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A imprensa brasileira de rock: Bizz – Ascensão e queda (parte 4/4)


por Marcelo Pimenta e Silva


A revista Bizz trazia em suas páginas uma abordagem alternativa das demais, tendo muitas vezes espaço para textos opinativos e com gírias que assemelhavam ao que a juventude brasileira falava naquele período. Dessa forma, a Bizz era contemporânea em linguagem ao que às rádios tidas como ‘malditas’ como a Fluminense FM, do Rio de Janeiro e a 89 FM de São Paulo apresentavam em sua grade de programação. O estilo gráfico era inspirado na revista inglesa Smash Hits e a chefia de redação de José Eduardo Mendonça.

A Bizz não se restringia apenas a estilos musicais, também era pauta o cinema, a moda, os quadrinhos, a tecnologia, a literatura, entre outros temas. Essa abertura para diversos assuntos teve bons resultados já na estréia, onde foram vendidos 100 mil exemplares. Logo se estabilizaria com uma média de 60 e 70 mil exemplares por mês. Em 1986 a revista consolida-se no mercado, graças também ao êxito do Plano Cruzado. Assim, a Abril lança outras publicações provenientes da Bizz como Letras Traduzidas, Ídolos do Rock e revistas-pôsters de artistas que faziam sucesso na época como The Cure, U2, Dire Straits e o grupo brasileiro RPM. O mercado publicitário também se aqueceu com o plano econômico e a Editora Abril explorou novas publicações direcionadas ao público jovem (FIGUEIREDO, 2005). A Bizz, em 1987, ficou segmentada apenas à música, já que havia sido lançada a revista SET, especializada em cinema. No mesmo ano, a revista passa a não ter concorrentes no mercado de música, pois a Roll e a Somtrês deixam de ser publicadas. Eram os sinais da retração da economia e do desgaste do Plano Cruzado. Nesse período, com a direção de redação nas mãos de José Augusto Lemos e o cargo de editor sendo chefiado por Alex Antunes, a revista assume um caráter “alternativo” em suas novas pautas (FIGUEIREDO, 2005).

Durante os anos 90 a revista seguiu alternando um discurso de apostas em bandas do cenário independente do rock nacional como Skank, Pato Fu, Raimundos, Planet Hemp, O Rappa, Okotô, Nação Zumbi, Carlinhos Brown, entre outros, assim como uma identificação da publicação com o movimento grunge e indie que se popularizava através da emissora MTV. Essa proposta mais “alternativa” seguiu até 1995 quando a revista passou a se chamar Showbizz. Com o tamanho idêntico da Rolling Stone (23x30cm), ela procurava ter uma linguagem idêntica à do canal de TV MTV, que se tornara um veículo abrangente e definia novos padrões de cultura e comportamento para os adolescentes e jovens nos anos 90. Com isso, a revista focava em um público “teen”, mas especificamente o masculino, com uma linguagem mais acessível e identificada aos adolescentes, além de explorar os espaços da revista com mais fotos do que com textos. Em 1998, a revista voltaria ao seu tamanho original, mantendo ainda o mesmo logotipo, contudo a Abril e a sua subeditora Azul, que produzia a Bizz, fizeram um acordo com a concorrente editora Símbolo, da forma que a Abril venderia assinaturas para a Símbolo, e esta teria suas edições trabalhadas pelos profissionais da Abril. Conseqüentemente, a Abril decidiu que a revista Bizz passaria a sair pela Símbolo, visto que, supostamente, esta editora trabalhava melhor com títulos segmentados. Da possibilidade de obter uma rentabilidade maior e de uma saída mais comercial para a Bizz, a revista em maio de 2000, passou a ser produzida e distribuída através da Símbolo, que destituiu diversos cargos que existiam na revista para cortar gastos e despesas internas. O resultado foi um prejuízo na qualidade da revista que aos poucos perdeu anunciante e reduziu o número de páginas. Em maio de 2001 a Bizz encerrou suas atividades.

Quatro anos depois a editora Abril retomou a revista com diversas mudanças na parte gráfica e com matérias novamente baseadas especificamente em rock e pop, além de matérias temáticas seja sobre drogas ou comportamento, mas todas tendo como foco principal a música. No contexto atual de blogs, e-zines, onde a internet é uma realidade já concreta e estabelece novas e dinâmicas formas de comunicação, a Bizz não resistiu novamente às mudanças da sociedade e fechou as portas pela segunda vez em julho de 2007.

Apesar de a Bizz ter nascido de uma demanda mercadológica, com objetivos explicitamente comercias, a revista notabilizou-se e ganhou credibilidade pela sua identidade editorial. Marcada pela irreverência ácida de seus jornalistas que criaram diversas polêmicas com bandas, músicos e gravadoras, a Bizz modernizou o jornalismo cultural do país. Essa característica anárquica da publicação fez com que ela fosse durante muito tempo a principal revista segmentada de música e cultura pop do Brasil. A Bizz continha um público fiel que enxergava na revista o principal veículo de comunicação de cultura jovem, isso antes da entrada da MTV no Brasil e do surgimento e popularização da internet no país. Mesmo que a revista tenha passado por três editoras diferentes (Abril, Azul e Símbolo e por fim voltando a Abril), além de diversas mudanças editoriais e gráficas, a Bizz traduziu toda uma geração (anos 80 e 90) que pode ser caracterizada pelo sociólogo Michel Maffesoli, como a das tribos urbanas. (1)

Dentro de uma perspectiva histórica sobre a imprensa musical no Brasil, em especial a voltada ao gênero rock, pode-se observar a “ascensão e a queda” dessas publicações como o resultado da expansão midiática nos últimos anos. Ou seja, se no começo as revistas serviam como principal canal de informação de um público consumidor do produto música, isso foi alterado com a introdução da televisão a cabo e, posteriormente, a popularização da internet. Dessa forma, as revistas de músicas passaram por uma reformulação em seu conteúdo, muitas perdendo espaço para os novos canais de informação gerada em blogs e redes sociais.


Nota:

(1) - Conceito desenvolvido por Michel Maffesoli que considera “tribos urbanas” micro grupos formados por indivíduos que têm em comum os mesmos gostos, idéias e objetivos em comum. Não tem uma ligação ideológica, contudo podem resistir ao poder com práticas alternativas de resistência. O interesse em consumir bens simbólicos próprios de cada sub-cultura os caracteriza em universos simbólicos característicos. Podem transitar de grupos para grupos, pois o sentido de pertencimento que os envolve é frágil. Exemplos: punks, headbangers, skinheads, neo hippies, entre outras tribos.

Referências bibliográficas:

BISSIGO, Luís. E assim se passaram 20 anos. Jornal Zero Hora. 19/01/2005. Porto Alegre. P. 6 e 7.

BRUNELLO, Aline Viviani; BORGES, Maria Fernanda Duarte Guimarães; TAKAHASHI, Vivian Cristina Bezerra. A Revista Bizz/Showbizz no jornalismo musical brasileiro da década de 90. Monografia de conclusão de curso de jornalismo da Universidade de Ribeirão Preto, São Paulo. Disponível em: http://www.unaerp.br/comunicacao/i. Acesso em 28 de agosto de 2009.

FIGUEIREDO, Alexandre. A volta por cima. Observatório da Imprensa. Disponível em: http://observatorio.ultimosegundo.ig.combr/artigos.asp?cod=358JDB003. Acesso em: 17de julho de 2008.

GUIMARAENS, Edgar. Algo sobre Fanzines. Disponível em: http://kplus.cosmo.com.br/materias.asp?co+4. Acesso em: 22 de setembro de 2009.

MAFFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos. 2 ed. Rio de Janeiro. Editora Forense Universitária, 1998.



Contribuição do leitor Marcelo Pimenta e Silva, natural de Bagé/ Rio Grande do Sul, nascido em 11 de outubro de 1979. Jornalista pela Universidade da Região da Campanha – Urcamp, atua como assessor de imprensa e pesquisador. E escreve artigos sobre política e cultura em geral.
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A imprensa brasileira de rock: Rock Brigade e Bizz (parte 3/4)


por Marcelo Pimenta e Silva


Rock Brigade e a imprensa heavy metal
Como vimos no artigo anterior, o Rock in Rio e a cobertura da Rede Globo ajudou a divulgar o universo da cultura heavy metal, porém a revista que era o principal informativo do universo “metaleiro” a Rock Brigade nasceu no início da década de 80. Fundada por jornalistas que, antes de mais nada, eram também fãs de bandas de heavy metal, a publicação nasceu como um fanzine. O informativo do fã-clube Rock Brigade de São Paulo passou a circular no ano de 1981. A resposta do público foi tamanha que a partir da segunda metade da década de 80, a Rock Brigade já era a ser uma das principais publicações do gênero no mundo.

O diferencial na publicação através dos anos foi contar com uma eficiente distribuição nacional. Aos poucos a revista ganhava mais páginas e logo passaria de um informativo com folhas de papel jornal em preto e branco para uma revista toda em cores. Essas mudanças gráficas que seriam perceptíveis durante os anos 80, até o começo da década de 90, resultaram num aumento de anunciantes, a maioria composta por gravadoras e lojas de discos. Contudo, a Rock Brigade não ficaria restrita ao mercado editorial, ainda na década de 80, nascia a Rock Brigade Records, selo fonográfico que tinha a função de distribuir discos de grupos estrangeiros e lançar inúmeras bandas de heavy metal do país. Inúmeros grupos tiveram seus primeiros lançamentos produzidos e distribuídos pela Rock Brigade Records.

Na década de 90, a Rock Brigade era a principal revista de rock e heavy metal do Brasil. Contava com diversos correspondentes no exterior e abria espaços para outras revistas segmentadas dentro do nicho da imprensa musical. Top Rock, Dynamite, Metalhead, Valhalla, entre outras foram algumas das principais publicações da década de 90 e da década 00 que surgiram a partir do sucesso da Rock Brigade.



Bizz: um marco para a música pop nacional
A Bizz nasceu em um período único na história cultural do país, onde com maior liberdade social houve a ascensão do rock nacional como música popular. Com essa nova perspectiva dentro de uma indústria cultural consolidada, a Abril planejou lançar no mercado uma publicação mensal nos moldes das já consagradas Rolling Stone, Melody Maker, New Music Express (NME). A Bizz foi às bancas com uma bem definida estratégia de intenção e entendimento comercial, algo diferente de outras publicações anteriores, que na maioria dos casos foram efêmeras.

Durante o Rock in Rio de 1985, a Editora Abril encomendou uma pesquisa de mercado tendo como fonte o público que estava no evento. Nessa enquete havia perguntas sobre bandas prediletas; o tipo de publicação musical que gostariam de ler, entre outras questões que deram respaldo para que a Abril publicasse alguns meses depois, uma revista que voltada ao cenário da cultura pop. (Brunello, Borges e Takahashi, 2005).

A revista teve sua primeira edição publicada em agosto de 1985 e surgiu para atender uma demanda existente após a constatação que havia um mercado a ser explorado. Um grande consumo de produtos para a faixa etária dos jovens, que ia de vestimentas a aparelhos de som e vídeo; o aumento de público em shows nacionais e internacionais; a crescente venda de discos, além da revolução causada pelo videoclipe, fez com que a Editora Abril planejasse um veículo que pudesse suprir as necessidades desse público ávido por consumir informações sobre o mundo musical e cultural, além de atender a proposta do mercado editorial. (Brunello, Borges e Takahashi, 2005).

Com periodicidade mensal, linguagem adaptada à atual geração jovem, estilo gráfico moderno, material inédito que não se resumisse em biografias “requentadas” de “dinossauros” dos anos 60 e 70, mas matérias realizadas por jovens jornalistas que tinham especialização em crítica musical e cultural. A revista, além de contextualizar suas pautas com a produção do cenário brasileiro, soube captar essa mudança de perfil no jovem brasileiro, o que fez com que a publicação fosse um sucesso de vendas por mais de dez anos, tendo uma tiragem de cerca de 50 mil exemplares. Sem concorrentes na época, a Bizz tornou-se, de fato, o maior expoente como veículo impresso em jornalismo musical.


Referências bibliográficas:

BISSIGO, Luís. E assim se passaram 20 anos. Jornal Zero Hora. 19/01/2005. Porto Alegre. P. 6 e 7.

BRUNELLO, Aline Viviani; BORGES, Maria Fernanda Duarte Guimarães; TAKAHASHI, Vivian Cristina Bezerra. A Revista Bizz/Showbizz no jornalismo musical brasileiro da década de 90. Monografia de conclusão de curso de jornalismo da Universidade de Ribeirão Preto, São Paulo. Disponível em: http://www.unaerp.br/comunicacao/i. Acesso em 28 de agosto de 2009.

FIGUEIREDO, Alexandre. A volta por cima. Observatório da Imprensa. Disponível em: http://observatorio.ultimosegundo.ig.combr/artigos.asp?cod=358JDB003. Acesso em: 17de julho de 2008.

GUIMARAENS, Edgar. Algo sobre Fanzines. Disponível em: http://kplus.cosmo.com.br/materias.asp?co+4. Acesso em: 22 de setembro de 2009.

MAFFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos. 2 ed. Rio de Janeiro. Editora Forense Universitária, 1998.



Contribuição do leitor Marcelo Pimenta e Silva, natural de Bagé/ Rio Grande do Sul, nascido em 11 de outubro de 1979. Jornalista pela Universidade da Região da Campanha – Urcamp, atua como assessor de imprensa e pesquisador. E escreve artigos sobre política e cultura em geral.
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A imprensa brasileira de rock: a era Rock In Rio (parte 2/4)


por Marcelo Pimenta e Silva


O primeiro Rock in Rio foi um marco para o mercado musical no Brasil. Realizado durante o mês de janeiro de 1985, o evento tornou-se um dos símbolos da juventude pós-ditadura que mitificaria a cultura rock e pop no país. O Brasil vivia a redemocratização e essa foi apenas uma das novidades naquele ano. O Rock in Rio vinha de encontro a esse momento histórico na política nacional e possibilitou uma “abertura” para que shows internacionais ocorressem com maior freqüência no país, bem como proporcionou a consagração do cenário pop e rock nacional. Entre 11 e 20 de janeiro, mais de um milhão e meio de pessoas presenciaram na ‘Cidade do Rock’, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, diversas atrações internacionais como Iron Maiden, Queen, Ozzy Osbourne, B-52s, Nina Hagen e nacionais como Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Ney Matogrosso (BISSIGO, 2005).

O festival sedimentou uma credibilidade de público e de organização que consolidou o mercado nacional num dos principais consumidores do produto rock. A importância do festival foi ter traduzido, naquele momento, o estilo musical como fenômeno político e social da juventude que vivia uma nova fase do Brasil.

Dois anos antes do Rock in Rio, bandas como Blitz, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso passaram a fazer sucesso trazendo uma identificação frente ao público jovem desejava músicas mais contextualizadas com o período de redemocratização.

O rock nacional expressava um fenômeno da classe média brasileira que após o Rock in Rio fortaleceu o mercado fonográfico graças também ao Plano Cruzado do governo do presidente José Sarney (1985-1990). O plano econômico serviu como ponte para que uma sociedade ávida por consumo e com condições de aquisição de bens se instalasse no país, ou seja, cerca de vinte milhões de pessoas que sobreviviam com um salário mínimo também passaram a adquirir produtos culturais como o hábito de comprar discos.

Essa gente também saiu comprando discos, a ponto de os Paralamas venderem trezentos mil e o Legião Urbana, oitocentos mil. O RPM contabilizou mais de dois milhões de consumidores em sua estréia. Em parte, o plano contribuiu para tornar o rock uma música realmente popular no Brasil. (Brunello, Borges e Takahashi, 2005).

Desta forma, é evidente que a primeira metade dos anos 80, chegando até o Rock in Rio, serviu para “formar” um público que não era mais representado pelos músicos de MPB. Ao invés da contestação social por metáforas, agora a juventude podia expressar de forma mais autêntica suas angústias, demonstrando toda sua pressa e impaciência, além da grande vontade de se divertir, sem precisar adotar ideologias ou utopias para ter seu espaço na sociedade.

A tribo heavy metal
O heavy metal já é um estilo quarentão dentro do rock e assim como o próprio rock tem inúmeras ramificações com grupos e cantores consagrados e outros obscuros, mas influentes dentro do próprio gênero. Os críticos apontam a banda inglesa Black Sabbath como a fundadora do estilo, isso porque em 1970 a banda lançou um disco que contrariava todos os preceitos do rock feito em plena contracultura. Com o fim do sonho hippie, o momento era devastador para uma juventude inteira que não poderia mudar o mundo, as letras tomadas de imagens obscuras como a de War Pigs(1) era a resposta para a alienação provocada pela política americana imposta ao mundo durante a Guerra Fria. A partir daí o metal se alastrou com diversas bandas e subgêneros, passando a fomentar inúmeras publicações underground que divulgaram o gênero.

Em contrapartida, no Brasil ainda vivia-se sob o clima de fechamento cultural, tendo como resultado desse processo político, uma cultura massificada que não permitia contato com outros formatos de música, em especial a feita em guetos como o punk, hip hop e o próprio metal. Como saída, havia uma profícua troca de informações que sustentava um underground ávido por rock pesado, bandas e cantores que não se enquadravam no modelo comercial veiculado pela grande mídia. Nesse cenário underground, os públicos de música heavy metal e punk rock se diferenciavam de qualquer outra tribo dentro da cultura pop, isso porque pareciam criar um universo simbólico dentro do sistema já estabelecido da música comercial. Esses fãs formavam tribos que sobreviviam às margens de grandes editoras e gravadoras, fomentando uma comunicação direta entre artistas e fãs, através dos fanzines e de fitas cassete que eram repassadas entre os fãs.

No próximo artigo, destacaremos a revista Rock Brigade e a revista Bizz.


Notas:

(1) - "Porcos de Guerra" – Música do grupo britânico Black Sabbath. Canção anti-guerra que protesta de forma agressiva contra a Guerra do Vietnã.

Referências bibliográficas:

BISSIGO, Luís. E assim se passaram 20 anos. Jornal Zero Hora. 19/01/2005. Porto Alegre. P. 6 e 7.

BRUNELLO, Aline Viviani; BORGES, Maria Fernanda Duarte Guimarães; TAKAHASHI, Vivian Cristina Bezerra. A Revista Bizz/Showbizz no jornalismo musical brasileiro da década de 90. Monografia de conclusão de curso de jornalismo da Universidade de Ribeirão Preto, São Paulo. Disponível em: http://www.unaerp.br/comunicacao/i. Acesso em 28 de agosto de 2009.

FIGUEIREDO, Alexandre. A volta por cima. Observatório da Imprensa. Disponível em: http://observatorio.ultimosegundo.ig.combr/artigos.asp?cod=358JDB003. Acesso em: 17de julho de 2008.

GUIMARAENS, Edgar. Algo sobre Fanzines. Disponível em: http://kplus.cosmo.com.br/materias.asp?co+4. Acesso em: 22 de setembro de 2009.

MAFFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos. 2 ed. Rio de Janeiro. Editora Forense Universitária, 1998.



Contribuição do leitor Marcelo Pimenta e Silva, natural de Bagé/ Rio Grande do Sul, nascido em 11 de outubro de 1979. Jornalista pela Universidade da Região da Campanha – Urcamp, atua como assessor de imprensa e pesquisador. E escreve artigos sobre política e cultura em geral.
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A imprensa brasileira de rock: os primeiros anos (parte 1/4)


por Marcelo Pimenta e Silva.


Introdução 
Nesta série de artigos voltados à imprensa musical nacional, em especial às publicações direcionadas ao universo do rock, destacaremos as revistas Bizz e Rock Brigade como as principais revistas de música do país. Responsáveis pela abertura de espaços editoriais para o segmento da imprensa voltada à cultura pop e rock, devem-se destacar também a importância e a influência que ambas tiveram nas décadas de 80 e 90. Contudo, em tempos de disseminação de blogs e revistas “on line”, as duas publicações encontraram problemas para continuar a trajetória de publicações inovadoras. A revista Bizz encerrou as atividades por duas vezes e hoje está fora de circulação desde 2007, quando surgiu a Rolling Stone Brasil. É importante ressaltar que a Rolling Stone é para a imprensa musical dos últimos 40 anos um império editorial mundial. Nessa luta inglória, entre uma publicação tupiniquim e uma estrangeira, com boa parte do conteúdo produzido no exterior, sobrou para a Bizz, que saiu do mercado, mesmo tendo em seu currículo a importância de ter ditado, com força e evidência, opiniões e rumos na indústria fonográfica no período pós Rock In Rio I e pré-MTV brasileira.

Em relação a Rock Brigade, depois de uma década de números expressivos, como quando foi destacada como a principal revista de música da América Latina em termos de edições publicadas (a Brigade ostentava uma tiragem de cerca de 60,000 exemplares), ela teve uma profunda reformulação interna que culminou com a saída de diversos jornalistas tradicionais da revista.

Atualmente, conforme alguns críticos e leitores, a principal revista do gênero de heavy metal no Brasil é a Roadie Crew que surgiu em 1997 e também tem suas origens a partir de um fanzine. A Roadie Crew conta com uma expressiva tiragem, edições especiais e é publicada também em Portugal.

As décadas de 60 e 70
Durante a década de 60, as revistas de rock traziam um aspecto mais conservador em suas reportagens, a maioria divulgando os astros da Jovem Guarda que eram ídolos da televisão, bem como a “beatlemania” e o rock mais comercial do período. A falta de informação era um dos entraves dessas publicações, afinal com o fechamento cultural imposto pela ditadura militar (1964-1985) o rock era visto como “subproduto do imperialismo americano”.

Com a quebra de costumes proposta pela Tropicália no final dos anos 60 houve a abertura para o rock no Brasil como símbolo de uma cultura universal. No contexto de contracultura, o Brasil estava amordaçado e a imprensa também. Contudo, deve-se levar em conta que o período de exceção e fechamento causado pelo Ato Institucional N° 5, o AI-5, limitou a contracultura no Brasil a núcleos de produção underground, vozes discordantes que desenvolveram uma imprensa alternativa ao jornalismo censurado pela ditadura.

O espaço para o rock e todo o universo pop do final dos anos 60, por si só a própria face mundialmente conhecida da contracultura, passou a ter espaço na coluna de Luiz Carlos Maciel no clássico jornal alternativo Pasquim. Conhecido através do Pasquim, Maciel participou de diversos impressos nanicos, culminando com a editoria da Rolling Stone pirata, publicação que durou apenas um ano. Do começo dos anos 70 até o fim da década foram inúmeras as publicações direcionadas que auxiliaram a fomentar o rock como símbolo máximo da cultura jovem mundial. A maioria durou pouco, mas consolidou o jornalismo musical brasileiro, em especial a crítica de rock.

Com o fim da ditadura militar e a abertura política, o rock tornou-se o principal produto cultural da juventude brasileira que não tinha uma ligação ideológica com as reivindicações por liberdade de expressão e combate ao regime de exceção. Portanto, sem mais um ideal coletivo de mudanças políticas, os jovens queriam apenas se divertir e viver de forma expansiva os primeiros anos sem a mordaça e a repressão do regime militar. É nesse contexto, que as editoras percebem um grande filão: o público jovem hedonista e individualista que consomes produtos culturais que o distinguem em tribos. Dessa forma, há um nicho editorial para todo o tipo de jovem: o surfista, o esportista, o adepto da filosofia ambientalista, o cinéfilo, bem como aqueles jovens que adoram o universo da música pop.

No próximo artigo, iremos abordar o festival Rock In Rio como marco cultural para a juventude brasileira e a consolidação da imprensa segmentada ao universo do rock.

Referências bibliográficas:

BISSIGO, Luís. E assim se passaram 20 anos. Jornal Zero Hora. 19/01/2005. Porto Alegre. P. 6 e 7.

BRUNELLO, Aline Viviani; BORGES, Maria Fernanda Duarte Guimarães; TAKAHASHI, Vivian Cristina Bezerra. A Revista Bizz/Showbizz no jornalismo musical brasileiro da década de 90. Monografia de conclusão de curso de jornalismo da Universidade de Ribeirão Preto, São Paulo. Disponível em: http://www.unaerp.br/comunicacao/i. Acesso em 28 de agosto de 2009.

FIGUEIREDO, Alexandre. A volta por cima. Observatório da Imprensa. Disponível em: http://observatorio.ultimosegundo.ig.combr/artigos.asp?cod=358JDB003. Acesso em: 17de julho de 2008.

GUIMARAENS, Edgar. Algo sobre Fanzines. Disponível em: http://kplus.cosmo.com.br/materias.asp?co+4. Acesso em: 22 de setembro de 2009.

MAFFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos. 2 ed. Rio de Janeiro. Editora Forense Universitária, 1998.


Contribuição do leitor Marcelo Pimenta e Silva, natural de Bagé/ Rio Grande do Sul, nascido em 11 de outubro de 1979. Jornalista pela Universidade da Região da Campanha – Urcamp, atua como assessor de imprensa e pesquisador. E escreve artigos sobre política e cultura em geral.
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