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À espera do amanhã, à espera de você

Nesta semana, o Espaço do Leitor publica uma prosa poética, contribuição de Taysa Silva Santos, que fala de amor, desejo, solidão e esperança...






À Espera do amanhã, à Espera de Você

Taysa Silva Santos *

 Queria vê-lo, queria senti-lo. Queria dar significado àquele sorriso, àquela voz suave; queria que a esperança fosse ratificada; queria ao menos, um momento, um sentimento, uma vida... Para dividir com você! 




Como te encontrar? Não sei.  Aonde irei te ouvir? Não sei.  Serás meu? Ah,
quero acreditar que sim. Pois ainda que as condições objetivas digam que não, as condições subjetivas gritam por espaço para além da objetividade.  Porquanto, o que somos senão vontades, desejos, um universo diverso... 




Um emaranhado de sentimentos? Minha subjetividade ganha concreticidade 
na força do meu desejo. Aonde quer que eu vá te levarei em pensamento, aguardando o momento de um dia te reencontrar. O que sinto não tem nome, não consigo explicar; palavras não descrevem, mas o coração sente a cada batida, quando penso em você! Acredito no amanhã, amanhã será um novo dia, não sei quantos amanhãs terei que esperar, contudo, tenho convicção que amanhã verei aquele sorriso, ouvirei aquela suave voz, e terei minhas esperanças renovadas, seja subjetivamente ou objetivamente. 
Todavia, esperarei.







* Taysa Silva Santos é graduanda do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB. Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas Gênero, Raça e Etnia e também do Grupo de Pesquisa NATUSS, Natureza, Trabalho, Ser Social e Serviço Social da mesma universidade.
taysa_123@hotmail.com





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SI NO PODEMOS SER VIOLENTA, NO ES NUESTRA REVOLUCIÓN





 
SI NO PODEMOS SER VIOLENTA, NO ES NUESTRA REVOLUCIÓN

    Essa coluna sai um pouco atrasada, mas precisava esperar que passasse o I Seminário Internacional Desfazendo Gênero – Sujetividade, Cidadania, Transfeminismo, idealizado pela Professora Berenice Bento e que aconteceu na Univerdidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. O Seminário é, nas palavras de Richard Miskolci,  uma provocação ao acalentado Fazendo Gênero, Seminário que em 2013 completa sua décima edição sob o título Desafios Atuais dos Feminismos e que acontece em Florianópolis, Santa Catarina. A ideia, segundo Miskolci, veio depois da Conferência de abertura do Fazendo em que um cultuado pesquisador português foi aplaudidíssimo depois de uma fala conservadora.
    Assim nasceu um dos mais importantes encontros científicos dos últimos tempos. Importante porque coloca em pauta importantes temas, quais sejam, o do deslocamento das identidades, o apagamento das fronteiras binárias e dicotômicas (masculino/feminino; heterossexual/homossexual; passivo/ativo), a biologização dos desejos,  entre tantos. O Seminário Desfazendo foi um encontro de combate. Mas foi importante, também, porque apostou que a Arte pudesse ser, em meio às Ciências Sociais, à Saúde, à Antropologia e outros campos do conhecimento, ferramenta potente em desestabilizar o cento colonizante.
    Eu mesmo participei de uma mesa de discussão em que o tema era a politização do abjeto, em especial, “O que podemos aprender com um teatro de abjeções”. Essas indagações serão publicadas no livro do Seminário, mas acho válido, aqui, partilhar um pouco o que penso a esse respeito.
    Primeiro, “eu nada tenho a ver com Guimarães Rosa, estou escrevendo sobre pessoas empilhadas na cidade enquanto os tecnocratas afiam o arame farpado”, por isso o teatro que venho praticando se assemelha a ao que Rubem Fonseca chamou de pornografia terrorista, espécie de linguagem ao avesso, parafraseando Carlinda Fragale Pate Nuñez, que encontra o seu sentido e efetiva seu poder demolidor junto ao discurso vigente, ou como já previra Rubem Fonseca, em 1975, no conto Intestino Grosso, o teatro que penso é uma alternativa à “fantasia oferecida às massas pela televisão hoje”, o avesso do avesso do avesso do avesso, que seu personagem batizou de “pornografia terrorista”.
    Essa “pornografia terrorista” estava, de algum modo, espalhada por todo o Seminário, vejam o texto do manifesto da ocupação feita em um banheiro masculino:
“O banheiro dos homens foi ocupado. E não como de costume, por seus corpos castrados de cu, sua inteligência de self-made man, sua racionalidade a toda prova, suas políticas viris e todas essas mijadas-em-pé do macho hétero ocidentalóide. O banheiro dos homens está, desta vez, ocupado por uma horda de homens fracassados, sapatânicas assassinas, bichas anômalas, translésbichas extra-terrestres; gente do fora, gentália, gente que não fala a língua da normalidade e que, por isso, procria dialetos estrangeiros; gente que estrangeiriza o de casa, porque não tem casinha, caixa, etiqueta, padrão de fábrica. O banheiro dos homens foi ocupado por gente que resiste a viver com medo de não ser homem, gente que desfaz o homem, implode-o em submasculinidades, femininos excessivos e seis mil outros gêneros não catalogados”.


    Estava também na potente criação de Silvero Pereira, “Uma flor de dama”, que provou sem qualquer sombra de dúvida, que “Si no podemos ser violenta, no es nuestra revolución”, refrão cantado pela banda que encerrou esse encontro que já tem sua segunda edição garantida em 2015, em Salvador.





Djalma Thürler é um artista multidisciplinar. Professor Adjunto da UFBA com estágio de Pós-Doutoramento em Literatura e Crítica Literária e Diretor de Teatro. Pertence ao Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade / UFBA. Programa de Pós-Graduação Estudos Interdisciplinares sobre a Universidade / UFBA Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC/UFBA) CUS - Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade GENI - Gênero, Narrativas e Políticas Masculina.
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Arte e subjetividade


Em diálogo com o Luiz Antonio Baptista, participei na dia 6 último da mesa Cidades e Subjetividades nas artes na Universidade Federal Fluminense no Pólo Universitário de Campos de Goyatacazes (RJ) dentro da Programação do V Seminário de Pesquisa. Algumas indagações levantadas tanto pelos palestrantes quanto pelo público valem a pena enforcar aqui.
Um pergunta clássica enfocou a questão de como se definir a arte, o conceito de criar. A arte teria apenas o papel (já tão nobre) de expressar algo referente à natureza humana? Foi defendido pela mesa que não. Enquanto Baptista enfatizava os aspectos de estranhamento, tormento da arte, o quebrar de um espelho e não apenas o olhar nele, eu lembrei, complementando, o potencial transgressor da arte, também político. Um exemplo tácito é a chamada arte degenerada da Alemanha Nazista. A arte foi assim denominada por ser transgressora, fora dos padrões considerados "higiênicos" (do ponto de vista das teorias raciais, no momento. A arte moderna, os seus expoentes modernistas que foram expulsos quer literalmente quer pela segregação de sua obra na Alemanha nazista.
Baptista para explicar metaforicamente o conceito de arte, fez uso da Literatura de Jorge Luis Borges(1), no poema Os Espelhos, no qual o espelho (metáfora de Arte) aparece como a distorção, tendo um conceito de potência não de se acumular, mas de desconcertar.





Hoje, ao cabo de tantos e perplexos

anos de errar sob a variável lua,

me pergunto que azar da fortuna
fez que eu temera os espelhos.

Espelhos de metal, mascarado
espelho de caoba que na bruma
de seu roxo crepúsculo esfuma

esse rosto que olha e é olhado.
(JORGE LUIS BORGES).

Outras obras citadas por Baptista foram o conto O Amor do livro Laços de Família de Clarice Lispector, e o filme Bicho de Sete Cabeças (Brasil, 2001). Nessas obras, aparece o conceito do ato de desfazer da arte, olhar o cotidiano e torná-lo algo diferente. A subjetividade aparece não com algo exterior às Ciências, mas como um artefato de produção de conhecimento.  Por exemplo, a questão da cidade enquanto promessas de felicidade que condesa, lugar dinâmico que se torna um imã de confrontos e enfrentamentos.



Acredito que experiências e falas como essa são vitais para tirarmos os tabus sobre o tema da subjetividade. Há tempos trabalhando com memória, sinto sempre um quê de desconfiança quando enfatizo a importância da subjetividades. No entanto, a ciência cartesiana continua a querer objetividade onde não existe, onde mesmo as fadas escondidas ou ocultas, continuam fazendo seu papel.

(1) "Jorge Luis Borges(1899-1986), poeta argentino, bilingue, foi um dos mais brilhantes e polêmicos escritores da América Latina. Cansado do ultraísmo (escola experimental de poesia que se desenvolve a partir do cubismo e do futurismo), tenta fundar um novo tipo de regionalismo, enraizado em uma perspectiva metafísica da realidade. Logo se cansará também destes e se interessará pela narrativa fantástica ou mágica, produzindo algumas das mais extraordinárias ficções deste século". Fonte - http://www.poesias.omelhordaweb.com.br




Ana Maria Dietrich é historiadora e coordenadora da Contemporartes- Revista de Difusão Cultural.
contemporartes@gmail.com
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