Reencontrando a Felicidade: Nicole Kidman indicada a Melhor Atriz


Cartaz do filme Reencontrando a felicidade

Nicole Kidman é uma daquelas atrizes que consegue fazer um filme brilhar somente por conta de sua ótima atuação. Seu rosto bonito e seu corpo esguio fazem par formando uma beleza clássica. Muitos personagens que lhe fora oferecidos no decorrer de sua carreira contavam com esses seus atributos físicos. Tudo bem, afinal não tem como negar a beleza de Nicole Kidman. Felizmente seu talento vai além; para confirmar é só lembramos da prótese de nariz que Nicole usou durante os meses de gravação do filme As Horas. Ela precisava de um visual menos delicado e mais parecido como o de Virginia Woolf. Segundo ela, até os seus filhos a estranhavam e o mais incrível é que ela podia andar tranquilamente na rua, pois as pessoas não a reconheciam, logo, ficava livre do assédio dos fãs. 

Reencarnação - Nicole sofre para salvar o filme
É certo que nem sempre ela teve bons papéis, mas  sempre conseguiu fazer o espectador sentir fortes emoções através dos personagens que lhe foram dados. Vamos nos lembrar de um filme difícil, Reencarnação (Bird), 2004, em que Nicole conseguiu, de alguma forma, salvar um roteiro sofrível numa trama sem sentido, transformando um filme ruim em mediano. Mas, costumeiramente, se dedica a personagens e roteiros memoráveis de estilos diferentes que deixam a mostra toda sua versatilidade e o forte compromisso e cumplicidade com seus personagens.




Os Outros - Impecável atuação




Foram muitos filmes em momentos mágicos como os vividos em Os Outros (The Otlhers), 2001,  do cineasta chileno, radicado na Espanha, Alejandro Amenábar. Nicole surpreende mais uma vez na enigmática atuação de Grace, uma mulher misteriosa que vive em um casarão durante  a Segunda Guerra Mundial com seus dois filhos que sofrem de uma rara doença de hipersensibilidade a luz solar. No apavoro para deixar sempre as cortinas fechadas, Grace vive angustiada e tensa a espera do marido. Suspense e terror, sustos e mistérios levam os espectadores a delirarem com a atuação impecável de Nicole.

Dogville - Leve, doce e cruel

Já em Dogville, sem título específico para o português, 2003, de Lars Von Trier,  Nicole vive novamente uma Grace, só que bem diferente. Agora ela ocupa um espaço teatral num  cenário com uma estética a la teatro do absurdo, meio Samuel Becket. Lars apela para a estilização cênica teatral. Grace chega de fora e quer agradadar o vilarejo,  mergulhada nas dúvidas e incertezas de como proceder para ser amada; ela se corrompe, para sentir-se útil e querida. Bela virada da personagem que por ser filha de gângster não deixa "barato" as insultas que sofre. Crueldade com classe.

As Horas - Prótese de nariz

Em As Horas ( The Hours ), 2002, Nicole teve a oportunidade de contracenar com verdadeiras divas de Hollywood, como Merlin Streep e Julianne Moore, numa atuação em que exigiu muito da atriz, pois teve uma prótese colocada no nariz para encarnar a personagem deprimida e talentosa, Virginia Woolf. Mergulhada nas dores da personagem atua com firmeza e delicadeza.
Amor em Vermelho - Figurinos e cenários encantados


 Em Amor em Vermelho (Moulin Rouge), 2001, Nicole revive a cortesã Satine, contracenando com o ator Ewan McGregor, na pele do apaixonado Christin. Este remake de Moulin Rouge  virou um musical bem produzido, com figurinos e cenários impecáveis, que deram a Nicole Kidman a oportunidade de vivenciar a dança e o canto,  podendo mostrar toda sua beleza ressaltada em figurinos incrivelmente bem cuidados.

De Olhos bem fechados - último de Kubrik - sensualidade

De olhos bem fechados (Eyes Wilde Shut), 1999, de Stanley Kubrik, é uma viagem psicossexual em que Nicole contracena com seu então marido Tom Cruise. Entre alucinações, delírios e imagens surpreendentes, o filme faz uma viagem íntima e perigosa  ao encontro dos medos e desejos dos protagonistas.

Cenas de Reencontrando a felicidade - Com o talentoso estreante Milles Teller

Atualmente, Nicole está nas telas dos cinemas com o filme (Rabbit Hole), Reencontrando a felicidade, 2011, nome em português um tanto piegas para a grandeza do filme. Contracena com Aaron Eckhart fazendo um par muito interessante, em que representam Becca e Howie numa trama de muita dor, que consegue impressionar o espectador que acompanha o filme até o fim com muita emoção. O roteiro de David Lindsay Abaire foi baseado em sua própria peça de teatro. O filme tem mesmo uma pegada intimista com diálogos simples do dia-a-dia que tornam o filme natural e convincente.
Sem dúvida, as melhores cenas do filme estão no momento em que Nicole contracena com o estreante e talentoso Milles Teller, fazendo um duo intrigante em que as dores de ambos são faladas em diálogos leves e cheios de emoção.
Neste filme, Nicole conseguiu a indicação de Melhor Atriz ao Oscar 2011 concorrendo com a favorita Natalie Portman, atriz de Cisne Negro. Não levou a estatueta, mas a indicação, para ela, já é um reconhecimento da academia a seus muitos anos de trabalho. 





Bom filme !


Kátia Peixoto é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Mestre em Cinema pela ECA - USP onde realizou pesquisas em cinema italiano principalmente em Federico Fellini nas manifestações teatrais, clowns e mambembe de alguns de seus filmes. Fotógrafa por 6 anos do Jornal Argumento. Formada em piano e dança pelo Conservatório musical Villa Lobos. Atualmente leciona no Curso Superior de de Música da FAC-FITO, nos Cursos de Artes Cienicas da FPA e na UNIP nos Cursos de Comunicação e é integrante do grupo Adriana Rodrigues de Dança Flamenca sob a direção de Antônio Benega.





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As Cinemagrafias de Jamie Beck



O trabalho da fotógrafa novaiorquina Jamie Beck é renovador. Ela faz algo que está sendo chamado de "cinemagraphs" (qualquer coisa como “cinemagrafias”) e não falta nada para ser absolutamente extraordinário. As tais cinemagrafias são no fundo fotografias em que parte da imagem é dotada de movimento. É uma pena que o efeito final só é válido para suportes digitais, pelo menos por enquanto. E seu trabalho está centrado somente em fotos de moda e glamour.

A fotógrafa mudou totalmente o conceito de GIFs animados ao criar uma respeitada forma de arte, apresentando fotos extremamente impressionantes.
Para quem não sabe, os GIFs animados são famosos na internet. Entretanto, a grande maioria tem caráter humorístico e não guarda grandes preocupações com a qualidade das imagens. O que Jamie faz é exatamente o contrário. As imagens possuem incrível realismo e chamam atenção pelos detalhes.
Batizadas como “cinemagraphs”, ela busca não esgotar as possibilidades de uma imagem. Esta realmente parece ser a chave para criar uma arte respeitável.

Confira abaixo, algumas das belas criações dessa fotógrafa que conseguiu inovar seu trabalho.


 












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Izabel Liviski é Fotógrafa e Mestre em Sociologia pela UFPR. Pesquisadora de História da Arte, Sociologia da Imagem e Antropologia Visual.  Escreve quinzenalmente às 5as feiras na Revista ContemporArtes.

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Narrar o inenarrável - experiência da Semana de História em UFJF



Corrida essas férias quadrimestrais da UFABC. Pulando de um estado a outro, de Paraná da Ilha do Mel a Minas dos amigos de Juiz de Fora, de Minas a Rio de Janeiro com banca de qualificação de aluno, do Rio a São Paulo que me recebeu com esse frio estarrecedor, meus dedos quase congelam agora ao digitar. 
Em Minas, participei da XXVIII Semana de História dando a conferência Preconceito, Racismo e Antissemitismo da Segunda Guerra aos dias de hoje na última quinta-feira (12) e em Santo André, ontem (16), coincidentemente, participei de outra Semana de História, essa organizada pela Uniabc, na qual falei sobre a Tropicalização do Nazismo, o tema de meu doutorado. Foram experiências ótimas - ter novamente contato com os historiadores ou futuros - responder suas inteligentes indagações. Em Minas, reencontrei os "contemporâneos de Juiz de Fora", o grupo que me apoia na edição da Contemporâneos - Revista de Artes e Humanidades na qualidade de editores-assistentes. O olho no olho foi bom para planejar novos sonhos e alçar novos vôos.
  Auditório da UFJF/ 12.05.2011. Conferência sobre antissemitismo

Das duas conferências, me marcou em especial a discussão sobre memórias traumáticas e essa pretendo resumir aqui. Como nominar o inominável e narrar o inenarrável? Difícil, quase impossível para os sobreviventes dos campos de concentração. Em primeiro lugar, a experiência por si só é traumática o que dificulta a narrativa. Complica-se ainda mais porque a espécie de terror vivido foi tal que não se conseguia narrar o que foi  tão duramente experimentado por esse grupo. Ainda mais faltava-se a escuta. Quem porventura escutasse não tinha códigos suficientes para desvendar a essência da mensagem. Como escreve Primo Levi: "por que o sofrimento de cada dia se traduz constantemente em nossos sonhos, na cena sempre repetida da narração que os outros não escutam?" A consequência disso foi os sobreviventes voltarem calados para suas casas. Aquilo tudo não seria narrável por palavras.


O antissemitismo pode ser entendido como um catalizador do movimento nazista. Entender a especificidade do genocídio judeu significa pensar a morte em grande escala, em escala de indústria. Um mal estar do homem moderno. Não pensá-lo somente a partir da matança nos campos, mas a partir de toda uma Política de Estado que foi arquitetada com o objetivo de minar um grupo de seres humanos da face da terra. Lembrando rapidamente a cronologia, em 1933, com a ascensão de Hitler, começam os boicotes econômicos aos judeus, 2 anos depois, em 1935, são promulgadas as leis de Nuremberg que propunham separar - com arcabouço legal - os chamados arianos de não-arianos. Em 1938, acontece a Kristallnacht, noite dos vidros quebrados. Nesse momento, muitos judeus foram assassinados e sinagogas destruídas. O genocídio acontece como uma continuidade dessa política.
Walter Benjamin ao analisar a experiência das narrativas dos sobreviventes diz que pode acontecer um declínio da experiência (Verfall der Erfahrung), daí então, se observa o silêncio no lugar da memória.
Hoje em dia, felizmente, são muitos os projetos que visam o registro dessas narrativas. Não podemos deixar de dar sua devida importância lembrando do perigo, sempre latente, das correntes revisionistas e negacionistas.

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Exposição Contemporartes 14X Artes se encontra agora do Instituto de Artes da Universidade Federal da UFJF (Juiz de Fora/MG). Visitem!



Fotos da reunião dos Contemporâneos em Juiz de Fora em 11 de maio de 2011









Com muito pão-de-queijo para espantar o frio da noite, foram definidos vários projetos para as duas revistas, entre eles, a definição dos temas dos próximos dossiês e um evento para lançamento do próximo nr.



Ana Maria Dietrich é editora-chefe da Contemporâneos-Revista de Artes e Humanidades e coordenadora junto a Rodrigo Machado da Contemporartes-Revista de Difusão Cultural. Profa. Dra. Adjunta da UFABC.
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O outro e eu mesmo



Assisti na TV que existem no Brasil 27 mil Josés Pereira da Silva e que destes 813 tem mães chamadas Maria José da Silva. A reportagem explicava que o levantamento existe por causa da previdência social, que precisa certificar-se da existência real de seus beneficiados. Em caso de homônimos a previdência usa para diferenciar o nome da mãe.

Impossível não ouvir a reportagem, pelo menos impossível para quem estuda literatura brasileira, e não se recordar do início do auto de natal pernambucano: “Morte e vida Severina”, de João Cabal de Melo Neto. Eu, entretanto, lembrei-me também de um episódio bem particular, pessoal. Afinal, onde se encontrar outro Abilio ou outro Pacheco, outro Abilio Pacheco então...

Mas tem, e não tão poucos como eu pensara. Fui advertido por uma aluna quando eu lecionava na Escola Tenente Rego Barros. Uma aluna da sétima série. Quando cheguei à sala no primeiro dia de aula e fui me apresentar, a menina espigoita já havia dado uma googada no meu nome e foi emendando os “abilio pachecos” que ela encontrou na web. Eu ainda não tinha um site pessoal, mas não foi difícil para ela reconhecer qual era o “abilio pacheco” que entraria em sala. Não repito todos aqui, pois não vou privar o leitor da curiosidade e do trabalho de ir também ao Google (se o desejar, é claro!) e lá encontrar um rol de homônimos meus.

Um deles eu já conhecia de nome. Opa! Conhecer de nome é estranho. Digamos que um deles eu já havia dado de acordo que existia. E confesso que tive dificuldade de assimilar que aquele que eu via na TV tinha o mesmo nome que eu. Devia me sentir como as crianças que ao se depararem com alguém com o mesmo nome demoram a aceitar que isso seja possível.

Eu ainda morava em Marabá e cursava o mestrado em Belém. Colocava sempre a televisão para despertar por volta das cinco e meia. Assim eu poderia acordar bem cedo para ler, estudar e – raramente no hotel – escrever. Não sei precisar quanto tempo depois da televisão ligada, ele apareceu num programa sobre agricultura. Sei bem que ainda deitado, em vigília, eu ouvi: “Abilio Pacheco, da Embrapa, nos fala mais sobre...”.

“Abilio Pacheco”!? Saí dos lençóis, pus pés ágeis no chão, erguido cruzei os braços e fiquei olhando para aquele que não era eu, mas tinha meu nome. Ora, mal havia saído do sono. Estava letárgico e o Abilio Pacheco, pesquisador da Embrapa, nem de longe se parecia com o que eu via no espelho, nem de longe falava de literatura e estava explicando algo sobre cuidados com solo e plantis – temas que, confesso, não me agradam ou nem me atraem.

Quando lancei meu mosaico primevo fiquei com vontade de saber o endereço dele e para lhe mandar um exemplar autografado: “de Abilio Pacheco para Abilio Pacheco”, mas não encontrei, talvez não tenha me empenhado muito nisso. Ano retrassado quando Rui Baiano entrevistou-me na feira do livro, por ocasião do lançamento dos três volumes da Antologia Literária Cidade (vídeo) e do meu Riscos no Barro, fui ao youtube procurar pelas entrevistas e lá encontrei meu xará novamente falando sobre Silvicultura.

Existem outros episódios interessantes entre eu e os outros “abilios pachecos” ou apenas entre eu e algum outro Abilio. Ainda bem que estou longe 27 mil Josés Pereira da Silva o que reduz quase a zero a possibilidade de ter um homônimo com mães homônimas. Pelo menos nisso sei que não terei problemas com Previdência.


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O Poeta Paraense Max Martins!













Um Pouco sobre o poeta Max Martins


por Altair de Oliveira





Esta semana apresentamos um pouco da poesia do grande poeta paraense Max Martins (1926-2009), autodidata, que surgiu na literatua na década de 50 com o seu livro de poemas "O Estranho" em 1952 e, a partir daí, dedicou toda sua vida à poesia, sendo incorporado aos grandes nomes da vanguarda literária e tendo produzidos contundentes versos de rara beleza na poesia contemporânea.





É curioso observar que Max Martins concluiu apenas o ensino primário, mas que o gosto ao estudo, sobretudo o estudo da poesia fez com que ele sempre se portasse no mundo como um aluno apaixonado da arte da palavra. Inicialmente incentivado pelo professor Francisco Paulo do Nascimento Mendes (o Chico Mendes), o poeta, que já gostava dos autores românticos e parnasianos da biblioteca de seu pai, passou a interessar-se pelo autores modernistas (Mário e Oswald de Andrade, Drumond e Murilo Mendes). Surge desta influência o seu primeiro livro "O Estranho".



Na década de 50, o poeta foi convidado a participar de um grupo de estudos literários, liderado pelo professor Chico Mendes, do qual participava nomes como Benedito Nunes (grande amigo do poeta), Mário Faustino, Ruy Barata, Paulo Plínio Abreu e o americano Robert Stock, que na época morava em Belém . O grupo se reunia no terrace do Central Café para a leitura e discussão de ensaios literários e apresentação e indicação de autores e dos movimentos literarios de vanguarda. Daí surgiu o amor e o primor do poeta pelas palavras que, já a partir de seu segundo livro "O Anti-Retrato" (1960), ele passou a demonstrar.





Batante conhecido e celebrado no Pará, o poeta teve seus poemas traduzidos e publicados em países como Estados Unidos, França e Alemanha e fez várias oficinas, leituras de poemas e palestras sobre poesia, inclusive nas universidades americanas de Columbia, St. Louis e Rolla, em 1987. No entanto Max Martins, devido talvez à omissão da crítica literária acadêmica e jornalística do centro do país ou à miopia avançada que o nosso mercado editorial costuma ver a poesia, tem sua obra pouco divulgada nacionalmente, o que é realmente lamentável.






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O que já disseram dele?





"Com ele a palavra sempre atinge o além do possível. Uma palavra qual esfera esquiva, cuja superfície se compõe com o movimento de muitas passadas. A cada passo, giram-se os significados e despoja-se o signo dos sentidos habituais, automatizados, para que germinem outros campos semânticos. A mão que move as arestas, os espelhos as faces dos verbos move-se com cautela, apesar de impor-se inquieta e persistente; incontrolavelmente insatisfeita. Em sua faina, tudo que ressoe a significado conta. Todas as maneiras de dizer o verso, qualquer impostação vocabular. Tudo ao derredor participa de sua lavra, de sua fortuna poética para que se conjugue à colheita a diversidade e o múltiplo. Forma, disposição da grafia, cor, ritmo, sonoridade, disjunção e conjunção de elementos significativos, o espacejamento que se dota de valor, a palavra em sua integridade ou o fragmento, às vezes farrapos de palavras, prefixos que ganham o mundo sozinhos desmembrados de seus radicais; colagens, grafismos, o desenho, a visualidade, a imagem, um tudo compósito preenche os espaços da página em branco sob as flexões dos dedos de Max Martins, este poeta paraense para quem a construção, a fruição da poesia é ato vital, jamais a gesticulação do banal e passageiro." Amarílis Tupiassu, doutora e professora de Literatura da Universidade da Amazônia - UNAMA.






O que ele disse que a poesia é:







"Eu não sei, busco saber o que seja. Pergunto para ela... A poesia é sempre uma dúvida. Começa que a palavra que a gente tem a ilusão... mente a si mesmo de que a palavra é a coisa, mas nunca é a coisa. É como diz o mestre zen budista: Não confunda a lua com o dedo apontando para a lua."







Livros Publicados:



- "O Estranho" - 1952; "Anti-Retrato" - 1960; "H'Era"- 1971; "O Ovo Filosófico" - 1976; "O Risco Subscrito" -1980; "A Fala entre Parênteses" - 1982 — em parceria com o poeta Age de Carvalho; Caminho de Marahu, 1983; "60/35" - 1985; "Não para Consolar"; "Poesia Completa" - 1992; "Para Ter Onde Ir" - 1992; "Colmando a Lacuna" e "Poemas Reunidos (1952-2001) - 2001.



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ALGUNS POEMAS




A CABANA





É preciso dizer-lhe que tua casa é segura
Que há força interior nas vigas do telhado
E que atravessarás o pântano penetrante e etéreo
E que tens uma esteira
E que tua casa não é lugar de ficar
mas de ter de onde se ir.



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A FERA



Das cavernas do sono das palavras, dentre
os lábios confortáveis de um poema lido
e já sabido
voltas
para ela - para a terra
maleável e amante. Dela
de novo te aproximas
e de novo a enlaças firme sobre o lago
do diálogo, moldas
novo destino
Firme penetra e cresce a aproximação conjunta
E ocupa um centro: A morte, a fera
da vida
te lambendo





Poemas de Max Martins, In: "Para ter Onde ir" - 1992





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A FALA ENTRE PARÊNTESIS
- 6 -



Já não há mais sonhos Lá e amamos rastros
gastos no asfalto onde se arrasta a asa, resto
pútrido de um vôo que exalto e cito, excita-me
contra a parede e ex'ala a vício
fala entre parêntesis
(Negro,
negro pêlo caligráfico
que recobre selvagem o sexo escrito,
sinuoso grafito gravado no muro:
O SONHO ACABOU
O carro-olho velocíssimo. Os girassóis
lançando-se obscenos aos fachos de luz,
faro luminoso. Na estrada. Seguimos)





Poema de Max Martins, In: "A Fala Entre Parêntesis" - 1982





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RASURAS



"Um buraco sem fundo cheio de palavras " - Hakuin



Meu nome é um rio
Meu nome é um rio que perdeu seu nome
Um rio
nem sim
nem não
Nenhum
Somenos correnteza
Água masturbada em vaus
peraus
em po
luído orgasmo entre varizes
Sêmen sem mim
Mesmice
Onde está meu nome Lá neste rio de lama sem memória e
rumo?
Neste amarfanhado leito de inchada falha?
Meu nome é um rio cotoco - um Ícone

De barro
barroco
Um rio que só se-diz
Seduz-se
Se afaga e afoga
em ego e água: Aquário
Meu nome é um rio tapado
(poço)
E aqui se quebrantou meu nome
sua viagem e osso
É esta a sua fissura? E o seu rosto é este
escuro
atrás da porta
espelho
exposto à febre
à fera de si mesmo?
Ensimesmado
meu nome é um rio que não tem cura






Poema de Max Martins, In: "O Risco Subscrito" - 1980




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Para Ler mais sobre Max Martins:







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Ilustrações: 1- foto do poeta Max Martins; 2- outra foto do poeta Max Martins; 3- aquarela do pintor Rubens Guerchman; 4- quadro do surrealista Reneé Magritte.




Altair de Oliveira (poesia.comentada@gmail.com), poeta, escreve quinzenalmente às segundas-feiras no ContemporARTES a coluna "Poesia Comovida" e conta com participação eventual de colaboradores especiais.
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Tão Interessante




    Tão interessante quanto um cisco no vidro da janela do teu quarto. Tão perspicaz quanto o filósofo barbudo que cantava há alguns anos atrás. Tão alegre quanto aquele menino que caminha nos destroços da guerra que os americanos causaram no Oriente.
    Uma incógnita. Um ponto de interrogação que se encurva cada vez mais quando surge uma teoria. Uma metralhadora que atira flores lilases em direção a um muro separatista. Um beijo entre a guerra e a paz.
    A dose do vinho que cai no copo e o pingo que respinga em sua camisa. O verde da clorofila da folha que arrancou daquela videira. Os dedos que seguram a chupeta em direção a boca da criança decadente ao sono.
    O primeiro pássaro que aparece no amanhecer. Quando o sol se põe, pia desesperadamente a procura de alguma coisa para se alimentar. Ao entardecer procura um lugar onde possa descansar. No crepúsculo volta ser o que era antes do amanhecer. Na noite vira um morcego, sedento por sangue.
    A carta que não foi terminada de ler em cima da tua cama. As palavras distorcidas em rimas que interpretam um novo sábio contemporâneo. Um personagem real, porém irreal. A irrealidade o torna real. Realidade que o faz ser concretizado. Em sua mente. Enfatize novas ideias!
    A peça de antiquário deixada atrás do sofá que você comprou. Quanto tempo ela guarda segredos ocultos. Novas concepções a serem tiradas? Quem sabe. Desenvolvendo uma maneira para selar uma nova progressão. Tal progressão que não há de progredir, há menos que tente…
    As palavras vão sendo jogadas. Massacradas pelas ideias. Evacuadas pelas percepções. Exoneradas por uma mente que nem sequer está em órbita. Oculto em um segredo próprio.
    Tentar desvendar uma concepção poderia ser fácil. Isso tudo pode não simbolizar nada. Simbolizar pra quê? Elaborar um tema pra quê? Se nada é levado a sério!? Será que alguém poderia responder estas perguntas.
    A areia da praia perdeu um grão. Um grão que viajou junto ao vento para descobrir o mundo. Ver os defeitos e as qualidades do planeta. A diversidade. As culturas. Os povos. As ideologias.
Ideologias ao vento. Uma naturalidade que vaga simplesmente por meios onde a sã consciência não consegue neutralizar. Como vãos de uma rachadura na parede, onde a água penetra e jorra fortemente.
    O eixo da discórdia entre a relação do pensamento e a filosofia vã. Tal filosofia que não filosofa. Que filosofia é essa? Que percepção é essa? Que concepção é essa? Eis a questão. O negócio é sentar na cadeira, ler um livro de Nietzsche e tentar relacionar o por quê dele ser tão “ingrato” com Deus.
    Vendo as árvores de um lugar desprivilegiado, podendo descobrir o mundo através de um quadrado. Tentando decifrar a cada respiração, uma nova identidade. Que identidade seria? Aqueles números num papelzinho verde? Não. A sua própria identidade. O que pensar de si mesmo. Se tudo é certo, por que o errado vem atrapalhar? Se tudo está errado, como o certo pode entrar?
    O sentimento que o mundo pode exalar, através de maneiras dissimuladas, é um sentimento grandioso. Que ataca e se impõe. Um sentimento a ser descoberto, não como um segredo em um pergaminho.
    Um homem-arbusto que sai de sua floresta e caminha por uma trilha cheia de pedras onde possam desfigurar suas raízes. Uma flor que desabrocha em pleno inverno, cercada de gelo, porém, é a mais linda flor já existente. O último urso polar que dá a esperança do clone. Para não cair na perdição. Um meio-termo.
    Agora, é tão desinteressante quanto o cisco da janela do teu quarto. Ou tão desinteressante quanto a mosca que pousou na tua sopa.



Guilherme/ Gui Neykova, nascido em 31 de dezembro de 1992, é escritor, músico e compositor. 




A Contemporartes agradece a publicação e avisa que seu espaço continua aberto para produções artísticas de seus leitores.
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