E o verão tá chegando: que seja bem vindo!



Canção: BAIANIDADE NAGÔ (1997)
Evandro Rodriguez - Banda Mel
Fotos: E O VERÃO TÁ CHEGANDO: QUE SEJA BEM VINDO! (dez/2010)
Duda Woyda

Já pintou verão
Calor no coração
A festa vai começar
Salvador se agita
Numa só alegria
Eternos Dodô e Osmar

Na avenida Sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar
Carnaval na Bahia
Oitava maravilha
Nunca irei te deixar, meu amor

Eu vou
Atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo minha baianidade nagô ô ô ô ô

Eu queria
Que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia
A paz vence a guerra
E viver será só festejar, eô, eô.






DUDA WOYDA, ator, com experiências no Paraná e Rio de Janeiro, cidade com a qual mantem contatos profissionais. Integra a CIA Ateliê Voador e a CIA Teatro da Queda. Pesquisa questões relacionadas ao teatro físico e a sua relação entre dramaturgia corporal e teatralidade, priorizando a multidisciplinaridade.
dudawoyda@yahoo.com.br
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Arte degenerada e nazismo, pai da rainha da Suécia e preconceito na PUC-Campinas

I Jornada Cultural UFABC Próxima quinta-feira, dia 9, das 14h às 16h, palestra Arte degenerada e arte moderna, discutindo transgressão e nazismo. Com a Profa. Dra. Ana Maria Dietrich

Haverá também a discussão do filme Arquitetura da Destruição.
 
Dia 13/12 - próxima segunda-feira - Mesa: Arte no Muro de Berlim, fotografia e cibercultura" com Profa. Dra. Ana Maria Dietrich, Profa. Dra. Silvia Passarelli, Prof. Dr. Sérgio Amadeu e Prof. Dr. Pablo Fiorito.

Finalizando a jornada, na terça-feira dia 14, haverá a apresentação do Coral da OSESP e o lançamento de livros de professores da UFABC a partir das 19h

Aberta ao público em geral e toda a comunidade acadêmica.
Local: UFABC, av. dos estados, 5001,  Santo André -SP
Bloco A (sala disponível no local).





* * *

Recentemente fui convidada a dar duas entrevistas a documentários estrangeiros, um na Argentina e outro na Suécia sobre o tema da minha pesquisa de doutorado, Nazismo no Brasil. A primeira parte do documentário da Suécia já ficou pronta e foi ao ar pela TV 4 com uma entrevista minha. A grande "revelação" dos repórteres Mat Deland e Henrik Jönsson (correspondente da Tv sueca no Brasil) foi o fato do pai de Sofia, rainha da Suécia, ser integrante do partido nazista em São Paulo.

Convido a todos a assistir no link abaixo na correspondência de Henrik:

Oi todos,
ontem saiu o primeiro programa sobre o pai da rainha Silvia. Foi um successo. O debate sobre a monarquia na Suécia está esquentando mais uma vez. O programa ainda não está com legenda, mas as entrevistas em português e alemão talvez da para entender.

Vocês podem ver o programa aqui:

Essa link esplica em alemão o que a gente descubriu.

Essa está en inglês.

No proximo domingo veio o segundo programa que trata de Efim Weschsler.

Até,

/henrik
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Henrik Brandão Jönsson
Correspondente
henrik.jonsson@terra.com.br


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Não percam a última palestra do ano do Seminário Vozes da Globalização - Módulo IV

Reinventando afroidentidades

Dia 11, próximo sábado, às 10h30.

11.12 - A representacao do negro no modernismo brasileiro - Prof. Dr. Renato Gilioli (doutor em Educação pela Universidade de São Paulo).

Apoio
Associação Cultural Morro do Querosene

Realização:
Casa da Palavra - Escola Livre de Literatura
Prefeitura Municipal de Sa nto André

Local - Praça do Carmo, 171, Santo André - SP.



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Suspeita de atos de racismo na PUC/Campinas


Por último, queria registrar alguns atos de racismo e agressões que ainda estão marcando o cenário social brasileiro. Esse ato de agressão foi feito contra uma estudante afro-descendente na PUC de Campinas. Os detalhes podem ser conferidos nas cartas abaixo, ventiladas na internet. Como costumo dizer em minhas palestras, mesmo nos regimes democráticos ainda permanecem elementos fascistizantes. São as áreas de sombra do Estado de Direito. A difusão de preconceitos como esses ainda mais explicitados em práticas violentas é um grande exemplo de como nosso País ainda precisa crescer no respeito às minorias, às diferenças e ao pluralismo.


Estimado reitor prof. Dirceu
Caros professores do Departamento
Caros alunos de Jornalismo
A denúncia que se segue é MUITO GRAVE. Não temos o direito de subestimar nenhuma manifestação de racismo e/ou preconceito, venha de onde vier. A serpente tem que ser exterminada no seu ninho.
Creio que estamos diante de um processo de deterioração da vida universitária e do convívio entre estudantes e professores, não apenas na PUC-SP mas em várias importantes universidades brasileiras, tudo motivado pelo racismo, pelo preconceito social, pela discriminação de classe, pela estupidez e arrogância dos que jamais aprenderam as normas civilizadas de convivência. Não tomo por base apenas o relato abaixo, mas vários depoimentos de estudantes que sofreram ou sofrem esse tipo de dicriminação, dentro e fora da PUCSP.
Considero isso INTOLERÁVEL, tanto como pessoa físico quanto na qualidade de chefe do departamento de jornalismo.
Não sei se nessa época do ano podemos adotar alguma proposta prática (como um grande ato de repúdio, convocando o testemunho das vítimas, por exemplo), mas temos aí no horizonte uma luta certamente colocada para o início de 2011.
Espero que o PUC Viva dê a maior visibilidade possível aos casos mencionados, e reitero o apelo ao prof. Dirceu para que adote todas as medidas necessárias à promoção do convívio civilizado dentro de nossa universidade.
Abraços


_____
Mensagem original
De: Meire Rose Morais
Para:
Cópia: Cleyton W. Borges
Assunto: Estudante do Prouni agredida na Faculdade de Jornalismo da PUC
Campinas
Enviada: 02/12/2010 10:34

Caro Professor José Arbex
Meu nome é Meire Rose e antes de tudo, quero agradecer o único apoio que o meu caso teve por iniciativa do corpo docente. A Professora Bia Abramides tb apoiou, mas foi numa ação conjunta com os alunos e funcionários.
A Faculdade de Direito está no caso e o professor Marcelo Sodré acaba de me ligar informando que o Malheiros presidirá a comissão de Sindicância.
Ontem recebi um telefone de uma aluna de nome Renata, do mov est. (UNE) informando e pedindo ajuda para a aluna da Faculdade de Jornalismo da PUC Campinas Tacia Thais que, há 15 dias atrás, apanhou em sala de aula de uma outra aluna, por que não tinha, até então, 17 reais para cobrir a sua parte nos custos do TCC do grupo. (Tácia é negra e bolsista pelo Prouni). No momento da agressão a jovem xingava: sua pobre, favelada, prostituta, biscate. E gritava que não ia sustentar a faculdade de ninguém.
Antes da agressão a aluna (que é filha de um desembargador) já havia mandado um e-mail (que ela vai me enviar) ofendendo a estudante e dizendo que não ia sustentar os estudos de ninguém, que era pra ela se virar com a parte dela.
A mãe de Tácia está desempregada há aprox. três meses e a filha está concluindo a graduação. No momento da agressão havia um professor em sala de aula que assistiu a tudo, não interveio e ainda tentou desestimular a jovem que saiu toda rasgada e machucada de fazer o BO alegando que ela havia revidado, então não cabia BO. O professor chegou ao cúmulo de dizer que ela poderia ter mto bem ter evitado aquela situação. Foi um aluno que retirou a agressora de cima da Tacia. Este aluno é testemunha do fato.
Ocorre que a PUC Campinas abafa o caso e ao ser procurado pela mãe de Thais, dona Teresinha, o diretor disse que ia ajudar a jovem deixando que ela apresentasse o TCC sozinha pra não ser prejudicada. E também tentou convencê-las de não fazer o BO. (Thais, fez o BO e exame de corpo delito).
A sensação de todos os envolvidos (pelo que entendí) e que o fato da moça ser filha de desembargador está pesando no caso.
Sei que esse quadro não é igual ao meu em SP. pois obtive apoio da direção da Faculdade mesmo sem ter chegado oficialmente no Marcelo Figueiredo, mas fiquei muito revoltada com o acontecido em Campinas.
Eu falei com ela e com a Mãe dela (a família está mto abalada, faz 15 dias que ela não vai pra faculdade). Devo salientar que assim como no meu caso o voto na Dilma também contribuiu para a irritação da jovem agressora.
Como na carta, tirada pela Faculdade de Jornalismo, a preocupação com o preconceito é abrangente e o caso de Campinas foi no Jornalismo, achei que pudesse ter o interesse em tomar ciência deste acontecido, pois acho que a batalha agora é construir uma proposta para inclusão e interação efetiva dos bolsistas do Prouni e chegar ao MEC.
Seria muito interessante se essa discussão fosse construída pelas instituições de ensino. A PUC poderia participar ou até liderar essa discussão.
Por essa razão estou escrevendo. Gostaria de saber se vc poderia agendar um horário para falar comigo e com Cleyton W Borges, (advogado que a pedido da UNeafro me apoia neste caso), pois também estamos preocupados com o todo.
Mais uma vez agradeço o apoio

Fico no aguardo de um retorno

Meire Rose de Morais
Flavio.
Serviço Social PUC-SP
Gestão CASS PUC-SP "A Retomada..."
Núcleo de Gênero Raça/Etnia da PUC-SP
Militante MESS/ENESSO
Núcleo de Opressão e Formação Profissional ENESSO Região VII
Cine Clube Itinerante Gianfrancesco Guarnieri


Ana Maria Dietrich, profa. dra. adjunta da UFABC, é coordenadora da Contemporartes - Revista de Difusão Cultural junto a Vinicius Rennó. Faz parte da comissão organizadora da I Jornada Cultura da UFABC. contemporartes@gmail.com
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Cineasta Sylvio Back nos trilhos dos contos

Hoje reproduzo a simpática correspondência recebida pela Contemporartes-Revista de Difusão Cultural sobre o lançamento do livro de Sylvio Back - Guerra do Brasil -Contos da Guerra do Paraguai. Sylvio, quero seu livro sim... e acredito que os leitores da Contemporartes também vão se interessar!
Querida Ana Dietrich, olhaí, tenho a imensa alegria de anunciar o lançamento do livro, "Guerra do Brasil", a minha estreia na seara do conto, e que traz a assinatura da prestigiosa editora Topbooks, aqui, do Rio de Janeiro (adiante, você encontra detalhes sobre a obra).
São curtas estórias escritas ao longo dos últimos anos, fruto dos meus estudos e vivência realizando em 1987 o polêmico documentário com mesmo título, que tematiza a Guerra do Paraguai. Espero que goste de saber.
Caso você sinta ganas de comprar exemplar do livro pela Internet, diretamente com a Topbooks, seu autógrafo, com maior carinho e dedicação, está desde já garantido. Ou, então, v. encontra "Guerra do Brasil" (só...) nas melhores livrarias do país!
Este pobre cineasta e poeta, agora dublê de contista (tremei, amanuenses...), penhoradamente agradece!
Feliz Ano Novo pra todos nós!
Beijos, Back
ps. Aguarde para março de 2011, o lançamento nacional em cinemas do novo filme, "O Contestado - Restos Mortais". Imperdível...

GUERRA DO BRASIL
 
A ESTREIA DE SYLVIO BACK NO CONTO
       Com o selo da Topbooks, Sylvio Back, um dos mais premiados cineastas brasileiros, faz sua estreia no conto com a coletânea Guerra do Brasil, título homônimo de seu polêmico filme sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), realizado em 1987, e base desse livro que reúne cinco estórias curtas, um “conto-poema” e um “conto-novela” – neologismo criado pelo autor para definir uma narrativa que rompe com a extensão clássica do gênero.
      
       De uma ousadia perdida no tempo, pois remonta a mais de 80 anos a última vez que o conflito gerou um livro de contos, Guerra do Brasil é, para a prestigiosa editora carioca, uma aposta muito pertinente, visto que a ficção de Back coincide com a atual febre de edições que elegem a História como personagem e cenário. Mas o diferencial que empresta originalidade a esses contos reside na corajosa imersão do autor no conturbado passado dos  países da então Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) e ao “inimigo comum” da época: o Paraguai.
        Com ilustrações do desenhista e caricaturista Cárcamo e apresentação do escritor Marcelino Freire, Guerra do Brasil é, “a exemplo do próprio filme, um memorial histórico, irônico e afetivo, frequentemente autobiográfico, sobre o amplo universo mítico da Guerra do Paraguai, talvez uma das últimas exorcizações da nacionalidade que ainda precisavam ser feitas para explicar os contornos anímicos do Brasil”, como destaca a Nota da Editora na abertura do livro. VEJA ABAIXO:
                                                                                            Nota da Editora

A Guerra do Paraguai (1864-1870) é um inestimável manancial anedótico da história do Brasil e do Cone Sul, rastreado por belos romances e contos. Porém,
a cobrança por uma devassa factual e imaginária, que atualize toda a sua extensão geopolítica, ideológica e moral, corresponde a um desafio permanente e incontornável.
Maior conflito bélico do século XIX na América do Sul, vitimando, entre civis e militares, mais de um milhão de brasileiros, paraguaios, argentinos e uruguaios, o resgate de seu imaginário só passou a freqüentar nossa ficção a partir dos anos 20 do século findo (conto) e modernamente nas últimas décadas (romance). O que é sintomático o quanto a tragédia da Guerra do Paraguai ainda pensa feridas e orgulhos nacionais como se o conflito tivesse terminado ontem, e não há cento e quarenta anos. 
Coube ao escritor Carlos de Oliveira Gomes, com A Solidão segundo Solano López (Civilização Brasileira, Rio de Janeiro), em 1980, reeditado dois anos depois pelo Círculo do Livro, a primazia de inaugurar a Guerra da Tríplice Aliança no espectro do romance brasileiro. No lançamento, ocorrido nos estertores do regime militar, o livro foi demonizado pela crítica e pela mídia por fazer uma defesa da atuação do Duque de Caxias, comandante das forças aliadas no Paraguai.
De lá para cá, autores dos mais variados recortes biográficos se detiveram no tema, esmiuçando-o sob os olhares e perspectivas morais muitas vezes díspares, seja confrontando a História oficial, seja assinando embaixo – mas todos, sem exceção, atormentados com a sua complexidade e contradições político-ideológicas escancaradas pelos acontecimentos e seus personagens, em que se confundem heróis e vilões e onde a verdade e a mentira se imbricam, dramática e alegremente.
Assim, de relatos hagiográficos, tiradas fantasmagóricas e surrealistas, romances-reportagem e memoriais oníricos, a verossimilhanças históricas, existenciais e poéticas, os textos são vazados de humor, ironia, paródia e crueldade. Alguns chegam mesmo a romper os limites da narrativa tradicional do gênero e aportam invenções de linguagem e consciência crítica, daí emergindo um soberbo repertório romanesco. 
Sem a pretensão de exaurir o que se publicou, eis os títulos dos livros que, cronologicamente, ora bordejaram, ora mergulharam na Guerra do Paraguai
dos anos 80 do século passado até este nosso primeiro decênio: Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro (Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1984);
Avante, Soldados: Para Trás, de Deonísio da Silva (Siciliano, São Paulo, 1992); Jovita, Missão Trágica no Paraguai, de Assis Brasil (Notrya, RJ, 1992);
Xadrez, Truco e Outras Guerras, de José Roberto Torero (Objetiva, RJ, 1998); A República dos Bugres, de Ruy Tapioca (Rocco, RJ, 1999); Questão de Honra,
de Domingos Pellegrini (Moderna, SP, 1999); Netto Perde sua Alma, de Tabajara Ruas (Record, RJ, 2001), que virou filme com título homônimo co-assinado
pelo autor e Beto Silva; Ana Néri, de José Louzeiro (Mondrian, RJ, 2002); Cunhataí, de Maria Filomena Lepecki (Talento, RJ, 2003); Santo Reis da Luz Divina,
de Marco Aurélio Cremasco (Record, RJ, 2004); e Fragmentos da Grande Guerra, de Leandro Fortes (Record, RJ, 2004).
Na área do conto, porém, e em se tratando de uma seleta exclusiva recorrendo ao mote da Guerra do Paraguai, há que remontar aos anos 20 e 30 do século XX, e a mira recai, sem coincidência alguma, sobre o Rio Grande do Sul, palco primevo do conflito. Inesperadamente, as décadas confluem para o mesmo livro, cujo título é Um Pobre Homem, obra de estreia do escritor gaúcho Dyonélio Machado. Publicada em 1927 pela Livraria Globo, de Porto Alegre (RS), dela constam, entre outros, os contos paraguaios “Execução” e “Noite no acampamento”; este, com o subtítulo “Narrativa de campanha”, se compõe de seis minicontos, que somam quase 20 páginas. Ali é narrada a tragédia dos últimos dias do ditador Solano López em Cerro Corá, morto pelas tropas do general Câmara, com os soldados protagonizando cenas de horror “(...) Bêbados, estão immolando as mulheres, depois de scenas revoltantes de deboche” [sic].
Difícil acreditar, mas, uma década depois, pelo fato de Dyonélio Machado ser comunista declarado (ficou dois anos preso), Getúlio Vargas, instigado pelo Exército golpista do Estado Novo, mandou apreender o livro. No entanto, pasmem: o interdito e a caça ao livro e ao autor não terminaram nem postumamente! Em 1995, quase 70 anos após sua publicação original, a editora paulista Ática, para comemorar o centenário de nascimento de Machado (1895-1995), reeditou Um Pobre Homem e, pura e simplesmente, censurou o conto-fleuve, “Noite no acampamento”, expurgando-o do livro, sem explicação alguma. Pobre homem,
o imortal Dyonélio!
Um segundo volume de contos, que também nos remete a 80 anos atrás e cuja primeira edição é de 1928 (Companhia Editora Nacional, São Paulo), chama-se
A Guerra de Lopez, do cearense Gustavo Barroso (que assinava também com o pseudônimo, João do Norte, logo abaixo de seu nome). Barroso, membro da Academia Brasileira de Letras, foi um dos líderes mais insignes do nascente Integralismo nos anos trinta. Com o subtítulo, “Contos e Episódios da Campanha do Paraguay”, a obra contém 17 contos atravessados por saborosos poemas, quadrinhas, modinhas, cantigas e letras de sambas rememorados dos tempos do conflito. Ambos, Machado e Barroso, fabulam ao seu jeito e vezo ideológicos o mesmo episódio da morte de López em Cerro Corá (1870).
Só recentemente, em dois contos – um de Eric Nepomuceno, em O livro da Guerra Grande, de Augusto Roa Bastos, Alejandro Maciel e Omar Prego Gadea (Record, RJ, 2002) e outro, de Miguel Sanches Neto em Todas as Guerras, antologia organizada por Nelson de Oliveira  (Bertrand Brasil, RJ, 2009) – a Guerra
do Paraguai voltou a frequentar a seara das estórias curtas.
Redemocratizado o Paraguai – fascinante país, cujas relações historicamente tensas com o Brasil remontam à chamada Guerra Grande (para os paraguaios)
–, surge agora a oportunidade de um approach ficcional totalmente equidistante das paixões nacionais, tanto as da época, quanto as de hoje. Trata-se desta coletânea de contos do cineasta, poeta e roteirista, Sylvio Back, estreando no gênero em obra exclusiva, fruto de quatro anos de pesquisas e acidentadas filmagens no Paraguai durante a ditadura Stroessner, e que desembocaram no documentário de longa-metragem sob o mesmo título, lançado em 1987. 
Os contos de Guerra do Brasil, a exemplo do próprio filme, é um memorial histórico, irônico e afetivo, frequentemente autobiográfico, sobre o amplo universo mítico da Guerra do Paraguai, talvez uma das últimas exorcizações da nacionalidade que ainda precisavam ser feitas para explicar os contornos anímicos do Brasil. –

Texto de apresentação
                                                    UM BACK

      Não é de hoje que Sylvio Back apronta. Luta, trincheira. Um guerreiro. Desses grandes brasileiros. Dos raros que admiro. No cinema, nem basta que eu diga. Clássicos, uns tantos, a perder de vista.
         Na poesia, enfrentou batalhas carnais. Explico: são dele alguns dos melhores poemas eróticos de nossa literatura. Língua solta a do cabra! Uma metralhadora erótica, digamos, e bora embora.
         Agora, eis que o incansável artista resolve enfrentar outro campo, um novo gênero. Faz a sua estreia, no conto, com este corajoso Guerra do Brasil (título, inclusive, de filme feito por ele em 1987). Volume – vale destacar – fortemente ilustrado pelo grande Cárcamo.
         Li essas narrativas faz tempo. Tomamos, lembro, um café no centro de São Paulo. Os olhos de Sylvio faiscavam, empolgados, me contando de seus contos, ora reunidos. Gosto disso. Desse entusiasmo. De quem tem sangue, assim, para derramar. Sem meios termos, sem delongas. O autor vem para tocar em assunto fronteiriço: a Guerra do Paraguai.
         Eta danado! Ai, ai... Que feridas extrair deste livro? Qual visão? Qual recordação? Quais imagens virão, dessa vez na ficção escrita, do cineasta que já falou de Yndio do Brasil e de A Guerra dos Pelados e de conflitos outros, enfim, assado?
         Sylvio traz as mesmas armas para essa Guerra do Brasil. Em se tratando dele, não podia ser diferente. Ataca, sem piedade, a nossa hipocrisia. Cutuca o nosso jeitinho retardado, displicente. Não usa de diplomacia, usa de poesia. É, sobretudo, um livro de linguagem (febril e bela) e maravilha! Uma vingança a cada parágrafo.
         Cuidado, caro leitor. O autor não poupa ninguém.
         Sylvio é um Back. Dos bons.
         Vida longa para ele, aleluia, salve, salve, saravá, amém!
Marcelino Freire

Quarta capa:
       Bate o bumbo(...........................)
“Caxias paga soldados após
 as batalhas para economizar soldo”
“Paraguaios degolados divertem
Estado-Maior uru­guaio”
 “Oficiais brasileiros fazem fila
 para violar túmulos em Assun­ção”
“Por­tenhos chegam agrilhoados
ao teatro de operações”
  “Reti­rada da Laguna deixa imenso
rastro de fezes patrióticas”
 “Conde D’Eu ordena incêndio
 do hos­pital de Piribebuy”
“ ‘Voluntá­rios da Pátria’ engajados a laço”
 “Madame Lynch de meia rendada
 interroga torturados de San Fer­nando”
“Im­perador faz pose ao lado
 de pa­raguaio vendido como escravo”
“Guaranis atacam imperiais aos gritos
 de ‘muerte a los macacos!’ ”
“General David Canabarro é sub­metido
 à corte marcial em Uruguai­ana”
“Aliados jogam cadáveres coléricos no
 rio Paraná para envenenar civis paraguaios”
“Sodomia no exército brasileiro
 vira moeda de troca-troca”
(...........................)

INFORMAÇÕES TÉCNICAS SOBRE O LIVRO
Título: Guerra do Brasil – Contos da Guerra do Paraguai
Autor: Sylvio Back
Ilustrações: Cárcamo
Formato: 16,0 x 23,0 cm
Número de páginas: 155 / Preço: R$34,90
ISBN: 978-85-7475-182-5
Topbooks Editora e Distribuidora de Livros Ltda.
Rua Visconde de Inhaúma, 58 / sala 203 – Rio de Janeiro
CEP: 20091-000 – Tels.: 2233.8718 / 2283.1039
Sylvio Back
Biobliofilmografia
Sylvio Back é cineasta, poeta, roteirista e escritor. Filho de imigrantes hún­garo e alemã, é natural de Blumenau (SC). Ex-jornalista e crí­tico de cinema,
au­todidata, inicia-se na direção cinematográfica em 1962, tendo escrito, realizado e produzido até hoje trinta e sete filmes – entre curtas, médias e onze
longas-metragens: "Lance Maior" (1968), "A Guerra dos Pe­lados" (1971), "Ale­luia, Gretchen" (1976), "Revo­lução de 30" (1980), "Repú­blica Gua­rani" (1982),
"Guerra do Bra­sil" (1987), "Rádio Auriverde" (1991), "Yndio do Brasil" (1995), "Cruz e Sousa - O Poeta do Des­terro" (1999); "Lost Zweig" (2003)
e "O Contestado – Restos Mortais" (2010).
Tem editados vinte e um livros – entre poesia, ensaios e os argu­men­tos/roteiros dos filmes, "Lance Maior", "Aleluia, Gret­chen", "Re­pública Guarani",
"Sete Quedas", "Vida e Sangue de Po­laco", "O Auto-Retrato de Bakun", "Guerra do Brasil", "Rá­dio Auriverde", "Yndio do Brasil", "Zweig: A Morte em Cena",
"Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro" (tetralíngüe), "Lost Zweig" (bilíngüe) e "A Guerra dos Pelados".
Obra poética: "O Ca­derno Eró­tico de Sylvio Back" (Tipografia do Fundo de Ouro Preto, MG, 1986); "Moedas de Luz" (Max Limo­nad, SP, 1988);
"A Vinha do De­sejo" (Geração Editorial, SP, 1994); "Yndio do Brasil" (Poemas de Filme) (No­nada, MG, 1995), "bou­doir" (7Le­tras, RJ, 1999),
"Eurus" (7Letras, RJ, 2004), "Traduzir é poetar às avessas" (Langston Hughes traduzido) (Memorial da América Latina, SP, 2005), "Eurus" bilíngue
(português-inglês) (Ibis Libris, RJ, 2006); "kinopoems" (@-book) (Cronópios Pocket Books, SP, 2006) e "As mulheres gozam pelo ouvido"
(Demônio Negro, SP, 2007).  -
Com 72 láureas nacionais e internacionais, Sylvio Back é um dos mais premiados cineastas do Brasil. ---
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Metalinguagem: Poesia sobre Poesia.

METALINGUAGEM POÉTICA,
A FALSA MUSA.

por Altair de Oliveira


Contrariando o nosso preceito costumeiro de "poesia como a vida", a nossa coluna de hoje faz referência à metalinguagem poética que, numa tradução simplista, é a "poesia sobre poesia" ou a é a poesia feita sobre o fazer poético, uma mania de escrever que já podia ser notada nos mais remotos textos de poesia, mas que a partir do século XX tem se tornado uma prática bastante comum entre nossos poetas, talvez devido à diversidade dos cursos que estudam este assunto nos dias de hoje.

Para se ter uma idéia da quantidade de poesia escrita que utiliza-se da metalinguagem como tema, numa rápida pesquisa pela internet eu consegui reunir mais de 10 poemas que tinha como título justamente "Metalinguagem Poética". Imaginem a quantidade de textos metalinguísticos que não encontraríamos! Dizem que certa vez o grande poeta americano Lawrence Ferliguethi teria dito que "poesia sobre poesia é algo muito chato...". Nem sempre, diria eu. Prova disso é que um dos poemas mais conhecidos e apreciados do, também grande, poeta Fernando Pessoa, "Autopiscografia", é um poema com metalinguagem.

Outros poemas metalinguísticos também foram bastante polêmicos na época de sua publicação e alguns continuam polemizando até hoje. Destes, eu citaria aqui "Profissão de Fé", de Olavo Bilac, e também "Os Sapos", de Manuel Bandeira, ambos tratavam dos espíritos das escolas literárias de sua época (Parnasianismo e Modernismo) e o poema de Bandeira parecia querer combater o formalismo parnasiano de Bilac. O engraçado disto é que Manuel Bandeira nem foi um poeta fechado na escola modernista, ele atravessou vários movimentos literários, inclusive chegou a escrever poemas concretos. E um dos traços marcantes do movimento concretista foi a de discutir a poesia e de fazer uma poesia crítica e de valores formais, norteada por grandes autores do passado que também foram considerados críticos. Um destes grandes poetas cultuados pelos poetas concretos foi o francês Stéphane Mallarmé, que também foi um poeta parnasiano.

O certo é que parece que os poetas sempre tiveram uma certa necessidade de explicar o que é poesia, talvez até para justificar suas estupefação diante dela. E a poesia que, como os senhores já sabem, é um espanto! Ela sempre esquivou-se à qualquer medida, normatização ou codificação. Sorte nossa, eu quero lembrar aqui, porque com os avanços tecnológicos atuais seria bem possível um gaiato qualquer inventar um chip para um "poemapod" da vida e, com isto, desempregar toda esta poetada que arrisca escrever um poema metalinguístico, sempre que a musa verdadeira fica de TPM.




Cinco Poemas Metalinguísticos



Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.



Poema do português Fernando Pessoa.


***

POÉTICA


Sem autoria e sem versos a poesia será encontrada
na pedra
no rosto e na copa das árvores ensimesmada

sinal
da sina
cor nos azulejos

o abraço das palavras
renova a presença das portas
e janelas de uma casa.

A poesia sim
se presta à prosa
da vida

invisível porcelana.




Poema do português Fernando Paixão.


***


ANTEPASTO


Tudo o que o Poeta escreve

está resumido

numa única palavra: Solidão.


Escrever é distanciar-se do mundo

para poder entendê-lo

é uma forma de morrer.


Viver é outra coisa

ainda que alienada.



Eu trocaria mil rimas


por uma noite de amor.


E trocaria um belo poema

sobre a fome

por um singelo prato de comida.




Poma do maranhense Antônio Miranda.


***

ARS POETICA



A poem should be palpable and mute
As a globed fruit,


Dumb
As old medallions to the thumb,


Silent as the sleeve-worn stone
Of casement ledges where the moss has grown —


A poem should be wordless
As the flight of birds.



*

A poem should be motionless in time
As the moon climbs,

Leaving, as the moon releases
Twig by twig the night-entangled trees,

Leaving, as the moon behind the winter leaves,
Memory by memory the mind —

A poem should be motionless in time
As the moon climbs.


*
A poem should be equal to:
Not true.

For all the history of grief
An empty doorway and a maple leaf.

For love
The leaning grasses and two lights above the sea —

A poem should not mean
But be.



Poema do americano Archibald MacLeish (1892 – 1982).


***


PROFISSÃO DE FÉ


Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor.


Imito-o. E, pois, nem de Carrara
A pedra firo:
O alvo cristal, a pedra rara,
O ônix prefiro.


Por isso, corre, por servir-me,
Sobre o papel
A pena, como em prata firme
Corre o cinzel.


Corre; desenha, enfeita a imagem,
A idéia veste:
Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem
Azul-celeste.


Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.


Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
De ourives, saia da oficina
Sem um defeito:



[...]
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!



Poema do carioca Olavo Bilac (1865-1918).


***


Para ler mais sobre o poeta "Archibald MacLeish":
http://www.poets.org/poet.php/prmPID/47

Para ler mais sobre o poeta "Olavo Bilac":
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u166.jhtm


***


Ilustrações: 1- foto de trabalho do pintor cearence Aldemir Martins; 2- foto do poeta francês Stéphane Mallarmé; 3- outro trabalho de Aldemir Martins; 4- foto do poeta americano Archibald MacLeish .



Altair de Oliveira (poesia.comentada@gmail.com), poeta, escreve quinzenalmente às segundas-feiras no ContemporARTES a coluna "Poesia Comovida" e conta com participação eventual de colaboradores especiais.
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Indícios de um fim de ano



É aquela época do ano de novo. Enfeites brilhantes espalhados pelas ruas, neve falsa que em nada lembra o sol de rachar sobre nossas cabeças, Jingle Bells em versões variadas tocando nas lojas e o comercial do especial do Roberto Carlos na TV não deixam dúvidas: o Natal chegou e, para todos os efeitos, o ano acabou.
O que isso indica? Além do fato de que o tempo vai ficar ainda mais quente e de que você provavelmente vai ganhar uns quilinhos depois das ceias, é tempo de trocar presentes. É o período de amigo-oculto (ou amigo-secreto, dependendo de onde você mora) entre pessoas que, muitas vezes, nem são tão amigas assim. Deixando de lado o sentido original e religioso da festa, é época de gastar dinheiro e dar/ganhar presentes.
Se você assina a newsletter de alguma loja online, se tem conta ativa no twitter ou lê o caderno de informática der algum jornal, já sabe: o iPad chegou ao Brasil. Como todo produto da Apple, causou muito frisson e, de ouvir dizer, parece que vai ser um sucesso de vendas. Mas, sinceramente, um aparelho que varia entre pouco mais de R$1600 a R$2599 não me parece uma opção viável de presente de Natal. Acredito no consumo consciente e sei que não preciso de um iPad, mas, me rendendo ao poder da publicidade, admito que adoraria ganhar um (mas tenho a impressão de que isso não vai acontecer)...

                      Steve Jobs, ano após ano pensando em um jeito de ganhar seu dinheiro
A graça de ganhar presentes não é, necessariamente, ganhar o que se precisa. O sentido do Natal não está nas compras, então você pode não querer ganhar nada também. Não tem nada de errado nisso, mas não quer dizer que seus parentes ou amigos também não queiram... Se você quer presentear, mas não está nadando em dinheiro (e acredito que a maioria de nós não está), sempre existem presentes simples e baratos, mas capazes de expressar muito sentimento.
Sou suspeita pra falar, mas acho que livros são sempre uma boa opção. Lojas virtuais vivem com promoções e o site Estante Virtual (que junta os acervos de sebos reais e virtuais) acumula uma quantidade enorme de livros novos e usados por preços bem amigos. Mas na hora de escolher o que vai dar preste atenção no futuro leitor, porque dar um determinado livro para alguém que você sabe que não gosta do gênero vai ser uma perda de dinheiro e de presente.
Para não errar nos presentes: livros!
Outra opção legal é dar “experiências”. Levar os pais para jantar fora (se for uma coisa que vocês nunca fazem), sair com o namorado(a) para um lugar onde ele sempre quis ir, mas você “puxava para trás”, juntar os amigos para ir naquele lugar que todo mundo tinha curiosidade de ir, mas faltava ocasião. 
É clichê, mas desses que se baseiam na realidade: muito mais do que dar/ganhar presentes, Natal é época de estar com quem se gosta. Se você não gosta do Natal (e isso é mais comum do que eu poderia imaginar), tudo bem também. Pense que o tempo passa rápido, os parentes não se demoram e logo janeiro chega. Aí, sua próxima preocupação vai ser o carnaval... 


 
Mônica Bento é jornalista, formada pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Em seu trabalho de conclusão de curso estudou a função social das salas de cinema e desenvolveu a reportagem multimídia CineMemória.
É editora-assistente da Contemporâneos - Revista de Artes e  Humanidades.

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