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Análise Fílmica – Coco Antes de Chanel




Coco Antes de Chanel é um filme que mostra a história de uma brilhante estilista do século XX antes de sua fama. Gabrielle Bom Heur Chanel, mais conhecida por Coco é uma mulher fantástica, independente, inovadora e totalmente a frente de sua época, não se submete as atividades consideradas de mulheres como servir o homem. Seu envolvimento com oficiais nazistas, sua posição como amante, seus instintos de mulher revolucionária e as motivações que a levaram a ser um ícone.


O filme não retrata suas relações políticas, isso, inclusive é uma crítica ao filme, pois Coco foi reproduzida como uma mulher que soube fazer uso de suas relações amorosas para chegar ao sucesso, não mostrando suas motivações. Talvez essa seja a maior problematização do filme.

Gabrielle (Coco) é uma menina que fora criada e educada em um orfanato para meninas, junto de sua irmã Adrienne, ambas possuíam propósitos bem distintos, Gabrielle sonhava com sua independência e nunca se casar, já Adrienne, assim como as mulheres dos anos de 1920, em se casar com um homem rico.

Em um bordel onde Coco e sua irmã trabalhavam como cantoras, Coco conhece um homem de muitas posses chamado Étienne Balsan, ela decide usar Balsan para sair dessa vida, ele a introduz no mundo das pessoas ricas, elegantes e com ele vai ter um relacionamento tumultuado. É problemática a maneira que a relação dos dois é construída e mantida por tanto tempo, pois Balsan também a usa e exige dela postura e tarefas consideradas femininas, ela não podendo ser vista com ele com frequência por não se vestir e agir como as mulheres ‘normais’ para a época, além de ser usada para atender aos caprichos íntimos dele. Já ele, mesmo que não soubesse com clareza, era usado para inserir Coco na alta sociedade, ajudá-la a fazer contatos, tanto que seus primeiros chapéus foram feitos para uma atriz famosa da época.

Durante sua vivência no “castelo” de Balsan, Coco começa a usar as roupas dele, vestindo calças para cavalgar, algo estranho e inovador para a época a qual estava inserida introduzindo assim, a calça dos homens ao guarda roupa feminino, ao começar a usar calças, as pessoas retratadas no filme estranham e começam a chamá-la de ‘garoto’, em um momento Balsan diz para Arthur Capel não a encorajar a continuar com seu estilo, pois ele quase havia perdido seu alfaiate por conta disso. Surge então seu segundo movimento de dispensar os espartilhos e libertar as mulheres das amarras e dando a elas liberdade de movimento. Revoluciona assim a moda vigente de ostentação para uma moda mais discreta e elegante. A problemática de tudo isso, é que o filme mostra o embate social versus Coco, já que na sociedade vigente (anos 20) a mulher não era vista como capaz de se encorajar sozinha para fazer algo, portanto precisava de um homem para isso, enquanto Coco não queria fazer parte de nada disso. As relações hierárquicas de gênero são muito retratadas e o modo que isso é feito faz a luta de Chanel por um espaço ser ainda mais válida.

Durante sua estadia, Coco conhece Arthur Capel, se apaixonam e Coco até pensa na hipótese de se casar com ele, algo que nunca havia passado em sua cabeça, pois para ela, os homens serviam apenas como caminho para seu sucesso. Arthur se casa com outra mulher por interesse, e Coco decide ser sua amante. Por ser uma mulher a frente de seu tempo, ela acreditava que a pior coisa de um casamento é o casal. Porém, com o tempo ela começa a sentir falta de presença constante dele, o que mostra que, apesar de fugir de muitas convenções sociais, ela não conseguia sair dessa, por mais que quisesse. Ela era inocente sobre o que era o amor.


[...]


Para a análise teórica, fez-se uso dos textos de Tomaz Tadeu da Silva, “A produção social da identidade e da diferença” e o texto de Guacira Lopes Louro, “Gênero e Sexualidade: Pedagogias Contemporâneas”.

Coco Antes de Chanel acaba por ser uma forte representante do que Tomas Tadeu da Silva busca problematizar em seu texto “A produção social da identidade e da diferença”. Já pelo título podemos estabelecer tal relação, uma vez que são evidentes os papeis sociais definidos para cada pessoa no filme, principalmente quanto a seu gênero e classe social.

Gabrielle (Coco), como mulher numa sociedade patriarcal, age como um exemplo da hierarquia estabelecida pela ideia de identidade e diferença e, consequentemente, da problemática do binarismo, em que um dos termos sempre recebe valor ‘positivo’ e o outro, valor ‘negativo’. Exemplo disso é que no filme, em plenos anos 20, as mulheres eram vistas como objetos de uso e de exposição para os homens, além de serem consideradas superficiais e sem um intelecto tão admirável quanto ao deles. Elas só objetivavam uma coisa na vida: casar-se. Por outro lado, os homens eram vistos como fortes, bem sucedidos, elegantes e influentes. E é aí que se encontra uma questão importante do filme: o binarismo homem/mulher.

Coco rompe com esses paradigmas que definiam tão bem o lugar de cada gênero e como cada um deveria se portar. Homens e mulheres eram diferentes (por conta de suas roupas, comportamentos e papeis sociais), e jamais poderiam se identificar entre si em relação a isso. A identidade - aquilo que eu sou - e a diferença - aquilo que o outro é - acabam por ficar evidentes em meio a essa análise. Como a definição da identidade significa a negação de outras identidades (e assim, assume as diferenças).

Além disso, os signos - construídos socialmente e representam simbolicamente o que é real - de homens e principalmente das mulheres, foram remoldados no decorrer do tempo por conta das inovações de Chanel (uma mulher antes não teria um signo com calças, por exemplo, o significado de Mulher era outro).

Tomaz Silva diz ainda que

“A identidade e a diferença estão, pois, em estreita conexão com relações de poder [...]. A identidade e a diferença se traduzem, assim, em declarações sobre quem pertence e quem não pertence[...]”.

Ao ter adotado um estilo o qual não a pertencia - do ponto de vista social da época -, Coco se torna mais uma vez um exemplo do que o autor diz em seu texto sobre a normalização. Quando se normaliza as coisas, elege-se o que é anormal. Gabrielle foi vista como ‘anormal’, pois estava ‘de fora’ das convenções sociais as quais ela deveria seguir. Silva ressalta ainda que “aquilo que é deixado de fora é sempre parte da definição e da construção do ‘dentro’”.

Em diálogo com Tomaz, Guacira Louro inicia seu artigo dizendo que é preciso analisar os modos como se constrói e se reconstrói a posição da normalidade e a posição da diferença, e os significados que lhes são atribuídos.

Além disso, Louro faz uma análise das transformações da contemporaneidade, dizendo que novos estilos de vida (saberes, relacionamentos, comportamentos, etc) surgiram no decorrer do tempo e essas alterações passaram a intervir em setores que haviam sido por muito tempo imutáveis e universais - vulgo as instituições como família, igreja, escola, etc. O filme analisado mostra essa transição muito bem, afinal, fica claro que as atitudes de Coco Chanel abalaram tudo aquilo que era considerado ‘normal’ para uma mulher. Com o tempo, o diferente de Chanel passa a ser aceito. Seu menos vira mais e ela vira um ícone da moda. A retratação do filme quanto a isso é bem nítida, uma vez que evidenciou como as inovações culturais e sociais, no caso, podem transformar a dinâmica de uma sociedade (seus comportamentos, atitudes e pontos de vista).

Conclui-se a análise com uma breve citação de Louro sobre a diferença:

Não, a diferença não é natural, mas sim naturalizada. A diferença é produzida através de processos discursivos e culturais. A diferença é ‘ensinada’[...], e o único modo de lidar com a contemporaneidade é, precisamente, não se recusar a vivê-la”.

No final das contas, o diferente de Chanel virou moda, mas os conceitos dos autores aqui expostos não deixam de ser válidos para a problematização de Coco enquanto mulher do século XX.

[...]


Análise feita por: Aline do Nascimento Roldão, Camila Pinheiro Munhato, Fernanda Souza Santos, Gabriela Santos Grippe e Isadora Castanhedi.
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VI FEIRA ANARQUISTA DE SÃO PAULO


A VI Feira Anarquista de São Paulo, organizada pela Biblioteca Terra Livro será no dia 15/11/2015 das 10h às 20h no Espaço Cultural Tendal da Lapa, Rua Constança, 72 com a entrada gratuita. 

Segundo divulgação, tem como objetivo realizar um encontro de anarquistas e simpatizantes. Com a mostra e venda de livros, jornais e outros materiais de cunho libertário do país e do mundo. Contará também com palestras, debates e outras atividades culturais. 

Fonte: https://feiranarquistasp.wordpress.com/


"PROGRAMAÇÃO DA VI FEIRA ANARQUISTA DE SÃO PAULO (2015).
Para mais informações entre em contato: feiraanarquista@gmail.com
10h00 – Início da Feira Anarquista de São Paulo 2015
10h00 – Filme: Casa da Lagartixa Preta “Malagueña Salerosa”: 10 Anos de Experiências Anarquistas (70 min)
10h00 – Jogo: Jogo da Memória do Muralismo Libertário e outras brincadeiras(Espaço Adelino de Pinho)
10h30 – Oficina: Aproximações entre anarquismo e improvisação musical livre – Stênio Biazon
10h30 – Debate: Futebol Libertário – Rosanegra Ação Direta e Futebol (São Paulo/SP)
10h30 – Debate: As lutas e experiências do Coletivo Autonomo dos Trabalhadores Sociais/CATSo (São Paulo/SP)
11h00 – Oficina: Oficina de Encadernação – Imprensa Marginal (São Paulo/SP)
11h00 – Oficina: Oficina de minitransmissor de rádio FM – Coletivo Bagu.io (São Paulo/SP)
11h30 – Filme: Índios Munduruku: Tecendo a Resistência (25 min) +Mundurukânia: na beira da história (46 min)
12h00 – Debate: 150 anos da morte de Proudhon: Federalismo, Autogestão e Educação – IEL – Instituto de Estudos Libertários
12h00 – Debate: “Romancero de Mujeres Libres” de Lucía Sánchez Saornil – Thiago Lemos (Patos de Minas/MG)
12h00 – Jogo: Partilha do Tesouro (Espaço Adelino de Pinho)
12h30 – Jogo: Quebra-cabeça das Mulheres Livres (Espaço Adelino de Pinho)
13h00 – Oficina: Instalação de meio de comunicação seguro para celular Observatório da Privacidade e Vigilância
13h30 – Debate: Anarquismo e Questão Indígena – Ativismo ABC (Santo André/SP)
13h30 – Filme / Debate: Comitê contra o genocídio da Juventude Negra do Grajaú(São Paulo/SP)
14h00 – Oficina: Encadernação para e com crianças – Biblioteca Terra Livre (São Paulo/SP) (Espaço Adelino de Pinho)
15h00 – Oficina: Midiativismo libertário – RIA – Rede de Informações Anarquistas (Rio de Janeiro/RJ)
15h00 – Debate: A Greve dos Professores na Perspectiva Autônoma e Anarquista– Professores que participaram da greve em São Paulo e Curitiba
15h00 – Debate: Lançamento do livro “Anarquismo e a Revolução Negra” de Lorenzo Kom’boa Ervin  Coletivo Editorial Sunguilar (Rio de Janeiro/RJ)
15h00 – Debate: Maternidade e Militância (Espaço Adelino de Pinho)
15h00 – Filme: Curtas para Crianças e Adultos
16h00 – Oficina: Stencil para crianças com seus adultos (traga sua camiseta!) (Espaço Adelino de Pinho)
16h00 – Oficina: Oficina de minitransmissor de rádio FM – Coletivo Bagu.io (São Paulo/SP)
16h00 – Filme: Jaime Cubero – Centro de Cultura Social (São Paulo/SP)
16h30 – Teatro: Emma Goldman, uma vida libertária – Cibele Troyano / Debate:Emma Goldman e amor livre – uma aproximação com a atualidade? – Biblioteca Terra Livre (São Paulo/SP)
16h30 – Debate: Governo Progressista de Pepe Mujica no Uruguay: entre sapos e cobras – Ateneo Heber Nieto (Montevidéu/Uruguay)
16h30 – Debate: Pedagogia libertária e educação popular em cursinhos pré-universitários – Cursinho Livre da Lapa, Acepusp e Frente de Cursinhos Populares (São Paulo/SP)
18h00 – Debate: O Protagonismo Feminino na Revolução Social Curda em Rojava – Anelise Csapo (São Paulo/SP)
18h00 – Debate: Pensando o Anarquismo hoje, lançamento do livro “101 definiciones del Anarquismo” – Grupo Gómez Rojas (Santiago/Chile)
18h00 – Filme: Golpe por Golpe (85 min)
18h00 – Limpeza e organização do Espaço Adelino de Pinho
18h30 – Oficina: Jongo Preta Bandêra (Santo André/SP)
20h00 – Encerramento da VI Feira Anarquista de São Paulo
ESPAÇO ADELINO DE PINHO
O espaço Adelino de Pinho é destinado às crianças de diferentes idades que estarão com suas mães, pais ou responsáveis na Feira Anarquista. Esta é uma proposta do Laboratório de Educação Anarquista (LEA).
Ao longo de todo o dia:
– DÁDIVA
Espaço da dádiva e material anticonsumo (Fenikso Nigra e Barricada Libertária, Campinas/SP)
– EXPOSIÇÕES
* Lembramos que é importante levar sua garrafa ou copo de água pois o Tendal da Lapa não possui bebedouros, somente filtros de água. E devido ao rodízio de água promovido pela Sabesp o espaço pode ficar sem água no final do dia, por isso, programe-se!

Grupos, coletivos, editoras e publicações anarquistas interessadas em participar e, ou, expor seus materiais pessoalmente entrem em contato pelo e-mail feiraanarquista@gmail.com
Se você não puder comparecer, há maneiras de se envolver com a Feira:
Grupos e coletivos: podem enviar panfletos e, ou, painéis com informações sobre suas atividades para exposição das práticas anarquistas no mundo ou então enviar um video explicando o projeto que desenvolvem e o histórico do grupo.
Editoras e publicações anarquistas: podem enviar seus materiais que nos encarregaremos da exposição e venda.
Artistas: (amadores ou profissionais) podem criar e enviar um cartaz para a divulgação da feira. Mais informações para o envio de cartazes em: https://feiranarquistasp.wordpress.com/cartazes/"
Até lá.
 Foto: Letícia G. Camillo.

Soraia Oliveira Costa, mestre em História da Ciência pela UFABC e graduada em Ciênciais Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA). Professora de Sociologia na Educação Básica e na Educação de Jovens e Adultos no Estado de São Paulo. Trabalha com audiovisual e oralidades desde meados de 2007. Produtora do documentário "Transformação sensível, neblina sobre trilhos", que trata da história vila de Paranapiacaba, feito com incentivo do MEC/SESu, UFABC e FSA. Nas horas vagas estuda música, toca acordeon e joga futebol no Rosanegra Ação Direta e Futebol.
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Futebol feminino tem (pouco) espaço no cinema e na TV



No que, sem querer, já virou uma série sobre futebol, volto com mais uma coluna dedicada ao tema nesses dias de Copa do Mundo no Brasil.

Primeiro, uma dica de exposição internacional:

Na Alemanha, de 08/06 a 31/08, acontece a exposição “Do outro lado da bola”, com obras relacionadas à copa do Mundo no Brasil criadas por quatro artistas brasileiros que residem no país europeu. São eles Adriana Woll, Monica Rizzolli, José de Quadros e Ronaldo de Carvalho.A exposição está montada na Galerie Monika Beck e pode ser visitada de quarta a sexta-feira, das 16h às 20h, e domingos das 16h às 18h. O endereço é Am Schwedenhof 4, 66424 Homburg/Saar-Schwarzenacker – Alemanha. Outras informações no site www.galerie-monika-beck.de .

Quando recebi esta dica e vi o nome das duas artistas plásticas, comecei a pensar sobre futebol feminino e o pouco espaço dedicado a ele na mídia. Afinal, quantas pessoas sabem quando e onde será realizada a próxima Copa do Mundo desta modalidade, quem são os países classificados e as maiores estrelas de cada seleção?

Se o futebol feminino parece não ter muito prestígio entre grande parte do público adulto, uma das razões pode estar na falta de estímulo recebido pelas meninas, desde a infância, para praticarem o esporte. Mas, pensando sobre o assunto, rapidamente me lembrei de um filme britânico e de uma série que, sem dúvida, devem ter deixado muitas garotas com “fome de gol”.
Imagem retirada do site Omelete. 

O primeiro é “Driblando o Destino” (Bend it like Beckham – 2002), um filme bastante conhecido que conta a história de duas amigas inglesas, uma dela de origem indiana, que jogam futebol juntas e enfrentam muito preconceito da família pra seguirem o sonho de jogar profissionalmente. O filme surpreendeu em bilheteria e recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de 2003 na categoria Melhor Comédia ou Musical, mostrando que a história de duas garotas boas de bola encontrou público em todo o mundo.




Imagem retirada do site DramaFever.
Outra história que, felizmente, foi contada é a das meninas do “Brilhante F. C.”, série brasileira exibida entre 2011 e 2012 na TV Brasil e em 2013 na TV Cultura e no canal Nickelodeon. Rita, Jessy, Formiga, Raquel e Giovana, cinco adolescentes de Santa Rita do Sapucaí, interior de Minas, decidem formar um time de futebol feminino e, como era de se esperar, precisam superar barreiras e preconceito para provar que futebol é, também, “coisa de mulher”.  O cenário do interior mineiro, os desafios da adolescência, as alegrias da amizade, tudo isso é retratado de um jeito divertido e com muita sensibilidade. Os episódios completos podem ser encontrados no Youtube


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 Uma dica não relacionada ao futebol:
 De 08/07 a 09/08, acontece no espaço Blau Pojects a exposição “Andrei Thomaz  - Máquina do Tempo”. A curadoria é de Douglas Negrisolli, colaborador da Contemporartes. A exposição pode ser visitada de terça a sábado, de 11h às 19h, na

Rua Fradique Coutinho, 1464, Vila Madalena – São Paulo (SP).


Mônica Bento é jornalista, formada pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Em seu trabalho de conclusão de curso estudou a função social das salas de cinema e desenvolveu a reportagem multimídia CineMemória. Pertence a equipe de Comunicação da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural.


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Futebol e cinema




Depois de algumas colunas “ausentes”, o Drops volta a dar as caras na Contemporartes.
Uma breve explicação: mudei de casa e, em função disso, fiquei quase dois meses aguardando a instalação da internet. Foi uma novela que demorou a se desenrolar, mas a abstinência forçada finalmente acabou.
Na última coluna reproduzi um texto que escrevi, em 2011, sobre violência e futebol. Hoje volto ao tema futebol, aproveitando a Copa do Mundo (que, depois de muitas polêmicas, questionamentos e receios, está acontecendo), para trazer duas dicas de filmes que tratam do esporte e de outros aspectos que o rodeiam.

“Rudo e Cursi” (Rudo y Cursi) é um filme mexicano de 2008 que traz os amigos Diego Luna e Gael García Bernal como dois irmãos que vivem junto com a família na zona rural do México, onde trabalham em uma plantação de bananas e, no pouco tempo livre, jogam futebol no maltratado campo das redondezas, Tato (Gael García Bernal) como atacante e Beto (Diego Luna) como goleiro. Um dia, Tato é “descoberto” por um olheiro e recebe uma proposta para jogar em um time da capital, o que acaba transformando a vida de toda a família, mas não da maneira como eles esperavam.
A história de jovens de famílias pobres que sonham em “resolver a vida” através do futebol não é exclusividade brasileira e se transforma em um enredo divertido e atriste, na mesma medida, nas mãos do roteirista e diretor Carlos Cuarón. Estão lá as “marias-chuteira”, a corrupção no futebol, os “perigos” trazidos pelo dinheiro e pela fama. A realização de um sonho nem sempre traz felicidade duradoura e isso fica bem claro na história dos dois irmãos.


“Linha dePasse” também é um filme de 2008 que fala sobre família e sobre futebol.  O longa foi escrito por Bráulio Mantovani, George Moura, Walter Salles e Daniela Thomas, dirigido pelos dois últimos, e deu o prêmio de melhor atriz a Sandra Corveloni no Festival de Cannes. A história desenrola-se na periferia de São Paulo onde uma mãe e quatro irmãos vivem entre o companheirismo e o desentendimento. O futebol não está no centro da trama, como acontece em “Rudo e Cursi”, mas é pano de fundo e motivador de diversas ações que deixam claro a presença marcante do esporte na vida e nos sonhos de muitos jovens.  




A Copa do Mundo é palco de partidas emocionantes, de demonstrações de orgulho e paixão por parte de torcidas. Os dois filmes ajudam a lembrar que o futebol faz surgir e alimenta sonhos em meninos e meninas de, um dia, também serem protagonistas dessa festa. 


Mônica Bento é jornalista, formada pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Em seu trabalho de conclusão de curso estudou a função social das salas de cinema e desenvolveu a reportagem multimídia CineMemória. Pertence a equipe de Comunicação da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural.
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