terça-feira, 5 de outubro de 2010

Expresso Turístico Paranapiacaba







O Expresso Turístico da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) no dia 19/09/2010 iniciou um novo destino: da Estação da Luz, no Centro da capital paulista, até o distrito de Paranapiacaba, em Santo André, no ABC. Após dez anos de extinção da Linha Luz-Paranapiacaba, o trajeto volta a ser realizado periodicamente a cada quinze dias, sempre aos domingos, numa locomotiva que apesar de ter sido fabricada na década de 1960, foi reformada e conta com vagões, banheiros e bancos mais confortáveis do que os trens comuns. Ela é operada a diesel e puxa os dois carros que transportam os passageiros.

Desde o início da idealização das operações dos Expressos Turísticos, em meados de 2008, este projeto já estava aprovado pela prefeitura municipal de Sto. André, pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) (mais informações), no entanto, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) concedeu a autorização para a CPTM consolidar o projeto somente no inicio do mês de setembro.

Na viagem inaugural a locomotiva estava lotada de pessoas, o percurso é de 48 quilômetros, realizado ao longo da antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ), para ser mais precisos são 37,2 quilômetros trafegados na atual Linha 10-Turquesa e mais 11 quilômetros até a Vila de Paranapiacaba, a duração média da viagem é de uma hora e meia. Um locutor informa aos passageiros os pontos turísticos que em grande parte não podem ser visualizados, mas o interessante que explica um breve contexto histórico do desenvolvimento dos municípios e das estações atravessadas no trajeto. O que pode ser facilmente constatado nas viagens é o abandono das fábricas e galpões no em torno da ferrovia, a paisagem verde da Mata Atlântica é observada apenas no trecho da Serra do Mar.

São duas opções para o embarque: Estação da Luz, às 8h30 e Estação Prefeito Celso Daniel, em Santo André, às 9h. A previsão do retorno de Paranapiacaba é às 16h30. Os preços varia de acordo com o local de embarque. Na Estação da Luz o custo da viagem é de R$ 28 e em Santo André R$ 25, existe a viabilização de descontos no caso da compra de mais de uma passagem.

Além de Paranapiacaba, também são realizadas viagens para Jundiaí e Mogi das Cruzes,
mais informações no sítio da CPTM.



Foto: Guilherme C.S.


O mais interessante foi a reforma realizada no viradouro, este que anteriormente era utilizado para virar os trens quebrados e assim seguirem o caminho ao Porto de Santos.


Viradouro. Foto: Soraia O. Costa

Apesar de ser interessante facilitar o acesso a Vila ferroviária, as ruínas ainda existem, percebam o teto da "nova Estação" como estão conservados.


"Nova Estação Turística" Foto: Soraia O. Costa


Ao entrar os passageiros não percebem, pois tem uma faixa na entrada que cobre a degradação ainda presente no cenário.

Foto: Guilherme C. S.




Soraia O. Costa é graduada em Ciênciais Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (2009). Pesquisadora e documentarista do projeto Neblina sobre Trilhos sobre a memória ferroviária de Paranapiacaba - apoio institucional Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), Universidade Federal do ABC (UFABC) e Ministério de Cultura e Educação MEC/SEsu. Funcionária superintendente de operações e pesquisas econômicas do Intituto Brasileiro da Economia, Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (IBRE/FGV-SP).

5 comentários:

movimentoculturalgaia disse...

Há algum tempo, pessoas ligadas a cultura da região começaram a olhar para si mesmos e assim descobriram um GRANDE ABC rico em história e cultura. Outro dia, deparei-me com um livro sobre a poesia da região escrito pelo poeta Tarso de Melo, também muito interessante.Talvez isso de deva ao fato de que muito desta história está sendo derrubada para construção de shopping centers e condomínios de alto padrão, e nós, do GRANDE ABC, temos ao menos o desejo de manter no papel, vídeo -ou qualquer outro meio que possa ser armazenado, a história, ainda que em sua fase decadente

Soraia parabéns pelo post


Denis J Xaxier

6 de outubro de 2010 09:24
Diogo C. Scooby disse...

É realmente bom saber que temos mais essa alternativa cultural em esse belo local. Sei que o enfoque da matéria foi a viagem em si, mas fiquei curioso sobre o passeio por lá...Tem caminhada? E as opções gastronômicas?

é isso. Abraço!

6 de outubro de 2010 12:26
Soraia O. Costa disse...

Obrigada pelo apoio e pelos comentários!!!

Caro Denis, realmente, não podemos deixar a história ser apagada da memória, nossa missão é: registrar, pesquisar, investigar, analisar, criticar, comparar, divulgar, propagar...! Grata tbm pela referência bibliográfica!

Diogo, dicas do que poderá aproveitar na Vila no sítio descrito abaixo:

http://www2.santoandre.sp.gov.br/page/2313/49

6 de outubro de 2010 13:37
RADIOMOVEL disse...

Fico feliz em saber que essa aventura desenfreada,faminta de informações fara reviver a historia verdadeira de PARANAPIACABA.Não haverão fantasmas inventados por parasitas comerciais que sugam o potencial do lugar e nada dão em troca.Veremos imagens reais do atual abandono,mesclada com as que outrora alegraram os que nasceram,cresceram e ainda tem ligação com a vila.
Esses jovens que encararam essa empreitada ""cinematografica"" com apenas alguns equipamentos de filmar aniversario,mas com a competencia e a determinação hollywodiana estão de PARABENS.

MENINOS EU VI O PROLOGO DESTE FILME E RECOMENDO!!!

ALDO MOURA

6 de outubro de 2010 15:49
Manaca disse...

Boas Novas!
O passeio para Paranapiacaba é imperdível! Estive lá há décadas e décadas atrás. O cenário era de abandono e tristeza, tenho esperanças que agora, com a volta do trem, todo aquele "areal" seja revitalizado.
Ouvi dizer que, com bom tempo, pode-se se ver o mar!

Vou gostar de sempre ter notícias do projeto!
Abraços
Valéria

19 de outubro de 2010 09:05

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