Carros - paixão - café em Vassouras
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| Fiat 1926 |
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| Essex 1926 |
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| Packard Dietrich, 1926 |
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| Ford T, 1904 |
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| Auburn 1928 |
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| Fiat 1908 |
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| Detalhe do Ford "bigode" |
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| Um pedaçinho do passado.... bela fazenda |
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Nesta semana a coluna “Poesia Comovida” tece comentários sobre 2 letras de música do compositor mineiro Celso Adolfo que, como alguns outros músicos da MPB da atualidade, podem muito bem serem considerados poet
as. No entanto, alertamos que não seguimos aqui nenhum manual literário ou musical que defina quando e como uma letra de música deve ser considerada poesia ou não e nem seguimos a nenhuma máxima de nenhum “autoridade” das artes envolvidas. Utilizamos nesta escolha apenas um certo faro, afinado ao longo dos anos pelo prazer da leitura de poemas, que nos permite sentir como são os poemas que nos comovem.
A primeira vez que ouvi falar em Celso Adolfo foi com a música “Azedo e Mascavo”, que participava da seletiva do festival dos festivais em 1985. A música tinha um ritmo forte e surpreendia pela poesia. Além disso, ela era muito bem apadrinhada por Milton Nascimento, que acreditava na época que ela iria para a final. Não deu certo: “Azedo e Mascavo” não passou na eliminatória para as 12 finalíssimas e o festival terminou vencido pela diva “Tetê Espíndola”, com a música “Escrito nas Estrelas”.
Mas eu guardei o nome do cantor e fiquei com a música na cabeça e, a partir daí, passei a procurar discos dele sempre que surgia uma oportunidade. Foi com grande alegria que, anos mais tarde, eu pude adquirir 2 discos dele em Belo Horizonte (Coração Brasileiro – 1983 e Anjo Torto – 1990) , tornando-me então um fã seu e passando a procurar os outros discos. Ouvir Celso Adolfo é um hábito gostoso e saudável que, ainda hoje, eu faço questão de manter.
***
Discografia de Celso Adolfo:
1983 – CORAÇÃO BRASILEIRO - Produzido por Milton Nascimento [BH-RJ]. 
1988 – FELIZ - Produzido por Túlio Mourão [BH].
1990 – ANJO TORTO - Dirigido e arranjado por André Dequech [BH-RJ-NYC].
1995 – BRASIL, NOME DE VEGETAL - Produzido por Mazzola [RJ].
1998 – FESTA DO PADROEIRO - Produzido por Celso Adolfo [BH].
2003 – O TEMPO - Produzido por Celso Adolfo [BH-SP].
2006 – VOZ, VIOLÃO E ALGUMAS DOBRAS - Produzido por Celso Adolfo [BH-SP].
2008 – ESTRADA REAL DE VILLA RICA - Produzido por Celso Adolfo [BH-SP].
***
DOIS POEMAS COMENTADOS
O poema “O Tempo” é um ótimo exemplo do poder poético deste compositor que aqui é um mero contemplador inserido numa tarde de um ambiente rural (uma fazenda, um sítio, uma vilazinha do interior?). Inicialmente o observador distraído vai apenas filtrando as belezas passíveis à sensibilidade poética e, à medida que ele que incorpora na paisagem, a gente percebe há um vacilar de palavras que nos permite faz duvidar se são realmente as cores das coisas que vão aos poucos colorindo os olhos do poeta, ou se são seus olhos de pintor que vão dando brilho às coisas da tarde. Instaura se um ambiente de paz que nos permite sugerir uma quase sonolência que bem poderia congelar, como numa foto, eternizando o observador à paisagem. Mas de repente o tempo, que ocultamente espreitava o contemplador, aparece felinamente e o devolve à realidade. Como se a roda da rotina voltasse novamente a girar, o tempo devolve ao contemplador a sua situação humana e moritura. Mas não é sem luta que o poeta se agarra às belezas capturadas naquela tarde e sente no embate o tempo girar impiedosamente o globo para trazer-lhe a noite inadiável. Como um náufrago, que parece nadar desesperadamente na tempestade incontrolável dos dias, o poeta parece lutar para certificar a poesia colhida daquela tarde. Vale muito a pena ouvir e conhecer a versão musicada do poema!
O TEMPO

Atrás da moita tempo tudo vê
eu temo os seus abraços de punhal
espicho o dia de ele me perder
eu guardo o meu sossego no embornal
O tempo está na ponta do punhal
engulo seco, fico branco assim
eu pulo e salto, o medo ri de mim
o medo veste o seu capuz de sal
O boi balança o dia devagar
o dia cai e quebra a telha do curral
do rio vem o rio desigual
o tempo soma sombra e temporal
A pedra espanta os anjos do vitral
céu arrebenta a bolha do luar
a tarde cai, ouro cai do altar
o tempo é noite e dia sem parar
A noite é estrela de uma luz escura
o olhar segura a escuridão no ar
a noite busca a noite na fundura
o tempo cai da altura, vem buscar
E tudo quanto existe vai girar
e todo céu o seu e o meu lugar
e tudo dobra e tudo vai curvar
o tempo é “multitudinoso mar”.
Celso Adolfo, do CD: “O Tempo” – 2003.

NÓS DOIS
Celso Adolfo, do disco: "Feliz" - 1988.
***
Ilustrações: 1- foto do compositor Celso Adolfo; 2- foto da capa do disco "Anjo Torto"; 3- Trabalho do pintor cearence Aldemir Martins; 4- Trabalho dp pintor Aldemir Martins.
Altair de Oliveira (poesia.comentada@gmail.com), poeta, escreve quinzenalmente às segundas-feiras no ContemporARTES a coluna "Poesia Comovida" e conta com participação eventual de colaboradores especiais.
E essa mesma técnica que o primo usava, fazia com que a menina percebesse sobre si, refletindo sobre seus atos. “Podia dizer-lhe que justamente por me achar assim apagada é que precisava de me cobrir de mentira como se cobre com um manto fulgurante” (TELLES, 1998, p.40). Deste modo, a iniciação, descoberta e reflexão do conto se desencadeiam com metáforas e analogias emaranhadas na natureza. A protagonista, quando imersa na natureza, se desprende do medo e vê nela um ambiente confortável, talvez por estar próximo do amor pelo primo, ou por ter na ali um ambiente favorável ao seu amadurecimento de menina para mulher. E em meio ao verde e na procura de uma folha rara, ela encontra o êxtase que, antes da chegada do primo não sentia ao ir ao bosque.