quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

SOFIA BOCCA: A ARTE DA TRADUÇÃO


      Como diria nosso eterno poeta Vinícius de Moraes, “a vida é a arte do encontro”, não por acaso a escolha do nome desta coluna: Incontros. Desde o seu início e ao longo desses anos, sempre procuramos trazer aquelas pessoas, histórias e temas que de alguma maneira fazem a diferença em nossa vida.  Um dos encontros memoráveis deste ano (embora virtual), foi com Sofia Bocca, tradutora e professora de língua inglesa. Seu profissionalismo,competência e simpatia nos cativaram totalmente, demonstrando que o trabalho de tradução, acima de tudo, é uma arte.

Em seu processo de formação, Sofia concluiu a licenciatura em Letras Português – Inglês pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e anteriormente havia concluido o curso técnico em Travel Studies no Portobello Insitute of Further Education em Dublin, na Irlanda, no ano de 2010. Mas deixemos que ela mesma fale sobre sua trajetória profissional...


Londres, Inglaterra.

    “Comecei a estudar inglês em casa, despretensiosamente, por volta dos sete anos de idade, tendo meu pai (que pouco conhecia a língua) como professor. Meus pais, professores, reconheciam a importância de se aprender uma língua estrangeira. Assim, me incentivaram a aprender a língua Inglesa.

A princípio, quando criança, pensava em ser professora de Português. Porém, com o passar do tempo, depois de muitos anos estudando Inglês, iniciei o curso de Letras Português-Inglês motivada pelo gosto por essa língua estrangeira. Nesse período, em 2007, trabalhei como professora particular de Inglês e como tradutora em uma empresa da área de Tecnologia da Informação, na qual fazia tradução (do inglês para o português) e versão (do português para o inglês) de apostilas e diversos materiais.


Galway, Irlanda.

    No entanto, em 2008, decidi me aventurar pela Europa e, claro, o destino não poderia ser outro se não o berço da língua Inglesa. Então fui parar em Londres, onde morei e vivenciei a língua e a cultura Inglesa por 2 anos. Foi uma experiência maravilhosa, pois nunca havia saído do país e usado na prática o inglês em todas as situações cotidianas. Foi ótimo para adquirir vocabulário e perceber as diferenças entre a língua na teoria, dos livros, e a língua na prática, da ‘vida real’.

Além da língua, pude conhecer diversos britânicos (de todas as faixas etárias e condição social) e desconstruir a imagem de um povo frio e preconceituoso. Ao contrário, fui muito bem recebida por todos, que demonstraram respeito e curiosidade em relação ao Brasil.


Dublin, Irlanda.

Decidida a voltar a estudar e vivenciar outra cultura, mudei-me para Dublin, na Irlanda, onde fiz um curso técnico de turismo. Foi muito interessante fazer parte do mundo acadêmico em outro país e observar como as aulas eram ministradas, como era dada autonomia aos alunos (diferente do Brasil, onde, me parece, o professor é responsável pelo aprendizado e pela conduta do aluno). Além de estudar Turismo e aprender sobre a área, ampliei, ainda mais, meus conhecimentos sobre a língua Inglesa.


Carlow, Irlanda.

 Pude comparar e observar as diferenças entre o inglês falado pelos americanos (que havia aprendido no Brasil), o inglês dos britânicos (do período em que passei na Inglaterra) e o inglês dos irlandeses. Também, por morar com pessoas de diversos países, foi possível verificar como as pessoas de outras culturas percebem e usam a língua, e como encaram e se inserem (ou não se inserem) na cultura do país anfitrião. Outro ponto positivo de morar em um país europeu é a possibilidade de viajar para os países vizinhos por preços razoáveis e com curtas distâncias.

Após esse período enriquecedor de três anos no exterior, resolvi voltar para o Brasil e dar continuidade aos estudos e à carreira de professora e tradutora, com mais conhecimento linguístico e de mundo. Assim, iniciei (novamente) o curso de Letras na UTFPR. Apesar do meu trabalho de conclusão de curso ter sido sobre Literatura Infantil brasileira (sobre história em quadrinhos), meu foco ainda permaneceu sendo a língua Inglesa.


Glasgow, Escócia.

Assim, continuei ministrando aulas particulares e em escolas de idiomas para todo tipo de público, com os mais variados níveis de conhecimento da língua e com diferentes focos de aprendizagem. Além das aulas, voltei a traduzir, agora como autônoma. Venho traduzindo diversos textos, das mais variadas áreas – saúde, educação, etc, – o que é, de certa forma, um desafio, já que tenho que fazer pesquisas para encontrar o vocabulário específico de cada área.

   Como se sabe, apesar de nem sempre ser reconhecido, o trabalho do professor é muito importante. O trabalho do professor de línguas não seria diferente. Hoje, com a globalização, a facilidade de acesso à informação, com o inglês como língua franca, língua universal, é quase impossível não ter qualquer tipo de contato com a mesma. Por isso, a busca por aulas está cada vez maior. Além das aulas, a busca por tradução e versão é muito grande, seja para apenas possibilitar a leitura de um texto originalmente no inglês, ou para poder ter algo publicado na língua inglesa.

Não são trabalhos fáceis, já que exigem constante atualização, estudo e pesquisa, mas é muito legal poder fazer parte do aprendizado dos alunos ou ver a satisfação dos clientes de tradução. Vê-los animados com seus próprios progressos ou com a possibilidade de ver seus textos em outra língua é muito gratificante para mim.”






                                                                  ***







Izabel Liviski é Professora e Fotógrafa. Doutoranda em Sociologia pela UFPR, escreve a coluna INcontros desde 2010 e é também co-editora da Revista ContemporArtes.


4 comentários:

Francisco Cezar de Luca Pucci disse...

Sempre bom ver exemplos de profissionalismo num jovem.
Parabéns, professora(s).

16 de dezembro de 2015 09:41
Zélia Bonamigo disse...

É importante divulgar experiências tão interessantes. Gostei do comentário da Sofia que ao fazer o curso técnico na Irlanda observou "como as aulas eram ministradas, como era dada autonomia aos alunos (diferente do Brasil, onde, me parece, o professor é responsável pelo aprendizado e pela conduta do aluno)". Concordo e acrescento que no Brasil existe muito paternalismo nas escolas. Está mais do que na hora de mudar para o despertar da consciência crítica. Parabéns pelo trabalho.

17 de dezembro de 2015 07:45
Alice Atsuko disse...

Parabéns, Sofia!!! Orgolhosa de você... Achei muito interessante também o comentário que VC faz dos alunos brasileiros, pois essa é a grande crítica percebida no exterior... Eu, com os mês dois filhos na Europa, eles sentem isso também...

18 de dezembro de 2015 20:04
Vanisse Simone disse...

Sofia querida, registro também a alegria deste encontro e a certeza de que nossa parceria será longa e frutífera!

19 de dezembro de 2015 09:46

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