HÁ SEMPRE ALGO DE AUSENTE QUE ME ATORMENTA - PARTE II

         

“Esta não é, nem será, uma revolução de veludo. A paisagem humana da libertação feminina está repleta de cadáveres de vidas destruídas, como acontece em todas as verdadeiras revoluções. Entretanto, apesar da violência do conflito, a mudança da conscientização da mulher e dos valores sociais, que ocorreu em menos de três décadas em quase todas as sociedades, é impressionante e traz consequências fundamentais para toda a experiência humana, desde o poder político até à estrutura da personalidade.” (Manuel Castells)

      Camille Claudel pode ser considerada uma dessas "mártires" do preconceito histórico contra as mulheres,  principalmente, contra as mulheres-artistas. A escultora francesa, nasceu em Villeneuve-sur-Fère, na região de Champanhe, no sul da França. Ali, entre brincadeiras e pequenas aventuras ao lado de Paul, Camille foi uma criança fora dos padrões e alheia ao que se esperava de uma menina no século 19. Numa época em que as mulheres eram criadas para afazeres domésticos, ela estava sempre suja de barro e descabelada. Ela e o irmão caçula fugiam de casa para se aventurar nas montanhas que cercavam a aldeia.

Retrato de Camille, por Malleray.
Paul Claudel, que mais tarde se tornaria um dos grandes escritores da França, descreveu o cenário de sua infância no livro Mémoires Improvisés (“Memórias Improvisadas”, sem versão em português), de 1954: “Vivíamos em terra agreste e selvagem, uma paisagem extremamente austera, com ventos e chuvas freqüentes”. Para o desespero da mãe e orgulho do pai, Camille descobriu cedo o gosto pela escultura. Começou moldando argila, quase como uma brincadeira. Eram figuras inspiradas em Napoleão, Davi e Golias, além de membros da família. Na adolescência, um de seus professores foi o escultor Alfred Boucher. Foi ele que sugeriu ao pai de Camille, Luis-Prosper Claudel, que levasse a menina a Paris, onde ela poderia participar de grandes salões de arte e conhecer a 'nata'  intelectual e artística da época. 
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O pai de Camille acreditava na vocação da filha. E, apesar dos gastos que isso representava, em 1881 levou toda a família para Paris. Eles chegaram em uma charrete emprestada por um vizinho. “Todos estavam exaustos, apenas Camille, então com 17 anos, e a empregada Eugènie irradiavam alegria”, escreveu a francesa Anne Delbée, no livro Camille Claudel, Uma Mulher, biografia publicada na França em 1982.  Mas em Paris as dificuldades eram enormes para uma jovem artista. A escultura, além de ser uma atividade prioritariamente masculina, exigia materiais caríssimos como o mármore e o bronze. E mais: era preciso pagar um espaço relativamente amplo – os aluguéis em Paris, já naquela época estavam entre os mais caros do mundo – e o salário do trabalho de fundidores, auxiliares e modelos. 

Camille alugou um ateliê com mais três jovens artistas, todas inglesas. Uma delas, Jessie Lipscomb, tornou-se sua amiga para o resto da vida e uma das poucas pessoas que a visitariam no hospício. Elas dividiam também os pagamentos para o professor Alfred Boucher, que as orientava de vez em quando. Foi numa dessas visitas que Boucher apresentou o trabalho de Camille para Paul Dubois, diretor da Escola Nacional de Belas-Artes. Dubois notou a semelhança da obra da jovem com a de outro artista, que começava a despontar para a fama. “A senhorita já teve aulas com Auguste Rodin?” Camille nunca tinha ouvido falar no sujeito. 
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“Na época, Rodin ainda não era famoso, mas já iniciara a experimentação conceitual e estilística que viria a caracterizar sua forma inusual de esculpir. Por isso, era odiado pelos críticos e amado pela vanguarda de Paris, ou seja, os impressionistas”, diz Jacques Vilain, historiador do Museu Rodin e co-autor de Rodin: A Magnificent Obsession (“Rodin: Uma Magnífica Obsessão”, inédito no Brasil). Se Camille ficou curiosa para conhecer o tal que esculpia igual a ela, esse sentimento durou pouco. 

“Apenas algumas semanas depois, Boucher viajou à Itália e pediu para um amigo assumir suas aulas particulares. Assim, numa tarde de maio de 1883, Rodin batia às portas das jovens escultoras”, diz Vilain. Camille tinha 19 anos. Rodin, 45. Segudo Reine-Marie, Rodin teria entrado cheio de si no ateliê e não fez um só elogio sobre as obras expostas. Muito pelo contrário: apontou defeitos.  Mas ele gostou do que viu. Tanto que passou a freqüentar o local e, depois de dois anos, chamou Camille para trabalhar com ele. 

O convite coincidiu com um momento particularmente importante na carreira de Rodin. “Ele acabara de receber uma encomenda do governo francês para fazer As Portas do Inferno e Os Burgueses de Calais, obras de grande porte que precisariam de ajudantes para ser feitas”, afirma Vilain. “Camille era uma artesã habilidosa e por isso ficou incumbida de fazer os pés e as mãos das estátuas. Além disso, dava opiniões e discutia idéias sobre as obras com Rodin.” 
 Não se sabe quando a convivência entre o mestre e a aluna se tornou um caso de amor, mas as cartas que trocavam em 1886 são reveladoras da paixão e do ciúme que Camille, desde o início, já sentia. “Minha Camille, esteja segura de que não tenho nenhuma outra amiga e toda minha alma lhe pertence”, escreve Rodin. Camille responde: “Deito-me nua para imaginar que está ao meu lado, mas quando acordo já não é a mesma coisa”.  

Rodin não estava sendo sincero. Nessa época, ele já vivia com Rose Beuret, com quem tinha um filho. Além disso, ostentava a fama de mulherengo. Mas Camille estava apaixonada e, em 1888, deixou a casa dos pais e passou a viver numa casa alugada por Rodin, que eles chamavam de “retiro pagão”. “Eles passam a freqüentar lugares públicos, tornando-se amantes assumidos. O que era um escândalo para a época”, afirma Liliana Wahba, psicóloga brasileira autora de Camille Claudel: Criação e Locura. Essa fase da vida de ambos é marcada por obras de intensa sensualidade.

No entanto, com o tempo, Camille passou a se sentir sozinha. Vivia à espera de Rodin, que nem sempre aparecia. O relacionamento começou a deixá-la deprimida. Ela queria que Rodin se casasse com ela. Mas ele nunca chegou a deixar Rose. Jurava amor a Camille, mas dizia que não podia abandonar a mulher que havia estado ao seu lado nos momentos difíceis. Para a historiadora Monique Laurent, ex-diretora do Museu Rodin, em Paris, no entanto, isso não passava de uma desculpa. “Ele tinha medo de Camille. Sua inteligência e talento faziam dela uma artista que poderia suplantá-lo.”
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Depois que A Idade Madura, considerada sua obra mais autobiográfica, foi recusada pela Exposição Universal de 1900, Camille, com 36 anos, passou a achar que havia um complô de Rodin contra ela. Mas, apesar das suspeitas, ele continuava a intervir por ela, assegurando-lhe novas encomendas. Mas Camille foge de todos. Prefere viver sozinha, no silêncio e na escuridão. Sua última escultura é de 1906. Depois desse ano, destrói tudo o que esculpe. Os moldes de gesso ela joga no rio Sena ou os enterra, e proíbe que vejam o que faz. “A partir de então, suas angústias se tornam ideias fixas, até instalar-se a psicose”, diz Liliana.
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Camille Claudel morreu em 1943, aos 79 anos de idade, pobre, sozinha numa cama de hospício, onde ficou por mais de 30 anos esquecida do mundo. Morreu sem glória, sendo enterrada, anonimamente, em uma vala comum. Em vida, ela foi atormentada por um amor impossível, pelos preconceitos da sociedade francesa do século 19 e pela doença que a levou ao isolamento. A própria família a renegou. 
A sobrinha-neta de Camille, Reine-Marie Paris, autora de uma tese sobre a vida da artista (Camille Claudel, de 1984), conta que brincava entre as esculturas guardadas na casa do avô, Paul, irmão de Camille. “Até pouco tempo atrás, a família tinha vergonha da escultora e o nome de Camille sequer era pronunciado”, diz. Mas o que essa artista brilhante fez de tão grave? Por que suas obras ficaram escondidas e esquecidas por tanto anos?
Estas respostas podem ser facilmente respondidas por quem acompanhou o processo do feminismo no mundo, e os avanços sociais e políticos das mulheres na atualidade, conquistas que nunca foram fáceis, em uma revolução que jamais “foi de veludo”.

Nos últimos anos, foram múltiplos os estudos e as obras que refletiram sobre a presença das mulheres no meio artístico, assunto sempre presente na obra “reivindicativa” das Guerrilla Girls, como ficou patente na Bienal de Veneza de 2005, considerada pela imprensa especializada, como a primeira bienal feminista.
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Fizemos aqui apenas um resumo de uma história longa, intensa e cheia de detalhes de Camille Claudel, nas imagens, suas principais obras cheias de movimento e sensualidade.Vale a pena ler o livro “Camille Claudel: criação e loucura” de Liliana Wahba e também assistir o filme de Bruno Nuytten “Camille Claudel” de 1988 (foto ao lado).
Há um novo filme sobre a vida da artista, a ser lançado no ano que vem: "Camille Claudel, 1915",  Lançamento: 13 março, 2013 (França).

Sinopse: Inverno de 1915. Confinado por sua família a um asilo no sul da França - onde ela nunca vai esculpir novamente - a crônica da vida reclusa de Camille Claudel, e como ela aguarda a visita de seu irmão, Paul Claudel. 
Diretor: Bruno Dumont Escritor: Bruno Dumont. Elenco:  Juliette Binoche 
-->Referências:Manuel Castells, O Poder da identidade, A era da informação: economia, sociedade e cultura, volume II, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2003, p. 169.
Esta matéria foi feita a quatro mãos: Mônica Munhoz Pereira* e **Izabel Liviski**
* Professora, Socióloga, é especialista em Cinema e Educação pela FAP (Faculdade de Artes do Paraná)
** Socióloga, Fotógrafa, é doutoranda em Sociologia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).
A coluna Incontros vai ao ar quinzenalmente, às quintas-feiras na Revista ContemporArtes.
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Tolerância Zero: conflitos sociais interiorizados


Lucca Amaral Tori, Luana Homma e Caio Biz

Danny é um jovem rapaz estadunidense, que sai de casa vestindo coturnos nos pés e de cabeça raspada, encontrando, em seu caminho, outro jovem – um judeu. Assim começa a história da personagem que se diz abertamente neonazista, evidenciando em público sua crença no que diz ser a: “superioridade caucasiana”. Danny coloca o ódio por judeus como algo natural e inerente aos seres humanos – mostrando sua crença de que judeus não se enquadram como tal – e inclui uma explicação sexual para tal “inferioridade”.




Vestindo a suástica (símbolo utilizado pelo partido nazista na Alemanha), Danny esbarra propositalmente em duas pessoas negras.

O interessante e diferencial deste filme – que, como tantos outros mostra um conflito histórico entre a extrema-direita, antisemitas, e os judeus – é que este aborda o tema do neonazismo com um conflito individual e interno, da personagem Danny Balint – um judeu neonazista – que ao mesmo tempo que demonstra acreditar na “supremacia branca”, tem ainda respeito por símbolos judeus. Durante todo o filme, ouvimos vozes e observamos flashes de memória, que destacam a racionalidade do protagonista desde criança, que inconformado com certas colocações em sala de aula sobre a questão religiosa e seus ensinamentos, é por vezes reprimido pelo professor e pelos colegas. Danny então demonstra em sua história um forte descontentamento com os seguidores do judaismo que para muitas ações não tinham motivos aparentes ( como explica para sua namorada: “Eles não fazem por temer a Deus, não fazem por motivos racionais, o fazem porque é como manda a Torá”).

Em reunião de um grupo de senhores que se declaram fascistas (colocando como explicação a questão econômica, dos problemas do livre mercado), Danny e alguns amigos aparecem, expressando a questão racial como barreira para o desenvolvimento, incluindo que uma das ações deles deveria ser matar um judeu (um rico dono de banco).


                                                   Danny e outros crentes na “supremacia branca”

Após causarem uma grande briga, Danny e alguns amigos – também neonazistas – começam a participar de grupos de discussão, de senhoras e senhores que tem algum grande trauma na vida – como pena alternativa à prisão. É neste ponto que o protagonista começa a demonstrar sensibilidade, quando, em determinado momento, um judeu sobrevivente das atrocidades do governo nazista no período da II Guerra Mundial, conta uma triste história sobre como os brutais oficiais da SS pegaram seu pequeno filho de suas mãos e o empalaram da maneira mais fria possível, deixando que o sangue de toda essa brutalidade jorasse em seu rosto. Danny ao ouvir essa história mostra-se comovido, mas demonstrando de maneira diferente, se mostra muito mais bravo com os Judeus – nesse caso específico retratado pela história desse senhor – pois este não fez nada enquanto o soldado matava o filho, não tentou lutar para evitar esse estrago.
O protagonista realmente sentiu a brutalidade da história e do fato de terem matado a criança dessa forma, mas ao invés de direcionar esse ódio ao soldado hitlerista que o fez, ele o concentrou nos judeus, pelo que estes “não fizeram” – criando mais pontos para fortalecer seu ódio contra esses, explicitando esse sentimento ao dizer: “mate o inimigo independente do lado em que estiver”, sendo essa a sua lei maior. Essa história foi tão forte ao protagonista, que em diversos momentos do filme, quando este se via triste, mal ou confuso, ele se enxerga participando da história, fazendo o papel do soldado nazista assassino. Também é nessa cena que ele diz não negar o Holocausto, mas o afirma de forma honrosa, exaltando Hitler como herói exatamente por ter acabado com a vida de tantos Judeus.

Outro momento em que o conflito interno relacionado com sua sensibilidade ocorre por suas atitudes externas, é quando Danny, junto de seu grupo de amigos neonazistas, invadem uma sinagoga e começam a depredar tudo por dentro. Porém, quando o grupo encontra uma sala mais específica com alguns símbolos judeus mais fortes – roupas, mantos, objetos, etc. – Danny não se mostra tão seguro com a situação, principalmente quando encontram um Torá – livro sagrado em hebraíco – que dentro da religião e de todo o seu símbolismo, não deixa que as pessoas encostem com as mãos seus escritos, nem que ajam de maneira subversiva sob ele. O protagonista passa a contar a história desse símbolo aos seus comparças, mas esses não se importam, ele demonstra claro ódio aos colegas por nem conhecerem o próprio inimigo, mas mesmo assim esses vão com todo o desrespeito rasgar folhas do Torá. Danny, mesmo com todo o ódio que demonstra sentir ao povo Judeu, sua ideologia de superioridade ariana e contrária aos pressupostos e seguidores da religião hebraica, não consegue se desvincular desse respeito a certos símbolos, e por isso acaba levando o Torá para sua própria casa e o reconstrói, com todo o respeito – ainda levando sua ideologia nazista consigo, tornando seu conflito interno cada vez mais intenso.


                                           Ódio de Danny  e a reação violenta dentro do próprio grupo de neonazistas

Podemos ver com o decorrer da história os conflitos se agravarem, tudo na forma da própria personagem, que ao mesmo tempo que expõe para outras pessoas o motivo de odiarem judeus, em sua casa persiste com certos rituais da religião, mostrando se sentir protegido enquanto o faz. Em diversos momentos, como quando o protagonista discursa em uma reunião de pessoas de extrema-direita, e inicia com uma oração judaica, colocando que a arma para acabar com o povo judeu seria não o ódio, mas o amor, uma vez que este povo está acostumado com o sofrimento, e com ele se fortalece; ou como quando erra o tiro destinado ao judeu bancario ao qual se referia no início do filme, Danny se mostra em dúvida acerca de suas convicções.

Ao fim, demonstrando o fim da negação de sua crença, Danny se vê na mesma cena da história do senhor, mas agora como o judeu, aquele que sofre ao ver o filho sangrar nas mãos do oficial da SS. E em ato maior ainda de redenção, Danny avisa os judeus da sinagoga onde fazia a oração da existência de uma bomba no local, e de lá não sai.

Assim, em um filme que retrata basicamente a história de um homem, vemos refletida a história de diversos, de um grupo que, por sua religião foi por vezes perseguido – e que, em discussão, pelo filme, também atacou outros grupos, como os palestinos -, e de outro que por questões ideológicas – “morais” como, por vezes, colocam; ou econômicas – persegue o primeiro, bem como Danny fez, em uma perseguição constante dele próprio.

Outro filme que também mostra conflito semelhante (mas voltado mais para a questão dos neonazismo e os negros), de forma muito interessante é A Outra História Americana (American History X, EUA, 1998, 119min), com Edward Norton e direção de Tony Kaye.

Lucca Amaral Tori, Luana Homma  são discentes do Bacharelado de Ciências e Humanidades UFABC
Caio Biz é discente do Bacharelado de Ciências e Tecnologia da UFABC
Os três são autores do blog Performance Política

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Cinquenta tons de cinza



O cinza das horas derretendo os sonhos. O cinza da manhã riscando o céu. O cinza dos óculos embaçados. O cinza do romance na página de sempre. O cinza da cama desarrumada. O cinza da água escorrendo pelo ralo. O cinza da fumaça na chaleira. O cinza da manchete do jornal. O cinza do jeans. O cinza do retrato. O cinza da chave na fechadura. O cinza da porta aberta.

O cinza do mundo no bom-dia do porteiro.

No menino marchando pra escola. No mendigo devorando o maizena. Nas senhorinhas fazendo musculação. No rapaz pegando o táxi. Na mulher subindo o ônibus. No homem abrindo a loja. No operário tocando a britadeira. Nos aposentados jogando biriba. Nas babás passeando com os bebês. Nos guardinhas ocupando as esquinas da praça. Na praça.

O cinza do iPod. Da canção dos Beatles. Dos passageiros invadindo o metrô. Do prédio mais alto da cidade. Da cidade vista da janela. Da papelada sobre a mesa. Do monitor. Do Face. Do chocolate velho na gaveta. Dos relógios parados. Da secretária gostosa. Dos colegas contando a mesma piada. Do chefe tendo um infarto. Da sirene da ambulância. Do fim do expediente.

Da volta pra casa pela estrada de tijolos decadentes. Da prateleira colorida do supermercado. Dos trocados na carteira. Da noite que assobia fresca. Da novela favorita. Do futebolzinho zero a zero. Da tevê desligada, muda. Das luzes apagadas. Do silêncio dos travesseiros. Da saudade ancestral que não desbota. Dos sonhos.

Que o cinza das horas logo há de derreter.










Fábio Flora é autor de Segundas estórias: uma leitura sobre Joãozito Guimarães Rosa (Quartet, 2008) e escreve no Pasmatório (http://pasmatorio.blogspot.com.br).
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NHAC, NHAC, NHAC...



HUMMMMMMM: VAI UMA MORDIDINHA AÍ?


ABRAÇOS LITERÁRIOS E ATÉ +.

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Poemas de Marcos Samuel Costa da Conceição

        



Calor e desejo
Queria parar o tempo por você...                                                                                             
Queria mergulhar no céu azul                                                                                                                     pra lhe encontrar                                                                                                                          
queria melhorar o mundo para te fazer feliz.                                                                           
 No infinito, ao teu olhar                                                                                                              
 a capacidade de amar num simples gesto.                                                                                    
 a vontade de querer numa                                                                                                  
  simples atitude.                                                                                                                    
Ao calor de seu corpo                                                                                                  
vontade de te beijar                                                                                                                     
 me fiz ao teu beijo                                                                                                                  
 uma vontade...                                                                                                           
 Quero-te perto            
ao calor, ao desejo














Amor e o tempo

Não sei mais o que pensar,                                                                                                                 
a vida está se tornando dura demais!                                                                                                                      As lágrimas estão descendo do meu rosto                                                                                                                                           gritando no silêncio do teu amor                                                                                                                                                               eu disse que era forte, mas a fraqueza tomou conta                                                                                                                                     do meu ser... Agora tento poetizar o tempo                                                                                                                                              que vivi ao seu lado.                                                                                                            
Ainda existe esperança em meu ser                                                                                                                                                                de louco sonhador, te espero ao pôr do cais                                                                                                                                             pra ver o pôr-do-sol que vivemos                                                                                                                                         os dias passam, as horas se vão,                                                                                                                                                                  mas seu amor ainda não veio...                                                                                        
Ao som de lira, a alma do poeta                                                                                                            dançando ao luar de verão                                                                                                                          suas lembranças em mim estão                                                                                                                         a machucar...                                                                                                                  
Queria ser mais do que uma lembrança                                                                                                  queria ser o agora, o antes, e o depois...                                                                                                                 Queria ser seu sol de verão, sua chuva de                                                                                              inverno, sua flor de primavera.                                                                                  
  Porque será que meu coração quer te amar?                                                                                              Antes, agora... Amo-te, no presente                                                                                                    
no futuro


Marcos Samuel costa da conceição, nasceu em Ponta de Pedras-Marajó-Pá(terra do romancista da Amazônia Dalcídio Jurandir), dia 07/12/1994. É poeta, escritor, musico, sonhador, estudante do ensino médio. Email de contato: samuelcostaspds@hotmail.com.br


A Contemporartes agradece a publicação e avisa que seu espaço continua aberto para produções artísticas de seus leitores.



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