Capitu traiu ou não traiu? de Raphael Reis




 Leaphar entrou na livraria S., localizada na cidade mais conhecida como Manchester Mineira, apesar de que, atualmente, suas fábricas e indústrias estão “pegando” as boas ondas nas praias do Rio de Janeiro.
   Observou a decoração em madeira, percorreu com o olhar as prateleiras. Queria algo de ficção científica, mas o que mais chamou sua atenção foi a seção de romances. Tomou em suas mãos o dvd de Tristão e Isolda; gostou da sinopse, qualquer dia o iria ver. Imediatamente lembrou-se, de relance, do caso do “Curioso Impertinente” – foi algo efêmero. Abriu o livro de Shakespeare, Romeu e Julieta, mas levou  mesmo foi Dom Casmurro, embora já o tivesse lido na época de vestibulando; gostava dos escritores nacionais.fast food e outros tipos de consumismos. 
   Saiu da livraria, andou pelo shopping, viu pessoas bonitas, a maioria fútil.

  Admirou esteticamente algumas garotas, até assobiou para algumas. Seu pescoço às vezes parecia entortar de tanto olhar para trás. Tenho para mim que esses comportamentos revelam a sensibilidade que o homem tem em apreciar o belo.
   Chamou-lhe atenção a promoção do vinho chileno, Santa Helena; saboreou-o em sua imaginação, paladar convidativo. Porém, levou mesmo foi o vinho argentino Trapiche, induzido pelo vendedor.
   Saiu naquela tarde chuvosa; desceu os degraus, satisfeito com suas compras. Combinação perfeita: leitura e vinho. Deixou o shopping pensando na namorada Geise. Talvez fosse mais interessante a companhia feminina para a degustação do vinho. Decidiu: foi para a casa da namorada. Lá chegou às vintes horas, no bairro nobre do Bom Pastor. Beijou-a e, em seguida, assentaram- se no sofá. Assistiram a qualquer coisa sem importância, programação de domingo.

   Leaphar lembrou-se do dia anterior; os dois haviam comprado algumas caixas de bis; duas de bis branco e duas de preto. Colocaram no pote da mesa de centro, variando bis preto e branco. Geise detestava bis branco; ele gostava.
   Leaphar abriu o pote e observou que só havia bis preto. Em um relance, pensou: quem teria comido os bis brancos, visto que Geise morava sozinha e possivelmente não recebia visitas? Logo, perguntou a Geise: alguém veio aqui? Quem comeu os bis brancos?
   Ela serenamente respondeu que deu vontade e comeu todos eles.
   Inconformado, incomodado e confuso, levantou-se do sofá, foi até a geladeira, guardou o Trapiche. Silencioso, ficou a olhar o vazio da geladeira. Pegou a garrafa de champanhe da noite anterior, um problema sensorial: a garrafa estava em um terço de líquido, embora tivessem deixado pouco mais de meia garrafa – ausência suficiente para duas meia taças.
   Voltou à sala, caminhou até a varanda, avistou a bela paisagem que lhe configurava. A pracinha do Bom Pastor estava linda naquela noite, dia de lua cheia. Lembrou-se de uma das aulas de história na qual o professor dizia, com certo ar romano, as palavras de César para sua esposa: – não basta que sejas honesta,
 tens que parecer honesta!
   Pensamentos flageladores, bis brancos e champanhe, honestidade e aparência da honestidade. Geise podia até ser honesta com ele, mas não estava aparentando ser.
   É saber que no contexto em que vivera, a traição era algo normal, perdoável e até justificável. Às vezes, a vítima é que era culpada, mas não para ele; tinha uma honra a zelar.
   Estava evidente: Geise tomou champanhe com alguém e esse desgraçado alguém comeu seus bis brancos. Pensamentos construíram a cena da traição. Os sorrisos de Geise com o anônimo, seguidos de seus olhos sedutores de cigana, o champanhe sedutor, a vestimenta e o que a teria levado a fazer aquilo. Ele era um bom rapaz, sempre a respeitou. Pode dizer a leitora maliciosa e feminista: mas ele mexia com as garotas, as devorava  com os olhares. Mas, desafio esse tipo de leitora: qual homem que não faz isso? Friso: essa atitude é mais estética do que outra coisa, acreditem!
   Enraivecido, rangeu os dentes. Deu vontade de chorar, não chorou. Geise, notando a tensão do namorado  perguntou, dissimuladamente, se havia acontecido algo e pediu para que ele se sentasse ao seu lado.
   Leaphar só escutou a primeira parte. Disse que estava com mal-estar, despediu-se e combinou que no outro dia ligaria. Entrou no elevador e notou que sua fisionomia não estava nada boa. Encarou sua imagem no espelho e percebeu-se um fracasso; envergonhou-se; imaginou como seria a reação das pessoas quando soubessem que ele fazia parte do clube dos cornos. Gritou, silenciosamente, filha da puta!
   Os sonhos, o dia de trabalho, foram intranqüilos.

   O celular tocou, era Geise. Disse a Leaphar que algumas meninas da universidade a convidaram para ir a uma churrascaria e fez questão de deixar bem claro que não havia nenhum garoto na turma. Leaphar ficou mais desconfiado e irritado, embora tranquilo por uma suposta ausência masculina, isto é, claro, se fosse verdade. Respondeu que estava tudo bem, que poderia ir sem problemas, porém, não queria que ela fosse de jeito algum.
   Às vinte e três horas ligou para a casa de Geise, só chamava, ela não tinha voltado. Desesperado, ficou a sua espera no outro lado da rua. Ficou à espreita. Quem iria trazê-la para casa, pensou. Passaram-se mais trinta minutos; ligou para o celular da namorada. Depois de três chamadas insistentes, Geise atendeu.
   Leaphar não escutou uma palavra da namorada, só ouviu uma voz masculina que ria ao fundo. Desligou  tremendo de raiva e suas suspeitas já eram a mais pura realidade.
   O ódio e a imaginação lhe tomaram conta. Não aguentava mais esperar, seria insuportável ver a traição. Angustiado, lamentava
o que estava acontecendo com ele. Os fatos já indicavam tudo. Percebeu as polaridades do ser humano: o amor e o ódio, a traição e a fidelidade, instinto animal e comportamento padronizado. Foi para casa.

   O racional virou irracional e o irracional virou racional. Desprezou Geise, rechaçou todos os telefonemas, não queria mais conversar com ela, ignorou-a completamente.
   Após o sexto dia, a convite de um amigo, foi a um churrasco. Claro, sem Geise, nem comunicou a ela que iria. Lá encontrou Paula, mulher de fascínio e qualidades mil. Um metro e setenta de altura, cabelos lisos pretos e compridos, olhos escuros, roupa sedutora e salto alto com estampa de onça, unhas pintadas
da cor que ele mais gostava – o vermelho.
   Contudo, entre todas essas qualidades, o que mais chamou a atenção de Leaphar foi a boca e o sorriso. Gostava de mulheres que tinham boca grande e lábios carnosos, apesar de que os de Paula eram leves e finos.
   Primeiro, disfarçou. Colocou a aliança de compromisso em um dos bolsos da calça, aproximou-se, conversou alguns minutos e finalmente se beijaram.
   Para Paula ele foi apenas mais um e para Leaphar foi a glória, sentimento de alívio, de vingança, de revanche. Suas angústias foram desaparecendo aos poucos; afinal, para ele, os dois
estavam, agora, quites.
   Chegando a sua casa, tomou uma ducha refrescante. Antes de dormir, foi até sua mini-biblioteca. Pegou em mãos o livro machadiano que comprara na livraria; estava no último capítulo, “E Bem, e o Resto”?
   Como se algo estivesse errado, leu, desconfortavelmente: “não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”.
   Fechou o livro apressadamente, o desassossego lhe reinou. Foi ao telefone, ligou para Geise.

Este conto faz parte da obra "Contos que Machado de Assis e Jorge Luis Borges Elogiaram", de Raphael Reis
 
Raphael Reis
 
Livro "Contos que Machado de Assis e Jorge Luis Borges Elogiaram", de Raphael Reis. Confira no blog www.donraphaelreis.blogspot.com os pontos de vendas, críticas literárias e outras informações.
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Recordando Gonçalves Dias




Antônio Gonçalves Dias nasceu em Caxias, Maranhão em 1823 e faleceu nas proximidades de seu estado natal em 1864. Cursou Direito na Universidade de Coimbra, regressou ao Brasil onde lecionou Latim e história da pátria e trabalhou para o governo.
É o primeiro poeta a se identificar com a causa romântica, com a sentimentalidade do seu povo e a consolidar o Romantismo no Brasil; muitos atribuem o fato de ele ser mestiço de pai português e mãe cafuza, um dos fatos principais da sua defesa do índio e da sua busca da igualdade perante aos europeus.
Sua obra é composta de poesias, romances e teatro. Sua lírica constituía-se de ideias e visões da tradição medievalista, com a contemplação panteísta e sentimento religioso, no sentido da associação de Deus à natureza; lirismo pessoal que concilia a sua experiência sentimental com seu o ideal amoroso revestido de significação autobiográfica. Cândido (2000, p. 71) classifica sua poesia indianista – que obteve grande destaque na produção deste autor - como “antevisão lírica e épica das nossas origens, revigorando as intenções nacionalistas”.
A poesia indianista ou Americana foi uma poesia através da qual o autor buscou promover o tema nacional. Através desta poesia, Gonçalves Dias procura revelar um tipo de visão em relação ao índio diferente da que os portugueses haviam antes pintado para o restante do mundo. Ele procura passar uma visão geral do índio como um ser belo, fantástico. Seu verso incorpora o detalhe pitoresco da vida americana ao ângulo romântico.
“Indianismo não significa apenas tomar como tema e assunto da literatura o indígena e os seus costumes.” Muitos achavam que bastava falar de índios ou relatar histórias em que estes estivessem presentes para que se fizesse uma literatura indianista ou americana, na realidade, para essa nova poesia o indígena surgiria como um ser acima do europeu, pelo fato de não ter sido contaminado pelos males da civilização. Escrever a poesia indianista implicava na construção de uma nova visão e um novo ponto de vista em relação ao índio, como uma realidade cultural e ética distinta da população europeia, essa lírica foi feita - feita por excelência - por um poeta mestiço de formação européia, Gonçalves Dias, “seu talento residia na capacidade de colocar à disposição dessa nova visão tudo o que aprendera de melhor: a cultura européia e  a sua tradição poética”(RONCARI, 2002,p.376 – 377).
Gonçalves Dias passa a dar importância à beleza dos indígenas e até a mostrá-los como seres ainda mais belos que os europeus, tanto é que em seu poema "Marabá", podemos notar que marabá- uma mulher de sangue branco e índio- se questiona a todo tempo acerca de sua beleza, pois nenhum índio a queria desposar, sofre por ter sangue branco, por não ter as características físicas dos índios (Cândido, A.2000). Com isso, o poeta contrapõe os ideais europeu e indígena, mostrando como os traços indígenas e seus ideais de beleza diferem do ideal clássico branco(RONCARI, 2002, P. 379).

Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
                       Acaso feiúra
                       Não sou de tupã?

-meus olhos são garços, são cor das safiras.
-É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
-Meus loiros cabelos em ondas se anelam.

Jamais um guerreiro da minha arasóia
                       Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
                       Que sou Marabá.


No poema "Juca Pirama" Gonçalves Dias obtém o máximo de seus recursos expressivos, sobretudo pela força das imagens e pela riqueza e variedade dos ritmos. Este poema nos oferece todos os elementos do indianismo: lutas, coragem, defesa de honra, o heroísmo cavalheiresco revivido no selvagem idealizado e fala também de um elemento- antes posto pelos europeus de forma erronia - que seria o ritual antropofágico. O autor mostra que para os índios morrer em um ritual como esse é simplesmente honroso, porque somente os guerreiros fortes, espertos e viris que têm o privilégio de sofrerem tal ritual (Amaral, 2000.p. 123).

No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos- cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.

[...]

-Basta! Clama o chefe dos Timbiras,
-Basta, guerreiro ilustre! Assaz lutaste,
E para o sacrifício é mister forças.-

O guerreiro parou, caiu nos braços
Do velho pai, que o cinge contra o peito,
Com lágrimas de júbilo bradando:
Este, sim, que é o meu filho muito amado!

 Juca Pirama é um poema indianista de Gonçalves Dias de notável sucesso e notavelmente poetizado. Nele, o eu - lírico canta a história de um jovem guerreiro da tribo Tupi que é capturado pelos índios Timbiras e por causa de sua bravura, coragem, vai sofrer um ritual de antropofagia, mas na angústia de deixar seu pai desalentado ele mostra fraqueza e pede para ser solto. Assim os Timbiras o soltam, mas seu pai fica triste ao saber que seu amado e bravo filho fraquejou, após saber de tal fato o velho índio levou o jovem de volta a tribo dos Timbiras, para que fosse morto e acusou-lhe de covarde.O filho vendo isso atirou-se à luta com tal bravura, que o chefe Timbira   reconheceu seu direito de morrer.

Referências Bibliográficas

 AMARAL, Emília ...[et AL].Português: novas palavras:literatura, gramática, redação. São Paulo:FTD, 2000.
 CANDIDO.Antonio, 1918- Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. 6 ed. Belo Horizonte. Editora Itatiaia Ltda, 2000
RONACARI, Luiz. Literatura brasileira: dos primeiros cronistas aos últimos românticos. 2 ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2002.

Rodrigo C. M. Machado é mestrando em Letras, com ênfase em Estudos Literários, pela Universidade Federal de Viçosa. Dedica-se ao estudo da poesia portuguesa contemporânea, com destaque para a lírica de Sophia de Mello Breyner Andresen.


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Oscar merecido; “A separação” trata de conflitos universais em terreno iraniano


Peyman Moaadi, Farhadi e Leila Hatami na festa do Oscar 2012
A separação é uma problemática do mundo contemporâneo que envolve questões sociais, culturais e religiosas. Em muitos lugares do mundo as pessoas tem livre arbítrio para escolherem sua cara metade, no entanto, nem sempre a escolha poderá perpetuar  até que a morte os separe. Casamento é cumplicidade, abnegação, companheirismo, mas não é só isso; é preciso que duas pessoas também queiram coisas semelhantes para terem objetivos comuns.  Por quanto tempo isto será possível? O tempo pode mudar os interesses destas pessoas, os lugares que freqüentam, os amigos, a profissão? Como então conservar amigos semelhantes, objetivos e vontades em comum? Qualquer um da dupla em questão pode cansar de conviver com os amigos do outro, com os familiares do outro, com as vontades do outro. Será que há esperança para o casamento? A solução estará no amor?

O amor platônico 

O amor é vivência e convivência. Mas amar inclui, às vezes,  fazer o que o outro quer, abrir mão da própria vontade em prol do ser amado. Até que ponto é possível amar um ser e compartilhar momentos comuns e felizes sem sentir-se sufocado ou prejudicado?
O amor está dentro de cada um dos amantes assim, o outro é sempre o objeto de seu amor. Platão, o mais importante discípulo de Sócrates, na obra “Timeu”, estabelece a famosa  diferença entre o mundo sensível (o concreto em que vivemos) e o mundo das idéias, lugar da perfeição onde acontece o amor platônico, fantasiado e idealizado, que   objetiva um ser perfeito. 


Para nós, mortais e reais, o amor é compromisso e esse compromisso é muitas vezes  selado pelo casamento. Voltamos ao casamento, que pode ser conseqüência do amor. As culturas judaico-cristãs ou até as egípcias tem nas alianças um símbolo semiótico de enlace e perfeição que expõem as pessoas que as usam a deveres e obrigações. Quem as usam, devem satisfações de seus atos para o ser amado e vice-e-versa. Como num lacre supremo segurado pela fidelidade austera, casar é mais que prova de amor, é responsabilidade e juramento severo.  Um juiz de paz, um padre, um rabino ou seja lá quem presencie e sele o pacto de amor, testemunha o acontecido. Um pacto financeiro, social, cultural, de bens, de fidelidade e religiosidade. Um amálgama de quereres e deveres.

O amor shakesperiano  


Shakespeare imortalizou o amor de Romeu e Julieta matando os amantes, assim, o amor não precisaria ser gasto com a convivência, com os filhos, com os problemas de amigos diferentes, de ciúmes, de familiares... Para conservar o amor perfeito, o dramaturgo inglês preferiu matar os objetos do que o amor.
a morte de Romeu
É, de cara o filme “A separação”, do iraniano Asghar Farhadi, que ganhou o Oscar 2012 na categoria melhor filme estrangeiro, conseguiu tratar de um tema universal, polêmico e atemporal pelo viés iraniano. Com um roteiro simples mas instigante, o filme conta a história do divórcio de Naader (Peyman Moaadi) e  Simin (Leila Hatami). Ao que tudo indica o motivo da separação é a incompatibilidade de objetivos; enquanto Naader precisa cuidar do pai com Alzheimer, Simin quer deixar o país para que a filha do casal não cresça no Irã.

Pessoas que se amam e desenvolvem ideais diferentes costumam se separar; o fato é, Naader não pode deixar o pai doente e seguir para uma vida com sua mulher e filha fora do Irã. Já Simin, não consegue continuar cuidando do sogro. Assim o casamento está em cheque, a solução é ir cada um  pro seu lado. É, mas as coisas não são tão simples assim, eles tem uma filha que fica dividida e sofre por ter de escolher entre o pai e a mãe.
Farhadi constrói personagens complexos com sentimentos e emoções imprevisíveis, colocando nós, expectadores, diante de um jogo antagônico de tomada de decisões. Estamos presenciando testemunhos dos personagens diante da justiça do Irã, peculiarmente estranha para nós brasileiros, tentamos nos posicionar querendo achar os culpados, as vítimas, mas sabiamente Farhadi nos conduz para o universo das possibilidades. Sem a intenção maniqueísta do diretor não é possível tomar as razões e as dores de um só personagem. Apesar de terem sido colocados um contra os outro é muito difícil para nós concluirmos quem é o vilão e quem é o mocinho desta história.


Algumas características típicas dos filmes iranianos são conservadas como: as crianças em cena, o naturalismo quase documental e  a câmera na mão. No entanto, é notório observar como o diretor trabalhou a montagem, muito bem cuidada com planos bem pensados e com  supressão de cenas chaves que instigam o espectador e dão beleza e dinamismo ao filme. Farhadi é generoso, lança um olhar cúmplice e poético para seus personagens, desenha lindas imagens dos sentimentos e atitudes deles durante o filme. Reparem nas imagens como a separação entre o casal proporciona conflitos de ordem estrutural na família,  no próprio amor e como as cenas são signos destes sentimentos. Apesar do filme ter uma vertente naturalista, a atuação dos atores é um ponto forte.  Fiquei particularmente encantada com o ator que interpretou o pai de Naader. Uma cena inesquecível acontece no quarto; neta e avô sentados na cama, ele corcunda pela doença, ela com a cabeça baixa de tristeza, a posição semelhante dos dois que dividem o mesmo sentimento pela separação do casal. 


Lindas cenas, ótimo filme, vale muito a pena conferir e entender como a separação envolve tantas questões aqui e no Irã ou talvez em qualquer lugar do mundo. Separar é ir cada um para seu lado, lados opostos e, deste amor que nada lembra o amor shakespeariano ou platônico, parece sobrar apenas dores, magoas, um velho e um filho.
Bom filme!

Para terminar, um poema do Leandro Daniel (Musseque) inspirado no livro que também fala sobre o amor:

"O Amor é sexualmente transmissível" - do livro de Marçal Aquino, "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios" - Homenagem ao professor Schianberg.
 

E hoje, você está se sentindo bonita?
Tem alguém aí?
Ou são só ruídos bastardos?
Tem alguém aí?
Atrás do que está na frente?
Tem alguém aí?
Embaixo da máscara,
ou serão máscaras ao infinito?
Alguém se espreita aqui
irrequieto, quer fugir de si
sem saber que o que consegue
em seus áureos esforços
é uma versão do ponto inicial
Aqui – fronteira - Aí
só pra constar:
se tiver alguém aí
tire-me daqui por uns instantes
de minhas versões infindas
quem sabe daí
ouça melhor meus ruídos criptografados.


Kátia Peixoto é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Mestre em Cinema pela ECA - USP onde realizou pesquisas em cinema italiano principalmente em Federico Fellini nas manifestações teatrais, clowns e mambembe de alguns de seus filmes. Fotógrafa por 6 anos do Jornal Argumento. Formada em piano e dança pelo Conservatório musical Villa Lobos. Atualmente leciona no Curso Superior de de Música da FAC-FITO e na UNIP nos Cursos de Comunicação e é integrante do grupo Adriana Rodrigues de Dança Flamenca sobre a direção de Antônio Benega.
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JANELAS PARA A HOLANDA


        
"Que vêem meus globos oculares? Ah- o céu azul. Meu grande amigo! E as janelas, também – você já parou para curtir as janelas? Vamos lá, vamos falar sobre janelas. Tenho visto algumas verdadeiramente muito loucas, que até fizeram caretas para mim, e algumas estavam com as cortinas cerradas e mesmo assim piscavam para mim." 
         (On the Road, Jack Kerouac)     

               
                                                               
Conhecer a Holanda sempre despertou em mim grande interesse e curiosidade. As referências eram muitas: amigos holandeses, a influência que exerceram sobre o Nordeste do Brasil no período colonial, as realizações fantásticas de Maurício de Nassau sempre me encantaram.

                                          "Reflexos na Estação"

As obras de seus pintores famosos: Vermeer, Rembrandt, Van Gogh e Mondrian também marcaram para sempre em minha memória as aulas de História da Arte. Acompanhava com interesse reportagens sobre a evolução de sua Engenharia na luta constante com as águas, sua cultura ao mesmo tempo arrojada e de preservação de valores.


                                                                         "Welcome"


Não é à toa que no brasão do país estão inscritas as palavras: "Je maintiendrai", um teimoso "eu perseverarei", característico de um povo de mentalidade liberal mas profundamente ligado à sua história e tradição.

                                                                         "Arquitetura"

Quando cheguei ao Aeroporto de Schiphol em Amsterdam, chovia muito e fazia frio, e assim permaneceu quase todo o tempo de minha estada, no início do outono europeu. Despida de idéias preconcebidas do que fotografar, fui andando ao acaso pelas ruas e fotografando cenas comuns, retalhos do cotidiano, pessoas que achava interessantes.

                                            "A dama de vermelho"

Quando alguém me perguntava porque  estava fotografando, respondia simplesmente "I'm learning". Em vários sentidos. Sabia, no entanto, o que eu não queria: fotos convencionais de revistas de turismo, paisagens e arquitetura deslumbrantes.

   "Crianças na Escola"

Concentrei-me nas coisas que meu feeling apontava, e aí surgiu a paixão pelas janelas das casas e escritórios e por extensão das vitrines de lojas e vidraças de bares: amplas, decoradas com generosidade. Andando na chuva com minha sombrinha de folhas de cannabis recém-comprada, olhava para as casas através de suas janelas e tudo me parecia aconchegante e intimista.

                                                               "Escada para o Infinito"

Tornou-se quase uma obsessão fotografar janelas: graciosas, com grades, criativas ou até mesmo quebradas, mas em sua grande maioria muito belas. Atrás delas muitas vezes havia personagens curiosos: o cão dentro de um carro, as crianças em uma escola de arte, o velho em um bar.


"Bar doce Bar"

E por extensão, comecei a fotografar toda superfície que espelhasse ou refletisse objetos e luzes: perseguindo poças de água da chuva, vidros de carros, trechos do canal de Singel e até mesmo bicicletas que lado a lado, pareciam uma imagem multiplicada em milhares.

                                                                   "Depois da Chuva"

Neste processo surgiu uma interação entre observador e observado, e o tema subjetivo do ensaio fotográfico: descobrir quem estava por detrás das janelas, quem era o outro. Os vidros, embora transparentes, se interpunham e impediam uma completa comunicação.

                                                   "Fera Aprisionada"

Indo nesta direção, termino fotografando minha própria imagem refletida em uma vitrine de uma casa de jogos: nas máquinas vazias, luzes se multiplicavam, imagens se fundiam formando um caleidoscópio. Simbolicamente compreendo que na busca de entender o outro, acabamos buscando respostas para nossas próprias questões essenciais.

                                        "Paisagem Tridimensional"

Editando o material obtido nesse ensaio fotográfico - aqui estão apenas algumas das centenas de fotos feitas - e refletindo posteriormente à respeito, percebo que o fotógrafo constrói a sua imagem, aquilo que ele quer dizer através do instante fotográfico, da concentração das diferentes temporalidades em um único momento, o chamado tempo da fotografia.

                                          "Paisagem no Espelho"

Assim, a documentação visual, especialmente a fotografia nunca pode ser tomada de forma ilusória como um documento socialmente realista e objetivo, ela é muito mais um meio de compreensão imaginária da sociedade.


                                                                   "Vista do Trem"

Assim como se pode falar em imaginação sociológica, pode-se também falar em imaginação fotográfica que nesse caso envolve todo um modo de produção de imagens, como a composição, a perspectiva, os recursos técnicos para escolher e definir a profundidade de campo, e principalmente aquilo que vai fazer parte e o que vai ser excluído do campo visual, enfim todo um modo de construir a fotografia.

                                                                    "Olhar fixo"

A fotografia é documento de estranhamento do fotógrafo em relação àquilo que vê, assim sendo as fotografias de rua que são o locus do meu ensaio, representam um duplo estranhamento, uma intensificação desse sentimento, já que as ruas são o espaço das cidades onde normalmente estranhos se cruzam: como testemunho do encontro físico entre fotógrafo e fotografado no momento da tomada, e pelo estranhamento do fotógrafo em relação ao objeto fotografado.

"NEDERLAND,
RIMA COM FANTASIA.
ESSA,
A MINHA LICENÇA

POÉTICA".



Texto e Fotos: Izabel Liviski

Agradecimentos: À Rosa Bruinjé (in memorian) e Toni Bruinjé (Consulado da Holanda) que gentilmente patrocinaram a Exposição "Janelas para a Holanda", na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba.

Referências:
KEROUAC, Jack - On the Road -tradução de Eduardo Bueno, L&PM, 2011.
MARTINS, José de Souza- Sociologia da Fotografia e da Imagem- Editora Contexto, 2008.






Izabel Liviski é professora e fotógrafa,  doutora em Sociologia pela UFPR. Escreve a coluna INcontros desde 2009, e é Co-editora da Revista ContemporArtes.

Contato: <bel.photographia@gmail.com> 









ContemporARTES - Revista de Difusão Cultural, interdisciplinar e mensal com Qualis Capes B3 em Ensino, com registro no ISSN sob nº 2177- 4404.

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Anos verdes: verde lodo e verde musgo


De volta a Revista Contemporartes, apresento aos leitores as vozes do silêncio. Contraditoriamente como poderíamos falar do silêncio? Ou como poderia o silêncio falar? Todo silêncio carrega consigo uma infinidade de falas e vozes. Toda palavra dita carrega um/algum interdito. Mas se falamos de linguagem estética, artística, o jogo de ditos e interditos ganha um outro viés, posto a arte operar necessariamente no universo do símbolo. Ela de muitas maneiras busca representar, ficcionalizar os dramas humanos, não só os sentimentais (amor, saudade, nostalgia) mas também aqueles provenientes da violência e da exploração do homem pelo próprio.
Desde Platão e Aristóteles, as artes correspondem a uma linguagem que usando os mesmos signos da vida diária diverge do uso hodierno dos mesmos. Na literatura, a palavra (linguagem verbal) tem na metáfora sua primazia. Como afirma Aristóteles na sua Poética, ao conceituar tragédia e epopéia: na literatura, a linguagem é enxornada, ornamentada, composta por “ritmo, melodia e canto”, é metafórica e faz uso de termos raros. Na teoria literária moderna (séc. XX), especialmente em autores de teorias textualistas, podemos encontrar afirmações como: a literatura corresponde a uma violência organizada contra o uso corriqueiro da língua (Terry Eagleton). Ou ainda, a literatura ao usar as mesmas palavras do dia a dia, mas sob nova roupagem causa no leitor uma sensação de estranhamento. De todo modo, a literatura é uma linguagem simbólica que nos ajuda a compreender o homem como um animal simbólico (Orlando Pires).
Entretanto é exatamente em situações históricas adversas (em momentos de exceção, sob regimes políticos totalitários, autoritários) quando a liberdade de expressão é reduzida ao silêncio, e mecanismos de censura tornam-se frequentes, de modo a se instalarem no sistema cognitivo criador, que natureza simbólica, o jogo de ditos e interditos ultrapassa o valor artístico próprio da arte para assumir uma peculiaridade outra, místico-militante, num duplo registro ao mesmo tempo servindo de instrumento de combatem mas resguardando os membros da resistência. Neste contexto, não raro a linguagem artística, estética e, no nosso caso específico, na linguagem estética verbal, na literatura, torna-se ainda mais simbólica, metafórica, figurada, e recursos como a fragmentação formal o uso do mito e da alegoria se tornam frequentes, seja por causa da impossibilidade de narrar diretamente a violência, a tortura, o trauma advindos desse contexto, seja pela necessidade de escapar da censura ou de outros mecanismos de controle de informação em momentos de exceção. Como afirma Vasconcelos sobre a obra de Chico Buarque, “a linguagem da fresta”.
É no domínio da arte que as vozes silenciadas, os gritos contidos, os ditos interditos tem se revelado. Nas vozes do silêncio, procuraremos a cada mês dar vez a uma voz. Afinal nossa pesquisa acadêmica detém-se no mapeamento de autores que problematizaram esteticamente a resistência ao regime de exceção de 64-84/5. Para se ter uma ideia da produção sobre o período até o momento o Grupo NARRARES (Narrativa de Resistência) levantou mais de 80 narrativas romanescas brasileiras que contemplam em seu enredo a matéria bruta da história do regime político. Mas vale chamar atenção para o fato de a maior parte desses livros não fazerem parte do cânone nacional e muitos desses livros serem desconhecidos mesmo por estudantes e professores de Letras (ou História). Salvo quando o autor é de renome (Chico Buarque, Antonio Callado) ou quando a obra já tem certa notoriedade por ter sido adaptada para a TV (novela ou seriado, principalmente), a maioria dos romances desse corpus parece/parecia esquecida. Como a maioria são livros fora de catálogo das editoras e de difícil aquisição, o trabalho de garimpagem dessas obras é feita, principalmente, através de sebos físicos e virtuais; mesmo assim, alguns ainda precisam ser encontrados.
Se todos estivessem disponíveis para download, como o romance Verdes Anos, de Luiz Fernando Emediato [www.geracaobooks.com.br/e_books/Livro_Verdes_Anos.pdf], o trabalho de garimpagem deixaria mais tempo para a pesquisa, leitura, análise, etc. O livro foi publicado em primeira edição em 1977. Como o leitor pode acompanhar no arquivo, é um romance de estrutura fragmentada. Os capítulos têm relativa autonomia e, como afirma Luiz Ruffato no prefácio de Trevas no Paraíso – Histórias de amor e de guerra nos anos de chumbo, foram publicados de forma autônoma como contos em edições diferentes, de livros para crianças a livros de literatura erótica. Eu prefiro chamá-los capítulos-conto, embora o próprio autor não adote esta nomenclatura e ainda chame algumas narrativas de novelas (como a última do livro Verdes Anos, “Não passarás o Jordão”). Em Trevas no Paraíso, todas as narrativas do livro de 1977 são republicados junto com outras narrativas do autor, até então esparsas, mas são ordenados de uma maneira diferente conforme as preferências do organizador e prefaciador Luiz Ruffato.



Em Verdes Anos, temos sete capítulos-conto, sendo cinco na primeira parte da narrativa intitulada “O Lado de Dentro” (“O Outro Lado do Paraíso”, “Cândida”, “Also Sprach Zarathustra”, “O Despertar da Primavera”, “Verdes Anos”) e duas na segunda parte , intitulada “O Lado de Fora” (“A data magna de nosso calendário cívico” e “Não passarás o Jordão”). Na primeira narrativa intitulada “O outro lado do paraíso”, acompanhamos uma narrativa própria da literatura infantil. Antônio, pai do narrador protagonista, e que “procurava o país de Evilath, onde nasce o ouro e todas as pessoas são certamente felizes”(página 17-8), um dia resolve levar a família para Brasília, que passaria daí por dia a ser a capital de Evilath. Entretanto, “o país de Evilath tornava-se, a cada dia, um país triste e sombrio” (página 40) e nós vamos acompanhando a desilusão da família de Tunico e tomada de consciência do narrador frente à matéria bruta da história.


As três narrativas seguintes já nos colocam diante do narrador adolescente e suas experiências pessoais (sexuais principalmente) entrecruzando a matéria histórica. Em “Cândida”, oferece-nos um retrato de mulher que mais serve para revelar o estado burbulento do próprio narrador desejoso da mulher, que para de fato descrevê-la. Cândida já faz um bom tempo merece um estudo comparativo com outra personagem de romance com estrutura relativamente semelhante, publicado na mesma década e sob mesmo contexto histórico. Falo de Andréa do romance A Festa, de Ivan Ângelo.
“Also Sprach Zarathustra” e “O Despertar da Primavera” dão continuidade ao trabalho de focalização de uma vivência adolescente em meio ao ambiente hostil que é por si a própria vida para o adolescente com seus hormônios em estranha fervura, com o corpo esbarrando em cantos e quinas e com a própria difícil convivência com o outro-si-mesmo no espelho, mas além disso de uma vida em choque as contigências históricas adversas e frontalmente direcionadas contra o próprio ‘heroico’ peito.
“Verdes Anos”, capítulo-conto que dá título ao livro, serve como uma transição e é o que melhor releva uma tentativa de equilíbrio narrativo diante do choque. Equilíbrio narrativo em que não podemos indicar nem a simplicidade narrativa de Evilath, nem a complexidade estrutural do último capítulo-conto “Não passarás o Jordão”. “Verdes Anos” funciona como um intermezzo, como uma porta para colocar o leitor do “lado de fora”, numa vivência de exterioridade sem introspecção, onde não existe mais Evilath, onde o presidente não poderia ser mais “um homem bom” de antes (página 49).
Lendo os contos em sequência acompanhamos a trajetória de Nando da infância à idade adulta. Inclusive, em termos de linguagem e de nível de estrutura, ordenação cognitiva. O romance começa com um texto que muito se assemelha a literatura infantil, linguagem corrida e polida, enredo ordenado, com causalidade, com pouca fragmentação interna, além da vivência num mundo mágico, mítico, utópico, e encerra com uma linguagem informal, carregada de palavrões, com flashes quase sem causalidade, num alto nível de fragmentação formal, e num contexto real, cruel, distópico. Nesta progressão, são as certezas da infância, mesmo num plano maravilhoso, que são destruídas, conforme vai se tornando mais próximo o contato do protagonista com a realidade do país naquele momento histórico.
Os dois capítulos que estão em “O Lado de Fora” (“A data magna de nosso calendário cívico” e “Não passarás o Jordão”) levam a cabo este projeto escatológico e distópico. Verdes Anos encerra com expedientes pós-modernos para a arte do romance e o encadeamento dos textos funcionam também como um bom aprendizado para história da narrativa: de uma narrativa nos moldes tradicionais para uma narrativa que fere o jeito tradicional de narrar.
Deixo o leitor mesmo constatar o que há em “O Lado de Fora” tendo em mente a seguinte anotação: a narrativa fragmentada (especialmente de “Não passarás o Jordão”) corresponde à própria forma como a história se apresenta aos olhos do narrador, os fragmentos não podem deixar de ser vistos também como a própria deterioração do ser em meio ao choque com a sociedade degradada, os intertextos precisam ser entendidos como tentativas de montar pedaços para dar algum sentido, algum entendimento à realidade, os fragmentos transcritos como elementos para montagem de um golem-frankenstein...
Tenho certeza que o leitor vai ouvir ditos, interditos, falas e vozes do silêncio.

Abilio Pacheco possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Pará (2002) , graduação em Letras - Habilitação em Língua Espanhola pela Universidade da Amazônia (2009) , especialização em Linguistica Textual pela Universidade Federal do Pará (2003) e mestrado em Letras: Lingüística e Teoria Literária pela Universidade Federal do Pará (2005) . Atualmente é Professor Assistente da Universidade Federal do Pará. Tem experiência na área de Letras , com ênfase em Teoria Literária. Atuando principalmente nos seguintes temas: cidade, utopia, distopia, crítica social, Chico Buarque e Benjamim.


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