Em 2006 eu conheci o Felipe Baenninger através do fotolog, estreitamos os laços via internet e em 2012 fui pra SP e nos conhecemos pessoalmente. Saímos juntos num role… Me mostrou a sua tatuagem no braço do mapa do brasil e ele falou sobre a ideia que tinha de fazer uma viagem de bicicleta fotografando brasileiros.
Em 2013 o Felipe fez o financiamento coletivo pro foto livro no catarse. Na primeira vez não conseguiu atingir a meta estipulada, mas na segunda vez passou! O projeto para o livro chama-se Transite' idealizado pelo fotógrafo Felipe Baenninger que vai
investigar a cara do ciclista brasileiro. 18000 km, duas rodas e uma
câmera na mão.
Uma
jornada colaborativa em busca de histórias instigantes envolvendo a
bicicleta. O resultado dessas descobertas irão compor o fotolivro
'Transite', com as fotografias e experiências de Felipe pelo Brasil
afora.
Veio para Santa Catarina pela viagem e conheceu as outras pessoas do coletivo que atuo, o vitamina. Trocando algumas ideias, Daniel Oliveira, formado em Publicidade e Propaganda, Co-Idealizador e Produtor do Vitamina Coletiva, sugeriu dar suporte ao Felipe em coisas de internet, como por exemplo, fanpage e loja virtual, para conseguir hospedagem pra ele enquanto ele viaja, entre outras coisas.
O Vitamina Coletiva é um grupo de produção cultural coletiva criativa.A idéia é que o Vitamina Coletiva tenha parceiros que acreditam na força
do trabalho coletivo criativo, na união de pessoas diferentes que amam
as mesmas coisas. Juntas essas pessoas, podem realizar encontros,
eventos , mostras, workshops e outras atividades culturais.
Evento "Nossa Mistura" realizado no dia 10 de novembro de 2012 e organizado pelo projeto Vitamina Coletiva. Aconteceu na sede dos escoteiros na cidade de Balneário Camboriú, onde participaram vários artistas e interessados por movimentos de cultura. E/ou pelo site: Vitamina Coletiva
Atualmente o Daniel representa o Felipe em alguns eventos: no Bicicletada de Curitiba e no Las Magrelas em SP. Agora no Festival de Iniciativas Colaborativas (CoCidades), com todas as atividades gratuitas, o Cocidades estaremos com uma barraquinha vendendo coisas do
transite, como lenços e camisetas. Também tem o Bike Café que estará
junto.
Release do CoCidades:
O
CoCidade nasceu a partir da cocriação e união de diversas iniciativas
colaborativas que, juntas, possibilitaram a materialização e realização
deste festival. Ele tem como objetivo expor amplamente projetos
construídos de forma colaborativa, entender o financiamento coletivo,
mapear e construir redes e, claro, celebrar a vida!
A missão é
disseminar informação e compartilhar experiências sobre o
colaborativismo através de uma programação de 10 dias em 4 diferentes
locais espalhados por São Paulo, composta por UM grande evento e TRÊS
atividades complementares.
Vanessa Bornemann, ilustradora e designer, Co-idealizadora e Produtora do Vitamina Coletiva.
Hoje dividirei com os leitores um pouco da minha trajetória como Deejay. Óbvio que inicialmente tive influência da minha família que sempre agitada, fazia freqüentes visitas aos parentes e amigos, aos feriados prolongados viajávamos para a casa do meu tio na praia e subíamos de fusca azul a Serra do Mar, cantando.
Sou caçula e tenho duas irmãs, meu pai Edu, tinha a coleção completa em discos do The Beatles, além de outros artistas de rock, principalmente, nacional. Minha mãe Dio, no geral, gosta música popular brasileira e de alguns 'sons do momento', assim como minhas duas irmãs Nadia e Daniela.
Bisa Dalila, dança muito aos 92 anos.
Fiz aula de canto lírico no Budismo e tive algumas aulas de piano, mas parei de praticar e até hoje ainda não desenvolvi, luto para ter tempo e grana para investir em ambos aprendizados. Me recordo que com as raquetes de tênis, eu e minha prima Natália imitávamos a banda Secos e Molhados:
Depois ampliei meus conhecimentos com os amigos das minhas irmãs. Um deles é o Ronaldo Vetro, hoje meu amigo também, lembro das festas que ele fazia, chamavam de "bate cabeça", junto com meu pai os levava até lá, via os discos, as caixas de som e, mais ou menos 10 anos, já me interessava.
Ronaldo Vetro e So Xing
Por volta dos 12 anos, o ex-namorado de uma amigona, a Daniela Bianco, me deu uma fita com artistas do rock fim dos anos de 1970 - pós punk. Gostava daquela ritmo com ruídos e linhas de baixo, guitarra e bateria.
Nasci e morei até os 18 anos em SBC, convivia lá com vários amigos do bairro gostavam de reggae, ska, hard core… comecei a ouvir e ir à alguns shows das várias bandas independentes, aqui da região do ABC, inclusive algumas ainda resistem na luta da produção musical: Baboom, Dance of Dance, Sapo Banjo, Super Chaiz…
Tive uma decepção amorosa e passei por um processo de metamorfose… Comecei a me relacionar com outras pessoas, freqüentar outros lugares. Esta época tinha uns 15 anos, ia para um clube que tocava eletrônico e rock em São Caetano, o Atlanta.
Toca da Haninha - Foto Reggie
Depois recebi um convite do Luciano Felix para ir à uma festa rave de: techno e fui… Foi contagiantente energicamente falando, queria mais momentos iguais aquele. Comecei a freqüentar clubes underground em SP. Até que tive um convite para trabalhar no Bar do Susi In Transe fazendo drinks e como precisava de grana, aceitei.
Carnaval na Toca da Haninha - Foto Reggie
Lá conheci muitas pessoas que vivem da música, de festas. Comecei a freqüentar outros clubes, festas nas casas dessas pessoas e também a tentar remixar nesta época com influência de um dos pioneiros Deejays de SP, o Julião.
Festival de Inverno Paranapiacaba - 2011
Saí do Susi e comecei a trabalhar no Dedge, como promoter da festa MotherShip com o China e o Techjun, depois comecei a trabalhar eventualmente em outras festas.
Undercover - Rocker club
Heat - Club SPKZ
Sundaway - Livraria da Esquina
Iniciei a graduação em Ciências Sociais no CUFSA e perder noites de sono em festas não estavam sendo mais saudáveis, muito menos produtiva. Via um convite feito pela Ana Laura, comecei a trabalhar com moda, porém continuei a pesquisa musical e a freqüentar clubes. Nesta época, comecei a estudar remixagem com o Leandro Bionic e junto com sua esposa Miriam começamos a nos apresentar como Xing Lee Duo em vários clubes: Vegas, fomos residentes do Tapas, das festas Altera e Sundway. Tivemos um ano com a agenda cheia de apresentações remunerada.
Alterola - Club Tapas
Alterola - Club Tapas
Sundaway - Club 8 beats
So "Xing" e Mirian "Lee"
Há tempos parei de discotecar e ouvir música eletrônica, comecei a pesquisar e ouvir diariamente rap, hip hop, afrobeat, funky, rock, samba, chorinho entre outras músicas brasileira de qualidade. Porém, agora com a dedicação ao mestrado ando com pouco tempo para me empenhar com mais assiduidade a remixagem, mas nunca deixei de pesquisar e de ampliar o acervo sonoro.
Cat's Barbacue 3.2. Brown Sugar
Poderia ficar horas digitando as referências, mas deixarei para outro momento. Agora vou parar de contar a biografia, todo esse lenga a lenga, e ouvir um som!!
Em abril deste ano, foi lançado pela editora do Centro Integração Escola
Empresa (CIEE) o livro "São Paulo: das tribos indígenas às
tribos urbanas", organizado pela Prof. Drª Ana Maria de Almeida Camargo (USP). O
livro é uma compilação de textos referentes a algumas aulas ministradas no
tradicional curso "História de São Paulo", promovido e patrocinado
pela mesma entidade. Nela, publiquei um pequeno artigo intitulado "A
tribos urbanas paulistanas e as suas religiões".
Tive a honra de ser convidado para dar uma aula no
curso de 2011, cujo tema eraSão
Paulo e suas Religiões. Tratei da religiosidade de algumas "Tribos
Urbanas", trabalhando a hipótese de que em tempos de crises de identidades
e globalização, o hibridismo cultural produz novas tipologias identitárias
surpreendentes, não só em relação ao seu padrão estético, mas também em relação
a sua religiosidade. São, por exemplo, lutadores de MMA (Martial Mix Arts) e
outros atletas "radicais" evangélicos, pastores e diáconos de
"igrejas undergrounds" fãs e músicos de Heavy Metal Cristão, Góticos
praticantes da magia pagã Celta Wicca, Punks Straigth Edges devotos de Krishna,
fãs de música industrial adeptos do Asatrú (religião que cultua o panteão
Escandinavo), entre outros.
Sem a pretensão de traçar a trajetória de cada uma
dessas expressões, meu intuito foi focar na problematização a respeito do
surgimento do fenômeno das novas religiosidades na contemporaneidade.
Show
da banda de Heavy Metal Cristão Antidemon, realizado na sede do Ministério
Evangélico Crash Church (Igreja do Impacto, em inglês), no bairro do Ipiranga
(SP). Liderada pelo pastor Batista (em primeiro plano) a igreja realiza cultos evangélicos
voltados para o público underground.
Uma das principais hipóteses é que a juventude busca
na religiosidade explicações para suas inquietações, porém, não encontra nas
religiões tradicionais espaço onde suas preferências estéticas, tanto corporal
quanto musical, sejam aceitas. Muitos de meus entrevistados relataram
experiências constrangedoras em igrejas e templos, nos quais para serem aceitos
deveriam abrir mão de suas preferências e seguir o padrão imposto pela
entidade.
A
aula se desenvolveu em três partes: na primeira parte, tratou do surgimento das
tribos urbanas no contexto da chamada “crise da modernidade”. Na segunda parte,
apresentou alguns exemplos destas tribos e as religiões por elas adotadas, com
dados coletados a partir do trabalho de campo realizado para elaborar esta aula.
Por fim, realizou-se uma reflexão sobre estas tribos enquanto resultado do
processo de hibridização cultural e como estas posturas, marcada pelo revivalismo,
são uma forma de busca por respostas e saídas para problemas e angústias
relacionadas diretamente ao cotidiano destes jovens, como a violência, a
afirmação de sua individualidade, a solidão, as drogas, etc...
Com isso, temos o surgimento das chamadas Diglossias
Culturais, em outras palavras, as culturas Glocais, a marca de nosso tempo. De
acordo com esta ideia, elementos culturais que circulam em âmbito global são
incorporados a elementos locais, dando origem a uma nova manifestação. Os
grupos estudados refletem justamente esta ideia. É importante ressaltar que
estes grupos estão conectados com outros grupos semelhantes em outras partes do
mundo criando uma extensa e complexa rede de contatos para troca de
informações, experiências e solidariedade.
Enfim, a
aula, teve o objetivo de convidar os presentes, incluindo o ministrante da
aula, para uma reflexão a respeito destas novas identidades juvenis que vem se
constituindo há cerca de 20 anos na cidade de São Paulo. Dentre os vários
questionamentos que ficaram “no ar”, os mais comuns foram: Trata-se apenas um
modismo? Seriam eles uns “rebeldes sem causa”? Ou representam uma forma dos
jovens questionarem o mundo onde vivem além de significar a busca por novos
valores morais e de conduta?
Alexandre de Almeida é graduado
em Historia e mestre em Antropologia, ambos pela PUCSP. Sua pesquisa
tem como foco os grupos juvenis urbanos e seus posicionamentos
políticos/partidários. Também realiza pesquisa na área de Arquivologia,
com ênfase em documentos audiovisuais e sonoros. Foi radialista na
Patrulha FM, em Santo André (SP), especializada no gênero Rock, no final
da década de 1990, onde além de apresentar a programação comercial
noturna, produziu e apresentou o programa “Expresso da Meia Noite”.
Trabalha, há mais de dez anos, com patrimônio histórico arquivístico,
atuando em instituições como o Arquivo Público do Estado de São Paulo e
Centro de Memória Bunge. Atualmente, coordena a área de Arquivos Sonoros
e Audiovisuais do Acervo Presidente FHC e trabalha como professor na
rede pública de ensino de São Paulo.
"Pensar
fora da caixa !”. Essa frase, dita pelo vocalista da banda
andreense W.A.C.K., em
entrevista ao fanzine A Firma, demonstra, ao meu ver, a principal
característica de uma nova safra de bandas com line
ups formadas por antigos membros
da cena Punk/Oi! do ABC e da Capital paulista. Alguns deles estão na
ativa desde o início da década de 1980 e ainda tem muita vontade e
criatividade para desenvolver novos projetos.
De um modo geral, essas bandas tem em comum, além de
formadas por gente da “antiga escola” e serem autogeridas, um
discurso característico de quem tem muita vivência de rua: a
crítica ao envolvimento de bandas com partidos políticos de
qualquer natureza, a oposição ao racismo e ao sectarismo, a
apologia a classe trabalhadora e, principalmente, a ideia de que,
independente do estilo de cada pessoa, é possível todos
compartilharem do mesmo espaço, sem distinções e, especialmente,
sem violência. Em uma palavra, AMIZADE. Esse, segundo alguns deles, é o verdadeiro espírito
da cena com a qual se propõem a colaborar. Aliás, ideia do Oi!, estilo
musical derivado do Punk Rock criado nos subúrbio londrinos, na
década de 1970, era exatamente reunir sob uma só bandeira Punks e
Skinheads.
Zine A Firma.
Disponível em: http://eddie-drunkpunk.blogspot.com.br/2013/06/fanzine-firma-1.html Acessado em 10/07/2013.
Atualmente,
as bandas locais, por conta do surgimento de novos grupos e estilos,
ampliaram a abrangência desse discurso e em seus shows conclamam
todos os jovens (e mesmo os não tão jovens ) que de alguma maneira se
sentem explorados ou excluídos, a deixar de lado pequenas diferenças e se unirem,
no intuito de fortalecer a cena underground.
Nessa
edição, pretendo apresentar uma pequena scene
review apresentando algumas bandas
dessa nova cena formada por veteranos. São elas: W.A.C.K.,
Belfast e O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos.
A W.A.C.K., do ABC
Paulista , foi formada no final de 2011, e tem em sua line
up, ex-membros de importantes
bandas locais, a Ação Direta e os Garotos Podres. No início
de julho, a banda lançou suas quatro primeiras músicas
disponíveis no Sound Cloud (www.soundcloud.com/banda-wack).
O
nome da banda não é a tradução de uma gíria em inglês que em
nosso idioma seria algo como “muito ruim” ou “pessoa doida”,
mas um acrônimo para a expressão We Are All Cockney Kids
(Somos todos garotos Cockney), em alusão à classe trabalhadora
londrina.
O
Cockney é um termo
utilizado para identificar um modo muito particular de ser e falar
dessas pessoas: rude e direto. Consequentemente, pode ser entendido
como uma forma de resistência aos modos refinados da aristocracia
inglesa e exaltação da classe trabalhadora.
De acordo com a entrevista concedida ao zine A Firma, a
proposta da banda é fazer um som honesto e que procure renovar a
cena, tomada pelo ganguismo e a falta de criatividade. Nas palavras
do vocalista, a hora é de “revisar, repensar, mudar !”
Quanto
as referências musicais da banda, há grande influência do Oi!
e Ska, porém, deve-se
registrar, eles não se fecham para outras sonoridades e estilos.
Dentre as canções, destaco a vigorosa
“W.A.C.K.”, um bom exemplo do que é a Oi! Music e um manifesto a
cultura de rua e “T.F.I. Friday”, um ska “sujo”, cuja
sonoridade lembra canções dos Garotos Podres.
Além da banda, o vocalista da W.A.C.K. apresenta o
programa Ecos de 69, na webradio Antena Zero, com o propósito de
difundir para o público não especializado os estilos musicais da
cultura Skinhead Tradicional.
O número 69 é uma menção ao ano de 1969,
considerado pelos Skinheads Tradicionais,
(ou seja, não racistas e
apartidários) como o auge da cultura Skinhead.
Formada
no final de 2012, por ex-integrantes de bandas dos anos 1990, a
“Discarga”e “Rompendo o Silêncio”, e, posteriormente,
agregando ex-integrantes de bandas do início dos 2000, a
“Sindicato” (que voltou à ativa recentemente) e a “New City Rockers”, a Belfast lançou, no
final do ano passado, o seu primeiro CD demo.
Segundo
seus integrantes, alguns do ABC e outros da capital paulista, o nome
da banda é uma referência a capital da Irlanda do Norte, por conta
da cena musical da qual são fãs. A cidade é o berço de
bandas seminais do Punk Rock, como a Stiff Little Fingers, que se
apresentou no Brasil no início da década de 2000.
O
som da Belfast, basicamente, é um Punk/Oi! cujas letras tratam do
cotidiano de um jovem da classe trabalhadora, contando seus medos
(em “Tensão no Ar”), sua revolta (em “Hipocrisia”)
e suas paixões (em “Street Kids” e “Guerra nas
Arquibancadas”).
"Guerra nas arquibancadas". Crédito da filmagem: Alexandre de Almeida. 12/2012.
A
banda também proclama o mesmo discurso contra o sectarismo e a
violência na cena underground.
Em entrevista ao zine A Firma, o vocalista da Belfast é categórico:
“ (…) somente quando todos aprenderem a se respeitar aí teremos
uma cena forte (...)”.
Além
da banda, outros projetos desenvolvidos pelos integrantes da Belfast devem ser mencionados, pois ajudaram a fortalecer a cena
local. É o caso do fanzine dos anos 1990 chamado Alternar, editado por um
dos guitarristas da banda. Produzido em papel e distribuído
gratuitamente o Alternar apresentava uma série de bandas de
diferentes estilos, como Oi!, Hard Core, Psychobilly, etc... e
primava pela qualidade da diagramação e matérias autorais.
“(...)
diante de meu novo status acadêmico, sou obrigado a revelar
a
minha nova “identidade secreta”. A partir de agora, eu sou o
temível
“Satânico Dr. Mao”. E afirmo ainda: Nem mesmo James
Bond, Austin Powers, o
MI-5, a CIA e todos os serviços secretos
do decadente ocidente capitalista
conseguirão me deter! ...
hahahahahahahaha! ... (leiam este meu “hahahaha”
como
uma característica gargalhada de “vilão malvado”).” (Maio de
2005)
Transcrevo
o trecho do e-mail, que recebi do Mao, enviado no dia posterior a
defesa de sua tese de doutorado em História Econômica, para dizer,
em tom de brincadeira, que estava tudo premeditado, escrito nas
estrelas, ou melhor, nos elementos radioativos utilizados para a
construção de armas de destruição em massa, sobre a formação do
novo projeto do vocalista da banda do ABC paulista, os Garotos
Podres.
Formado
em 2013, a banda lançou recentemente uma música intitulada
“Repressão Policial (Instrumento do Capital)”, inspirada na
canção “Alerta Geral” da banda Portuguesa Peste&Sida.
Trata-se de uma homenagem aos jovens que enfrentaram a repressão
policial nas recentes manifestações que eclodiram por todo o país.
Nas palavras do próprio Mao, a canção é uma homenagem aos: “(…)
jovens [que] tiveram que enfrentar todo aparato da repressão
policial, a manipulação da informação... pelos órgãos de
imprensa, a infiltração de policiais (agentes provocadores) e
grupos de extrema-direita. O exemplo destes jovens assombrou o
mundo.”
Atendendo
a sugestão da banda, via Facebook, algumas pessoas criaram suas próprias versões
de videoclipes para a canção, demonstrando que a ela não é uma
mercadoria, mas um instrumento de mobilização e conscientização
das massas.
Crédito: Arlindo Cirino
Com
isso, concluo que essa nova cena tem como grande diferencial a
vivência e a experiência que estimulam posturas não conformistas e
questionadoras. Não se trata de ganhar dinheiro, pois todos tem um
meio de subsistência que não necessariamente a banda: são
tatuadores, músicos profissionais, professores, advogados, pequenos
empresários, barbeiros, etc..
A
questão principal, o que há de mais importante para essas pessoas é
a atitude, a ideia de que tocar em uma banda de rock não é algo inerente
a uma determinada faixa etária, não é uma fase da vida “que
passa”.
Para eles, o sofá de casa serve apenas para descansar após
terem realizado um show e não como um símbolo da conformidade com o presente e nostalgia de suas juventudes.
Alexandre de Almeida gaduado
em Historia e mestre em Antropologia, ambos pela PUCSP. Atualmente é Doutorando em História Social, pela USP. Sua pesquisa
tem como foco os grupos juvenis urbanos e seus posicionamentos
políticos/partidários. Também realiza pesquisa na área de Arquivologia,
com ênfase em documentos audiovisuais e sonoros. Foi radialista na
Patrulha FM, em Santo André (SP), especializada no gênero Rock, no final
da década de 1990, onde além de apresentar a programação comercial
noturna, produziu e apresentou o programa “Expresso da Meia Noite”.
Trabalha, há mais de dez anos, com patrimônio histórico arquivístico,
atuando em instituições como o Arquivo Público do Estado de São Paulo e
Centro de Memória Bunge. Atualmente, coordena a área de Arquivos Sonoros
e Audiovisuais do Acervo Presidente FHC e trabalha como professor na
rede pública de ensino de São Paulo.