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Biografia



Caros leitores,

Depois de um tempo retomo as minhas publicações em Planetário. Esse pequeno período foi suficiente para que novas ideias surgissem e, igualmente, novos conflitos e novos desafios. Como é constante à todo humano imerso em sua subjetividade, a reflexão acerca do tempo e dos anseios advém como a sucessão das estações. Antes de que tudo se torne claro, necessário é que tudo esteja nebuloso e sem sentido. Talvez esta seja a fase mais importante para a construção do próprio amadurecimento, o tempo em que não há respostas, em que se desenham as questões mais duras e enigmáticas sobre nós mesmos. Biografia é o resultante de um momento como esse, o olhar firme para a estrada percorrida antes do passo seguro para uma nova realidade.

Adriano Almeida.


Biografia 



A primeira voz que ouvi...
As canções que esqueci.
Os sorrisos que sorri.


O cheiro de tinta fresca.
Cantigas de roda,
as certezas sem truques.
As raivas sem máscaras...


O violão e a chuva.
As vozes desafinadas.
Os sonhos insensatos.
O choro das conquistas.
O dia como se não houvesse amanhã...


As carreiras que jamais quis.
Os planos que nunca fiz.
Os beijos que neguei.
Os abraços que perdi...


Letras que guardei...
Versos que escondi.
A calma forjada.
A alegria interpretada.
Artes que aprendi.


Os brinquedos que
nunca gostei.
Os lugares que eu não fui...
As aulas que faltei.
As lições que eu nunca entendi...


Os amigos que
eu não tenho mais...
As dores que 
me deixaram em paz...




Adriano Almeida é pesquisador na área de cultura, imaginário e simbologia do espaço. Mineiro, tem se dedicado a escrever poemas, crônicas e contos. Seus escritos, de caráter introspectivo, retratam as incertezas, os conflitos, a melancolia e os encantos da existencialidade humana.









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O Poeta e o Tempo


Caros leitores,


Hoje apresento lhes um texto recente que reflete algumas importantes mudanças nas lentes com as quais percebo a realidade. “O poeta e o tempo” apresentou-me a constatação de transformações sutis, mas complexas. Talvez marque o momento em que uma simbiose de novas condições vividas se efetivam no papel. O poeta fala sobre o que pulsa em seu mundo existencial interno, o modo como lhe angustia e lhe excita as experiências cotidianas. Meus textos são uma exteriorização de seus momentos mais próprios, ainda que as palavras possam não fazer sentido algum para quem as lê. Inegável é a mim que os meus escritos me revelam... Não no exato tempo em que os acontecimentos sucedem. Muitas vezes dias, meses, anos, se dão entre eles e seus reflexos poéticos. Contudo, ainda que dentro de uma descontinuidade no tempo, e no espaço, meus versos concretizam, cicatrizam, libertam as realidades existenciais mais íntimas que trago. São, ao mesmo tempo, um quadro de lembranças e uma carta de alforria.


Adriano Almeida.



O poeta e o tempo



Medo de mim,
dos passos tortos...
Dos silêncios não-ditos.
Das ruas metálicas...


Sinto a ausência das flores,
o drama dos normais...
Abraços de assalto,
sonhos de titânio.


Onde se perdem os dias,
por onde vão os gritos?
Seus versos tristes,
suas pontes de areia...


Toma-me a monotonia fria,
em pincéis azuis...
Sobre o mogno envelhecido...
Fitando-me os rascunhos vazios.


Murmura a canção,
em palavras soltas,
perdida entre motores tímidos.
Maquinizando o dia...
Fugindo os poetas,
 em seus tempos incompreendidos...





Adriano Almeida é pesquisador na área de cultura, imaginário e simbologia do espaço. Mineiro, tem se dedicado a escrever poemas, crônicas e contos. Seus escritos, de caráter introspectivo, retratam as incertezas, os conflitos, a melancolia e os encantos da existencialidade humana.




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Bússola




Caros leitores,

Hoje estréio meu novo espaço na revista, que ainda cheira à tinta fresca e tem sabor intenso de recomeço. Compartilho com vocês essa porção de ContemporArtes chamada “Planetário”. Obviamente, não se trata de um jogo de marketing sem explicação ou razão, o nome deriva de experiências muito complexas. Olhar os astros, olhar a paisagem, me perder em indagações longínquas, perceber os movimentos, sua sutileza, interpretar como o humano vivencia tudo isso, como condição existencial de si próprio, são algumas das motivações que levam ao título dessa nova coluna. “Planetário” é, ao mesmo tempo, espetáculo pra se ver e dança pra se perder... E exatamente nessa cadência de movimentos, nessa constante efêmera, nasce o meu primeiro texto dessa coluna, “Bússola”. Trata-se da tentativa de encontrar um norte quando tudo muda, quando todo o cenário do vivido já não é mais como era ontem. Quando toda a realidade e suas marcas mudam de direção, de posição, de sentido. E aí um novo texto faz criar um novo personagem...  Ele viverá entre o incerto das novas páginas e as lembranças, doces e amargas, daquelas que se foram e que não vão mais voltar.

Adriano Almeida



Bússola

Escrevo uma nova canção.
Falo agora de pequenos gestos...
Saboreio lentamente os sorrisos.
Afastando, de pronto, os ruídos...


Ilumina-me agora, já intenso, a calma.
Aquecendo aos poucos a fúria,
imobilizando a sua força fria.
Permitindo-me o sutil dos traços.


Vive agora em mim,
o próximo e o distante,
o beijo e o amargo... 
As notas graves e breves.


Já não me envergonho,
ou me amedronto
de ser apenas eu mesmo.
Com minhas imperfeições
e meus sorrisos densos.


Aceito, com calma, a alma...
Intensa e mágica. 
Permeada de vozes,
encantada pelas luzes.
Enamorada em seus sons infinitos...


A viagem ao longe
acontece aqui dentro...
E sendo verdadeira em si mesma,
não angustia nem se frustra.
Se encontra e se vê.




Adriano Almeida é pesquisador na área de cultura, imaginário e simbologia do espaço. Mineiro, tem se dedicado a escrever poemas, crônicas e contos. Seus escritos, de caráter introspectivo, retratam as incertezas, os conflitos, a melancolia e os encantos da existencialidade humana.

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Pontes



Olá, caros leitores!


Inicio aqui as minhas publicações neste ano de 2013. Logo estarão minhas publicações na nova Coluna intitulada “Planetário”. Por hora, enquanto dá-se a finalização dos detalhes, continuo minhas reflexões textuais em As Horas.  Neste domingo apresento um texto resultante de uma feliz e importante parceria intelectual, teórica e emocional. As percepções que primeiro provocaram-me são na verdade o reflexo sensível de longas horas de longos diálogos, de uma simbiose de ideias e emoções. “Pontes” permite-me um mergulho interior, uma viagem existencial. Creio que a caminhada na imprevisível e incomum trajetória acadêmica que vivencio, algo tanto como um passeio de bêbado, me possibilitou por sua face positiva ver outros ângulos, apreciar outros devaneios e, de modo caro, enxergar espaços, paisagens, lugares, com a sensibilidade da arte. Andar pela cidade, e ver-lhe os traços, revela-se cada vez ser mais que uma decodificação de variáveis quantificáveis e qualificáveis. Meus passos e olhares a cada dia pelas ruas, praças e esquinas ressoam-me fundo, pulsando um permanente sentir.

Adriano Almeida


Pontes



Gosto de poder ser um humano imperfeito. Porque o imperfeito não tem obrigação alguma com a perfeição. Gosto de pensar bobagens e me inquietar com tolices. As tolices, estas, me tomam boa parte dos pensamentos. Tenho perdido momentos importantes observando coisas corriqueiras, como as pontes e os rios. Não! Não insinuo que queira me jogar de alguma delas... Me perco vendo-lhes a fixidez, analisando-lhes a continuidade, muito embora as águas que lhes perpassam jamais voltem a ser as mesmas. Acredito ser exatamente essa novidade, sempre constante, o que me intriga e me atrai nas pontes...


As pontes são um vinho doce e inebriante ao mostrar-me o tempo, mostrar-me que depois de águas turvas e turbulentas vêm passagens de águas claras e mais calmas... As pontes me fazem um mergulho. Sim! Um mergulho... E não sou eu quem mergulha tomando-as como trampolim, são elas próprias a mergulharem... Acredito hoje que somos todos, eu e os outros paranóicos, os urbanóides pós-modernos que se deixam por tempos a observarem pontes, todos nós oceanos profundos. Ao nos fixarmos fitando uma ponte e suas águas, permitimos que elas nos mergulhem tão longinquamente quanto o longo leito que suas águas irão percorrer até a foz. 


Por estas pontes já se foram muitas inquietudes, inúmeras incertezas. Foram medos e desencantos. Foram, também, águas que eu desejava, por um instante, que voltassem... Sobre as pontes eu despejei já muitas raivas, muitos elos, malditos! Pesos que jamais deveriam ter estado e que as águas tranqüilas levaram para muito além, onde eu jamais pudesse ver. Sobre as pontes e vendo as águas, ao pôr-do-sol, já saciei a minha sede, já banhei-me de novas ideias, me reergui e me apaixonei. Posto que as pontes são, elas próprias, elos, entre o que se foi e o que virá, entre o que entregamos ao destino e o que recebemos dele. Pontes são mais que caminhos, são o início e o fim, de um eterno recomeço.





Adriano Almeida é pesquisador na área de cultura, imaginário e simbologia do espaço. Mineiro, tem se dedicado a escrever poemas, crônicas e contos. Seus escritos, de caráter introspectivo, retratam as incertezas, os conflitos, a melancolia e os encantos da existencialidade humana.


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Poética do nada


Caros leitores,


Nesta sexta a reflexão perfaz as instâncias do nada. São intensos os muitos momentos em que a existência parece perder o movimento. Intensos exatamente porque, quando a vida exterior assume a sua condição de mais íntima monotonia, a sua realidade interior ganha velocidade extraordinária. No universo interior, passam então a dar-se os mais fascinantes acontecimentos, impulsionando mudanças, reordenando o todo, dando-lhe novos significados.  É especialmente essa condição de alteração, de cambio reflexivo, o que me atém ao escrever “Poética do Nada”. O nada é dotado de importância, de pertinência... Ignorar a sua intensidade é incorrer na ausência dos mergulhos interiores, os quais permitem o encontro de cada um de nós com nós mesmos.

Adriano Almeida


 Poética do nada


 As folhas em branco...
Canetas, papel e mãos.
Pensamentos em nó.



Frases insensatas.
Calor pueril...
Instintos selvagens.
Meu veneno vital.



Olhos de inquietude,
vontades não-permitidas.
Saudades não-contidas...
Os dias em transe...



Monotonia turbulenta...
Instantes de ódio, seu mais puro refrigério...
Acalentam o nada,
que por hora insiste em ser tudo.



É irritante saborear mais um dia...
De verão glacial,
de equadores hibernais...
Mais um pouco de penitência,
de culpa ou castigo.



No quarto, o silêncio...
Seu sigilo eterno,
guarda  a ânsia perturbadora,
em sua tranqüilidade voraz.



Devora-me o tempo,
Consumindo cada segundo.
Da raiva ao orgulho,
cada um dos seus limites impuros.



Ironicamente concede-me
a música...
Esta, pode ser sentida,
Mas aprisiona-me...
Ressoando-me em notas,
não vividas...





Adriano Almeida é pesquisador na área de cultura, imaginário e simbologia do espaço. Mineiro, tem se dedicado a escrever poemas, crônicas e contos. Seus escritos, de caráter introspectivo, retratam as incertezas, os conflitos, a melancolia e os encantos da existencialidade humana.






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Poema de Inquietação


Caros leitores,

Nesta sexta, a inspiração para escrever provém de uma reflexão sobre as ninfas. Tenho mergulhado em pensamentos mitológicos, em busca de condições para entender a beleza e a dor dos dias. As ninfas me representam o espetáculo da vida, a exaltação das possibilidades mais fortes e mais puras, mais verdadeiras e mais sonhadas do humano. Seria quase o mesmo que a exteriorização dos nossos anseios mais latentes e pulsantes. Pensá-las abre um caminho para ver algo além do passível de objetividade, além do concreto. Ninfas são a abstração da realidade, a recriação da vida com seus moldes de utopia, com seu vislumbramento de mudança. Se o homem é feito de sonhos, e deles dependem a entrega e as buscas, o poder da transformação está na experiência do imaginar mais alto que o palpável, no impulso para além do chão, o qual supera os limites, no alcance do infinito.

Adriano de Almeida.


 Poema de inquietação


Na noite calma,
fito seus olhos seguros...
Deixando-me assaltar,
invadir-me...



Permito seu sorriso cerrado,
sua face pálida...
Seus passos firmes...
Aceito seu suspiro inquieto.


Desconcerta-me sua voz penetrante,
como lâmina na pele.
Me fascina como um vício...
Perturbando meu equilíbrio.


Desejo seus traços perfeitos...
Excita-me seu brilho invasivo.
Ignorando meus conceitos...
Ultrapassando meus limites.


É amedrontador sua certeza,
insuportavelmente delicada...
Lábios e palavras,
monossilábicas...


Delírio ou verdade?
Loucura ou vontade?
A pureza das ninfas,
com a insanidade dos poetas...


Será sempre tal,
como um delírio...
Como um devaneio na noite,
repleta de insônia...




Adriano Almeida é pesquisador na área de cultura, imaginário e simbologia do espaço. Mineiro, tem se dedicado a escrever poemas, crônicas e contos. Seus escritos, de caráter introspectivo, retratam as incertezas, os conflitos, a melancolia e os encantos da existencialidade humana.



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