O ANJO SEM NOME - NICHOLAS WINTON




Houve um tempo, antes da segunda guerra, que o mundo já transpirava medo. Enquanto muitos pressentiam o pior, alguns conseguiram combater a paralisia causada por um abstrato futuro que se desenhava com manchas vermelhas. Os horrores que se erguiam como soldados famintos de dor eram por demais monstruosos para serem cogitados pelas pessoas de bem.
Nessa época, o mundo não dispunha de meios de comunicação de massa e as notícias eram poucas e esparsas. Mesmo assim, um homem teve a premonição do que viria a ser o domínio em massa de uma mente maléfica e heroicamente traçou um plano para salvar crianças da rainha da morte. Nicholas Winton, anjo que poucos conhecem, um britânico que organizou o resgate de cerca de 669 crianças judias na antiga Tchecoslováquia, salvando-as da morte certa nos campos de concentração nazistas. As crianças nunca mais viram seus pais. Mas sobreviveram, formaram famílias, adotaram órfãos, realizaram pesquisas, semearam amor e gratidão por onde passaram.
Nicholas não comentou o que fez durante cinquenta anos. Os anjos não buscam reconhecimento. Alimentam-se do próprio bem que ofertam. Segundo ele, os nazistas sabiam que ele mandava  crianças para a Inglaterra e Suécia, dois únicos países que as aceitaram, e não colocaram nenhum empecilho, já que o objetivo era realmente se livrar de todas com o menor custo possível. Ele, humildemente, disse que não foi difícil, apenas foi muito trabalhoso organizar o resgate e encontrar famílias para tantas crianças. O último trem, com 250 crianças, foi impedido por tanques  quando a guerra já feria aquelas terras que choravam sangue.
Todos conhecemos a luta do Sr. Oskar Schindler, que salvou mais de 1200 judeus em 1944. Além dele, inúmeras pessoas foram estrelas e guiaram vítimas durante a noite em que a humanidade viveu seu maior pesadelo. Eva Schloss, sobrevivente de um campo de extermínio explica o silêncio por vinte anos como necessário: o sofrimento a emudecia.Desde então, ela viaja o mundo e solta a voz contra o preconceito. Hoje, vivenciamos ataques a  minorias, sejam nordestinos, homossexuais ou religiosos desta ou daquela crença. Esquecemos que os rótulos vestem o exterior e não alteram a essência da alma humana. Sejamos também anônimas estrelas, levando luz onde há trevas de intolerância. A exemplo de Cristo, Buda, Gandhi, Madre Thereza, entre outros que nunca buscaram agradecimento ou elogio pelo que faziam. Estavam ocupados demais pensando no bem do mundo para analisarem sua performance.




Fizeram uma homenagem a esse homem em um programa de televisão na Inglaterra. Ele estava sentadinho quando disseram:
“A mulher ao seu lado foi uma das crianças que o senhor salvou.”
Ele, em silêncio, cumprimentou-a e secou uma lágrima.
A entrevistadora continuou:
“Quem mais aqui foi uma das crianças salvas por Sr. Nicholas?”
E a plateia inteirinha levantou....
Nossa, é de arrepiar! Quem quiser assistir, está no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=6_nFuJAF5F0  (1´39´´)


Frases:
“Não me vejo como um herói. Para ser herói, alguém precisa fazer algo de perigoso. Não fiz. O que fiz foi algo que os outros achavam impossível. Mas eu tinha de tentar, para ver se era possível ou não.
“Não é um ato heróico. Meu lema é: se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma maneira de fazer.”


Simone Pedersen, formada em direito, escritora,  morou onze anos no exterior onde teve vivência multicultural e conheceu diferentes estilos linguísticos. Atualmente reside no interior de São Paulo  e, há dois anos,  participa ativamente de concursos literários,  tendo conquistado inúmeros prêmios  no Brasil e no exterior.Tem textos publicados em dezenas de antologias de contos, crônicas e poesias. É colunista do Folha de Vinhedo. Seus livros  Infantis “Vila Felina”, “Sara e os óculos mágicos”, “Conde Van Pirado” e “Vila Encantada”, "Coleção Pá-pum" e Coleção Fuá" foram lançados na Bienal de SP 2010. Além de  “Fragmentos e Estilhaços” com contos, crônicas e poemas selecionados em concursos, lançou umo livro de poesias, recentemente, em Portugal: "Colcha de retalhos".


Entrevista sobre literatura infantil:



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ANTOLOGIA DE MIM MESMO – LANÇAMENTO HOJE




Hoje vou aproveitar a importante conquista desse espaço no uni.verso da ContemporArtes para vender o meu peixe. E também o meu novo livro.

Caminho de mãos dadas com a escrita literária desde os 15 anos, quando iniciei meus registros inspirado nos encantos do primeiro amor e também nos sonhos da adolescência.

Toda essa iniciação perdeu-se no tempo depois de ter encaminhado minha pasta de “escritos” para avaliação do professor de literatura do colegial e também do cursinho – o saudoso Mestre Wilson Camargo – um dos meus grandes incentivadores.

O primeiro rebento, a publicidade e os concursos literários

Formado em Publicidade e Propaganda, em 1981, aos 22 anos, lancei o meu primeiro livro “Transparecer a Escuridão”, produção independente de poesias e crônicas que retratavam as paixões e vivências do cotidiano.

Depois de um extenso período dedicado única e exclusivamente à criação e redação publicitárias, retomo o processo criativo literário e, a partir de 2004, intensifico a minha participação em concursos.

Realmente, não me recordo como entrei nesse mundo lá nos tempos idos, só sei que a sensação de ter o primeiro texto selecionado para publicação em uma antologia foi muito gratificante e inesquecível.

Daí, certo dia, descobri a comunidade que participo no Orkut - a Concursos Literários - e o estímulo foi aumentando cada vez mais, graças à convivência com conceituados autores contemporâneos – todos premiadíssimos – como Heloisa Galves (in memorian), Tatiana Alves, André Caldas, André Kondo, Simone Pedersen, Rosana Banharoli, Nathalia Wigg, Cris Dakinis, Sérgio Bernardo, Paulo Franco, Edweine Loureiro, Zulmar Lopes, Henriette Effenberger, Thiago de Paula, Rômulo César, Zé Ronaldo, Walther Moreira Santos e tantas outras feras que estimo muito e há alguns anos fazem parte do meu dia a dia e aprendizado.

Minha dedicação extrema e o processo contínuo de aperfeiçoamento trouxeram grandes resultados: hoje tenho textos editados em mais de 60 publicações, contando ainda com mais de 170 classificações conquistadas em inúmeros certames realizados em várias partes do país, das quais, 45 somente entre janeiro e novembro de 2010.

Só Concursados - diVersos poemas, crônicas e contos premiados


O novo livro que estou lançando hoje à noite na minha cidade natal – Americana, interior de São Paulo, teve como principal objetivo reunir em uma única obra poemas, crônicas e contos premiados entre os meses de outubro de 1982 a abril de 2010, colocando-os propositadamente lado a lado numa mesma publicação.

Como costumo dizer, é uma antologia de mim mesmo, que marca historicamente cada fase da minha vida, demonstrando em sua leitura a evolução, o amadurecimento do meu trabalho ao longo dos anos. Isso é claramente percebido página por página, quase que programada cronologicamente, uma vez que cada texto publicado vem acompanhado da sua data de criação.

Como vejo essa evolução? De crescimento contínuo. Algo que não termina, pois sempre estou buscando novas formas de aprimoramento, de vencer os novos desafios que aparecem: uma hora, estou escrevendo poemas, na maioria das vezes, concisos, com ou sem rima, derivados da minha experiência profissional com o texto publicitário, que tem que ser sempre enxuto, objetivo e com alto poder de persuasão. Outra, estou enveredando por textos mais longos, como, por exemplo, contos e crônicas. De repente, estou aprendendo a fazer trovas, sonetos... Por que não? São inúmeros os caminhos da escrita. Sou diverso. Quero continuar caminhando, aprendendo!

“Só Concursados” conta com importantes e inquestionáveis parcerias. Desde o início, foi abraçado forte e carinhosamente pelo COMCULT – Conselho Municipal de Cultura da Prefeitura de Americana, que subsidiou a edição do projeto. Além disso, foi ilustrado pelo Diretor de Arte e Designer Gráfico Fábio Benencase - meu parceiro de trabalho na área de publicidade. As fotos de capa, contracapa e campanha de divulgação foram clicadas pelo amigo e renomado fotógrafo americanense Juarez Godoy. O evento contará com intervenções poéticas feitas por duas novas amigas minhas: as atrizes Gláucia Neves e Fabiana Pantarotto.

O lançamento acontecerá hoje, 29.11, a partir das 19h. Maiores informações: gtrombin@terra.com.br
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Cícero Dias: um artista de alma infantil


Por Raquel Czarneski Borges.

“Cícero Dias nasceu no bar do Palace Hotel, na terça-feira de carnaval...” [1]

“Na zona da mata, o canavial novo
É um descanso verde que faz bem;
é uma suavidade poisar a vista na manteiga e no pêlo dos ratos.
No mais matinal perfume francês.
A gente domina uma dedicação apertando os dedos no barro mole. Ele escorre e foge.
E o corpo estremece que é um prazer.” [2]

Esta primeira frase, de Murilo Mendes, sintetiza bem o que parece ser a origem de Cícero Dias e sua pintura: uma grande festa. Suas formas, cores e traços são alegorias do Carnaval que se dava em sua alma, em seu coração. Cícero Dias dedicou sua vida inteira para a pintura. Brincou com as cores e formas. Dedicou sua vida inteira para expressar seus sonhos. Foi considerado louco, esquizofrênico, de “psiquê infantil”. Pois bem, pergunto-me hoje, que mal há nisso? Que mal há em acreditar nos sonhos e fazer de tudo para mantê-los vivos e torná-los realidade? Seus traços mudaram muito ao longo do tempo, assim como mudou sua vida. No início eram aquarelas, livres, soltas, de um menino que nasceu e cresceu em engenho. Depois, as Belas Artes, o ensino tradicional e sempre a tentativa da ousadia, da marca pessoal, das cores ou dos desenhos simples (ou complexos, tudo depende do observador). Também a arte figurativa. Foi chamado de “Chagall dos Trópicos”, celebrado pelos modernistas. Muda-se para Paris e vem a arte abstrata (seria um traidor da “pernambucanidade”?). Como achar agora neste Cícero cosmopolita, aquele Cícero que pintava canaviais e mulatas? Buscando sua inspiração no centro dos sonhos...

Eu vi o mundo, ele começava no Recife (fragmento).
Reprodução de http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3254
&bd=1&pg=1&lg=
Cícero Dias pintava de acordo com sua inspiração “infantil”. Seus críticos, para exaltá-lo ou para denegri-lo, designavam-no incompreensível, sonhador, ousado...um herege. Para os modernistas, vindos do impacto da semana de 22, a exposição do painel de Cícero “Eu vi o mundo, ele começava no Recife” representava transgressão demais. O painel gigante, de 15 metros, mostrava o que Cícero via em seu mundo de sonhos, qual a cidade do Recife que existia na sua memória e nos seus delírios de poeta das cores. O painel foi um escândalo para a época, mostrando um Recife quente, envolto em uma luz amarelada dos nordeste, com sua figuras dançantes, carros-de-boi, engenhos, casas-grandes e senzalas, prédios, plantas , bichos e gente, todos ordenados no espaço de forma a parecer que a tela era um grande tabuleiro, uma brincadeira, um sonho infantil. Se Recife possuía esse caráter lúdico e mágico para Cícero Dias, seria por que era daqui que todas as coisas do mundo se originavam?


A temática do sonho e do lúdico não aparecem, no entanto, apenas no famoso painel. Ela esta presente em quase todas as obras do pintor. Mesmo em sua fase abstrata, podemos perceber que ele brinca com as formas e cores. Sua arte transmite alegria de viver. O mundo é uma grande festa sonhada por Cícero. Em seu quadro “Bagunça”, de 1928, vemos novamente este pintor de alma alegre e desinibida. Figuras coloridas povoam a tela, brincam, se divertem em seus jogos, desfrutam o prazer do tempo, da liberdade. Para além de uma cidade, pequenina e esmagada no canto da tela, abre-se um universo de jogos e “trelas” próprio de pequenas comunidades, onde todos partilham os espaços públicos,onde os habitantes se conhecem. Meninos jogando bola, tocando música, mães passeando com suas filhas...é este o outro mundo que se descortina longe da cidade grande, talvez em algum bairro, na zona rural...em Pernambuco, no Rio de Janeiro. Este mundo representado por Cícero Dias nos parece um mundo aconchegante e íntimo, onde as atividades cotidianas desenvolvem-se voltadas para o prazer. A mulher nua que desce uma escada no canto esquerdo da tela nos confirma esta vocação para o deleite que a cena pintada dos demonstra. Além do colorido, a movimentação das figuras nos passa o ar de leveza de um grande divertimento, de uma bagunça de criança mesmo.

Bagunça, 1928.
Reprodução de http://vejabrasil.abril.com.br/galeria/rio-de-janeiro/
caminhos-arte-franca-brasil/index.php#img/CicDias.jpg

Segundo Gilberto Freyre, essa leveza das obras de Cícero Dias se dava justamente por suas origens, sua infância de menino de engenho. Segundo ele, “O menino de engenho era decerto criatura menos sacrificada à gravidade de trajo e vida que o nascido nas cidades”, nas suas trelas de menino, “(...) montava a cavalo, saía pelo mato com o moleque a pegar curiós (...). No tempo de cana madura chupava com delícia os roletes que lhe torneavam a faca os negros do engenho” . Nessa sua liberdade, Cícero, como menino de engenho que era, conhece o mundo, saboreia-o. Quando cresce, permanece com o gosto da cana nos lábios.

Cícero Dias gostava de se referir a um lugar no centro do ser, que conservava uma pré-história da arte...uma matriz criativa acessível a todos, onde estavam guardadas todas as imagens oníricas, todos os delírios humanos. Segundo Philippe Dagen, um “(...) viveiro oculto de mitos, obsessões, fantasmas e visões” . Parece que Cícero tinha trânsito livre neste viveiro dos sonhos e tinha em sua tarefa de pintor, o modo de expressar, de dar vida a todas as figuras que habitavam não só sua imaginação, mas que povoavam e povoam as profundezas das almas de todos os seres humanos que não querem deixar de sonhar.

Cícero Dias no Marco Zero do Recife.
http://veja.abril.com.br/050203/datas.html
Cícero Dias morreu pintando...e sonhando. Menino de engenho nascido em Escada, Pernambuco, morre aos 95 anos em Paris. Seu corpo está enterrado lá, no famoso cemitério de Montparnasse. Mas seus delírios de poeta e pintor continuam a existir no canto infantil de nossas almas. Seus sonhos permanecem vivos e o Marco Zero do Recife continua lhe prestando homenagens a cada amanhecer.









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Notas:
1 - MENDES, Murilo. Nascimento de Cícero Dias. In: FILHO, Waldir Simões de Assis. Cícero Dias, oito décadas de pintura. Simões de Assis Galeria de Arte: Curitiba, 2006.p. 68
2 - ANDRADE, Mário de. Poemas da Negra – a Cícero Dias. In: FILHO, Waldir Simões de Assis. Cícero Dias, oito décadas de pintura. Simões de Assis Galeria de Arte: Curitiba, 2006. P. 76


Contribuição da leitora Raquel Czarneski Borges, graduada em História pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG - RS. Enveredou-se pela graduação a estudar Arte, História e hibridismo cultural. Hoje é uma gaúcha vivendo o mundo lindo de Olinda e Recife, a alegria e as incongruências de uma tal de “pernambucanidade”. É mestranda em História na UFPE na linha de Cultura e Memória do Norte e Nordeste do Brasil. Uma “desmemoriada” das coisas do Norte, mas que carrega em si muitos afetos do Sul. Pesquisa um artista chamado Cícero Dias, e suas representações da cidade do Recife nas décadas de 20 e 30. Atua também no grupo P.I.A. (Pesquisas e Interações Artísticas), atualmente em parceria com o MAMAM (Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães) pesquisando a obra do artista recifense Daniel Santiago.
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As melhores coisas do mundo, filme politicamente correto discute os preconceitos e dilemas dos adolescentes da classe média paulistana.




Nosso querido país cheio contrastes sociais, culturais e econômicos, também traz consigo uma diversidade muito grande de cineastas, cada qual defendendo idéias distintas em inúmeras órbitas existentes do planeta Brasil. Acredito que a maturidade do cinema nacional perpassa por essa questão da diversidade de gêneros e estilos autorais. Nada mais justo, levando em consideração a magnitude desse país. Possuímos cineastas como Daniel Filho, que ressalta a classe média carioca; como José Mojica Marins, com o seu trash sexual politizado; como Meirelles, gênio da publicidade; como Julio Bressane, com o seu lema: arte imita a vida, ou será mesmo ... a vida imita a arte?, e, como tantos outros que abordam temáticas diversas atingindo públicos variados. Na coluna AS HORAS da semana retrasada, falei sobre o filme Amarelo Manga, do enigmático diretor pernambucano Cláudio Assis e seu cinema visceral, filosófico e escrachado. Nesta semana, propondo um contraponto, resolvi levá-los ao universo polido e politicamente correto da paulistana, que estudou cinema na FAAP, Laís Bodanzky. Simpática, alegre e de olhar sincero, Laís teve sua estréia no cinema em 1994 com o curta Cartão Vermelho. Logo de cara, mostrou para quem e para que veio. Neste curta premiadíssimo, ela revelou seu talento para explorar questões delicadas e controversas do universo adolescente, vocação que se estenderia para outros temas também complexos e discutíveis  como a loucura, a velhice e o preconceito.
Conheci Laís em 2001 quando estava fazendo um curso de roteiro no CINUSP. O curso contemplava palestras com realizadores. Estávamos no auditório da FAU e a diretora entrou sorridente. O filme Bicho de Sete Cabeças estava em cartaz com uma boa aceitação de  público. Comentou bastante sobre Bicho, seu primeiro longa. Falou de sua forma de trabalhar com os atores, com o texto e com o público. Falou sobre Cássia Kiss e seu jeito natural de encenar, sobre o talento de Santoro e, especialmente, sobre a adaptação do romance Canto dos Malditos de Austregésilo Carrano, realizada por Luiz Bolognesi. Entramos dentro do processo criativo do filme, desde  a leitura do romance, do pensamento em transformar aquela história em filme, do contato com o autor, da adaptação do roteiro. Longo percurso do realizador que faz nascer o filme aos poucos com muita pesquisa e cuidado. Depois dessa longa etapa do roteiro vem o processo de filmagens, com a escolha do casting e laboratório dos personagens e, finalmente, passa para a fase de montagem. Tarefa árdua que exige paciência e patrocínio, pois não é algo barato. Vejam as informações do site original do filme:
Europa Investe no Cinema Brasileiro


Filme "Bicho de 7 Cabeças"
é realizado combinando leis de incentivo
com investimento estrangeiro

Bicho de 7 Cabeças foi realizado através de uma co-produção entre três produtoras brasileiras (Buriti Filmes, Dezenove Som e Imagens e Gullane Filmes), com a participação da Rio Filme Distribuidora e a Fabrica Cinema, um importante centro de produção cinematográfico italiano mantido pela Benetton. O filme ainda teve a participação financeira da RAI (Radiotelevizzione Italiana) e da Fondation Montecinemaveritá (Suíça).

Bicho de 7 Cabeças foi rodado entre fevereiro e abril de 2000 na cidade de São Paulo e finalizado de maio a outubro nos laboratórios da Cinecittá, usando para mixagem a tecnologia THX e o padrão Dolby Digital, em Roma, Itália.

Com um custo de R$ 1,5 milhão (U$ 700 mil), os recursos brasileiros foram captados através das leis de incentivo do Ministério da Cultura - Lei Audiovisual e Lei Rouanet. O investimento europeu representou aproximadamente 50% do custo de produção do filme. A distribuição do filme está sendo realizada em parceria entre a Columbia Tristar do Brasil e RioFilme.

Depois de montar o filme na Itália, Laís resolvou exibi-lo para um público fechado de jovens brasileiros, antes da estréia oficial. Para sua surpresa, os adolescentes acharam o filme um pouco lento e comprido demais. Diz ter sofrido muito de extrema angústia quando percebeu que seu filme não funcionara como deveria, foi difícil mas retornou à Itália e remontou o filme, tornado-o mais curto, rápido, retirarando praticamente uma personagem, a namorada de Neto (Santoro).


O histórico de Laís nos revela uma cineasta apaixonada pelo que faz. Um grande exemplo disso é o projeto Cine Mambembe, iniciado em 1996, com apóio da Kodak e Funarte. Ela e  Luiz Bolognesi, saíram por aí, literalmente, exibindo filmes de curta metragens de colegas da FAAP e da ECA, primeiramente em comunidades e escolas públicas e logo depois no sul da Bahia, interior de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Maranhão e Pará. O percurso foi  aumentando até chegar no interior do Norte e Nordeste do país, onde contava com a parceria do projeto Comunidade Solidária. Essas viagens renderam-lhes um documentário premiadíssimo: “Cinema Mambembe, o cinema descobre o Brasil (1999), que nada mais é do que a experiência bem sucedida do Cine Mambembe, recontada na tela.
A coisa cresceu e em 2005 a dupla criou o Cine Tela Brasil, projeto Itinerante de exibição gratuita de filmes nacionais em cidades dos estados brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Em 1996 era um carro com um tímido projetor de 16 mmm, agora é um caminhão que leva pelo país afora uma grande tenda de 13m x 15m onde são instaladas 225 cadeiras, equipamento profissional de projeção 35mm, tela de 7m x 3m, som estéreo surround e ar condicionado. Toda essa estrutura é montada e desmontada em cada cidade para a exibição de filmes nacionais sem censura, ela diz que sempre haverá crianças no recinto portanto os filmes precisam ser bem escolhidos. Há em média de quatro sessões diárias de cinema e em geral a projeção acontece em praças públicas ou parques, ou seja, lugares públicos e ao ar livre. Até final de julho de 2007, o projeto havia visitado 111 cidades, promovendo 1.355 sessões, e abrangendo um público de mais de 260 mil pessoas.
Essa necessidade de se comunicar com o público de forma direta, fez com que Laís estivesse sempre próxima, presente e inteira nas suas filmagens. Tanto em  o Bicho, Chega de Saudade,  ou em As melhores Coisas do Mundo, Laís parece reviver conceitos do neo-realismo italiano, valorizando o discurso direto, realístico com personagens representando eles mesmos.


Quando assisti Chega de Saudade ficou claro para mim que os mais maduros também necessitam de carinho, sexo, afeto, diversão e que sofrem quando não conseguem ter uma vida social. O legal é que Laís conseguiu uma casa noturna, União Fraterna, na Lapa,  para locação das filmagens. Lá o tempo passou devagar, se transformou em palco de conflitos vividos em histórias paralelas que se entrelaçam. É o lugar do baile, “a balada” que costura e carrega o tempo do filme. As personagens vão desde uma mulher mau amada, Rita (Clarice Abujamra), que vai ao baile para “pegar” o argentino Hugo (Raul Bordale), até um casal em que a esposa Alice (Tônia Carrera) começa a apresentar seus primeiros sinais de mal de Alzheimer.

As Melhores Coisas do Mundo
No filme As melhores coisas do mundo Laís correu a largos passos do folhetim  Malhação, da Rede Globo, para alçar vôos mais altos e significativos ao retratar adolescentes mais reais, com problemas paupáveis. Assim resolveu ir atrás de Heloisa Prieto e Gilberto Dimenstein para fazer uma adaptação fílmica em torno do personagem Mano, da série Cidadão-Aprendiz. 



Outro fato relevante para o filme e que o faz parecer um estilo novo de neo-realismo italiano, foi buscar os atores adolescentes em grupos de discussão formados com alunos de  escolas particulares de São Paulo. Essa feita rendeu-lhe boas novidades, como a do protagonista Mano, interpretado por Francisco Miguel, Carol (Gabriela Rocha) e Deco (Gabriel Illanes). Fiuk, emprestado da Malhação, faz Pedro, um adolescente apaixonado e frágil,  não muito diferente do proprio Fiuk. Para elevar o elenco, artistas de peso entraram para compor o casting: Denise Fraga, Zé Carlos Machado. É interessante ver que enfim Paulo Vilhena e Caio Blat viraram “tios” e estão bem interessantes nos papéis de: professor porra louca de violão e professor modernoso do colégio. Difícil falar da classe média paulistana composta de algumas pessoas "enjoadas", alguns “reaças” a la Luis Felipe Pondé, outros “felizes” e otimistas (hipócritas) como Poliana, ainda mais para Laís que é uma paulistana de classe média e que estudou na FAAP. Mas a astuta cineasta soube dar seu pulo do gato, ou melhor, da gata, e fez um filme sincero, profundo, divertido e que retrata o universo conturbado dos adolescentes com suas descobertas, inquietudes e preconceitos. Fala sobre bullyng, homossexualismo, liberdade de expressão, amor e principalmente de como as relações familiares afetam os adolescentes. É um filme para ver e pensar a respeito dos nossos valores e de como eles são sustentados nos nossos filhos.
As Melhores Coisas do Mundo é uma ótima opção para esse final de semana. Ah, aproveitem, já que irão à locadora, peguem também, Bicho de 7 Cabeças e Chega de Saudade. Assistam aos filmes, prestigiem o cinema brasileiro.
Bons filmes!


Kátia Peixoto é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Mestre em Cinema pela ECA - USP onde realizou pesquisas em cinema italiano principalmente em Federico Fellini nas manifestações teatrais, clowns e mambembe de alguns de seus filmes. Fotógrafa por 6 anos do Jornal Argumento. Formada em piano e dança pelo Conservatório musical Villa Lobos. Atualmente leciona no Curso Superior de de Música da FAC-FITO e na UNIP nos Cursos de Comunicação e é integrante do grupo Adriana Rodrigues de Dança Flamenca sob a direção de Antônio Benega

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I Jornada Cultural – UFABC: primeiro passo na convergência da cultura na universidade

Acontece de 27 de novembro a 14 de dezembro de 2010 a primeira Jornada Cultural da UFABC. Finaliza-se assim o ano de 2010 brindando-se as múltiplas atividades culturais que acontecem no campus da UFABC e na região. São palestras, almoços musicais, circuito musical, cineclubes, exposições de fotografia, lançamento de livros, apresentações de coral, danças, capoeira, infanteria e vídeos que refletem a diversidade cultural de nossa universidade e seu entorno.
Artistas, literatos, músicos, cineastas e profissionais ligados às artes e a cultura na região do ABC irão se reunir nas unidades de Santo André e São Bernardo com o mesmo propósito, o de pensar e divulgar a cultura em suas variadas dimensões. Discentes, docentes e funcionários da UFABC se uniram para elaborar essa programação. Instituições formais e informais que tem atividades culturais trabalharam juntas e de maneira convergente, a Proex, o DCE e a Atlética são algumas delas. As temáticas abrangem discussões a respeito da Cultura afro e mergulhos em vanguardas e novas linguagens artísticas como o graffite, a tatuagem e o guitar hero.
Esperamos que o público presente aprecie tal conjunto de atividades da mesma maneira que tivemos o imenso prazer de organizá-las.
Comissão organizadora
Local:
UFABC – Campus Santo André
Av. dos Estados, 5001
Av. Abolição s/n
Bairro Bangu
UFABC – Campus São Bernardo
Av.  João Pessoa, 59
Centro.



Acontece também nessa semana, amanhã (25.11) no Rio de Janeiro, o lançamento do livro Ensaios sobre linguagens, identidades e práticas de poder, no qual tenho um ensaio sobre imigração alemã em São Paulo.

Ainda no Rio de Janeiro, em Vassouras, acontecerá o IV Simpósio de Política e Cultura: diálogos e interfaces. Ainda estão abertas as inscrições para ouvintes.

"IV Simpósio de Política e Cultura: Diálogos e Interfaces"

Data do evento: 01, 02 e 03 de dezembro de 2010
Tipos de inscrição:
Sem apresentação de trabalhos – 10 reais
O pagamento deverá ser efetuado através de depósito bancário até 30 de novembro de 2010:
Banco: Banco do Brasil
Agência: 3437-1
Conta corrente: 3057-0

O comprovante do depósito deverá ser apresentado no ato do credenciamento nos dias de realização do evento.
Mini-simpósios do evento:

Coordeno o simpósito temático sobre Cinema e História:
1. Cinema e História: discussões de linguagens historiográficas
Coordenação:
Katia Peixoto dos Santos (PUC-SP)
Rosangela de Oliveira Dias (USS)
Ana Maria Dietrich (USS)

Inaugurada por Marc Ferro na década de 60, a intersecção entre as duas áreas de conhecimento Cinema e História será objeto de reflexão desse seminário temático. Pretendemos agregar pesquisas que explorem os questionamentos teóricos e metodológicos que demandam dessa discussão interdisciplinar, assim como conhecer os atuais estudos que privilegiam a análise de imagens audio-visuais e/ou a linguagem cinematográfica. O cinema enquanto narrativa específica elaborada como resultado da composição de diversos elementos fílmicos e polissêmica ao utilizar o som e a imagem também serão foco de análise.


Veja programação completa do Simpósio no site: http://www.uss.br/web/page/simposiopol.asp







Ana Maria Dietrich, profa. dra. adjunta da UFABC, é coordenadora da Contemporartes - Revista de Difusão Cultural junto a Vinicius Rennó. Faz parte da comissão organizadora da I Jornada Cultura da UFABC
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Analfabetismo político - estréia de Abilio Pacheco

Que eu tenha minhas reservas à candidatura de Tiririca e de sua eleição, eu tenho. Mas existe o direito do cidadão Francisco Everardo e de seus mais de 1 milhão e 300 mil eleitores. Direito inclusive de não serem ofendidos. Se existe analfabetismo político no caso em pauta, é um analfabetismo diplomado e com calos de estar em bancos de escolas e universidades. Depois do que circulou na net sobre os nordestinos após a eleição de Dilma, a discreta (quase implícita) afirmação de que os eleitores do deputado mais votado do Brasil são politicamente analfabetos é algo que merece nota.
Renato Machado devia estar de folga e lá estava Edney Silvestre que eu admiro da Globo News, do Espaço Aberto – Literatura. A piadinha saiu sem graça. Eu antecipadamente dou-lhe um desconto, mas o fato é sintomático. Não temos no Brasil jornalismo de ancoragem como nos Estados Unidos, mas não sou jornalista e vou ao que acho mais grave: o fato revela o quanto, nestas terras tupiniquins, se avaliam as pessoas por suas escolhas, como nestas plagas de santa cruz se faz um espécie de depreciação por aproximação.
Está mais do que evidente que o mínimo solicitado de uma pessoa para exercer um cargo público elegível por voto universal é ser alfabetizado a ponto de saber ler e escrever no nível mais simples de leitura e no mais simples ato de bolear na ponta da caneta ou lápis e puxar uma perninha para fazer um “a”. Coisa que o cidadão Francisco Everardo já aprendeu nestes poucos dias que teve entre a marcação do exame e sua realização. Está claro que sendo reprovado iria recorrer e teria tempo de aprender. Ora pois, deixe-o tomar acento e descansar-nos do Tiririca.

Também está claro que a responsabilidade por tamanho disparate político não é do eleito nem do eleitor. Um teve o direito de se candidatar, por que não teriam os outros o direito de elegê-lo? Se existe lei que permite alguém que não tem a mínima noção do que faz um deputado se candidatar ao cargo, dá cá a mão que maria vitória está com olhos feito o diabo. Mas ninguém dá a mão. Antes, tomam-nos da palmatória. Até porque usando de seu humor peculiar o Tiririca fazendo campanha para o Everardo, assumiu por este o que milhares de candidatos a deputado não assumem. Talvez por faltar quem o fizesse por si.

Agora dizer que o analfabetismo político ainda grassa no país só por terem em peso votado no Tiririca... Quer dizer que quem votou em médico, advogado, engenheiro, professor... é inteligente só por causa disso? Afinal será que um médico, um advogado, um engenheiro ou um professor, somente por o serem sabem o que faz um deputado. O problema do analfabetismo político no Brasil não escolhe profissão, classe social, nível de escolaridade... é caso crônico. Não o fosse, não teríamos passado o período de campanha como passamos, em que a discussão política foi nula.

Talvez falte no Brasil, pelo menos para quem se pretende candidato a um cargo eletivo, um curso de formação política. Que ensine de fato quais são atribuições e responsabilidades de cada cargo, que ensine como redigir uma lei, o que é o tal do decoro, o que é uma CPI, o que faz cada membro dela, como fazer a redação de um projeto, o que é parágrafo, inciso, alínea etc. Para qualquer outro cargo hierarquicamente menos importante e de menor status social, qualquer cidadão não é obrigado a se submeter a um exame? Pois lá vai a minha utopia: todos deveriam prestar exame para avaliar se realmente dominam tais conhecimentos.

Por enquanto, e até que alguém por lá abrace uma ideia destas e até que ela venha ser colocada em prática, num país tão carente de reforma política, vamos ficando de Tiririca. Lógico que tenho minhas reservas à eleição e à posse do Everardo, mas tenho amor às leis (a algumas): a democracia não se sustenta sem um estado de direito. Deixe que o homem assuma, consertem minimamente as coisas para daqui a dois anos, quando os disparates nas eleições para vereador são priores. Ou não consertem (caetaneando...), talvez o Tiririca e outros semelhantes façam mais e melhor pelo país e pelo povo (de classe média baixa para baixo) que Sociólogos, Politicólogos, Estudólogos, Analbetólogos Diplomatólogos...

Belém, 17 de novembro de 2010.
Abilio Pacheco, professor e escritor, inaugura sua coluna hoje no Contemporartes.
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Premiado no Jabuti e no Portugal Telecom


Prêmios Literários com Leite Derramado


Jabuti – “O Leite Derramado I” .


O escritor, dramaturgo, cantor e compositor Chico Buarque de Holanda recebeu na noite do dia 04 de novembro o Prêmio Jabuti correspondente ao “melhor livro de ficção do ano 2010” pelo seu livro “Leite Derramado” (Cia das Letras). Desta vez, através do júri popular com uma votação feita por internautas e por um júri especial formado por editores e livreiros da CBL, o livro de Chico batia o seu principal oponente, o livro “Se eu Fechar os Olhos" (Record), de Edney Silvestre, que havia anteriormente arrebatado o primeiro lugar neste mesmo concurso pelo júri convencional.

A principal diferença desta premiação consiste no valor pago pelo prêmio, que para o livro do ano entregou 30 mil reais, enquanto que o livro considerado “melhor romance” de Edney Silvestre recebeu somente 3 mil reais. É claro que esta diferença de resultado foi provocada principalmente pelo júri diferente, e não e difícil de imaginar que alguns dos eleitores que votaram através do site sequer tenham lido os livros candidatados.

O livro “Leite Derramado” é o quarto romance de Chico Buarque, que iniciou na ficção em 1974 com o livro “Fazenda Modelo” , entretanto ele assumiu-se como escritor somente há 20 anos atrás com a publicação do livro “Estorvo”, livro que o colocou imediatamente na lista dos escritores mais lidos do país. Apesar do sucesso de vendas e das boas críticas literárias recebidas nestes 20 anos, ainda há quem considere o autor um escritor amador. Talvez isso se deva também a fato do autor ser considerado um dos maiores compositores do país. O fato do compositor ofuscar o escritor não impede que Chico seja hoje fortemente premiável na literatura, prova disso é que esta é a terceira vez que ele recebe o Prêmio Jabuti como o livro do ano.

O resultado da premiação do Jabuti deste ano provocou polêmicas, a principal delas foi encabeçada por Sérgio Machado, presidente do grupo editorial Record (das editoras Record, Bertrand, Civilização Brasileira, José Olympio, Best Seller e Verus), que através de carta aberta informou à organização do prêmio (CBL) que não mais participará do Prêmio Jabuti enquanto as atuais regras de escolha de vencedores não forem modificadas. Na carta, Machado afirmou que as regras do prêmio “desvirtuam o objetivo de qualquer prêmio, pondo em desigualdade os escritores que não sejam personagens mediáticos”. Rebatendo às criticas recebidas, o presidente da comissão do Prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb, disse que a atitude da Record parecia “choro de quem perdeu” e “uma tentativa de fazer pressão”. Um choro por um leite derramado, pois.


***

Portugal Telecom: “Leite Derramado II”


Chico Buarque de Holanda recebeu também no dia 08 de novembro, na Casa Fasano em São Paulo, prêmio Portugal Telecom de Literatura 2010, pelo seu romance “Leite Derramado”. O concurso, que é um dos prêmios literários mais cobiçados do país, paga ao primeiro colocado a polpuda quantia de 100 mil reais.

O livro “Leite Derramado” concorreu ao primeiro lugar do prêmio Portugal Telecom numa lista de 10 finalistas, de onde também foram premiados o romance “Outra Vida”, do escritor Rodrigo Lacerda, que levou 30 mil reais pelo segundo lugar, e também o livro de poemas “Lar,” (Lar vírgula), do poeta Armando Freitas Filho, que ficou com 15 mil reais pelo terceiro lugar.

O choro do leite derramado aqui é nosso, permanece nos próprios quintais da coluna “Poesia Comovida”, e é por conta de estarmos torcendo pelos 2 livros de poemas que constavam na lista dos finalistas do prêmio Portugal Telecom (“Lar,”, de Armando Fereitas Filho e “Monodrama”, de Carlito Azevedo). Portanto, que nos sirva de consolo a marcante presença do poeta Armando Freitas Filho com o seu importante terceiro lugar, que entre nós tem o bonito sabor de um primeiro lugar. Brindemos, pois!




Um Livro de Poema para Presente!

Como quem legisla em causa própria, o pré-tenso poeta e autor desta coluna apresenta-lhes o seu quarto livro de poemas “O Lento Alento” , que pode ser comprado pelo correio por 12 reais (autografados ou não), através de pedidos feitos via email (altair.de.oliveira@gmail.com).

O livro de 64 páginas, que é uma produção independente do autor, reúne os escritos poéticos de Altair de Oliveira de um período de 12 anos (1996 - 2008), foi publicado em 2008 numa tiragem de 2 mil exemplares e já tem cerca de 1400 exemplares vendidos. Não percam!


***

O que já disseram dele:


“A sensação de estar lendo poemas de Altair de Oliveira tem muito daquilo que se sente diante de certas exposição de obras de arte muito boas, inclusive aquele suspender a respiração ao se deparar com uma sequência de belezas que surpreendem, por mais que já se chegue ali com a expectativa de ver coisas belas.” - Máyda Zanirato , professora e poeta paulista. Santos - SP.

Os caminhos poéticos que trilha o Altair são de uma beleza rara. No meio de tanta bobagem, de tanta incompetência, de tantos lugares comuns, de tantas rimas pobres, a sua poesia se destaca por ser tecnicamente bem feita (ele burila as palavras até encontrar lugar e colocações certos) e sua temática também alcança uma serenidade muito interessante.” - Antônio de Pádua e Silva, jornalista e escritor cuiabano, sobre o livro "O Embebedário Diverso".

“Poeta de fundo de quintal de quitinete é uma "pinóia"... Altair é um baita de um poeta mesmo!! Adorei os seus escritos !! Maravilha!!” - Rosália de Castro, poeta de Teresina – PI, sobre o livro “O Lento Alento”.




Um Poema de Armando Freitas Filho:



ESCREVO NAS COSTAS DA MÃE

Escrevo nas costas da mãe
conspurcada pelo amor
nas costas dos tios empertigados
pela indiferença e sarcasmo
na cara dos primos exemplares
reescrevo, corrijo, fazendo
pressão com o lápis rombudo
para marcar minha dissidência
na família programada, mas
sob os olhos sérios do pai
que me desencurva, e apoia
mesmo desconfiado
em palavra explícita para
não frisar demais sua intenção
seu ódio difuso que também
me atinge em forte trans
fusão, consigo, comigo mesmo
até alcançar a malvada consciência.


Armando Freitas Filho, In: ”Lar,”.

***

Dois Poemas de Altair de Oliveira:


CHEGAR AONDE FESTEJAS

Por tanto que te desejo
Pareço quem te conhece
Quem sabe onde começas
E cresce onde festejas
Quem quer ser teu endereço
E estar onde quer que estejas...

Nos penso cheios de ardores
Te lembro, sinto que adejo
Te almejo de maio a maio
Eu ensaio que te alvejo...
Te faço feixes de amores
E te deixo mantos de beijos.

Pressinto-te, e até latejo,
Onde florindo retardas...
Lá onde guardas meus beijos
Onde teus beijos me aguardam!

Altair de Oliveira: In: “O Lento Alento”


RENEGADA QUEDA


À certa altura da vida,
onde degraus se degradam,
Eu decido ser de descida,
e, num impulso suicida,
saltar os meus sobressaltos
e descer ao ser que acovardo
tomar-lhe os sonhos que guarda,
usar-lhe as asas rasgadas
e tentar cair para o alto.

Altair de Oliveira: In: “O Lento Alento”


***

Para Ler Mais:

Sobre resultados do prêmio Portugal Telecom: http://www.premioportugaltelecom.com.br/2010/vencedores-2010.asp
Matéria do estadão sobre o Portugal Telecom: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,nao-e-um-mau-livro-diz-chico-vencedor-do-portugal-telecom,637235,0.htm
Outros poemas de Armando Freitas Filho: http://www.revista.agulha.nom.br/affilho.html
Outros poemas de Altair de Oliveira: http://poetaaltairdeoliveira.blogspot.com/



Ilustrações: 1- foto de Chico Buarque entre Pilar Del Rio (Viúva de Saramago) e Zeinal Bava (da Portugal Telecom) ; 2- capa do livro "Lar,", do poeta Armando freitas Filho; 3- capa do livro "O Lento Alento", de Altair de Oliveira; 4- trabalho do pintor Mark Kostabi.


Altair de Oliveira (poesia.comentada@gmail.com), poeta, escreve quinzenalmente às segundas-feiras no ContemporARTES a coluna "Poesia Comovida" e conta com participação eventual de colaboradores especiais.
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Cultura e desenvolvimento sustentável?



Durante uma aula da Pós-Graduação o professor comentou algo que me fez lembrar imediatamente desse vídeo que tinha assistido há algum tempo atrás. Segundo o professor, há um movimento global de concentração de produção limpa (não poluente) nas grandes metrópoles e consequentemente, acumulação de produção suja (poluente) nas periferias. Assim, a cidade de São Paulo estaria aumentando sua produção não poluente, enquanto cidades como Guarulhos, Osasco, e tantas outras da Grande São Paulo, estariam acumulando produção suja. 

Evidentemente, isso me fez refletir. Ora, eu sou de Guarulhos e não é preciso muito esforço para perceber o acúmulo de indústrias altamente poluentes por aqui. Contudo, assim como a maioria da população, sempre defendi o desenvolvimento sustentável e associei poluição a algo negativo. Porém, essa associação se limitava a razões óbvias e de senso comum. No entanto, isso mudou depois que assisti esse vídeo. Ele me fez enxergar uma ligação intensa entre hegemonia, desenvolvimento social e desenvolvimento sustentável. E qual a relação de tudo isso com cultura? Talvez alguém se pergunte. Para responder, utilizo como referência Stuart Hall - um dos grandes intelectuais dos Estudos Culturais Britânicos - tudo isso ocorre no terreno cultural porque é nele que as lutas de classes acontecem. 








Dicas Drops

O Núcleo de Estudos de História Social da Cidade (NEHSC), do Programa de Estudos Pós-Graduados em História da PUC-SP, acabou de lançar os números 3 e 4 da Cordis: Revista Eletrônica de História Social da Cidade, com a temática Séries Urbanas: Conflito e Memória relativa ao período julho 2009/ junho 2010. Para acessar a revista www.pucsp.br/revistacordis

A Revista do Centro de Documentação e História (CDHIS) da Universidade Federal de Uberlândia está com chamada aberta para artigos. A nova edição terá como tema central - Ciência e Meio Ambiente – mas, também serão selecionados trabalhos com temática livre. O recebimento de artigos será até dia 28 de fevereiro. Mais informações: http://www.seer.ufu.br/index.php/cdhis


Acontece nos dias 6, 7 e 8 de dezembro o II Simpósio de Filologia e Cultura Latino-Americana. As inscrições de trabalhos devem ser feitas até o dia 26 de novembro. Mais informações através dos telefones: 3815.0167/ 3091-3587/ 3091-3589

O XXVI Simpósio Nacional de História está com as inscrições de propostas de Seminários Temáticos e Minicursos aberto. A data limite de envio das propostas é até dia 01 de dezembro. O evento acontecerá entre os dias 17 e 22 de julho de 2011 na Universidade de São Paulo – USP. Saiba mais através do site: http://www.snh2011.anpuh.org/site/capa

 


Ana Paula Nunes é jornalista, Pós-graduanda em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo/USP. Editora assistente e Coordenadora de Comunicação da Contemporâneos - Revista de Artes e Humanidades. Escreve aos domingos na ContemporARTES.


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