A FOTOGRAFIA ABSTRATA

    
"Las obras de arte nacen desnudas como cualquier criatura : ausentes de significados y símbolos. Después los adquieren cuando crecen, o ne crecen y caen en el olvido. No se debe juzgar nunca con ligereza una obra reciente. Hay que mirarla como a un recién nacido : "Mira que ojos más bonitos. Se parecen a los de su padre".  (Alfredo Crespo - fotógrafo espanhol)

Em certo sentido, não há fotografia abstrata. A imagem sempre tem a sua origem no mundo que nos rodeia. E o fotógrafo é alguém que pode ver o que não vemos. Mas para entender aquilo que se convencionou chamar de fotografia abstrata, é preciso compreender a interpretação do real feita pelos fotógrafos através da própria história.  O olhar sobre o mundo, feito pela fotografia, em um primeiro momento, em meados do século XIX, deu continuidade ao modo com que a pintura representava não só a sociedade, como todo o mundo real que a cercava.


"Ya no puedo mas"- Alfredo Crespo


A fotografia nasce com sua linguagem associada à função social que a pintura desempenhava naquela época. Assim a linguagem, neste momento, não só se utiliza da composição originada da pintura, como também apresenta-se empenhada em representar a realidade tal qual ela se apresentava. O movimento artístico denominado pictorialismo é o maior exemplo da ligação inicial da fotografia com a pintura.


Através de várias formas de manipulação da imagem fotográfica, o fotógrafo procurava inserir a fotografia no universo das artes visuais, ao mesmo tempo distanciando da então imagem fotográfica documental e, aproximando-a da linguagem pictórica.


Com o desenvolvimento da tecnologia, os equipamentos tornaram-se mais leves e as emulsões mais rápidas, permitindo uma maior mobilidade do fotógrafo, facilitando assim, a busca por ângulos inusitados e recortes que fugissem da intenção de representação fiel da realidade.


                                                              Foto de László Moholy-Nagy

 

Com o construtivismo russo, movimento  surgido no início do século XX, nasce também a pintura abstrata. Alexander Rodchenko, e László Moholy-Nagy, principalmente, ampliaram as possibilidades da fotografia, desafiando o fotógrafo a fim de mostrar o mundo de uma forma diferente e inusitada. Modificando o imaginário fotográfico, Rodchenko e Moholy-Nagy, iniciaram propriamente a história da fotografia abstrata, propondo novos ângulos em imagens que con contribuíram para o abstracionismo na fotografia.


Os surrealistas, representados na fotografia principalmente por Man Ray, dão à  fotografia abstrata um espaço de destaque. May Ray, colaborando com Marcel Duchamp em alguns de seus trabalhos, propõe novos elementos estéticos na fotografia, saindo do figurativo e mergulhando em um universo fotográfico descompromissado com a representação da realidade. 

May Ray retoma a técnica criada por Henry Fox Talbot, no início da história da fotografia, rebatizando-a de Rayografia, técnica hoje conhecida por fotograma. A idéia é colocar objetos diretamente sobre o papel fotográfico, no laboratório, sem o uso do negativo, pesquisando composições abstratas em gradações de cinzas, luzes e sombras variadas.


                                                              "Fotograma"- Man Ray      

As fotografias aéreas, em alguns casos, são imagens abstratas, assim como fotos de água, pois as referências do mundo real se dissolvem, assim como nas fotografias feitas por microscópios. El Lissistsky e Kasimir Malévitch, segundo Phillipe Dubois, pintores do movimento artístico chamado Suprematismo, se inspiraram em fotografias aéreas para produzirem suas imagens abstratas.


Fazendo um pequeno paralelo entre a fotografia abstrata e a pintura abstrata, Meyer Schapiro, ao contrário do que alguns dizem sobre a pintura abstrata, esta não é fruto de um excesso de racionalismo e ausência de sentimentos, e sim, o auge da dimensão humana no processo criativo. É no abstrato que o artista coloca todo o seu potencial para criar uma imagem que não traga em sua percepção referência de figurativo. Existe uma comparação com a fotografia abstrata, com a ressalva que sem o referente real a fotografia não existe.


A fotografia traz consigo, sempre, um rastro do real, definida por alguns como uma imagem de natureza indicial. Isto coloca a fotografia abstrata em uma situação de ambigüidade. Ao mesmo tempo que procura negar uma representação figurativa da realidade, por outro lado, até por sua gênese por projeção luminosa sobre a material fotossenssível, não pode nascer desassociada de algo real que esteve diante da câmera.

                                                  "Nancy, Place Stanislas" - Bernadette Labadie

Há também o desafio que o fotógrafo se impõe de ser original, em função da grande quantidade não só de fotografias mas também de todos os tipos de imagens, sempre na busca de ter em suas fotografia uma abordagem diferente nunca antes vista. Isto o instiga na procura por abstrair o real, e propor imagens que mesmo geradas a partir de referentes reais negue esse mesmo real.


Muitas vezes não interessa saber a partir de qual objeto foi feita uma fotografia abstrata. Mas para o espectador, em geral, isto é importante, pois a fotografia traz esta ligação indissociável com o real. Como é fotografia então há um objeto para onde a máquina fotográfica esteve apontada por um átimo de segundo que seja. É a ambigüidade do abstracionismo na fotografia. Melhor que o julgamento do resultado não esteja condicionado ao conhecimento de qual porção do real aquela imagem partiu, mas o espectador é livre em suas considerações e julgamento.


"Água"- Izabel  Liviski

Nessas imagens, a fragmentação dos objetos dá origem a composições abstratas, que privadas do seu significado real assumem uma dimensão poética. Da mesma forma, o enquadramento é surpreendente, o parâmetro da escala, relacionada com o reconhecimento do objeto, desaparece. Na tentativa de reconhecer, identificar, o espectador começa então a imaginar, a sonhar. As metáforas que se usa para descrever estas imagens são os de pintura, desenho, caligrafia, etc. Mas está se falando sobre a fotografia, e a liberdade que ela tem tomado em sua relação com a realidade. 

A questão que se coloca diante dessas imagens deve ser " O que é isso?", que se refere ao objeto representado pela fotografia , ou "O que eu vejo?", que pára na superfície do papel, sem tentar penetrar mais além. Neste espaço definido entre o sujeito que vê como espectador, e a imagem, produto da criatividade do fotógrafo, existe uma área frágil e mal definida, com limites de deslocamento, onde surge a poesia.


                                                "Paysages matériographiques"- Jean-Pierre Sudre




Fonte:
Bibliothèque Nationale de France
Dubois, Philippe - "O ato fotográfico"





                                     
Izabel Liviski, Mestre e Doutora em Sociologia pela UFPR, é professora e fotógrafa, co-editora da Revista ContemporArtes.                                                                                      
Ler Mais

Memória do cangaço na “palavra cantada” de Sérgio Ricardo no filme Deus e o Diabo na Terra do Sol (parte 1)







"A fome latina, por isto, não é somente um sintoma alarmante: é o nervo de sua própria sociedade. Aí reside a trágica originalidade do Cinema Novo diante do cinema mundial: nossa originalidade é a nossa fome e nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida". Glauber Rocha (fonte: Tempo Glauber)



A Comunidade Sonora, através das ondas eletromagnéticas do pensamento, materializada nessas linhas, continua sua programação normal. Sintonize aí direito o Mhz da nossa estação no seu dial. Hoje vocês vão ficar (atenção, aumentem o volume!) com um texto que foi publicado no 1º Simpósio de História Oral e Memória, o GEPHOM 2010. Na seqüência da primeira parte desta publicação, vocês continuem ligados pois tem a programação do Seminário Vozes da Globalização - Módulo III - Identidades e Religiões (com direito a certificado presencial de horas).



Memória do cangaço na “palavra cantada” de Sérgio Ricardo no filme Deus e o Diabo na Terra do Sol (parte 1)

Cícero F. Barbosa Jr.[1]




O tempo de Glauber




Trazer à tona a memória do cangaço por meio da análise do filme de Glauber Rocha, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (filmado entre 1963 e1964) representada entre outros elementos, pela canção de Sérgio Ricardo e letras do próprio Glauber. Na busca de retratar o drama social nordestino, a trilha sonora expressa por meio da “palavra cantada” – aglutinadora de lembranças e memórias – a proposta revolucionária do Cinema Novo e resume as questões do messianismo (na figura de Sebastião) e do cangaço (principalmente com Corisco). Um filme cheio de uma selvagem beleza que na época excitou a todos com a possibilidade de um grande cinema nacional (VELOSO, 1997, p.99).

Glauber Rocha tinha apenas 24 anos quando lançou Deus e o diabo na terra do sol em nossos cinemas em 1964, meses depois do Golpe de Estado que derrubou o governo de João Goulart e que colocou no poder o marechal Castelo Branco, período que iniciaria a Ditadura Militar e somente se encerraria em 1985.

No elenco do filme, nomes como Othon Bastos, Maurício do Valle, Geraldo Rey, Yoná Magalhães, entre outros. Foi considerado por muitos como o principal trabalho do cineasta e um dos que melhores representam a estética do Cinema Novo. Sendo reconhecido internacionalmente em festivais, conquistando o prêmio de melhor diretor em Cannes e sendo indicado a Palma de Ouro. Isso acontecia mesmo o Cinema Novo assumindo uma forte recusa ao que era produzido pelo cinema industrial:

“era um terreno do colonizador, espaço de censura ideológica e estética. Foi a versão brasileira de uma política de autor que procurou destruir o mito da técnica e da burocracia da produção, em nome da vida, da atualidade de criação. Aqui, atualidade era buscar uma linguagem adequada às condições precárias e capaz de exprimir uma visão desalienadora, crítica, da experiência social. Tal busca se traduziu na ‘estética da fome’, onde a escassez de recursos técnicos se transformou em força expressiva e o cineasta encontrou a linguagem em sintonia com os seus temas”(XAVIER, 1985, p. 14).


O filme é uma livre interpretação da peça teatral O diabo e o bom Deus, de Jean-Paul Sartre. Repercutiu muito bem entre os cineastas estrangeiros: Fritz Lang disse, depois de ver o filme: “é uma das mais fortes manifestações cinematográficas que já vi”. Enquanto Luis Buñuel declarou: “é a coisa mais bela que vi nos últimos anos” (SILVA NETO, 2002, p. 258).

Uma época em que o cinema ainda não era visto como parte de uma industrial cultural, conquista que se efetivará concretamente na economia do país durante a década de 1970, com “a implementação de uma política institucional ditada por agências governamentais voltadas para o mercado e centralizados pelo regime” (ABREU, 2006, p. 16).

Glauber Rocha também usou para compor o filme, além da peça do Sartre, lendas populares para mostrar outro aspecto do drama nordestino:

Manoel, vaqueiro miserável, mata o patrão e parte com a mulher em busca da salvação mística aos pés do Santo. Perdendo o Santo, segue em busca da verdade e acaba cabra de um cangaceiro. Morrendo o cangaceiro perde a fé em tudo, enlouquece, larga a mulher e corre para um mar entrevisto em delírio libertário (ROCHA, 2004, p. 141).


Glauber então escreveu algumas letras para Sérgio Ricardo musicar e interpretar. As músicas seguem basicamente o roteiro do filme: 01. Abertura; 02. Manuel e Rosa; 03. Sebastião; 04. Discurso de Sebastião; 05. A Mãe; 06. Antonio das Mortes; 07. Corisco; 08. Lampião; 09. São Jorge; 10. Monólogo; 11. A Procura; 12. Reza de Corisco; 13. Perseguição/Sertão Vai Virar Mar.



[1] Mestrando em História na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bacharelando em Letras na Universidade de São Paulo, possui graduação em História pela Universidade Ibirapuera (2001). Atualmente leciona na Rede de Ensino do Governo do Estado de São Paulo, também participo como professor da atividade de extensão universitária na Escola Livre de Literatura de Santo André/SP. Email: cicerofbj@gmail.com.




_____________ ... _______________





Seminário Vozes da Globalização - Módulo III - Identidades e Religiões (com direito a certificado presencial de horas)




Uma série de oito palestras que analisam a diversidade religiosa na contemporaneidade e sua interface com a Literatura, História e Teologia. Privilegiaremos o diálogo da questão religiosa com questões socioculturais. Especialistas - professores universitários e literatos - farão incursões sobre grandes problemáticas como o antissemitismo moderno, a representação de minorias religiosas na sociedade, a herança hegemônica católica do Brasil colonial, manifestações de espiritualidade na poesia e interelação das múltiplas diversidades de gênero, sexual e religião. Propõe-se uma reavaliação das representações religiosas em uma sociedade globalizada e plural sempre em mutação.

Apoio
Associação Cultural Morro do Querosene
Realização:
Casa da Palavra - Escola Livre de Literatura
Prefeitura Municipal de Santo André

Local - Praça do Carmo, 171, Santo André - SP.
Sábado das 10h30 às 12h30
31 de julho a 25 de setembro de 2010








1.

31/07
Nancy Cardoso
Teóloga e Profa. Dra. Universidade Severino Sombra - RJ

O sexo dos anjos: identidades de gênero e religiosidade
2.
07/08
Cláudio Willer
escritor


Poesia e Ocultismo.
3.
14/08
Fernanda Lopes Torres
Doutora em História da Arte/ PUC - RJ

Michelangelo e a “busca ansiosa de Deus na alma humana”
4.
21/08
Vanessa Molnar
historiadora e poeta


A literatura libertina do século XVIII. Marquês de Sade contra a religião
5.
28/08
Micheliny Verunsckh
escritora

Religiosidade e Erotismo na Poesia Contemporânea.
6.
11/09
Verah D’Osún
escritora


Religião africana – faces do candomblé
7.
18/09
Ana Maria Dietrich
Historiadora e Profa. Dra. Universidade Federal do ABC
Profa. Colaboradora do Mestrado em História - Universidade Severino Sombra (RJ)


Judeus e o anti-semitismo moderno: a continuidade na descontinuidade
8.
25/09
William Martins
Historiador e Prof. Dr. Universidade Severino Sombra - RJ

Modelos e práticas de santidade feminina na época colonial

Ler Mais

Bienal do Livro de São Paulo - 2010

 

Julho está se despedindo e agosto é o mês do maior evento literário no Brasil, a Bienal do Livro de São Paulo, com uma estimativa de público de 700.000 visitantes. São inúmeros expositores, eventos, artistas e autores famosos circulando por essa feira. Eu estarei por lá todos os dias, entre 12 e 22, com vários lançamentos solos e em antologias. Gostaria de dividir as datas com vocês, no aguardo de sua visita.
São seis livros infantis e uma coletânea de textos selecionados em concursos literários, “Fragmentos & Estilhaços”, com contos, poesias, crônicas e minicontos.
Todos os infantis foram ilustrados pelo consagrado artista plástico Paulo Branco, professor há trinta anos, que aquarelou cada página com muito amor e talento, como vocês podem conferir abaixo:

Ah, já estava me esquecendo, o Prof.Paulo Branco estará fazendo caricaturas ao vivo durante os lançamentos!

Mas antes, em Campinas, terei o lançamento do Vila Felina, um livro que conta a história de um lugar onde os animais são respeitados, amados e bem tratados. Acima de tudo um lugar onde é possível conviver pacificamente com as diferenças entre deficientes, fortes, fracos, gordos, magros, feios, bonitos ou carentes e abastados. E mesmo com tanta diversidade, é sempre muito bem vinda a chegada de um novo bichinho de estimação para fazer parte da Vila Felina, que é conduzida por dona Tuca, uma senhora muito esperta que ensina seus animais e as crianças a respeitarem o próximo e o meio ambiente. O ilustrador Paulo Branco estará fazendo caricaturas ao vivo. este livro leva o selo da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, através do ProAc.

O lançamento do livro será realizado na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi Campinas, dia 7 de agosto de 2010, das 16h às 18h30. Maiores informações na Editora Horizonte (19) 3876-5162, com Eliane.





E na Bienal...



Dia 13/8 – sexta-feira (trezeeeee.....) CONDE VAN PIRADO – EDITORA IN HOUSE



*PROMOÇÃO ESPECIAL! Entrada gratuita para quem comparecer ao evento fantasiado do seu personagem favorito.

Para validar a sua entrada na Bienal do Livro é obrigatório apresentar uma foto do personagem representado.

Conde Van Pirado

A história se passa em "Percisvania", uma cidade diferente e que fica escondida entre os vales das "Terras de Culadrá", onde habitam pessoas quase normais. O prefeito da cidade Conde Van Percis é casado com Condessa Van Vânia e juntos tiveram Van Pirex (uma menina) e Van Pirado. Lá em Percisvania eles vivem do cultivo de uvas, pois elas contêm uma vitamina sem a qual a raça Pirados não sobreviveria: a vitamina Vp. Se todo esse universo rico de detalhes dessa cidade fictícia já chamou sua atenção, então você vai se surpreender com a história do único vampiro albino da cidade e que faz parte da banda de rock local. Nessa envolvente história, de Simone Pedersen, você descobrirá mistérios - como, por exemplo, o por que de os vampiros de outrora evitarem o sol -, e se aventurar junto de Van Pirado, que descobre que sua espécie sofre o risco de extinção por causa de uma fábrica de refrigerantes



Dia 14/8 – sábado – 12hs – Coleção Fuá – Riscando os animais – In House



A Coleção Fuá é destinada as crianças de 3 a 99 anos. Além de incentivar o gosto pela literatura com seus poemas sobre animais, os desenhos são apresentados de forma lúdica, em duas etapas, provando que qualquer um pode aprender a desenhar. Formato: 20 x 20
24 páginas Ilustrações de Paulo Branco

Poesia e desenhos em duas etapas

Dia 15/8 – domingo – Fragmentos & Estilhaços 16 hs– In House



Descrição:

"O escritor pinta o papel com palavras. O poeta pinta o papel com as cores de sua alma". Assim são as palavras iniciais e provocantes de Fragmentos e estilhaços, de Simone Pedersen. A simplicidade das frases soltas no ar, feito "balões coloridos" que ganham o céu, com significados do tamanho da imensidão estão em seus fragmentos, ou mesmo a "força da presença da ausência infinita", que encontra nas reticências o silêncio, num grito da alma de seus estilhaços Os textos sensoriais - feitos para tocar você, para que sinta o cheiro daquele local descrito e veja a poesia discreta nas paisagens reveladas - são "pólen para florescer a alma". Em Fragmentos e estilhaços, "o leitor vai entender que o escrito não está, mas que nas entrelinhas se esconde".

Vila Encantada – 18hs – DOMINGO – 15/8 – In House






A Vila encantada ficava numa floresta distante, lá os animais se encontravam para aprender sobre a vida, desenvolver suas capacidades. Aprendiam também a dançar, cantar, pintar, além de ler, escrever e contar. Para chegar até esse lugar mágico os animais tinham de percorrer diferentes caminhos. Havia animais especiais, mas todos eram respeitados e aprendiam a viver com suas limitações e se destacavam em outras áreas. A preocupação com o meio ambiente, a preservação da natureza e o carinho com os seres humanos circundava aquele lugar. A autora traz à tona, em uma trama envolvente e divertida, temas transversais como o convívio com a diferença e a consciência sócio-ambiental, visto que alguns personagens possuem certas deficiências físicas, e todos se preocupam em preservar a floresta que habitam. A ilustração do renomado Paulo Branco aguça ainda mais a imaginação e dá vida àquele mágico lugar.

DIA 18/8 QUARTA-FEIRA – VILA FELINA – 19 HS - SCORTECCI




Dia 20/8 sexta-feira – Coleção Pá-Pum – Poetando e desenhando – 12hs - Komedi


A Coleção Pá-pum é destinada as crianças de 3 a 99 anos. Além de incentivar o gosto pela literatura com seus poemas sobre animais, os desenhos são apresentados de forma lúdica, em duas etapas, provando que qualquer um pode aprender a desenhar. Formato: 20 x 20
24 páginas Ilustrações de Paulo Branco

Dia 22/8 domingo - Sara – 16 hs


Sara era uma menina espevitada e que gostava de ler, mas sempre quando lia sentia fortes dores de cabeça. Sua mãe a levou num médico muito bom, um tal de "Oftalmo", e que dizia que "os olhos eram a porta da alma". Ficara assustada quando soube da noticia, revelada através de nomes estranhos, que teria de usar óculos. Sara foi com a mãe até uma loja comprar seus óculos novos. Lá havia uma infinidade deles, mas a menina escolhera um cor de rosa. No outro dia, quando estava a caminho da escola, descobriu que seus óculos eram mágicos, e passou a ver um mundo bem mais colorido, diferente. Mas o arco-irís de sara se tornaria monocromático novamente com o preconceito dos coleguinhas de classe, que não entendiam sua necessidade daquele objeto. O final dessa envolvente história de Simone Pedersen e de ilustração do renomado Paulo Branco vale a pena conferir. Com ou sem óculos, o que vale é a magia dos olhar de cada um de vocês.Espero você!




Simone Alves Pedersen, nasceu em São Caetano do Sul, viveu anos no exterior e hoje mora em Vinhedo, SP. Mãe do Dennis e da Natalie, se apaixonou pela literatura de Monteiro Lobato ainda criança. Formada em Direito, participa há dois anos de concursos literários, tendo conquistado inúmeros prêmios no Brasil e no exterior.Tem textos publicados em dezenas de antologias de contos, crônicas e poesias. Escreve para jornal, revista e diversos blogs literarios. Autora dos infantis Vila Felina, Conde Van Pirado, Vila Encantada, Sara e os óculos mágicos e Coleção Fuá. Para adultos lançou uma coletânea de textos premiados “Fragmentos & Estilhaços” e em Portugal o “Colcha de Retalhos” com poemas.


Blog: http://www.simonealvespedersen.blogspot.com/







Paulo Branco, artista plástico, cartunista, ilustrador e professor de desenho e técnicas de pintura.

Leciona Aulas de Arte, Desenho e Pintura há trinta anos.

Ilustrou para Editora Abril (Playboy), Revista Bundas e Jornal Pasquim (coordenado pelo Ziraldo), também para o Livro “É mentira Chico!” (em homenagem a Chico Anísio), para Rubem Alves ilustrou 2 livros (Quando eu era menino, Agenda 2000 – Edit. Papirus). Pelo Mapa Cultural Paulista, foi considerado o melhor desenhista de Humor do Estado de São Paulo (caricaturas).

Expôs em todos os espaços oficiais de Campinas. Trabalhou com caricatura ao vivo em grandes eventos.

Blog: http://www.paulo-branco.blogspot.com/
Ler Mais

Pequena Entrevista com Lúcia Gönczy

A poeta LÚCIA GÖNCZY
por Altair de Oliveira


Quem puder ter o prazer de conhecer a poeta e articuladora cultural paulista Lúcia Gönczy certamente irá constatar que se trata de uma pessoa especialíssima, que tem como um de seus principais combustíveis à poesia. Geralmente simpática e de um humor-refinado, uma das principais marcas da poeta é a sua prontidão nas lutas das causas artísticas e culturais. Nos últimos anos, Lúcia tem articulado, apoiado, incetivado e divulgado diversos eventos de poesia e de música independente, tais como saraus, exposições, lançamentos e shows. Não raro, a poeta participa também de eventos literários de poesias em vários pontos do país e daí geralmente contata novos artistas ou grupo de artistas, que acabam podendo contar com a ajuda da poeta quando vêm divulgar seu trabalho em São Paulo.

Moderna, concisa e lírica; a poesia de Lúcia Gönczy é geralmente intimista e tem ímpetos de traduzir, sempre que possível, o que a comove ou a inquieta. Com um forte acento feminino, seu poemas trazem também imagens, sons e ritmos que buscam captar os momentos intensos e bonitos da vida, daquilo que ela tem de melhor, sua poesia. Vem talvez daí, a vontade latente que a poeta tem em ajudar mostrar trabalhos artísticos de pessoas que ela mal conhece, mas que sabe que operam, muitas vezes no anonimato, por uma vida com mais arte e poesia. Coisa que ela, apaixonadamente, preserva. Quando escreve, Lúcia declara agir mais por inspiração do que por uma composição cuidadosamente planejada, uma poesia sem maquiagem. Esta forma de escrever não garante portanto que seus poemas sejam melhores que os que supostamente ela teria que suar mais a camisa para escrever, mas faz com que eles sejam mais honestos.

Nesta semana, trouxemos aqui um pouco da produção poética de Lúcia e também uma pequena entrevista que ela gentilmente nos concedeu, a qual temos aqui um grnade prazer de compartilhar.



Quem é Lúcia Gönczy?


Lúcia Gönczy é paulistana, poeta e produtora de eventos diversos no ramo das Artes. É coordenadora musical do Proyecto Cultural Sur Paulista. Participou de 4 Antologias (Congresso Brasileiro de Poesia - Proyecto Cultural Sur - 2007/2008), II Antologia Confraria dos Poetas(2008) e 1 Prefácio - P.O.E.M.A.S (2009, Editora Mattos). Apresentou-se em diversos espaços da cidade, como Casa das Rosas, Sopa de Letrinhas, Sarau da Camarilha dos 3, Sarau P:PP, Politeama , Parque da Aclimação, Hospital Brigadeiro, Hospital São Matheus, bares, pubs, agitos culturais diversos... Escreve para seu blog (http://luciagonczy.blogspot.com/), Projeto palavra Porrada, Clube Caiubi de Compositores (Sopa de Letrinhas), Leo Lobos, Planeta Literatura, Recanto das Letras, blogs de amigos da Cultura, como o poeta Altair de Oliveira.


PC- Gostaria que você nos falasse um pouco sobre a sua infância. De como a menina Lúcia encontrou com a poesia e o que aconteceu para ela decidisse adotá-la para a sua vida?
LG- Venho de uma família ligada às Artes; principalmente Música, Literatura e Artes Plásticas. Portanto, tive uma infância onde o desenho e, posteriormente, a escrita, foram minha principal referência.

PC- Poderia falar-nos sobre esta tua descendência húngara e se ela influenciou na tua formação cultural?
LG- Bom, uma educação mais de 50% européia, costuma influenciar muito na formação cultural e pessoal; aprendemos que os valores básicos, aqueles que nos sustentarão pelo resto de nossas vidas, estão intimamente ligados aos princípios morais, éticos e filosóficos.

PC- O que é poesia para você? E porque esta necessidade de guardá-la em poemas e até em publicá-la?
LG- Poesia é algo natural; intrínseco; latente. Quanto à necessidade, não sei... Acho que a minha, é a mesma que a sua e a de todo mundo. É um processo, só isso.

PC- Você sempre esteve de alguma forma envolvida com a poesia, mas por que só recentemente decidiu divulgar os seus escritos?
LG- Sempre. Tenho poeminhas que fiz com 7 anos de idade. Escolhi divulgá-los agora, porque é o momento; nunca tive pressa.

PC- Quais os principais poetas que você gosta de ler, os que admira ou lhe inspiram?
LG- Ah, essa é difícil. Tanto na música como na poesia, sou eclética; gosto de tudo, ou quase tudo. Mas, como referência, citarei alguns atuais: Paulo Leminski, Hilda Hilst, Adélia Prado, Gilka Machado, Carpinejar, Caio Fernando Abreu, Guimarães Rosa, e por aí vai...

PC- Gostaria que falasse-nos um pouco sobre o teu processo de escrita poética. Quais os passos de sua configuração? Qual a porcentagem de inspiração e de transpiração utilizada neste processo?
LG- Não tem processo. Como citei acima, o poema existe desde sempre; está apenas adormecido. Escrevê-lo é expulsá-lo - um parto, entende? Sinto-me grávida de poemas.

PC- Além das atividades de dona de casa, você exerce outras atividades, entre elas a de promotora cultural independente, onde promove e apoia eventos de poesia e de música em espaços oficiais e alternativos. Gostaria que falasse-nos um pouco sobre este trabalho. Que tipo de retorno você obtém daí?
LG- Além de tudo, sou uma pessoa muito mística e curti uma comparação feita por uma amiga: "Lúcia tem algo a ver com o Terceiro Raio- Rosa." Isto é, sou alguém que está sempre pronta a descobrir talentos e ajudá-los a encontrar seu lugar ao Sol; lugar este que deveria ser fácil e de direito, mas nem sempre o é. Meu retorno financeiro é, praticamente ou nenhum. Nulo. Trabalho por Amor, por mais incrível que isso possa parecer, atualmente.

PC- Sabemos que você tem participado de várias antologias de poesia e que tem divulgado o seu trabalho em sites e em eventos de poesia e que está preparando o teu primeiro livro de poemas. Poderia falar-nos um pouco sobre o livro e sobre quando o poderemos tê-lo em mãos?
LG- Estou. Tenho material para uns 3 livros, mas isso é, financeiramente, inviável. (não deveria). Não tem mistério; será um livro de poemas, óbvio, com alguns textos - coisa que também gosto muito de fazer. Quanto à publicação, se dependesse de mim, estaria pronto "ontem", mas penso que, até o final deste ano ou início de 2011.


POEMAS


Grau


sorte sua,
a minha
hipermetropia.
por conta disso,
de perto,
nunca enxerguei
direito
seus defeitos.

Poema de Lucia Gönczy


***

saí de mim
entrei
em
você
de repente
tudo
parecia
transparente

aconteceu

inevitável

me ferrei

agora
entro
em
mim
sem você

evitar
não
posso

levitar sim!

Poema de Lucia Gönczy

***

véu



em
linha
reta
leio
tua
retina

Poema de Lucia Gönczy

***

o arquiteto do momento capta
sua rota de fuga
ainda que dentro dela exista
deseja palavras simples
sem construções mirabolantes
verdades implícitas
por isso a paisagem
não é mais nossa
viajou
virou estrela
desintegrou.

Poema de Lucia Gönczy

***

condicional


para a moldura
[paredes]

para o silêncio
[a fúria das cores]

para a liberdade
[o ventre]

para a vida
[intensidade]

no caminho

[somente]

aqueles que pulsem juntos


Poema de Lucia Gönczy

***

À flor da pele



Percebo
seu desalento
que aos poucos
sorve o meu ser

E olho
com olhos de lince
o gato
que existe em você

O peixe
deixo pra ceia
e cerceio
a cerca que anseias

Que tens de ser
do meu ser


Poema de Lucia Gönczy

***

adoro quando diz meu nome
não importa a hora nem as flores
adoro quando tudo se disforma
e o grito sai mudo quase a queima roupa
adoro quando seu pensamento me toca
e triste me acha ausente
são nestes momentos, exatamente,
em que me acho mais presente

não negue: Você SENTE!


Poema de Lucia Gönczy

***


Evento Literário da Semana em São Paulo:


SARAU POÉTICO "QUINTA POÉTICA" - NÃO PERCAM!

Local: CASA DAS ROSAS - Avenida Paulista, 37 - Metrô Brigadeiro
Quando: Quinta-feira (29/07/2010), a partir das 19:00 hs.
Nota: Com a participação da poeta LÚCIA GÖNCZY


Ilustrações: 1- foto da poeta Lúcia Gönczy; 2- outra foto da poeta; 3- Trabalho do russo Marc Chagal; 4- Gato amarelo com flor, de Aldemir Martins.


Altair de Oliveira (poesia.comentada@gmail.com), poeta, escreve às segundas-feiras no ContemporARTES. Contará com a colaboração de Marilda Confortin (Sul), Rodolpho Saraiva (RJ / Leste) e Patrícia Amaral (SP/Centro Sul).
Ler Mais

A outra


Quando era mais nova, eu conseguia transpor todas as descobertas, desamores e inquietações que somente uma adolescente de 15 anos consegue sentir, e transformá-las em poesia.
Escrevia poemas quase todos os dias, principalmente, durante aulas que me sufocavam e que me limitava a pensamentos pragmáticos e lógicos.
Hoje, não consigo ter a mesma leveza, a sutileza das palavras me abandonou e quando escrevo algo já não tem mais estrofes, versos ou rimas. São palavras corridas, com orações subordinadas ou não, que enchem as laudas do meu computador.
As palavras são ásperas, críticas e às vezes levemente irônicas. E como uns textos são tão diferentes dos outros, não encontrei um gênero para catalogá-los, assim, recentemente, tomei a liberdade de chamá-los de coisas.
Afinal, chamá-los de crônicas ou contos, seria colocá-los no mesmo gênero que autores como: Fernando Sabino ou Luis Fernando Veríssimo estão, e sei que não é o caso.

Hoje, tomo a liberdade e a coragem de expor uma dessas minhas coisas na coluna Drops Cultural.
Essa se chama
 A outra

Não, não e definitivamente não.
Olho para baixo, vejo o piso do banheiro, o mesmo de sempre, não mudou nada. Em volta, todas as outras coisas também no mesmo lugar, do mesmo jeito de sempre. Tudo estático, tudo igual. Naquele ambiente tão familiar eu me sentia uma estranha, a única que não era a mesma, a única que já não se reconhecia, mesmo procurando atentamente no espelho, por algum sinal ao menos, do que foi antes.
Sentei-me no vaso, fiquei ali parada, pensando por alguns instantes. Seria possível encontrar alguma resposta para toda aquela confusão em minha mente, para toda aquela minha necessidade repentina de me encontrar. Talvez fosse possível.
Queria o maior encontro que o ser humano pode ter em sua vida, o encontro com seu eu. Não, não é conflitante e também não envolve metafísica. É simples, porém evitado, talvez por ser doloroso, afinal a verdade sempre dói.
O meu encontro, meu melhor encontro. Era isso que queria, era nisso que me concentraria agora. Levantei-me, tinha um encontro.
Fui tomar banho, e durante o banho não consegui pensar em outra coisa, estava muito ansiosa. Lavei meu cabelo, sentia a textura e o comprimento dele, estava tão diferente, será que agradaria?
Fui ao armário, escolhi meu melhor vestido, aquele que me deixava mais jovem e mais feminina. Escovei meu cabelo e depois me maquiei. Olhei mais uma vez no espelho, estava bonita, mas ainda insegura.
Sentei no sofá da sala e apanhei um livro para folhear, os minutos não passavam. A campainha tocou, corri para atender, e era a outra. Ela me olhou dos pés a cabeça, depois fez o mesmo com o resto da sala e por último cumprimentou-me. Sentou-se ao meu lado no sofá, ofereci alguma bebida, mas ela não aceitou.
Era ela mesma, aquela que passou anos do outro lado do espelho apenas me olhando, aquela que eu nunca pedi opinião, aquela que durante esses últimos 15 anos da minha vida tem sido apenas a outra e nada mais.
Perguntou o que eu queria com ela agora, sendo que nunca tinha dado importância ao que ela pensava. Bem, na verdade eu também não sabia ao certo o que tudo aquilo significava para mim ou o que eu pretendia com aquilo tudo. Apenas pedi para ela continuar e me ouvir.
Ela concordou e permaneceu ali, sentada, me olhando, aqueles olhos que eu tão bem conhecia. Comecei, eu precisava falar o que estava sentindo há dias ou seriam meses? Abri minha boca e as palavras começaram a saltar, como se elas já estivessem ali, há muito antes de eu saber, como se durante minha vida toda eu estivesse esperando por aquele momento.
Ela me olhava atentamente, parecia compreender tudo que se passava comigo. No entanto, não conseguia saber se compartilhava da mesma opinião. Seu rosto era vago, não continha expressão alguma.
Continuei falando por um longo tempo, parecia que poderia continuar falando pela eternidade. E quando terminei, quando me calei, cai aos prantos. Meu choro contido durante todos esses anos, todos esses anos que fingi ser forte. Chorava como uma criança, aquela criança que reconhece seu erro. Ela me abraçou, apanhou minha cabeça e colocou-a docemente sobre seu colo e começou a alisar meus cabelos.
Quando finalmente me acalmei, ela falou. Suas palavras, sua doce voz, ecoaram pela sala toda. Há anos não sabia o que era aquilo, há anos eu não sabia como era sentir aquilo. Disse que estava disposta a me perdoar, disse que pessoas erram, e que isso era normal.
Olhei-a bem nos olhos, sorri, e senti que ela também sorriu com os olhos. Pensei em abraçá-la, mas percebi que minha situação não permitia, afinal foram muitos anos de descaso. Ela se despediu, caminhou em direção a porta e antes de sair disse para eu não esquecer jamais daquela noite. Concordei com a cabeça e ela foi embora.
 Depois disso, fui para meu quarto, talvez pudesse até sonhar, talvez pudesse até voltar a sonhar. Talvez minha vida mudasse completamente, ou talvez eu me conformasse com a frase que li num livro enquanto esperava a outra, era mais ou menos assim: “Você não é quem você pensar ser, você é apenas a cópia mal feita daquilo que um dia sonhou ser”.






Ana Paula Nunes é jornalista, Pós-graduanda em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo/USP. Coordenadora de Comunicação da Contemporâneos - Revista de Artes e Humanidades. Escreve aos domingos na ContemporARTES.

Ler Mais