quarta-feira, 25 de maio de 2011

Documentário do Neblina se encontra em edição



A partir de entrevistas dos ferroviários e seus parentes uma transformação sensível é dada. A neblina que esconde os trilhos da ferrovia é finalmente descortinada perante as lentes de nossas câmeras. Histórias, contos, cantos, lembranças queridas e adormecidas – esse legítimo material humano emerge do encontro entre pesquisador e ferroviário.


Identidades feitas de técnica, trabalho, idealismo e solidariedade.


A Vila de Paranapiacaba é cenário e agente desse processo. Ao olhar indiferente da maioria das pessoas ela se transforma. Pioneiros ingleses chegam no século XIX e passam a recortar a a Mata Atlântica com seu maquinário. A ferrovia chega como símbolo de modernidade. Aos poucos o que era verde, vai se tornando cinza, reflexo da ação humana, das indústrias, do desenvolvimento.

Hoje - o cinza virou dark. O dark se mostra na falta de preservação, no descaso, no turismo mal planejado e os vagões são esquecidos na sua ferrugem e na sua história.

Nosso documentário busca unir passado e presente destacando histórias de vida dos ferroviários na Vila de Paranapiacaba (SP). Questiona os motivos que levaram ao descontentamento, desemprego e desencanto dos antigos e atuais moradores da Vila. Mesmo sendo considerada um Patrimônio Histórico, pouco se conhece da rica história desse lugar. Busca-se gerar tais reflexões e, ao mesmo tempo, homenagear esses homens que, com seu trabalho no passado, transformaram o mundo que anteviam no futuro.
Ana Maria Dietrich*

*Texto retirado da exposição  Neblina sobre trilhos - do verde ao dark. Universidade Federal do  ABC, julho de 2011.


Ferroviários reunidos em Paranapiacaba. O documentário, agora em fase de edição, busca dar visibilidade  às suas inúmeras histórias de vida.

O patrimônio ferroviário traz tristes marcas de abandono. Apenas o turismo não é capaz de reverter  esse capítulo da história da vila. Ações tanto governamentais quanto da sociedade civil se fazem cada vez mais necessárias.

O relógio é marca e monumento da vila. Faz lembrar sua origem inglesa.
Maquinário, vagão - patrimônio industrial que se encontra ao relento.
A neblina que cobre quase religiosamente as tardes em Paranapiacaba inspirou o nome do documentário Neblina sobre trilhos
A equipe, alunos e professores da UFABC e Fundação Santo André, passaram muitos finais de semana no ano passado gravando as entrevistas e recolhendo suas impressões da vila. Em breve teremos os resultados desse trabalho para ser  exibido ao público.



Ana Maria Dietrich é editora-chefe da Contemporâneos-Revista de Artes e Humanidades e coordenadora junto a Rodrigo Machado da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural. Profa. Dra. Adjunta da UFABC. Coordena o projeto Neblina sobre Trilhos junto ao Prof. Dr. Claudio Penteado.

1 comentários:

Simone Alves Pedersen disse...

Ana, que bacana isso! Vou repassar para várias pessoas, em especial um louco por trens, um editor que publica todos os anos uma antologia sobre ferroviários, etc.
Eu tb participo de uma antologia infantil que será lançada no FNLIJ em breve, chamada Trens e escrevi uma crônica sobre um ferroviário que faz esse caminho e na descida tem visões do passado, dos monarcas, dos sacis e duendes, índios e sereias...
Que trabalho maravilhoso, não deixe de avisar quando estiver disponível!
Parabéns!

26 de maio de 2011 07:38

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