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Olhe pra baixo pra ver





Andando pelas ruas de Berlim, não deixem de olhar para o chão. Além de lindas tampas de bueiros, (abaixo uns links sobre e fotos), chama a atenção um pequeno quadrado dourado.

"Aqui morou Erna Cohn. Nascida em 1893. Deportada em 1943. Assassinada em Auschwitz."

Encrustados na calçada, em frente a alguns prédios, estão pequenos paralelepípedos de latão,  neles eler informações como as de cima sobre seus antigos moradores. Sempre iniciando com "Aqui morou", as Stolpersteine (pedras de tropeço) são um monumento em memória as milhares de tragédias pessoais.




 As pedras são um projeto do escultor Gunter Demnig em homenagem às pessoas perseguidas entre 1933 e 1945 pela ditadura nazista: judeus, ciganos, homossexuais, ativistas políticos, testemunhas e Jeová e vítimas de Eutanásia dos programas de Higiene Racial do partido.

A primeira pedra foi colocada em 1997, hoje são mais de 6.000 em Berlim e cerca de 50.000 espalhadas por outras cidades alemães e europeias. Qualquer um pode se patrocinador de uma pedra e o projeto não tem um fim previsto.



No início um pouco controverso, afinal, "o chão não é lugar para isso!" Hoje as pedras já fazem parte da cidade. Mais e mais pessoas encontram nela a forma de lembrarem e marcarem para sempre um passado difícil do país.




Stolpersteine:
http://www.stolpersteine-berlin.de/en
http://www.sue-arns.de/newsletter/nl201101.html


Ainda, sobre bueiros:
http://pt.depositphotos.com/34342483/stock-photo-sewer-manhole-cover-in-berlin.html
http://vaconferir.com.br/arte-em-tampas-de-bueiros-de-rua/



Ana Valéria mora a quase duas décadas em Berlim, onde estudou História Medieval e Estudos Latino Americanos. Hoje trabalha como tradutora.

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Adeus Lenin - memória e subjetividade


Hoje publico reflexões de discentes da UFABC sobre o filme Adeus Lenin (Alemanha, 2002, dir. Wolfgang Becker). Tal filme para mim é muito especial, uma vez que morei em Berlim, local onde acontece toda a trama. Além disso, ele mostra um olhar diferente da grande mudança histórica que foi a Queda do Muro de Berlim, enfatizando a dimensão da memória, no dizer de Pierre Nora, afetiva, fluída e mágica. Pensar em famílias, pessoas, subjetividades que foram transpassadas por uma grande mudança como essa é algo necessário e traz novas perspectivas para se pensar essa problemática.

Entre Ostalgie e cosmonautas 

O artigo “Cicatrizes deixadas pelo Muro de Berlim” (DIETRICH, 2004) e o filme Adeus Lenin têm como principais pontos em comum a nostalgia (chamada de no texto de Ostalgie - nostalgia do leste) dos elementos mais simbólicos da Guerra Fria, como exemplo a corrida espacial. O sentimento revela a esperança que o socialismo colocou nas pessoas da Alemanha Oriental e nas que acreditavam na ideologia no mundo. O título do filme explora a imagem de um personagem marcante da luta socialista. 
A noção nacionalista tem um elemento que se destaca em relação a outros países: enquanto a população em alguns locais do mundo dá preferência a produtos nacionais ao invés dos importados, os alemães orientais não tiveram essa opção. De um dia para o outro, toda a economia estava inserida no mercado e os produtos do Estado haviam desaparecido e sido substituídos por estrangeiros. Essa troca brusca, a mudança da moeda e a fuga dos “cérebros” da Alemanha Oriental provocaram o sentimento de traição na população que viveu toda a vida no país. 
Quando o vizinho dos Kerner reclama que passou “40 anos trabalhando para isso” e quando Alexander pergunta ao médico se ele também irá fugir para o outro lado são mostras do apelo emocional que essa população detinha com a causa socialista nacional. Mas, o mais interessante é o modo como o protagonista decide encerrar a história do país para sua mãe. Ao colocar o cosmonauta que ele tanto gostava quando criança para ser o novo presidente da Alemanha Oriental e em seu discurso dizer que por ter visto a Terra do alto, detinha uma visão diferente do mundo, a ideia por trás do discurso não é contrária ao socialismo, e sim do modo como ele se transformou. 
O protagonista, assim como muitos que viveram em países socialistas, não queriam mais viver nos seus países-prisões, mas também não se sentiam felizes em abandonar suas terras natais para trabalhar em fast-foods no Ocidente. E o mais forte do discurso é a ideia de que o socialismo não funcionou, mas as pessoas nunca se esqueceriam de suas conquistas.

Assim, pode-se dizer que Adeus Lenin é um retrato de “dois mundos”, com um marco importante: a queda do muro de Berlim. O próprio enfarte da protagonista, Sra. Kerner, pode ser visto como uma metáfora da queda do muro de Berlim. Mostra um choque entre tudo o que ela acreditava e idealizava e a manifestação política contra a ex-Alemanha Oriental, simbolizando a violência e a brutalidade entre jovens, entre eles, seu filho. 
A idealização do socialismo foi consagrada nos “noticiários” feitos pelo filho. Toda a recriação do regime mostrava um mundo socialista ideal, como defendido pela mãe, que já não mais existia na vida real, que agora reproduzia os ideias capitalistas: Burger King, Coca-Cola, desvalorização da moeda, o consumo representado pela troca dos móveis e pela própria decisão da filha: trocar os estudos de teoria econômica pelo emprego em uma lanchonete americana. 
A recriação do universo socialista, idealizado pelo filho, é a reprodução ideológica do que o regime socialista fazia com seus camaradas.

Rafael, Cristiane, Queli, Arnaldo Aguiar Jr. e Rebeca 

Leia também o texto de Lucca Amaral Tori e Luana Homma sobre o mesmo assunto.
Cicatrizes de concreto: macro e micro-história


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Arte degenerada e nazismo, pai da rainha da Suécia e preconceito na PUC-Campinas

I Jornada Cultural UFABC Próxima quinta-feira, dia 9, das 14h às 16h, palestra Arte degenerada e arte moderna, discutindo transgressão e nazismo. Com a Profa. Dra. Ana Maria Dietrich

Haverá também a discussão do filme Arquitetura da Destruição.
 
Dia 13/12 - próxima segunda-feira - Mesa: Arte no Muro de Berlim, fotografia e cibercultura" com Profa. Dra. Ana Maria Dietrich, Profa. Dra. Silvia Passarelli, Prof. Dr. Sérgio Amadeu e Prof. Dr. Pablo Fiorito.

Finalizando a jornada, na terça-feira dia 14, haverá a apresentação do Coral da OSESP e o lançamento de livros de professores da UFABC a partir das 19h

Aberta ao público em geral e toda a comunidade acadêmica.
Local: UFABC, av. dos estados, 5001,  Santo André -SP
Bloco A (sala disponível no local).





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Recentemente fui convidada a dar duas entrevistas a documentários estrangeiros, um na Argentina e outro na Suécia sobre o tema da minha pesquisa de doutorado, Nazismo no Brasil. A primeira parte do documentário da Suécia já ficou pronta e foi ao ar pela TV 4 com uma entrevista minha. A grande "revelação" dos repórteres Mat Deland e Henrik Jönsson (correspondente da Tv sueca no Brasil) foi o fato do pai de Sofia, rainha da Suécia, ser integrante do partido nazista em São Paulo.

Convido a todos a assistir no link abaixo na correspondência de Henrik:

Oi todos,
ontem saiu o primeiro programa sobre o pai da rainha Silvia. Foi um successo. O debate sobre a monarquia na Suécia está esquentando mais uma vez. O programa ainda não está com legenda, mas as entrevistas em português e alemão talvez da para entender.

Vocês podem ver o programa aqui:

Essa link esplica em alemão o que a gente descubriu.

Essa está en inglês.

No proximo domingo veio o segundo programa que trata de Efim Weschsler.

Até,

/henrik
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Henrik Brandão Jönsson
Correspondente
henrik.jonsson@terra.com.br


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Não percam a última palestra do ano do Seminário Vozes da Globalização - Módulo IV

Reinventando afroidentidades

Dia 11, próximo sábado, às 10h30.

11.12 - A representacao do negro no modernismo brasileiro - Prof. Dr. Renato Gilioli (doutor em Educação pela Universidade de São Paulo).

Apoio
Associação Cultural Morro do Querosene

Realização:
Casa da Palavra - Escola Livre de Literatura
Prefeitura Municipal de Sa nto André

Local - Praça do Carmo, 171, Santo André - SP.



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Suspeita de atos de racismo na PUC/Campinas


Por último, queria registrar alguns atos de racismo e agressões que ainda estão marcando o cenário social brasileiro. Esse ato de agressão foi feito contra uma estudante afro-descendente na PUC de Campinas. Os detalhes podem ser conferidos nas cartas abaixo, ventiladas na internet. Como costumo dizer em minhas palestras, mesmo nos regimes democráticos ainda permanecem elementos fascistizantes. São as áreas de sombra do Estado de Direito. A difusão de preconceitos como esses ainda mais explicitados em práticas violentas é um grande exemplo de como nosso País ainda precisa crescer no respeito às minorias, às diferenças e ao pluralismo.


Estimado reitor prof. Dirceu
Caros professores do Departamento
Caros alunos de Jornalismo
A denúncia que se segue é MUITO GRAVE. Não temos o direito de subestimar nenhuma manifestação de racismo e/ou preconceito, venha de onde vier. A serpente tem que ser exterminada no seu ninho.
Creio que estamos diante de um processo de deterioração da vida universitária e do convívio entre estudantes e professores, não apenas na PUC-SP mas em várias importantes universidades brasileiras, tudo motivado pelo racismo, pelo preconceito social, pela discriminação de classe, pela estupidez e arrogância dos que jamais aprenderam as normas civilizadas de convivência. Não tomo por base apenas o relato abaixo, mas vários depoimentos de estudantes que sofreram ou sofrem esse tipo de dicriminação, dentro e fora da PUCSP.
Considero isso INTOLERÁVEL, tanto como pessoa físico quanto na qualidade de chefe do departamento de jornalismo.
Não sei se nessa época do ano podemos adotar alguma proposta prática (como um grande ato de repúdio, convocando o testemunho das vítimas, por exemplo), mas temos aí no horizonte uma luta certamente colocada para o início de 2011.
Espero que o PUC Viva dê a maior visibilidade possível aos casos mencionados, e reitero o apelo ao prof. Dirceu para que adote todas as medidas necessárias à promoção do convívio civilizado dentro de nossa universidade.
Abraços


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Mensagem original
De: Meire Rose Morais
Para:
Cópia: Cleyton W. Borges
Assunto: Estudante do Prouni agredida na Faculdade de Jornalismo da PUC
Campinas
Enviada: 02/12/2010 10:34

Caro Professor José Arbex
Meu nome é Meire Rose e antes de tudo, quero agradecer o único apoio que o meu caso teve por iniciativa do corpo docente. A Professora Bia Abramides tb apoiou, mas foi numa ação conjunta com os alunos e funcionários.
A Faculdade de Direito está no caso e o professor Marcelo Sodré acaba de me ligar informando que o Malheiros presidirá a comissão de Sindicância.
Ontem recebi um telefone de uma aluna de nome Renata, do mov est. (UNE) informando e pedindo ajuda para a aluna da Faculdade de Jornalismo da PUC Campinas Tacia Thais que, há 15 dias atrás, apanhou em sala de aula de uma outra aluna, por que não tinha, até então, 17 reais para cobrir a sua parte nos custos do TCC do grupo. (Tácia é negra e bolsista pelo Prouni). No momento da agressão a jovem xingava: sua pobre, favelada, prostituta, biscate. E gritava que não ia sustentar a faculdade de ninguém.
Antes da agressão a aluna (que é filha de um desembargador) já havia mandado um e-mail (que ela vai me enviar) ofendendo a estudante e dizendo que não ia sustentar os estudos de ninguém, que era pra ela se virar com a parte dela.
A mãe de Tácia está desempregada há aprox. três meses e a filha está concluindo a graduação. No momento da agressão havia um professor em sala de aula que assistiu a tudo, não interveio e ainda tentou desestimular a jovem que saiu toda rasgada e machucada de fazer o BO alegando que ela havia revidado, então não cabia BO. O professor chegou ao cúmulo de dizer que ela poderia ter mto bem ter evitado aquela situação. Foi um aluno que retirou a agressora de cima da Tacia. Este aluno é testemunha do fato.
Ocorre que a PUC Campinas abafa o caso e ao ser procurado pela mãe de Thais, dona Teresinha, o diretor disse que ia ajudar a jovem deixando que ela apresentasse o TCC sozinha pra não ser prejudicada. E também tentou convencê-las de não fazer o BO. (Thais, fez o BO e exame de corpo delito).
A sensação de todos os envolvidos (pelo que entendí) e que o fato da moça ser filha de desembargador está pesando no caso.
Sei que esse quadro não é igual ao meu em SP. pois obtive apoio da direção da Faculdade mesmo sem ter chegado oficialmente no Marcelo Figueiredo, mas fiquei muito revoltada com o acontecido em Campinas.
Eu falei com ela e com a Mãe dela (a família está mto abalada, faz 15 dias que ela não vai pra faculdade). Devo salientar que assim como no meu caso o voto na Dilma também contribuiu para a irritação da jovem agressora.
Como na carta, tirada pela Faculdade de Jornalismo, a preocupação com o preconceito é abrangente e o caso de Campinas foi no Jornalismo, achei que pudesse ter o interesse em tomar ciência deste acontecido, pois acho que a batalha agora é construir uma proposta para inclusão e interação efetiva dos bolsistas do Prouni e chegar ao MEC.
Seria muito interessante se essa discussão fosse construída pelas instituições de ensino. A PUC poderia participar ou até liderar essa discussão.
Por essa razão estou escrevendo. Gostaria de saber se vc poderia agendar um horário para falar comigo e com Cleyton W Borges, (advogado que a pedido da UNeafro me apoia neste caso), pois também estamos preocupados com o todo.
Mais uma vez agradeço o apoio

Fico no aguardo de um retorno

Meire Rose de Morais
Flavio.
Serviço Social PUC-SP
Gestão CASS PUC-SP "A Retomada..."
Núcleo de Gênero Raça/Etnia da PUC-SP
Militante MESS/ENESSO
Núcleo de Opressão e Formação Profissional ENESSO Região VII
Cine Clube Itinerante Gianfrancesco Guarnieri


Ana Maria Dietrich, profa. dra. adjunta da UFABC, é coordenadora da Contemporartes - Revista de Difusão Cultural junto a Vinicius Rennó. Faz parte da comissão organizadora da I Jornada Cultura da UFABC. contemporartes@gmail.com
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