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Amor-compromisso.




O que é o amor? Todos falam que o sentem, mas há muita gente que não sabe o que diz.
O amor está rarefeito, está difícil de conciliar com a individualidade inflada e com tempos de muita oferta de comunicação e relações relâmpagos.
Também com nossas deficiências de entrega pra o quê não traz nenhuma garantia de dar algo em troca e que demanda muito investimento, (o que significa além de emoções, tempo e dinheiro).
O tema do amor sempre ronda meus pensamentos, gostaria de descobrir por que ele vem, por que ele vai, por que às vezes pensamos amar e depois descobrimos que se tratava de outra coisa, se existe alguma maneira de prevenir-se de decepções, de perdas que devastam e ainda assim entregar-se para o amor.
São temas bons de filosofar, bons de poetizar, mas muito pouco eficientes na vida real. A fala mais verdadeira é que, na verdade, temos pouca ou nenhuma garantia da maioria das coisas desta vida e o amor é dentre todas, aquele mais enigmático (e inevitável). Não adianta racionalizar.
Mas nos últimos tempos, li em uma literatura de ajuda que amor é compromisso. E isso bateu forte em mim, como algo que faz muito sentido.
O amor então não seria aquela emoção que não nos deixa dormir nem comer direito, tão pouco aquela adoração que sentimos por outra pessoa ou uma atração irresistível, que às vezes nos conduz ao céu, às vezes a verdadeiro abismo. Sequer a afinidade seria amor.
Se amor é compromisso, amamos coisas que nunca sabíamos e explica-se porque ninguém duvida que o amor dedicado aos pais ou aos filhos é o amor da melhor espécie, amor verdadeiro e infinito.
Acho que está em falta o compromisso com o outro. Com as mudanças na comunicação e a possibilidade que nos foi apresentada de relacionar-nos com muitas pessoas ao mesmo tempo (ainda que com cada uma de maneira singular), fomos perdendo a essência do amor que não acaba, que é fundado em compromisso. Não compromisso por compromisso, como algo formal. Falo do compromisso que vem de dentro, do âmago, e que envolve muito mais que formalidades. O compromisso de cumplicidade, de querer bem e de não desistir no primeiro obstáculo só porque há muitas possibilidades pelo mundo e a vida é curta.

"amor aerado parece
que perde a força, perece
e a prece ronda 
em vento, a boca
até que o eu te amo 
em silêncio
padece".

Muita gente vai questionar esta fala, não é muito poético pensar que um trabalho que a gente nem gosta, mas com o qual é comprometido, envolve amor. Acho necessário ir bem fundo pra compreender esta fala. Perceber que em pequenas e grandes coisas que a gente considerava não envolver amor, há puro exercício de amor e que outras que a gente considerava tão relevantes e poéticas nada mais são que matéria abstrata, matéria ilusória, daquelas com que são construídas as decepções e o medo de amar.
Por outro lado, algumas pessoas vão se identificar, vão compreender e vão tranquilizar-se, concluindo que suas vidas estão mais repletas de amor do que jamais poderiam pensar.
Falar de amor está em alta. As pessoas são levadas a acreditar que há amor em tudo, que o amor está dissipado, que é possível amar o outro e todas as coisas, muitas pessoas ao mesmo tempo e que o compromisso com alguém ou algo prejudica esse exercício de amor involuntário e amplo.
Mas pr'aqueles que não veem sentido nesta fala e que se sentem esvaziados com a incroncretude dos novos tempos com esse amor esparso e etéreo dissipado entre o tudo e o nada, pensar no amor como compromisso pode ser um alento e tanto.


ouça esta canção e entenda com o coração, coisas que não foram ditas.




Larissa Germano é autora de "Cinzas e Cheiros", e escreve nos blogs Palavras Apenas (naoapenaspalavras.blogspot.com) e Nunca Te Vi Sempre Te Amei (cafehparis.blogspot.com), tem perfil no Facebook e no Twitter e a página Lári Prosa e Trova no Facebook. É também compositora intuitiva e tem perfil no Sound Cloud e Youtube.

P.S.: Para adquirir o livro Cinzas e Cheiros, independente, entre em contato com a autora pelo email: slariger@hotmail.com. Remessa pelo Correio.
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Bons Frutos do Amor!


Cuide de sua plantação com amor, cultive com os melhores fertilizantes

Com alegria, amor e as melhores sementes

Chuvas e alagamentos são inevitáveis

Faça uma proteção pro sol não queimar tanto

Tenha uma base boa nos caules

Porque quando vier o vento forte você não terá que se preocupar

De atenção e carinho o melhor é acompanhar o desenvolvimento de perto

O coração, cultive com os melhores sentimentos

Doses de amor e as melhores emoções

Mágoas, dores, decepções são inevitáveis

Não se entregue tanto se proteja um pouco

Se conheça mais

Porque se a decepção for forte não sofrerá tanto

De carinho e amor, mais também receba carinho e amor. 






Juliana Medeiros (Lora Jhu),  Tenho meu ponto de vista sobre as coisas, uma visão diferente de  tudo tenho minha maneira de ver o mundo, busco sempre uma oportunidade em meio a toda adversidade, tenho os pés no chão apesar de achar que o melhor lugar sempre é nas nuvens, acredito na força do pensamento, credito na lei da atração, acredito na lei do retorno. Blogueira apaixonado por literatura, música, fotografia e cinema, nascido em 1983, em Vitória, Ténica de Contabilidade por formação e possui as experiências da vida como graduação.
 Contato: juliana.dpfiscal@gmail.com


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DANUZA LEOA...






Gosto da Danuza Leão. Gosto muito. Sou fã de carteirinha dela. Gosto do que ela escreve,  da maneira como se comporta e de quem ela é.  Sou assinante da Revista Claudia há bastante tempo e uma das primeiras coisas que lia, ao abrir a revista era a crônica da Danuza. 


Quando mudou a colunista, confesso que fiquei chateada. Agora quando a revista chega, não corro para abri-la, perdi um pouco do entusiasmo. Para mim, Danuza é uma baita escritora. Ela consegue como poucas descrever esse mundo tão subjetivo e único, o mundo feminino. Seus textos divertidos, leves, profundos e reflexivos me ajudaram muito a pensar sobre a mulher.




 Já tinha lido os livros da Danuza e num impulso, movida pela tristeza de saber que não teria mais suas crônicas na revista, comecei a ler novamente. O primeiro que peguei foi Quase Tudo, suas memórias. Com seu estilo único, o texto de Danuza é cativante. Suas memórias são incríveis. Danuza viveu (e vive) uma vida extraordinária. 



Danuza é uma mulher forte, guerreira, corajosa e autêntica. Em suas memórias, mostra-se inteira. Em algumas partes do livro você ri com ela. Em outras, chora. Reproduzo, abaixo, apenas um trecho do livro, lindamente escrito, sobre o encontro mágico entre um homem e uma mulher.

Em alguns segundos esqueci do que lembrei a vida inteira: que é preciso saber quem é o outro, o que faz, onde mora, estado civil, classe social. Ele tinha razão: estávamos sós, por que não podíamos ficar juntos? Afinal, a vida pode ser simples. (...). Não houve preâmbulos, não dissemos nossos nomes nem contamos nossas vidas. Aconteceu o que era para acontecer, e às sete da manhã, quando saí, ele dormia. Pedi ao porteiro, que ainda era o da noite, que abrisse a porta do meu quarto. Quando acordei, às duas da tarde, mal acreditei no que tinha acontecido. Voltei ao mesmo café, pedi um vinho e pensei: quando um homem deseja muito uma mulher, esse desejo pode despertar o desejo dela. E mais: quando isso acontece, não há nenhuma razão para que os dois resistam à pulsão da vida. Pensei também que poucos homens compreendem as mulheres; não sabem que muitas preferem ser desejadas a ser amadas (LEÃO, 2005, pg. 218-219).

Se você ainda não o livro, eu recomendo. Para as mulheres, para se fortalecerem e para os homens,  para compreenderem um pouco do que é ser mulher. Eu disse no começo que eu gosto da Danuza Leão. Quero retificar: Eu não gosto não. Eu ADORO. Danuza é uma inspiração para mim. E pela sua força e coragem, deveria se chamar DANUZA LEOA.





Vanisse Simone Alves Corrêa é doutoranda em Educação pela UFPR, professora pela UNESPAR e colunista da Planetário.
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PRESENÇA


Ela apertou os dedos, nervosa. A boca seca. Olhou-se no espelho. Os cabelos escorridos, os olhos enorme, fundos. Onde estava a bela moça que tinha sido? A menina inteligente, sempre rodeada de amigos, a alegria da festa?
Pela milésima vez, olhou pela janela. Dali podia ver a torre da Catedral, a Universidade Federal do Paraná, o Teatro Guaíra. 12 andares… e um único vôo, fatal.


Sempre fora medrosa... alguém um dia lhe convidara a saltar de paraquedas e ela na hora disse não. Tinha verdadeiro pavor de altura, mas agora não sentia medo. Seria apenas mais um passo e depois, nada mais.
O que era a morte, senão uma solução? Se isso era a vida, então ela dispensava, obrigada. Quantos dos que ela amava já se tinham ido? Talvez fosse encontrá-los agora...



Da vida o que levaria? Sonhos, só sonhos mal realizados ou nem sequer realizados. Quisera um dia ser atriz e mais do que isso, tinha talento, sabia que tinha. Por toda a sua vida, como uma vingança, representara. Ninguém, com exceção de sua mãe,  tinha  conhecido a sua verdadeira personalidade.  De sua mãe nada poderia esconder. Da mulher de quem herdara os olhos grandes, profundos, olhos verdadeiros. 

A mulher que sem ter estudado, que mal sabia assinar o nome, era sábia como poucos. A mulher, que tendo nascido humilde, era altiva como uma nobre, esbanjava elegância, mesmo vestida em trapos. Lágrimas pesadas vieram-lhe aos olhos ao lembrar-se da mãe.. a mãe que há poucos meses se fora, deixando-a sozinha. Pôr que, mãe, por que me deixou?


Há alguns anos perdera o pai, num acidente de ônibus, o pai, que viajava a semana toda para o interior, vendendo vassouras e nos finais de semana ficava com ela, sentado na cozinha, um copinho de pinga do lado e a voz mansa, tranqüila, a contar coisas da juventude. Como ela amara aquele pai. Como fora feliz com os dois.

A avó também vivia com eles, forte e alegre, sempre cantando, sempre vaidosa. Com quase oitenta anos, ainda pintava o cabelo de negro azulado e usava sempre um perfuminho. A avó se fora  primeiro, num dia qualquer. Sem avisar, sem sequer um aviso.  No dia anterior ainda estiveram juntas, ela sentada na beirada da cama, a avó deitada, sorrindo tranquila, a dizer-lhe (o que sempre dizia) “filha, você precisa arrumar um namorado”. Ela fora dormir tarde, pensando no conselho da avó. A verdade é que não tinha sorte para namorados. Os que se aproximavam, ou eram muito imaturos, ou eram muito espertos, só queriam um casinho.


Fora trabalhar mais cedo naquele dia, tinha muito serviço acumulado no banco. Às cinco horas, o telefonema, dizendo que a avó havia falecido. O choque. Brutal. Saíra rápido do banco, após explicar ao chefe. Não chorou naquele dia. Nem nos seguintes. Mas, dois anos depois, ao lembrar-se da avó, chorava. Quase todos os dias, na cama. Soluçava de madrugada, sentindo a saudade doída, saudade vital, saudade que lhe corroía a alma. Amava a avó. E ela se fora. Todos se foram, com o tempo. Só ela restara.


Todos os dias, ao voltar para casa, encontrava um silêncio perturbador. Não mais o canto suave da avó: "Eu vou embora para onde a lua vai, a lua vai e volta, eu vou não volto mais..." Nem o barulho da mãe na cozinha, fazendo os quitutes que ela apreciava. Era um silêncio traiçoeiro, só  o ruído da própria respiração. Num arroubo de desespero, ligava tudo, a TV, o rádio, o chuveiro. E acendia todas as luzes. Não de medo, mas para iludir-se que havia mais alguém. Há quase dois anos vivia assim. Agora era hora de acabar com isso. A vida nada lhe dera. E o que lhe dera, o pai, a mãe, a avó, lhe tirara cedo demais. Ainda não estava preparada para  ficar só. Odiava a solidão.




Um colega disse que ela devia arrumar um bichinho de estimação. Ela seguira o conselho e um dia, saindo mais cedo do trabalho, entrou num aviário e comprou um gato. O gato era lindo, com a beleza humilde dos que desconhecem a palavra beleza e o seu significado... Era de uma beleza etérea e  de uma altiva alegria, companheiro amoroso, silencioso e presente.

Quando o comprou já tinha ele dez meses, e o dono do aviário  comentara que com essa idade já era difícil para vender, as pessoas preferiam animais mais jovens. Mas ela gostara do bicho e o levara imediatamente para casa. Providenciara uma caixa com areia, um pote de ração e água fresca. Por último, escolhera o nome. 

Amigo. Ele a olhara profundamente, os grandes olhos azuis... Sim, havia gostado do nome. Durante alguns dias, tudo correra bem. Ela saía apressada do banco, o ônibus lotado, sempre com os espertinhos querendo se encostar. Suportava tudo com humilde alegria, pois sabia que alguém, em sua casa, a esperava. Chegava já chamando o gato, que respondia com um miado sonoro e forte. Miado alegre de saudade. E ficava o tempo todo a seu lado, contente da sua presença.


Aos poucos, fora recuperando a alegria de viver com a ajuda de Amigo. Vivera com ele e para ele. Mas  ninguém lhe avisou  que gatos gostam da perigosa liberdade da rua. Principalmente gatos machos, que movidos pelo instinto milenar da caça, gostam de sair a se aventurar.  Pois um belo dia seu Amigo escapara pela janela, que ela esquecera entreaberta e ao tentar atravessar a  rua fora atropelado, a cabeça marrom despedaçada, os belos olhos parados para sempre. Antes que entrasse em casa  sua vizinha lhe dera a notícia e num arroubo de bondade recolhera o pobre animal, deixando-o  numa caixa. 

Ela pegara a caixa, o coração arrebentando de dor, a sensação de ter sido traída novamente, de que algo que amava lhe fora arrancado para sempre. A revolta.  A dor. Somente quem já teve algum animal de estimação e o perdeu tragicamente conhece esse terrível sentimento de perda. Porque animal ama incondicionalmente. Sem fazer distinção. 
Então, cumprindo um doloroso ritual,  enterrou o  animal sob o limoeiro. Lembraria sempre dele, mas não o substituiria nunca. Só sabia que perdera de novo. Mais uma vez. E estava de novo sozinha no mundo...


Mas isso era passado.  Agora, nada mais interessava. Queria ela a liberdade. E a teria. Se fosse preciso se matar para obtê-la, assim seria. Olhou novamente a paisagem. Era uma bela cidade. Ali nascera e se criara. Fora tão feliz...


Já passava das dezoito e trinta, mas o sol ainda brilhava. Olhou de novo pela janela. Ficara de propósito após o expediente e subira até o 12.º andar para dali saltar. Saltar e esquecer. Tudo pensado, repensado e decidido.  Entrou novamente no banheiro, para se olhar  no espelho. Um trapo humano. Era o que restara dela. Não mais uma pessoa, mas uma sombra. Em breve o corpo não existiria, a vida não existiria, ela seria apenas uma lembrança. 

Para o dia de sua morte escolhera uma roupa sóbria. Um conjunto cinza-claro, elegante e discreto. Colocara no dedo o anel que havia ganho no aniversário de quinze anos e no pescoço a correntinha de ouro, com uma medalhinha de Nossa Senhora  que sua avó usara até o fim. Para morrer, não é preciso estar muito alinhada, pensou. Porém, num gesto inútil de vaidade, abriu a bolsa e tirou um batom marrom, discreto como tudo o que usava e pintou os lábios.




Olhou novamente o relógio. Quase sete horas. Voltou para a janela. Pensou em pular imediatamente, mas o computador em que estivera trabalhando ainda estava ligado. Então, cuidadosamente, o desligou. Guardou os relatórios na pasta, pois provavelmente necessitariam desse material no dia seguinte e ela não estaria mais ali. 

Não, não queria dar problema. Sempre fora uma funcionária eficiente e não era porque iria se jogar pela janela que iria deixar tudo desorganizado. Fechou as gavetas da mesa e respirou fundo. Lá embaixo, na portaria, o Seu Valdemar já havia entrado. Era o vigia da noite. Quase todos os dias saía depois das seis e se despedia do homem. Era um senhor simpático e educado. Mas, nesta noite não haveria despedidas...


Levantou-se e foi até a janela. Olhou para baixo e teve uma vertigem. Por um minuto, acovardou-se, sentiu vontade de pegar a bolsa e sair correndo, descer pelo elevador e fugir para casa. Então respirou fundo novamente e rezou pela última vez: "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou..." Fechou os olhos e não era mais uma moça. Viu a mãe sorrindo para ela e  rezando junto. Agora era uma garotinha, que antes de dormir rezava para o Anjo Guardião.  Sentiu um beijo suave no rosto, o beijo que  a mãe lhe dava todas as noites, antes de dormir. Lágrimas grossas e quentes rolaram pelo seu rosto, mas ela não abriu os olhos. 

A mãe estava ali, com seu amor enorme, com sua presença forte e vigorosa. Tinha agarrado com força o parapeito da janela, as mãos doíam e sentiu sobre elas outras mãos; delicadas, macias e pequeninas, mãos da avó, que ela tanto amava. Sim, a avó também viera estar com ela. Quase sem se surpreender, ouviu seu nome ser sussurrado pela voz rouca do pai. Também ele viera. Todos estavam ali. E ela sentiu o amor envolvê-la como um manto. 


Não abriu os olhos, com medo de perder a maravilhosa sensação de aconchego. Não estava mais só. Eles vieram. Para aconselhá-la, orientá-la e ajudá-la. Como sempre faziam. Vieram para lhe mostrar que ela não estava só. Que de um jeito ou de outro, eles sempre estariam com ela. Entrou num choro convulsivo e ficou muito tempo ali. Os olhos fechados, sentindo a presença espiritual amorosa dos pais e da avó. Então, lentamente, foi se acalmando, até que abriu os olhos. Estava parada em frente à janela aberta, já era noite e algumas estrelas brilhavam no céu, junto com as luzes artificiais da cidade.


Entrou no banheiro novamente e lavou o rosto. De súbito compreendera que ainda tinha muita vida pela frente. As três pessoas que mais amara no mundo tinham voltado  para dizer isso a ela. Para evitar que se suicidasse. Ajeitou as roupas, pegou a bolsa, desligou as luzes da sala, fechou a porta e chamou o elevador. Sentiu uma pontada no estômago e deu-se conta de que não havia se alimentado ainda.


Lembrou-se que no caminho havia uma pastelaria e decidiu: seu jantar seria pastel de queijo  e café: doce e quente, como  a vida que ainda estava por vir...  




*Imagens retiradas da Internet sem fins comerciais.






Vanisse Simone é doutoranda em Educação pela UFPR, professora pela UNESPAR, co-editora da Contemporartes e colunista da Planetário. 
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Manacapuru e Em Versos


Manacapuru

Virgem.
Te imagino nu, aos meus olhos virgens.
Tanta beleza desconhecida - mata escondida -.
Por que ocultar teus segredos em quadráticos panos sem nenhuma cor?
Não digo que se vista mal, mas é que a geometria de teu corpo - coberto – deveria ser pecado universal. Imperdoável!
Sei que é património cultural da humanidade. Que desperdício...
Sou eu quem te AMA! ZONAS, é o que querem fazer de ti - em ti -.
Sorte minha você ser tão resistente, tão cheia de atitude, sexy e inteligente.
Não é efêmero e nunca será teus rosados lábios perdidos em bocas de passarinhos, falsos, que passarão!
Manacapuru, tu será meu!
Porque assim quer Deus e não abro
Destas pernas, pés, cabelos pretos,
Deste sorriso desaguante em coração alheio.
Manacapuru, flor matizada, não espero que seja perfeita, espero que seja minha amada.
E isso basta!
Meu pedacinho de gente.

(Fonte: http://www.paulafratin.com.br/portfolio_flores.html)


Em Versos

Eu prefiro morrer ao não ter.
Sem ti já nem me sinto vivo.
Minhas palavras primaveras falecer
Em versos tristes que me servem de abrigo.
Nada tem graça se não for sua presença.
Até o nada já perdeu sua essência.
Não sinta pena, se eu não sei o que é o amor.
O amor não é isto que escrevo.
E se um dia eu souber o que é amar.
Minhas palavras primaveras florescer
Em versos lindos não terei medo de morrer,
Pois neste dia sentirei que estive vivo.

(Fonte: https://delaruecaalapluma.wordpress.com/2014/04/30/poemas-para-santa-teresa/)


Fabricio da Silva de Oliveira é graduando em Letras com Licenciatura em Português e Língua Espanhola pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente está pesquisando a construção do sujeito enunciativo, entre a realidade e a ficção, no romance El Mundo e no livro de crônicas Cuerpo y Prótesis, do escritor espanhol Juan José Millás. Foi um dos vencedores, em 2012, do 1° concurso Novos Talentos da Poesia produzido pela Fundação Cesgranrio, tendo um de seus poemas publicados no livro que recebe o nome do concurso como título. Escreve desde a adolescência e suas maiores inspirações são Vinícius de Moraes, Manoel de Barros, Elisa Lucinda, Walt Whitman e a cantora e compositora Ana Carolina.
E-mail e Facebook: Fabricio_ckl@hotmail.com

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POETANDO III





POETANDO III


Quem nunca se apaixonou que atire a primeira pedra...  
Eu acredito que o amor existe. Sim, sim, eu sou uma mulher romântica. Mas sei que não sou a única!
Nós precisamos do amor e o buscamos pela vida toda. O amor pode acontecer em qualquer momento, com qualquer um, em qualquer lugar.  Para amar, basta existir. E para encontrar o amor? – alguns perguntariam. Ah, aí já é mais complicado. Não há receita, nem mapa da mina. Mas que ele existe, existe. Entretanto, amor não é só romantismo e suspiros. Às vezes ele se traduz em uma pessoa (que como todo mundo) tem virtudes e defeitos. E você ama mesmo assim. É sobre esse tipo de amor que apresento a poesia que se segue:





Definitivo

Eu sou o que restou
dos teus sonhos e devaneios
das tuas ilusões românticas
dos teus românticos anseios 
Eu sou aquele
que pôs fim à busca
(tua incansável busca) de um herói.
Sou na verdade, o homem
que te amparou
quando caíram por terra
os teus castelos
E cheguei de mando
sem alarido,
sem fazer ruído
sem descanso!
Invadi teus domínios
sem permissão
Tomei de assalto tudo o que tinhas
Teu passado, teu presente
Até mesmo teu futuro.
E vim pra ficar.

Vanisse Simone 



*Imagens retiradas da Internet sem fins lucrativos.





Vanisse Simone Alves Corrêa é doutoranda em Educação pela UFPR e co-editora da Revista Contemporartes. Já se apaixonou e se “desapaixonou” muitas vezes.
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MOURIR D'AMOUR




Quando fiquei sabendo que os cadeados da Pont des Arts de Paris seriam retirados, fiquei bem chateada. Não que eu tivesse algum com meu nome lá, mas pensei em quanto amor aquelas 45 toneladas de cadeado representavam. Quantos sonhos, esperanças, risos, beijos, alegrias e noites de amor simbolizados em quase um milhão de cadeados.  Tudo jogado fora, claro que por uma boa razão. Mas fiquei triste porque o mundo precisa muito e cada vez mais de amor. E os cadeados da Pont des Arts, em certa medida,  representam esse sentimento, tão humano e indispensável.

Pont des Arts.
Imagem extraída de: https://www.flickr.com/photos/djpig91/8144632619 

Por coincidência, fui a Paris a trabalho  logo após a retirada dos cadeados e talvez por estar com esse sentimento de desalento, comecei a ver corações em todos os lugares. Corações e pessoas apaixonadas. E me dei conta de que em Paris, de fato, o amor está no ar. Em todos os espaços. Mesmo nos mais improváveis. Até nas lojas de frutas e verduras, as famosas quitandas. Até mesmo nos...tomates, imagine só. Encontrei dois com nomes de coração, o coeur de boeuf e o coeur de pigeon. Como os nomes sugerem, o coeur de boeuf é um tomate bem grande, enquanto que o coeur de pigeon é pequenino e delicado.


Tomates de todos os tipos, em Paris*. 


Tomate coeur de pigeon e coeur de boeuf*. 


Presenteada pelo destino e com os olhos apaixonados por Paris, encontrei algo ainda mais raro: um tomate do tipo coeur de bouef em forma de coração. Fiquei encantada com esta amorosa coincidência.

Em Paris, até os tomates lembram o amor*. 

Nas quitandas, a variedade de frutas é tão grande que dá vontade de comer todas. As cerejas são linda e apetitosas, e lembram  (claro!) pequenos corações, rubros e vibrantes, pedindo para serem saboreados. 

As cerejas, os pequeninos corações vibrantes*.

Próximo à Gare du Nord, onde fiquei hospedada, há muitas lojas de roupas para festas e uma especialmente me chamou a atenção, por causa do nome: a Coeur des Femmes. Pois se há um lugar em que mora o amor, desde sempre, esse lugar é o coração das mulheres.

Loja Coeur des Femmes, em Paris.

Em todo o comércio de Paris, o amor é lembrado ou sinalizado de forma sutil e às vezes nem tanto, mas o coração é o símbolo que mais se destaca.


Vitrine de loja de decoração, postais românticos e vitrine de loja de macarons, todas próximas à Basílica de Sacre Coeur.
Fui conhecer a Sorbonne e depois da visita, sentei-me na Place de La Sorbonne, para lanchar. Enquanto comia uma baguette deliciosa, recheada com copa, alcachofra e camembert, comecei a observar as pessoas. Um casal atraiu minha atenção. Ele era alto, vestia uma camisa xadrez vermelha e um jeans claro. Levava uma bolsa tipo carteiro. Tudo bem britânico. Observei que não era muito jovem. 

Ela também não. Ambos tinham por volta de cinquenta anos. Mas pareciam dois adolescentes, porque felicidade rejuvenesce. E era evidente que eram muito diferentes. Ele andava de um jeito comportado, sério e compenetrado. Ela, ao contrário, andava tão solta e livre, que parecia que dançava. Usava uma blusa pink, dupla, de um tecido leve. 

Ao se movimentar, as laterais se levantavam, dando a impressão de que tinha asas cor-de-rosa.  Às vezes, enquanto andava, ela girava e ria, de tanta  felicidade, apontando para um lado e outro, mostrando alguma coisa que lhe chamava atenção. Ele ria também, mas todo contido e, encantado com a liberdade dela, apenas segurava sua mão, com tanto carinho e reverência, que era impossível não se comover.

Imagem extraída de: http://purezaesantidade.blogspot.com.br/

Ela falava alto em inglês e gesticulava bastante, rindo muito. Sua felicidade era contagiante. La joie de vivre, pensei. Achei que era italiana, pois era muito expansiva, ao contrário dele, super austero. Ele era um lorde inglês. Ela era uma maluquinha. Então, em um determinado momento, eles se sentaram e se beijaram na boca. Foi um beijo rápido, só um selinho. Percebi que ela queria mais, mas ele era muito discreto para isso. 

Ela o olhou diretamente nos olhos, profundamente e não precisou dizer nada. Seu olhar era de absoluta entrega ao amor. Então ele cochichou algo em seu ouvido. Che bello, ela disse e riu baixinho, toda enternecida e aí tive certeza de que era italiana. 

A seguir, eles ficaram sentados de mãos dadas, em silêncio, apenas apreciando aquele momento tão especial, que nunca mais se repetiria, não daquele jeito; e porque ambos sabiam disso, respeitaram aquele instante mágico. Depois de alguns minutos, levantaram-se e foram embora. Fiquei olhando enquanto se afastavam e torci muito e verdadeiramente para que aquele amor desse certo...

Place de La Sorbonne

Cenas como essa, que mostram o poder do amor em Paris, vi muitas. Na Gare du Nord, uma jovem estrangeira pediu uma informação para um guarda, um negro bonito, todo elegante em seu uniforme azul-escuro. Quando ele começou a falar, a moça foi subitamente tomada por alguma coisa, uma energia especial e eletrizante. Não sei se foi a língua francesa, tão musical, ou se foi o charme do homem, mas ela começou a fazer uma pergunta atrás da outra, na tentativa de prolongar aquele momento único, enquanto seu corpo começou a se mover, no compasso da conversa. 

Fez algumas piadas, porque ambos riram e ela começou a passar a mão pelos cabelos, subitamente transformada em uma mulher sedutora. Olhava o guarda nos olhos e ele também a olhava, hipnotizado. Uma atração imediata se estabeleceu entre eles. Já não eram mais dois estranhos, mas um homem e uma mulher, atraídos e encantados um pelo outro. 


Gare du Nord
Imagems extraídas de: http://genius.com/2302351 e
http://dicasdefrances.blogspot.com.br/2011/02/gares-de-paris-rer-tranportes.html

No Arco do Triunfo vi muitos casais apaixonados. Mas um jovem casal oriental se destacava pela alegria e beleza. Tão lindos e felizes que pareciam em lua-de-mel. Usavam “roupa de casal”, coisa que só tinha visto em novelinhas coreanas (Sim, eu confesso que assisto! E adoro!). 

Como na Coréia gestos afetivos e carinhosos entre casais podem ser vistos como algo imoral, vestir-se igual é uma maneira de dizer ao mundo que se amam muito, que são um casal apaixonado e que estão juntos. Perguntei se estavam e lua-de-mel e a moça respondeu que sim, mas pela terceira vez. Quer coisa mais romântica que essa?


Tristan e Sisi, o lindo casal coreano, curtindo sua terceira lua-de-mel em Paris.

Há muito amor em Paris e se os casais apaixonados não podem mais colocar cadeados na Pont Des Arts, há muitos outros lugares que podem substituir a ponte. Na Basílica de Sacre Coeur, alguns apaixonados já começaram a clicar os cadeados nas cercas que circundam a igreja. Ainda são poucos, mas sem a opção da ponte, acredito que esse será o novo point dos apaixonados. E com um bônus extra: a energia sagrada da antiga igreja, cujo nome (lógico que sim!) remete ao coração.



Cadeados na Basílica Sacre Coeur





Referências:

Créditos das fotos não referenciadas:
Izabel Liviski e Vanisse Simone.

* Frutas e vegetais foram fotografados em uma quitanda próxima à Gare Du Nord.





Vanisse Simone Alves Corrêa é doutoranda em Educação pela UFPR 
e co-editora da Revista Contemporartes. Ela nunca acreditou 
muito em amor à primeira vista mas,  se ele existe,
 o lugar certo para ele  acontecer é em Paris.


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