizontal com a "comunidade".

Iniciamos evento com a oficina de Stencil-Art:




Em paralelo a oficina, os artistas colaboradores traçaram nos muros cores, também dialogando com a população local as proposições:




Muralismo Arte Libertária
Foto: Soraia OC



Fizemos um cortejo para convidar a população para dialogar conosco e se apropriarem das atividades realizadas. Demos uma breve introdução a linguagem fotográfica e uma das moradoras registraram boa parte do evento para nós. 


Cortejo. Foto: Laisa (Sacadura Cabral)
Cortejo. Foto: Laisa (Sacadura Cabral)

O coletivo de Teatro de Rua Parlendas, que (re)existe há 10 anos apresentou a peça Marruá: 

Sinopse: Quais são as linhas que demarcam um território? Que traçados determinam uma nação? O que nos torna povo de algum lugar? A pobreza respeita fronteiras? E a resistência?  Marruá é uma expressão utilizada pelos peões do centro-oeste do Brasil, para designar um touro que se desgarra do rebanho, fugindo para as matas e se tornando selvagem e bravo (alongado), pois passa da época de ser abatido. Como o bicho que rompe as cercas que lhe prendem, deixamos de ser mansos e nos afastamos do rebanho para enxergar de mais longe. O espetáculo foi criado a partir de narrativas de diferentes brasileiros, recolhidas pelo grupo nas cinco regiões do país, em territórios de resistência e luta como: quilombos, seringais, aldeias, vilas e assentamentos. Fragmentado em blocos, apresenta o nascimento, desenvolvimento, morte e ressurreição de uma “comunidade” em constante transformação. (60m – livre – espetáculo de rua)
Fonte: http://grupoteatralparlendas.blogspot.com.br/






Após a apresentação teatral, formamos uma roda de jongo (manifestação cultural por criada por escravos no período do trabalho compulsório) com os parceiros do Preta Bandeira - grupo autônomo iniciado em janeiro de 2013.

No encerramento, o tempo oscilou e começou a garoar, foram poucos os beats remixados, porém foi gratificante ver a quantidade de MC's que chegaram para somar no microfone, tanto da comunidade como de parceiros. Para próximas, irei me preparar melhor para levar mais bases sonoras que faixas para remixagens.

Em breve postaremos o restante das fotos. 


Somos um coletivo autônomo que não dispõe de muitos recursos, gostaríamos de agradecer o Centro Comunitário Sacadura Cabral por ceder o espaço e por ter contribuído com parte do material utilizado nas oficinas. 

Soraia Oliveira Costa, mestranda em História da Ciência (UFABC), bacharel e licenciada em Ciências Sociais (CUFSA/2009). Pesquisadora que utiliza de recursos audiovisuais, da fotografia e das oralidades para fazer análises do cotidiano, da transformação sensível, do cenário urbano, da natureza, do trabalho, dos transportes, do comportamento, da cultura e das manifestações artísticas. Produtora do documentário "Transformação sensível, neblina sobre trilhos", que trata sobre a vila de Paranapiacaba.



3 comentários:

Evandro disse...

Dahora Soraia, de fato o evento foi muito bom e abriu as portas pra gente fazer muitos outros como esse. Será que alguem tem as fotos do momento que rolou o Rap/Funk?? Vou tentar pegar com alguem as fotos, ou eu mesmo as faço, das pinturas concluidas... todas ficaram massa!
Para bens pelo texto nega.

29 de abril de 2014 12:28
Soraia Oliveira Costa disse...

Evandro, eu vi que o Marcelo do CCSC fez fotos no momento dos MC's.
Grata por ler e por ter deixado suas impressões por aqui. Fortalece.
Forte abraço.

30 de abril de 2014 14:59
Blogger do Josu disse...

Para mim, chegar pra somar em uma luta como essa, é uma grande satisfação, difícil de descrever em palavras. Dialogar com as crianças, jovens e adultos de comunidades como a Sacadura Cabral é sempre uma experiencia grandiosa para o desenvolvimento de caminhos na busca do poder popular. Só tenho a agradecer a oportunidade de ter participado.

18 de maio de 2014 15:51

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