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VIII Congresso Internacional de Estudos sobre Diversidade Sexual e de Gênero



Nesse mês de novembro duas editoras da Contemporartes Daniele Benicio e Ana Maria Dietrich participarão do VIII Congresso Internacional de Diversidade Sexual e de Gênero que ocorrerá em 23 a 25 de novembro de 2016 realizado na Universidade Federal de Juiz de Fora/MG.



A cada dois anos o Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero da ABEH (Associação Brasileira de Estudos da Homocultura) vem congregando pesquisadores(as) brasileiros(as) e de outras nacionalidades, concretizando-se como oportunidade de intercâmbios e enriquecimentos. 

O evento acolherá trabalhos dos variados campos de conhecimento, seguindo as diferentes formas de participação: Simpósios Temáticos, Comunicações Orais, Pôsteres, Relatos de Experiências.

Daniele e Ana Maria apresentarão os trabalhos Batuclagem Diversas na modalidade Pôster e Relato de Experiência do Projeto Educação em Direitos Humanos UFABC

O trabalho Batuclagem Diversas deriva do projeto de extensão Batuclagem e a Magia das Histórias que desde 2011 desenvolve oficinas de contação de histórias para a conscientização das crianças sobre o meio ambiente. Já na nova proposta, busca-se conscientizar a criança e torná-la um agente multiplicador da informação, promovendo a contação de história ligada a literatura infanto-juvenil para difundir reflexões sobre o patrimônio imaterial brasileiro de lendas brasileiras, afro-brasileiras, como também de trabalhar múltiplas diversidades incluindo orientação sexual, gênero, geração e etnia. 

Em parceria com o MEC/SECADI e a Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo MEC, foi realizado o Curso de Aperfeiçoamento, na modalidade EaD, “Educação em Direitos Humanos” destinado à professora(e)s, gestora(e)s, profissionais da educação e membros das comunidades escolares. Como relato de experiência, será apresentado no congresso o Projeto Educação em Direitos Humanos UFABC com relatos sobre os projetos de intervenção dos alunos do curso coordenado pela Ana Maria Dietrich. 

Para saber mais sobre o congresso, acesse:  


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Projeto Batuclagem na UFABC: 3o. ano envolvendo arte e educação ambiental



O projeto de extensão Batuclagem nas Escolas realiza oficinas de Educação Ambiental com crianças de 7 a 13 anos por meio da metodologia da Arte-Educação. Entre as práticas estão a contação de histórias, jogos e brincadeiras e a introdução de noções musicais com ensino do canto, treino de ritmo e a elaboração de instrumentos musicais com material reciclável. É fomentado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do ABC desde 2011.

Herbert Read (1982) afirma que a arte e a educação são dois conceitos indissociáveis, sendo que a primeira deveria ser a base da segunda como um todo. Na mesma linha, Platão (2002) afirma que “uma educação estética é a única educação que dá harmonia ao corpo e enobrece a alma”. Tais autores não veem distinção entre ciência e arte, sendo a primeira a explicação de uma realidade e a segunda a expressão desta. Unir educando pela arte seria uma estratégia bem sucedida uma vez que há a preservação orgânica do homem e de suas faculdades mentais, respeitadas as diversas faces do desenvolvimento humano.
O resultado são indivíduos mais críticos, valorizados do ponto de vista humanístico, intelectual, moral e estético e principalmente, integrados, ao grupo social que fazem parte. No mundo atual, regido pela sociedade da informação e cultura de massa, a arte traz elementos perdidos nesse processo, ela privilegia o indivíduo, sua sensibilidade e conscientização de sentidos.
Quando se trata de crianças, a preocupação da educação pela arte deve ser ainda maior. O maior desafio da humanidade é prepará-las para a vida adulta da melhor forma possível levando-se em conta que vivemos em sociedades complexas contemporâneas. O ser humano é questionador por natureza, há que se formar alunos com capacidade de perguntar. Formular uma boa pergunta resulta de observação e compreensão do mundo.
A arte vem como poderosa arma branca. Amplia os sentidos, aguça as curiosidades. Abre janelas e portas no cérebro das crianças. Quando crescem com esses recursos, são capazes de elaborar melhor suas dúvidas, buscar explicações, demonstrar sentimentos. Trazem felicidade e alegria. É comprovado que pessoas felizes aprendem mais, são mais dedicadas e se envolvem em menos conflitos.
No presente projeto observamos tais problemáticas e pudemos partir para o segundo estágio que Freire – denomina como transformador – modificando a realidade por meio de uma ação cultural criativa e libertadora.

Histórico
No ano de criação do projeto, a ação extencionista principal foi a realização de 30 oficinas voltadas para a educação ambiental e ensino de práticas musicais ligadas a percussão na quadra da G.R.C. E. S. Tradição de Ouro do ABC (Bairro Santa Terezinha, Santo André - SP), escola de samba que atuou como parceira no projeto. O principal resultado foi a montagem de uma bateria mirim da comunidade composta de 30 crianças, em sua maioria filhas de músicos da bateria da Escola de Samba, subdivididas em grupos de acordo como os instrumentos musicais: surdos, tamborins, repiliques e caixas elaborados a partir de material reciclável.
Os instrumentos foram feitos de latões, galões de água, diversos tipos de latinhas e  panelas. Essa bateria mirim se apresentou no evento Ação para Cidadania/ UFABC em novembro de 2011 no campus Santo André da UFABC, em festa de aniversário da Escola de Samba e na Escola Municipal Evangelina Jordao Luppi Profa Emeief, localizada em frente à escola de samba.
Em 2012, com o nome Batuclagem nas escolas o projeto ganhou maior abrangência de público. Foram realizadas 32 oficinas em escolas públicas de Santo André – estaduais e municipais. O número de crianças envolvidas foi bem maior do que o inicialmente planejado, 3000, devido principalmente à grande receptividade do projeto nas escolas e pedidos da direção para que as oficinas se repetissem em outras turmas.
Os arte-educadores – discentes da UFABC e bolsistas do projeto - ensinaram noções iniciais de educação ambiental divididos entre as temáticas da 1. Reciclagem do Lixo 2. Uso racional da água 3. Uso racional da Energia 4. Biodiversidade 5. Poluição do Ar 6. Lixo Tecnológico. Ao desenvolver tais conceitos foram elaboradas seis histórias infantis que compõem a presente coleção. Os discentes também receberam treinamento para se tornarem arte-educadores em reuniões mensais e oficinas especializadas de Literatura e Contação de Histórias.
Para esses alunos da UFABC sair de dentro dos seguros muros da universidade e chegar às escolas da periferia foi uma experiência que transformou os agentes em profissionais mais seguros e tolerantes. A comunidade valorizou e respeitou uma instituição que divida um pouco de sua capacidade intelectual com os cidadãos, promovendo uma integração importante na consolidação do nome da mesma. Eles mesmos foram capazes de conduzir as oficinas transmitindo, trocando e adaptando parte do conhecimento recebido nos Bacharelados Interdisciplinares da UFABC para a comunidade.
Os resultados do projeto mostraram que as crianças assimilaram muito melhor os conteúdos  ludicamente. O contato com alunos de uma universidade que lhes parece algo tão distante, plantou a semente do desejo e do possível em cada uma delas. Essa aproximação humanizou relações e marcou quem dela experimentou.
Somos seres pensantes. Quanto mais estímulos, mais somos capazes de pensar e buscar algo positivo para nós, para a humanidade e para o mundo.

Ilustração: Homero Sanches
Autor: Thiago Ramos
Obra: O Boto Cinzento e o Encanto das Águas. Santo André: Proex/ufabc, 2013. (no prelo)

Essa experiência mostrou que todos os envolvidos, oficineiros, docentes e crianças, desenvolveram diversos tipos de habilidades como: sensibilização aos problemas sociais e ambientais, estímulo a experimentação de técnicas artísticas como teatro e música, sociabilização e desenvoltura e valorização de trabalho coletivo. Somos seres pensantes. Quanto mais estímulos, mais somos capazes de pensar e buscar algo positivo para nós, para a humanidade e para o mundo.
Em breve serão lançados seis livros infantis com as histórias contadas pelo projeto: Chapeuzinho Verde,  O vai e vem do arco-íris e o lixo tecnológico, A formiguinha sustentável e a cigarra trapalhona, O boto cinzento e o encanto das águas, A bela apodrecida e a poluição do ar, Acordei curupira! A biodiversidade na Amazônia. Os livros são de autoria de alunos da UFABC dos Bacharelados de  Ciência e Tecnologia e Ciências e Humanidades e foram organizados por mim e pela escritora e colunista da Contemporartes, Simone Pedersen.


Referências Bibliográficas
PLATÃO apud OSINSKI, Dulce. Arte, ensino e história: uma trajetória. São Paulo: Cortez, 2002.
READ, Herbert. A educação pela Arte. S. Paulo: Martins Fontes, 1982.


Ana Maria Dietrich, coordenadora da Contemporartes junto a Rodrigo Machado, é coordenadora do Projeto Batuclagem nas Escolas (UFABC).

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Escritora ministra oficina literária aos integrantes do Batuclagem


Na última quinta-feira, o Projeto Batuclagem nas Escolas/ PROEX/ UFABC e eu recebmeos a escritora de livros infantis e adultos Simone Pedersen, também nossa colunista da Contemporates que escreve a coluna Bar Contemporartes há 2 anos. Ela veio de Vinhedo especialmente para oferecer uma oficina de criatividade para os alunos da UFABC que fazem parte do projeto de extensão Batuclagem e que estão elaborando 6 livros para crianças cujo tema é a Educação Ambiental e que será lançado ainda esse ano. Os livros serão adaptações de fábulas e contos infantis, tanto da literatura universal quanto do folclore brasileiro. Entre eles, estão a lenda do Curupira, o protetor das florestas e a Chapeuzinho Vermelho, que como uma menina apaixonada pelo planeta se torna Chapeuzinho Verde.
De maneira leve e lúdica, Simone contou diversas histórias aos alunos e mostrou parte de sua riquíssima obra, que contem também livros com foco no meio ambiente como o Vila Encantada. Além disso deu muitas dicas da parte empresarial e mercadológica necessária para se fazer um livro para crianças.
Agradecemos a presença de tão ilustre escritora e esperamos que encontros como esse se repitam...
Abaixo fotos da oficina.

Simone Pedersen em ação
O público interessado após ela abrir sua maleta mágico com 15 obras de literatura infantil.
As obras, entre elas, a que fala sobre educação ambiental, a Vila Encantada.
Alunos e mestra compenetrados.

Ana Maria Dietrich é coordenadora do Batuclagem e da Contemporartes


Abaixo, leiam também a linda crônica sobre a viagem de Simone Pedersen à Santo André.

O CAMINHO DO PASSADO

Simone Pedersen

Hoje fiz uma viagem diferente. Sai de Vinhedo, interior de São Paulo, e segui para Santo André, pelo Rodoanel. É um caminho bem mais longo. Mesmo assim, eu o prefiro, por ser mais poético – sem contar o menor trânsito.

A princípio me chamou a atenção o encontro dos céus. Próximo da região de Osasco, a poluição tingiu o céu de cinza. Pelo retrovisor, avistava um tapete verde e céu azul claro, lindo, límpido. A minha frente, um céu triste e doente.
Segui cantando com Emma Schapplin, enquanto focava na paisagem mais do que no céu que tossia fumaça. Quando atravessei a Represa Billings, o céu voltou a sorrir e o Sol agradecido jogou purpurina sobre suas águas, que cintilavam como estrelas no mar da noite. Do outro lado da ponte, a Sombra ficou enciumada e deitou-se sobre as águas. Ela também queria ser admirada, e para fazer-se notar, não se importava com a tristeza de quem olhava das margens do lado direito. O Sol percebeu e decidiu esperar. O Tempo cura todos os males, pensou. Pacientemente os ponteiros do relógio marcharam pela rodovia e quando o Meio-Dia chegou para almoçar, o Sol havia movido para o centro do céu, de onde pode aquecer a Sombra com um abraço morno. A Sombra ficou envergonhada. Tentara brigar, mas como para brigar precisa de dois, não havia conseguido. Percebeu que mesmo não sendo tão bela, tinha lá os seus valores. Com o Sol alto e quente, embelezando a paisagem, as pessoas correram para o cantinho no qual ela havia se recolhido, para desfrutarem de seu frescor.
Continuei feliz por terem resolvido suas diferenças, sentido Mauá. Nunca havia feito esse trajeto, mas sabia que aquela era a direção. Quando jovem, morava em São Caetano e conhecia bem a região. No final da rodovia, segui as placas até entrar em uma avenida que logo reconheci. Não, não poderia ser. Aquela era a avenida que levava a casa de meus falecidos avós paternos. Parque São Vicente, sim o bairro onde frequentei todos os domingos durante tantos anos. Minha avó fazia macarronada e pasteis de carne, com sobremesa de pudim de leite. Recordei imediatamente daquelas ruas sem asfalto, onde sujei meus sapatos de barro, quando ainda estavam formando o bairro. Minha avó morava em uma casa deliciosa, e tinha no jardim da frente um cacto imenso, mais alto que a casa, que florescia ocasionalmente.
Sem que percebesse, comecei a chorar no volante. Imagens de minha avó na minha infância, forte e cozinhando, confrontavam as imagens dela no final da vida, tão pequenina que mais parecia uma menininha. E meu avô, alto e forte, pareceu-me extremamente frágil quando o vi pela última vez, deitado em sua cama, despedindo-se da vida aos poucos, enquanto a doença má o consumia. Naquela tarde, eu também chorei sentada na cama dele. Chorei por aprender tão cedo, que a vida é imprevisível. Que a Morte veste mesmo uma túnica preta que borra todos os nossos sonhos.
Logo à frente vi a churrascaria onde às vezes almoçávamos, “Estrela do Sul”, hoje totalmente reformada e com o nome “Churrascaria dos Pampas”. Vi-me pequenina, com 6-7 anos de idade, insistindo em me sentar no cadeirão de bebê no qual eu mal cabia. Talvez eu já pressentisse que crescer nem sempre é uma boa ideia. Se eu continuasse pequena, meus avós ficariam ao meu lado para sempre. 

Simone Pedersen é colunista da Contemporartes e premiada escritora.




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Café com PP e Batuclagem na UFABC


2012 começou com todo o pique com os projetos de extensão Café com PP e Batuclagem dos quais participo e coordeno. Na quinta-feira passada, tivemos o primeiro encontro do Café com PP 2012, cujo tema foi Políticas Públicas de Saúde e contou com a presença de Thiago Ramos, pianista erudito da Camerata de Villa Lobos de Santos, que apresentou peças clássicas, além dos professores e especialistas em Políticas Públicas de Saúde Vanessa Elias e Francisco Comaru que apresentaram as últimas pesquisas na área. Tivemos um formato diferente, como em um talk show ao invés dos tradicionais slides. Houve um debate mediado primeiramente por Lucas Furtado e foram abertas as perguntas do público.
O próximo encontro Café com PP será dia 4 de junho quando teremos uma apresentação do Neblina sobre Trilhos e o debate com o Prof. Paulo Cézar Garcez, do Museu Paulista, que falará sobre Políticas Culturais. O encontro acontecerá na Fundação Pró-Memória São Caetano.

                                   Thiago Ramos no Café com PP/ UFABC -Sigma - São Bernardo

                                   Lucas Furtado e Vanessa Elias de Oliveira em conversa no Café com PP

                                  O professor Francisco Comaru em debate com Vanessa Elias
                                     Equipe e palestrantes

Já o Batuclagem começou 2012 com duas oficinas, uma sobre Contação de Histórias, ministrada por Jessica Mary Pereira e outra sobre Artes Gráficas, com Raphael Furquini. Amanhã será a primeira oficina feita com as crianças. Ela acontecerá na E.E. Homero Thon e o tema será Reciclagem. Os arte-educadores utilizarão brincadeiras, jogos e quiz sobre educação ambiental. Ainda está prevista uma segunda oficina nessa mesma escola ainda esse mês com o tema Biodiversidade.

O grupo Batuclagem 2012 tem dois violinistas clássicos, Thiago Ramos e André Freitas, uma contadora de histórias, Jessica Mary, uma formanda em Engenharia Ambiental, Hellen Tozi e duas estudantes do Bacharelado de Ciências e Tecnologia, Luana Sabatini e Karen Paula. Utilizará nas oficinas as técnicas de contação de histórias aliadas com a música e está previsto ainda a realização de um livro de Contos infantis adaptados para a educação ambiental.



Equipe Curupira /Batuclagem 2012


Equipe Boto / Batuclagem 2012.


Ana Maria Dietrich é coordenadora da Contemporartes e professora adjunta da UFABC.
 
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