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Apresentação da coluna e graffiti


A ideia para elaborar esta nova coluna nasceu das boas prosas com a minha orientadora, Pós-Doutora pelo Departamento de Sociologia da Unicamp Ana Maria Dietrich, e outros estudiosos. Os objetivos norteadores para o desenvolvimento desta coluna serão as relações sociais e manifestações culturais, tema que tem sido um difícil desafio para uma gama de estudiosos, antropólogos, historiadores, sociólogos, filósofos, literários e pensadores em geral. Na contramão das racionalizações e teorias, encontram-se as expressões artísticas como a fotografia, o cinema, a canção, a arte urbana, a poesia, a literatura... vemos no cenário urbano produções estéticas com significativas expressões que auxiliam (ou não) a entender a contemporaneidade.

Ao refletirmos sobre tais questões, surgiram algumas dúvidas:


  •     - Será que as expressões artísticas conseguem traduzir os impactos sociais posterior a Revolução Industrial?  
  •     - Relações sociais expressas no nosso tempo;
  •     - As transformações sociais, o cotidiano e a alienação;
  •     - A indumentária e a mutação do corpo humano;
  •    - A arte é capaz de descrever e de transgredir por meio da difusão de valores não convencionais?
  •     - As políticas públicas favorecem as manifestações artísticas? 
  •     - Todos movimentos sociais seriam movimentos de resistência? 
  •    - Quais interesses da classe dominante em estabelecer relações com os movimentos sociais?
  •     - De que forma os fatos sociais são abordados pela mídia?

Esses e outros questionamentos em relação a urbe e as relações sociais serão levantados, no anseio de realizar uma reflexão sobre as produções que estão ligadas com as condições do processo de mundialização do capital. Produções que englobam variados aspectos da vida social e da paisagem, um fenômeno global que ecoa e, cada vez mais, é evidenciado em todos os espaços do mundo.

Inclusive, chegamos a montar um ciclo de atividades no evento Tardes Filosóficas na Casa da Palavra em Santo André.

Casa da Palavra, Praça do Carmo, Centro - Santo André, SP
http://casadapalavrasa.blogspot.com.br/


"O tradicional projeto Tardes Filosóficas retorna com novas temáticas, propondo uma abordagem simples sobre questões da filosofia, da arte e da literatura, e fornecendo um espaço de debate e reflexão filosófica ao público interessado. Nesses encontros serão discutidos temas centrais da experiência humana, abordando antigos e novos problemas do conhecimento e das artes de maneira simples e acessível, mas sempre com a inevitável profundidade de pensamento que é marca das discussões filosóficas. Estas tardes são, além de uma fonte de prazer e reflexão, uma fuga do banal, do senso comum e da desinformação do cotidiano. O ciclo tem início dia 19 de março, e continua até o final de novembro, com breve intervalo no mês de julho, sempre aos sábados."


Fonte: 
http://casadapalavrasa.blogspot.com.br/2011/03/tardes-filosoficas-cronograma.html acesso 7/4/13.


Pretende-se, portanto, pensar as relações sociais urbanas destacando-se as linguagens artísticas: fotografia, música, cinema, consumo e arte urbana, metaforicamente denominados como "Ecos da Urbanidade".

Falando em arte urbana nessa semana, não poderia deixar de divulgar as várias atividades relacionadas ao Graffiti. Acredito que uma das ações mais relevantes desta arte são as manifestações políticas, lembremos de 1968 na França a greve geral no país e as pichações dos estudantes nos muros com palavras de ordem, poesias...

Dia 27/03 é considerado o Dia do Graffiti em SP, aqui existe a lei Cidade Limpa que criminaliza a arte de rua, em contraposição, essa data tenta legitimar o graffiti como expressão cultural, com anseio de no minimo existir políticas públicas voltadas para esta arte pública(!). A escolha desta data foi principalmente motivada pelo falecimento de um dos precursores do graffiti no Brasil, o artista visual Alex Vallauri em 1987. 



Ontem, dia 07/04/2013 ocorreu mais uma edição do "Dia do Graffiti" no Bixiga, evento promovido pelo coletivo Ocupaí Bixiga, que tem como objetivo modificar a tradição deste Bairro paulistano e beneficiar todos os transeuntes e os moradores articulando os diversos agentes para consolidar o local como um pólo com diversas manifestações culturais.

Flyer do VII Dia do Graffiti no Bixiga.



As suas ações podem ser consultadas no sítio:


Se tiver um tempinho, assista o teaser do evento:



Stencil no Bixiga. Fonte: Facebook.


Se quiser assistir ao vídeo do evento (duração de +/-9 minutos) com depoimentos e show acesse: http://vimeo.com/39974462


E a partir do dia 8 até o 13.04.13 em Fortaleza, terá a 1 semana do Graffiti, com diálogos, oficinas e outras manifestações culturais com os temas: Graffiti, Muralismo e a Pichação dentro do contexto urbano. A Abertura será transmitida ao vivo, no Vila das Artes e terão várias intervenções pela cidade.

Mapa com os pontos de realização da
I Semana do Graffiti de Fortaleza.



Trabalho do artista Narcélio Grud, no prédio da Reitoria da UFC, no Benfica
Fonte: 
http://diariodonordeste.globo.com/ Acesso dia 08.04.13

PROGRAMAÇAO:

08/04 (seg) 

19h - Abertura da Iª Semana do Graffiti de Fortaleza - na Vila das Artes. 

- Debate com o secretário de Juventude Élcio Batista, o secretário de Cultura Magela Lima, o curador do evento Narcélio Grud e outros artistas convidados. 



09/04 (ter) 

9h às 17h - Graffiti no Bairro Ellery 

- Oficina de Graffiti - duas turmas: 

das 8h às 11h e das 14h às 17h, com 30 alunos cada 

- Pintura Coletiva com os artistas convidados e alunos 



10/04 (qua) 

6h às 12h - Ação de pintura na Praça do Ferreira. 

Tenda com DJ e B-boys 



11/04 (qui) 

9h às 17h - Ação de Pintura na capela ao lado do CUCA V (Mondubim) 

- Pintura Coletiva 



12/04 (sex) 

9h às 17h - Graffiti no CUCA VI (São Cristóvão) 9h às 17h 

Pintura Coletiva 



13/04 (sáb) 

9h às 17h - Mutirão na Praça do Futuro - Mural Coletivo 9h às 17h 

- Festa de encerramento na Praia do Futuro 



Um marco da história do reconhecimento do grafitti como arte no Ceará,
a exposição "Ocupação" reuniu obras de 18 artistas no Museu de Arte da UFC.
fonte: O Diario do Norteste. acesso 8.4.13


Emerson Emol (SP)
Fonte: http://www.tembiu.pro.br/oktiva.net/1209/nota/162477 

Segundo dados do estudo realizado em 2010 pela Central Única das Favelas (CUFA), na Região Metropolinana de Fortaleza tem 18 mil pichadores.(Leiam matéria a respeito: Vandalismo esconde a beleza a história das Iracemas da Capital

Essa semana é uma ação apoiada pelo setor de Políticas Públicas de Juventude e o curador é o grafiteiro Narcélio Grud, este comentou acreditar que "O spray é uma ferramenta de expressão". 



Soraia Oliveira Costa, mestranda na área de História da Ciência na UFABC. Bacharel e Licenciada em Ciênciais Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA). Trabalha também com audiovisual desde meados de 2007, quando começou a investigar as relações sociais, a sociedade, o cenário urbano, a natureza, o trabalho, os transportes, o comportamento, a cultura, a arte... 





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MAOU, 6º ocupação artistica: Conhecimento concreto.



O MAOU - Movimento Artístico de Ocupação Urbana - surgiu 2006, no seio do Coletivo Artístico Dialéticas Sensoriais (CADS), ambos coletivos são uma iniciativa sem fins lucrativos que propõe e executa estudos; pesquisas e ações nas áreas da arte contemporânea, estabelecendo parcerias e prestando serviços junto a órgãos governamentais, instituições culturais, organizações não governamentais e comunidades.



As ações do MAOU priorizam reunir e expor os diversos pensamentos e atuações que norteiam a arte e o espaço urbano. Nesta trajetória percebemos que existem muitos locais subutilizados, ociosos e abandonados, tanto públicos como privados. Paradoxalmente, a maioria destes espaços estão em locais carentes de equipamentos de uso publico, voltados ao lazer, às artes, à cultura e à formação do cidadão critico e consciente.

Foto de Moises Patricio, equipe e artistas reunidos no final de uma das vistorias

Os integrantes do movimento produzem sistematicamente um vasto material voltado às expressões periféricas das diferentes linguagens artísticas para difundir o conhecimento da arte contemporânea, da arte educação e da valorização das historias locais. Outro segmento fundamental é a gestão cultural coletiva, onde atuamos para qualificar e trocar conhecimentos com os atores locais que contribuem para materializar a conjuntura atual.



O MAOU bem como as seguintes entidades da sociedade civil de Perus, comunica aos moradores do distrito que no dia 3 de abril de 2011 artistas, pensadores, educadores, comunicadores, críticos, agentes sociais e cidadãos curiosos no geral fizeram uma intervenção no interior e arredores da Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus – CBCPP.

Alguns dos trabalhos desenvolvidos no local

O objetivo da manifestação é chamar a atenção das autoridades e da mídia para o descaso com um patrimônio histórico e cultural que, ao invés de ser utilizado como equipamento público de lazer, cultura e educação, encontra-se em estado de completo abandono e deterioração acelerada.




Eric Marechal, fotografo frances que colou diversas obras de artistas do mundo inteiro.

Em Perus, o MAOU tem como objetivo, em parceria com as entidades locais e apoios disponíveis, estimular a reflexão coletiva, propor a utilização consciente, a preservação do patrimônio material e imaterial do espaço, cuja historia tem fundamental importância. A intervenção busca somar com a sociedade civil organizada de Perus e, a partir do diálogo, propor a sensibilização da comunidade para a valorização social do significado da fabrica no contexto nacional. Também tratamos com grande relevância o histórico de lutas promovidas pelos trabalhadores, conhecidos como “Queixadas”, que realizaram a greve mais duradoura do país. Denunciamos o estado de abandono que se encontra este patrimônio que, apesar de parcialmente tombado, carece de uma imediata e consistente restauração. Interferimos na arquitetura abandonada e em avançado estado de degradação, utilizando-a como suporte para as manifestações artísticas contemporâneas em suas diversas formas. Acreditamos ser esta uma das possibilidades de estimular o debate e chamar a atenção da comunidade e do poder público.

Ruinas da igreja na Vila Operaria, que tambem esta em estado decadente.

Em meio ao estado do local nesta 6º edição desenvolvemos um Manual de Segurança na buscar de garantir uma ocupação segura para todos.


Foi com enorme satisfação que realizamos a Primeira Ocupação Artística “Conhecimento Concreto”. Agradecemos pela efetiva colaboração de todos que estiveram presente ou de alguma forma contribuiram, sem esta participação efetiva o M.A.O.U. não teria chegado a 6º Edição com a legitimidade e o reconhecimento público conquistados. Abaixo alguns artistas e coletivos que nos apoiaram nesta empreitada:



Trabalhos do Cavera Uov

http://atelierlivresp.blogspot.com/ e http://www.dasding.org/coletores/
http://www.flickr.com/photos/weslost/sets/72157623537718612/
http://www.flickr.com/photos/felipeguimaraes/
http://www.flickr.com/photos/entreaspas/
www.flickr.com/grupoopa


Coletivo Ocupeacidade
http://www.flickr.com/photos/ocupeacidade

www.flickr.com/alexsenna
www.leonardtlauenstein.tk
www.azzan.com.br
cinestesicos.wordpress.com, www.flickr.com/aquiloquevejo, rabiscoscafeinados.blogspot.com, www.twitter.com/lucosmos, www.youtube.com/ocinestesico
http://www.fotolog.com.br/killerz_is_back
http://barulho.org/
http://www.renatabarros.com.br/
http://www.azucrina.org/
http://www.flickr.com/photos/toconaescuta
http://www.flickr.com/photos/9polar



Tche Rugg e suas obras, artista e integrante do MAOU e do Coletivo 132

Ficamos lisongeados, principalmente, com o apoio da Comunidade Cultural Quilombaque e dos moradores locais.



Pretendemos continuar com as intervenções artísticas, periodicamente e, na medida em que as áreas de risco forem sendo isoladas, convidaremos a população à participar e desfrutar deste espaço que, por direito, pertence a todos moradores e moradoras de Perus.


Soraia O. Costa graduada em Ciênciais Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (2009). Pesquisadora e documentarista do projeto "Transformação sensível, neblina sobre trilhos" sobre a memória ferroviária de Paranapiacaba - apoio institucional Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), Universidade Federal do ABC (UFABC) e Ministério de Cultura e Educação MEC/SEsu. Integrante do Movimento Artístico de Ocupação Urbana.
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M.A.O.U - movimento de ocupação artística, últimas notícias



Hoje, excepcionalmente, publicamos algumas notícias relacionadas ao universo do M.A.O.U, movimento de ocupação artística. Nossa colunista, a socióloga Soraia O. Costa, é uma das líderes. Veja abaixo: 



Amanhã, 03 de abril, a partir das 9h haverá um grande ato artístico na Fábrica de Cimento Perus, um dos pontos históricos do bairro, que há anos está esquecido na memória dos moradores. O ato consiste em produção de grafite, fotografia e instalações relizadas por artistas de São Paulo, integrantes do Movimento Artístico de Ocupação Urbana ( M.A.O.U) . 

Esta iniciativa coletiva promove exploração urbana, encontros de artistas e população em locais abandonados como: fábricas, prédios, túneis, catacumbas, linhas de trem e metrô, teatros, cinemas ou cidades. 

A Comunidade Cultural Quilombaque participa e apoia essa iniciativa e convida a todos para a mais uma intervenção no bairro de Perus.


Notícia retirada do blog Comunidade Cultural Quilombaque.


O que é o M.A.O.U



O Coletivo Artístico Dialéticas Sensoriais - CADS é uma iniciativa sem fins lucrativos que propõe e executa estudos, pesquisas e ações nas áreas da arte contemporânea , estabelecendo parcerias e prestando serviços junto a órgãos governamentais, instituições culturais, organizações não governamentais e comunidades . Nasceu em 2006, numa época em que a comunidade da Vila Califórnia (divisa com São Caetano) exibia um quadro de fracasso e impotência para fazer frente às demandas culturais da população do bairro.
O CADS tem como missão intervir na realidade artística da região, visando à melhoria da vivência estética, assumindo a educação artística como condição necessária ao avanço da democracia cultural e do exercício da cidadania no País. Para cumprir sua missão social o CADS conta com uma equipe multiprofissional com uma larga experiência no campo das artes visuais contemporânea, arte educação, realização de pesquisas e na produção e sistematização de conteúdos. Além disso, desenvolve parcerias e participa de redes e articulações que potencializam metas públicas e ampliam os horizontes estratégicos da ação.
O coletivo CADS surge em momento político propício à participação. Neste processo de democratização cultural do País, foi travado um intenso embate para recuperar a cultura da arte visual como direito de cidadania. Ampliou-se o consenso de que só teremos eventos culturais de qualidade para todos se todos estiverem envolvidos em sua construção. O desafio de desenvolver uma proposta artística contemporânea de qualidade para todos ganhou a consigna de tarefa urgente e coletiva.
A trajetória do CADS apresenta três fases de sua atuação que se somaram e se incorporaram organicamente ao seu fazer, constituindo-se em grandes vertentes da sua ação. Na primeira, centrou sua ação nos pontos de cultura da zona leste, grande ABCD, centro comunitários do bairro e escola propriamente. Pensou currículos; produziu rico material voltado às expressões periféricas das diferentes linguagens artísticas para enfrentar a distorção arte contemporânea /arte educação /bairro.
Outra fase de fundamental importância: a da gestão cultural comunitária qualificando agentes sociais para agir em contextos de extrema pobreza. Essa vertente também ganhou peso e densidade na ação que hoje continua a priorizar. Uma terceira vertente caminha decisivamente para o alargamento de visão da arte contemporânea pública e meio de comunicação.





Saiba mais sobre esse trabalho no blog do grupo M.A.O.U.


Veja fotos do trabalho do grupo:






Ana Maria Dietrich
Editora-chefe da Contemporâneos - Revista de Artes e Humanidades
Coordenadora da Contemporartes - Revista de Difusão Cultural
Laboratório de Estudos e Pesquisas da Contemporaneidade
Núcleo de Ciência, Tecnologia e Sociedade - UFABC
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