Flash SOM - a nova coluna da revista Contemporartes

Pessoal,

diretamente de Salvador, hoje vos apresento o novo colunista da Contemporartes - Revista de Difusão Cultural, Duda Woyda:  ator paranaense radicado na Bahia que reestréia nessa sexta-feira (6) o espetáculo o Melhor do Homem na Sala do Coro - Teatro Castro Alves, em Salvador, sucesso de crítica e público.

Duda traz aos leitores uma proposta inovadora: unir duas linguagens artísticas para representar uma  mesma expressão - fotografias e canções. A cada nova coluna, os internautas poderão ver livres interpretações de canções por meio da linguagem imagética - pela qual Duda seleciona fotografias de sua autoria com tal objetivo. Ele inaugura como uma releitura de João e Maria de Chico Buarque, enfatizando o universo infantil onírico presente em sua letra e melodia com uma série sobre crianças fantasiadas para o carnaval nas ruas da cidade.


Canção João e Maria                  
Chico Buarque - 1977                 
Fotos Máscaras ingênuas de Salvador  
Duda Woyda - junho de 2010           


Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês


Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país


Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido


Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?














DUDA WOYDA é biólogo e ator profissional há dez anos. Em teatro, tem experiências nos  estados do Paraná e Rio de Janeiro, cidade com a qual mantem contatos profissionais.  Integra a CIA Ateliê Voador.  Pesquisa     questões relacionadas ao teatro físico e a sua relação entre dramaturgia corporal e   teatralidade. Priorizando a                multidisciplinaridade, transcende a        Biologia científica ao analisar a concepção de ser humano no mundo ocidental           contemporâneo, o que implica diferenças    genéticas, de personalidades, dos          comportamentos e dos sexos.                dudawoyda@yahoo.com.br                      
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Algumas tendências da Literatura Brasileira Contemporânea



Leitores, na última semana eu discuti com alguns amigos sobre a Literatura Brasileira Contemporânea e algo que me chama muita atenção, que é a tendência contemporânea de se falar em guerra, droga, doenças, tráfico, loucura, enfim, que se fale sempre na realidade como uma fatalidade. Essas idéias vieram à minha mente após a leitura, principalmente, da obra O Quarto Fechado, de Lya Luft, mas eu já havia observado em Nove Noites, de Bernardo Carvalho, Onde Andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando Abreu, Resumo de Ana, de Modesto Carone, entre outros.


Coincidentemente, iniciei a leitura de uma obra chamada Altas Literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos, elaborada por uma estudiosa da literatura chamada Leyla Perrone-Moisés. Em um dos capítulos do livro desta estudiosa me deparei com o título “A literatura na era da globalização” que discute um pouco a literatura produzida na contemporaneidade e compara esta à produção elaborada no Modernismo. Esse capítulo me ajudou a entender a escrita de hoje e suas tendências. Por isso, eu gostaria de compartilhar e discutir com vocês alguns apontamentos importantes feitos por esta autora.

Leyla Perrone-Moisés aponta que o capitalismo, juntamente com a globalização, são delineadores da escrita contemporânea, de maneira que impera a produção que visa à cultura de massa, ou seja, uma produção industrial, que fornece produtos padronizados correspondentes a uma demanda de baixa qualidade estética. O mais interessante é que esta estudiosa não descarta a relação entre literatura e cultura de massa em outros tempos. Ela assinala que, por exemplo, a relação entre os escritores modernos e a cultura de massa era explorada qualitativamente, de modo que os escritores “exploravam, em equivalências de linguagem verbal, as possibilidades imaginárias e estéticas do cinema e da televisão nascente” (PERRONE-MOISÉS, 1998, p. 203). Enquanto os escritores contemporâneos apenas reproduzem o baixo teor de informação vinculado por estes meios de comunicação ou se conformam com a lógica mercadológica de tais meios, escrevem tendo em vista a passagem da literatura para, por exemplo, filmes, novelas, minisséries.

Um dos problemas dos escritos elaborados na contemporaneidade, apontados por Leyla Perrone-Moisés, é o reforçar o realismo, de modo a aceitar e proclamar o fim das utopias. Sem a utopia, o que se vê é aceitar a história como uma fatalidade, reforçar esta realidade. Neste ponto muitos se perguntarão: a literatura do romance de 30 no Brasil também não reproduzia a realidade? A estudiosa nos esclarece esta dúvida de maneira categórica, ao dizer que a literatura moderna, em vez de indicar soluções, buscou dizer não à realidade inaceitável, sugerindo a possibilidade de outras histórias. Havia nas obras modernas o culto da tradição, de um projeto futuro, utópico, “indispensável para que a cultura – os homens – não avance às cegas. Eles acreditavam em coisas que a grande literatura nos pode dar: ampliação do imaginário, encontro com o outro e autoconhecimento, capacidade de impressão e de expressão, visão crítica do real (...)” (PERRONE-MOISÉS, 1998, p. 214).

Discutir uma literatura que está por se fazer é difícil, negar que os textos se modificaram e a grande maioria vai de encontro com a ótica capitalista de produção para a cultura de massa, é impossível. Um grande exemplo de escritor que escreve para a “massa” é, a meu ver, Paulo Coelho. A literatura deste autor se encaixa em muitos pontos apontados acima como produção para o mercado editorial com vistas à venda, por isso, ele é tido como um dos autores que tem mais livros vendidos no mundo (segundo o site www.Paulocoelho.com.br ele vendeu mais de 135 milhões de cópias, com obras traduzidas para 67 idiomas em mais de 150 países), além disso, teve uma obra adaptada para o cinema, Veronika decide Morrer, em 2009.
Eu não estou julgando nenhum autor ou obra, apenas quero mostrar a vocês algumas tendências da literatura contemporânea produzida. Como leitor, a literatura moderna me chama muito mais atenção, acho realmente que esteticamente ela é muito mais rica e ideologicamente é mais engajada com o desejo de se mudar a realidade. No entanto, como essa coluna que escrevo é dedicada a uma discussão, lanço uma pergunta que espero que fique latente no interior de cada um de vocês: A literatura brasileira contemporânea está mais preocupada com vendas, adaptações do que realmente com o artefato literário, com a imaginação, com a estética e com a luta por um mundo melhor?

Cabe a cada um pensar, meditar e, principalmente, LER para responder a este questionamento. Muitos podem concordar com os apontamentos feitos por mim, outros podem discordar. Podemos fazer uma saudável discussão, que pode ou não chegar a um consenso, mas que com certeza enriquecerá nossa visão crítica em relação, inicialmente, à Literatura brasileira, mas que pode ser estendida a grande parte da literatura em geral.












Rodrigo C. M. Machado é Graduando em Letras pela Universidade Federal de Viçosa e, neste momento, pesquisa a representação dos corpos na poesia de António Botto.
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Novíssimo Gullar

O Novo Ferreira Gullar
por Altair de Oliveira

Mais de 10 após a publicação de seu último livro de poemas "Muitas Vozes" e às vésperas de completar 80 anos, o poeta Ferreira Gullar prepara a publicação de um novo livro "Em Alguma Parte Alguma" que deverá ser lançado pela editora José Olympio ainda em 2010. No início deste ano Gullar já foi também laureado com o "Prêmio Camões", de 100 mil euros, destinado à autores da literatura luso-brasileira. O poeta prepara também uma nova peça de teatro "O Homem como Invenção de si Mesmo", que deverá estrear em São Paulo ainda neste ano, e estará presente na FLIP (Festa Literária de Paraty) no dia 07/08/2010 às 15 hs, na mesa 13, fazendo leitura de poemas e dando depoimento sobre sua vida literária.

José Ribamar Ferreira (Ferreira Gullar) nasceu em São Luís MA em 10 de setembro de 1930 e é o quarto, dos 11 filhos de Alzira Ribeiro Goulart e do comerciante Newton Ferreira, iniciou a escrever, como colaborador, no diário de São Luís e publicou seu primeiro livro de poemas "Um Pouco Acima do Chão", ainda no Maranhão, aos 19 anos. Em 1951 o poeta transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar como revisor e redator de jornais e revistas e escreveu o livro de poemas "Luta Corporal" em 1954, livro que realmente considera como sua estréia literária e que o categorizou entre a poesia de vanguarda que estava sendo feita na época no país. Uniu-se ao grupo de poetas concretos de São Paulo, mas devido às divergências, o poeta afastou-se anos depois, vindo posteriomente a fundar o grupo de de arte neoconcreto, movimento de vanguarda do qual ele também afastou-se logo depois.

Na década de 60, a poesia de Gullar descompromissa-se dos padrões formais de vanguarda e adquire um engajamento social que, durante a ditadura, foi motivo pela qual o poeta foi preso e exilado em 1968, só podendo regressar ao Brasil em 1977.

Poeta, dramaturgo, ensaísta, cronista e crítico de arte, Gullar sempre teve uma postura crítica aguçada em relação à arte que produziu e que estava sempre produzida no país, e nunca fugiu às questões polêmicas à ela relacionada. Por isso, ele foi aos poucos tornando-se um dos poetas mais importantes da segunda metade do século XX, lotando salas e auditórios para ouvi-lo. Agora, após escrever mais de 40 livros, ser considerado pela maioria dos críticos como "o maior poeta braileiro vivo" e receber quase todos os prêmios literários importantes disponíveis a um autor nacional, o poeta alcança 80 anos em plena forma e nos brinda com mais um de seus novíssimos trabalho de poesia.

Reunimos aqui, em nossa coluna desta semana, algumas falas do autor sobre este seu novo livro "Em Alguma Parte Alguma", uma cronologia dos principais eventos de seu percurso literário e alguns de seus poemas para, prazeirosamente, compartilhar com vocês. Portanto, acredito que uma nova indicação ao Prêmio Nobel para este nosso grande poeta Ferreira Gullar, que viesse a ser efetivada, estaria ainda em boa hora.



O que ele já Disse:

Sobre o livro "Em Alguma Parte Alguma":

"O livro tem três partes sem nome, que podem ser separadas pelo conteúdo. Uma delas fala do cosmos, do problema da galáxia e da Terra e da vida e da luz, uma série de coisas. Outra tem poemas mais ligados ao meu livro anterior, como um sobre (José Maria) Rilke e a morte, que é um texto longo. A terceira parte tem um jogo entre a ordem e a desordem. Esse é um dos temas básicos do livro. Vários poemas tratam disso. A linguagem é ordem. Fora da linguagem, a emoção e a vivência são desordem, porque ainda não estão organizadas em linguagem. A poesia se realiza num jogo dialético entre a ordem e a desordem. O título do poema que abre o livro já diz tudo, Fica o não dito por dito. Não tem a expressão “Fica o dito por não dito”? O título do poema é o contrário. Porque a poesia a gente não consegue dizer, o poeta tenta dizer o que não é possível. Então, faz de conta que eu disse (risos)." - em entrevista na revista Veja.

"Todos os meu livros são diferentes. Neste ["Em Alguma Parte Alguma"] predomina uma certa relação entre ordem e desordem. Eu escrevi no limite da ordem, ou seja, no limite da desordem. A maneira de fazer os poemas foi diferente, mais desordenada. Comecei a escrever sem saber o que iria acontecer, sem planejar nada, sem preconceber. A poesia foi para mim uma grande aventura. Ao contrário dos outros livros, em que os poemas já nasciam quase prontos, já que ficava sempre refletindo e elaborando antes de escrever. Já hoje começo sem saber o que vai acontecer. Tanto que o primeiro poema, que abre o livro, tem o nome "Fica o Não Dito por Dito". Eu tô dizendo que, já que não posso dizer o que quero dizer, faz de conta que eu disse." - em entrevista à Folha de São Paulo.


Sobre a universalidade da Poesia:

"Não, não há nenhuma poética universal: universal é a poesia, a vida mesma. Universal é Bizuza, cuja voz se apagou com sua garganta desfeita há anos no fundo da terra. Universal é o quintal da casa, cheio de plantas, explodindo verde no dia maranhense, longe de Paris, de Londres, de Moscou. O frango que nasce e morre ali, entre as cercas de varas. O cheiro do galinheiro, a noite que passa arrastando bilhões de astros sobre nossa vida de pouca duração. Universal porque Bizuza, amassando pimenta-do-reino numa cozinha de São Luís, pertence à Vida-Láctea. E a história humana não se desenrola apenas nos campos de batalha e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbíos, nas casas de jogo, nos prostíbulos, nos colégios, nas ruínas, nos namoros de esquina. Disso quis eu fazer a minha poesia, dessa matéria humilde e humilha da, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não têm voz." - no artigo "Corpo a Corpo com a Linguagem".



Cronologia:

1930: Nasce José Ribamar Ferreira (Ferreira Gullar)

1948: Torna-se colaborador do jornal Diário de São Luís.
1949: Publica seu primeiro livro de poemas "Um Pouco Acima do Chão".
1951: Muda-se para o Rio de Janeiro. Adoece e cura-se de tuberculose. Trabalha como revisor de textos na revista "O Cruzeiro".
1954: publica o livro de poemas "A Luta Corporal". Depois de lerem o livro, os poetas concretos Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari, decidem conhecê-lo. Gullar vai trabalhar como revisor (e depois redator) na revista "Manchete" e casa-se com a atriz Thereza Aragão, com quem teria os filhos Luciana, Paulo e Marcos.
1955: Depois de trabalhar no "Diário Carioca", Gullar integra a equipe que elabora o "Suplemento Dominical do Jornal do Brasil".
1956: Participa da exposição concretista, que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta;
1957: Rompe com o movimento de poesia concreta, por discurdar do artigo "Da psicologia da composição à matemática da composição", escrito pelo concretistas paulistas.
1958: Publica o livro "Poemas"
1959: Escreve o "Manifesto neoconcreto" e a "Teoria do não-objeto", que dão um rumo novo à vanguarda brasileira.
1960: Afasta-se do movimento neoconcreto.
1961: É nomeado diretor da Fundação Cultural de Brasília. Começa a construir o Museu de Arte Popular e abandona a vanguarda. Sai da fundação no fim do ano.
1962: Ingressa no Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE),
1962: Escreve o livro de cordel "João Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer".
1962: Escreve o livro de cordel "Quem Matou Aparecida?".
1963: É eleito presidente do CPC e publica o ensaio "Cultura posta em questão".
1966: Publica "A Luta Corporal e Novos Poemas".
1966: É encenada a peça "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" em parceria com Oduvaldo Vianna Filho.
1966: Escreve o livro de cordel "História de um Valente", na clandestinidade, como João Salgueiro.
1967: É encenada a peça "A saída? Onde fica a saída?", escrita em parceria com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa.
1968: Publica o livro de poemas "Por Você por Mim".
1968: É encenada a peça "Dr. Getúlio, sua vida e sua glória", escrita em parceria com Dias Gomes.
1968: É instituido o AI-5. O poeta é preso.
1971: Depois de longo período na clandestinidade, Gullar parte para o exílio, passando por Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires.Durante o período de exílio colabora com os jornais "Pasquim", "Opinião" e outros, usando o pseudônimo de Frederico Marques.
1975: Publica o livro de poemas "Dentro da Noite Veloz".
1975: Escreve o seu livro mais badalado "Poema Sujo", que é publicado em 1976. Vinicius de Moraes traz de Buenos Aires uma fita cassete em que Gullar declama o seu "Poema sujo", cópias da fitas passam a ser distribuídas e ouvidas no Rio em audições particulares.
1977: Retorna ao Brasil e, após nova passagem pela prisão, volta a publicar regularmente.
1977: Publicação da "Antologia Poética de Ferreira Gullar".
1979: Escreve a peça "Um Rubi no Umbigo". Grava o disco "Antologia poética de Ferreira Gullar" pela Som Livre.
1980: Publica o livro de poemas "Na Vertigem do Dia".
1980: Publica a antologia "Toda Poesia de Ferreira Gullar"
1981: Publica a antologia "Ferreira Gullar" - seleção de Beth Brait.
1983: Publica a antologia "Os melhores poemas de Ferreira Gullar" - seleção de Alfredo Bosi.
1985: Ganha o prêmio Molière pela sua tradução de "Cyrano de Bergerac", de Edmond Rostand.
1986: Publica o livro de poemas "Crime na Flora ou Ordem e Progresso".
1987: Publica o livro de poemas "Barulhos".
1988: Publica o livro de ensaio "Indagações de Hoje".
1989: Pulica a antologia "Poemas Escolhidos".
1990: Publica seu único livro de crônicas, "A estranha vida banal". Morre o seu filho mais novo, Marcos.
1991: Publica o livro de poemas "O Formigueiro".
1999: Publica o livro de poemas "Muitas Vozes".
1992 a 1995: Assume diretoria na Funarte.
1993: Publica o polêmico livro de ensaio "Argumentação contra a morte da arte", em que ataca as vanguardas. Morre Thereza Aragão, esposa de Gullar.
1994: Durante a Feira do Livro de Frankfurt, conhece a poetisa Cláudia Ahimsa, sua atual companheira.
1996: Publica o livro de contos " Gamação".
1997: Publica o livro de contos "Cidades Inventadas".
1998: Publica o livro "Rabo de foguete - Os anos de exílio", livro de memórias, e é homenageado no 29º Festival Internacional de Poesia de Roterdã, na Holanda.
2001: É publicado, na coleção Perfis do Rio “Ferreira Gullar - Entre o espanto e o poema”, d e George Moura. A editora Ática reúne crônicas escritas para o “Jornal do Brasil” nos anos 60 no livro “O menino e o arco-íris”. A editora Global lança numa coleção infanto-juvenil “O rei que mora no mar”, poema dos anos 60 de Gullar.
2002: Foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura.
2003: Lança pela Cosac & Naify “Relâmpagos”, reunindo textos curtos sobre artes, abordando obras de vários pintores. Suas traduções e adaptações de “Don Quixote de la Mancha” e “As mil e uma noites” são premiadas, respectivamente, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juveni l e pela International Board on Books for Young People.
2004: Passa a assinar uma coluna semanal de crônicas no caderno Ilustrada, no jornal Folha de São Paulo. É eleito o "Homem de Idéias" do ano pelo Jornal do Brasil.
2005: Ganha dois prêmios importantes: o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência e Cultura, na categoria Literatura, e o Prêmio Machado de Assis, a maior honraria da Academia Brasileira de Letras, ambos pelo conjunto da obra. Publica o livro de poemas para crianças "Dr. Urubu e outras Fábulas" e a antologia "Melhores Crônicas".
2006: Publica o livro de crônicas "Resmungos", pela Imprensa Oficial de São Paulo.
2007: Vence o Prêmio Jabuti com o livro "Resmungos" - melhor livro de ficção do ano.
2009: Foi considerado pela revista Época "Um dos 100 Brasileiros mais Influentes do Ano".
2010: Recebe o Prêmio Camões. No ano em que completa 80 anos, o poeta prepara a publicação do livro de poemas “Em Alguma Parte Alguma”.


Alguns Poemas de Ferreira Gullar



TRADUZIR-SE


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

***

CANTIGA PARA NÃO MORRER


Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.


***
SUBVERSIVA


A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.


***

TOADA À TOA

A vida, apenas se sonha
que é plena, bela ou o que for.
Por mais que nela se ponha
é o mesmo que nada por.
Pois é certo que o vivido
- na alegria ou desespero –
como o gás é consumido...
Recomeçamos de zero.


Ferreira Gullar, do livro "Em Alguma Parte Alguma", inédito.

***

PERPLEXIDADES

a parte mais efêmera
de mim
é esta consciência de que existo
e todo o existir consiste nisto
é estranho!
e mais estranho
ainda
me é sabê-lo
e saber
que esta consciência dura menos
que um fio de meu cabelo
e mais estranho ainda
que sabê-lo
é que
enquanto dura me é dado
o infinito universo constelado
de quatrilhões e quatrilhões de estrelas
sendo que umas poucas delas
posso vê-las
fulgindo no presente do passado

Ferreira Gullar, do livro "Em Alguma Parte Alguma", inédito.



Para ver Mais:

Site Oficial do Poeta Ferreira Gullar: http://literal.terra.com.br/ferreira_gullar/
Vídeo de matéria de Nelson Motta com declamações e um pequeno histórico do poeta: http://pt.shvoong.com/books/biography/1659785-ferreira-gullar-vida-obra/




Ilustrações: 1- foto do poeta Ferreira Gullar; 2- capa do livro "Poema Sujo"; 3- "O Beija-flor", da artista plástica Carmen Garrez; 4- foto do banco de imagem, de autor desconhecido.


Altair de Oliveira (poesia.comentada@gmail.com), poeta, escreve às segundas-feiras no ContemporARTES. Contará com a colaboração de Marilda Confortin (Sul), Rodolpho Saraiva (RJ / Leste) e Patrícia Amaral (SP/Centro Sul).

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As Férias terminam...



Como já é de praxe, a coluna Drops Cultural dá algumas dicas de programação cultural. As férias já acabaram, mas aqui a programação não para. Portanto, essas são as sugestões:


Seminário Vozes da Globalização - Módulo III - Identidades e Religiões
Uma série de oito palestras que analisam a diversidade religiosa na contemporaneidade e sua interface com a Literatura, História e Teologia. A próxima palestra é com o escritor Claudio Willer, sobre “poesia e ocultismo”. Veja a programação completa no site http://casadapalavrasa.blogspot.com/

Realização: Casa da Palavra - Escola Livre de Literatura
Prefeitura Municipal de Santo André
Local - Praça do Carmo, 171, Santo André - SP
Sábado das 10h30 às 12h30
Quando: 07/08


Aproveitando para prestigiar uma das colunistas da Revista ContemporARTES, a dica agora é o lançamento do livro de Simone Pedersen, vencedora de vários concursos literários no Brasil e no exterior. Dessa vez, ela lança o livro “Vila Felina”, que conta a história de um lugar onde os animais são respeitados, amados e bem tratados. Acima de tudo um lugar onde é possível conviver pacificamente com as diferenças entre deficientes, fortes, fracos, gordos, magros, feios, bonitos ou carentes e abastados.

O lançamento do livro será realizado na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi Campinas.
Quando: 07/08
Horário: das 16h às 18h30.


Como não pode faltar uma sugestão de cinema, a dica é o “14º Festival De Cinema Judaico”, no CineSESC. Realizado pela “A Hebraica” em parceria com o SESCSP apresenta filmes de ficção, documentários e curtas metragens de temática judaica que se destacaram no circuito internacional. Entre os filmes selecionados “À Cinco Horas de Paris” e “Um Quarto e meio”.

Quando: 03/08 a 08/08.
Horário: às 14h30 e 16h30.


E também no CineSESC acontece o “15º Festival Brasileiro de Cinema Unviersitário de SP”. O Festival acontece há quinze anos no Rio de Janeiro,  e divulga boa parte da produção audiovisual das universidades Este ano, o festival acotnece em São Paulo. Na programação, filmes brasileiros de longa metragem realizados por diretores oriundos das diversas escolas de cinema do Brasil, e uma mesa-redonda sobre o tema, reunindo figuras-chave da produção, distribuição e exibição de primeiros longas no Brasil. Confira a programação completa no site: www.fbcu.com.br.

Onde:
CineSESC, Cinusp, Sala Olido e a Sala Sabesp
Quando: 10/08 a 15/08



Ana Paula Nunes é jornalista, Pós-graduanda em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo/USP. Editora assistente e Coordenadora de Comunicação da Contemporâneos - Revista de Artes e Humanidades. Escreve aos domingos na ContemporARTES.
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Contribuição do leitor: Entre a sorte e o azar




Nas situações entre a sorte e o azar é que surgem os bons textos e é por isso que a coluna Escritos Contemporâneos contemplará hoje a contribuição de Raphael Oliveira, especialista em Políticas Públicas e Gestão Social (UFJF), graduado em História (UFJF), agente de Suporte Acadêmico (CAED-UFJF) e tutor de Espanhol (UFJF).



********************


Entre a sorte e o azar.


Azevedo, homem de negócio, queria logo em seu ímpeto de lucro, instalar sua companhia de bonde no velho arrabalde argentino, cujo nome fiz o favor de esquecer. Para isso, teria que fazer o bom e velho jogo de aparências: jantar com o caudilho da região, o coronel Isidoro Rosas, filho de outro caudilho famoso, L. Rosa. O acréscimo do “s” em seu nome foi devido a um erro de registro. Convidado pelo caudilho, foi ter com este, ao embalo do bom charuto cubano e de garrafas de uísque, vinte e cinco anos, uma conversa para instalação da companhia de bonde na região. Na verdade, nem introduziram o assunto, aquela noite ficou reservada aos jogos de baralho. Para uns, sorte; para outros, azar.







O caudilho Isidoro, dentre as centenas de defeitos que adquirira ao longo da vida, o pior era, certamente, a jogatina. Tal mau-humor poderia custar o azar na vida para aquele que o ganhasse. Fato, válido lembrar, que o único que o vencera numa partida em jogo de truco, nunca mais apareceu no arrabalde; dizem que foi ter com alguns parentes uruguaios, ninguém mais o viu, nemm esmo os parentes uruguaios.


Azevedo que nada sabia, exímio jogador e conhecedor de artimanhas da jogatina, só naquela noite derrotou o caudilho dezenas de vezes, o que fez a este exalar um grande suspiro, de que não estava nada gostando. Todos na mesa estavam preocupados e silenciosos. O único galhardo era Azevedo.


Depois da décima terceira rodada foi ao banheiro, seguido por um dos assessores do caudilho, eufemismo para capanga. Os dois, já dentro do mictório fétido, entre olharam-se no suspense que pairava no ar.


Azevedo percebeu, enfim, que havia algo de errado. Gentilmente, o capanga disse-lhe em tom de alerta: se você quer, realmente, instalar uma companhia de bonde aqui, comece a perder. Pensou Azevedo: se eu ganhar mais umas cinco rodadas, vou estar com tanto dinheiro que nem precisarei instalar companhia nenhuma aqui. Faço meus negócios em outros lugares.


Assim o fez. Ganhou mais cinco rodadas; estava lotado de dinheiro e ouro. Zombava, em seus pensamentos mais secretos, de como aquele caudilho era ruim com as cartas. Talvez, o que sabia fazer de melhor era gastar o dinheiro público com coisas vis.


O caudilho levantou da mesa; pigarreou; saiu sem pronunciar nada. Azevedo fez o mesmo, foi para o seu hotel mais rico de que quando chegou.

No dia seguinte, um amigo, chamado Daniel, o qual estava hospedado no mesmo hotel que Azevedo, foi ter com este. Chegando ao quarto do amigo viu-o morto. Estava baleado por toda parte. Pegou um projétil ao chão; observou que era uma arma Remington, arma nova no país que somente a elite local tinha o poder para tal armamento.

Décadas mais tarde, o neto de Azevedo, Suárez, pôde conhecer esta história por completo através de sua avó e pela carta do amigo do avô, Daniel.




Dona Maria, em seu leito de morte, beirando os noventa anos, chamou o neto. Com voz baixa, sussurrou: – não passo de uma velha morrendo muito, muito devagar. Não há nada de notável nem de interessante nisso. Logo entregou uma carta amarelada pelo tempo que carregava no bolso do paletó. Era a carta de Daniel contando minúcias do que havia acontecido com Azevedo.


Suárez leu a carta com atenção e entendeu o porquê das desgraças financeiras da família e o destino da pobreza que lhes reservou. Ficou com sede de vingança: lavar a honra e o nome da família. Afinal, o nome e memória do caudilho Isidoro Rosas ainda corria no arrabalde, através de seu filho, Martin Rosas.

Seu inimigo estava no poder. Burilou planos mirabolantes para acabar com aquele que representava o algoz do avô. Aquietou-se. Não lhe trazia prazer algum em recordar o que estava escrito na carta que sua avó lhe entregara.

Fazia um esforço para recordar a fisionomia do avô, mas sem sucesso. Talvez, só o reconhecesse pelas fotografias; embora o rosto do caudilho a tivesse em imagem nítida. Já, menos tenso, foi afeitar a barba. Reparou que a marca da gilete era Remington, a mesma que retirou a vida do seu avô no passado. Maravilhou-se com esse fato, seguido de um desassossego.

Pela manhã, as manchetes dos jornais anunciavam que o caudilho Martin Rosas, filho de um dos maiores coronéis da história da região, o caudilho Isidoro Rosas, havia morrido na madrugada. Encontraram o corpo de Martin no banheiro de sua residência com um corte fatal na jugular. No chão uma gilete Remington.



Os jornais se perguntavam: teria sido um assassinato ou suicídio?
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Amor meus, pondus meum; illo feror, quocumque feror



(O meu amor é meu peso, por ele vou aonde quer que vá)


Tenho estudado a temática do amor na dramaturgia brasileira contemporânea há alguns anos e, por isso, tem sido natural jovens autores pedirem para que eu conheça suas incursões e tentativas. Também eu, na ânsia de ampliar repertório, sempre fico atento ao que vem escrevendo. Esse é o caso de Queria te falar, texto que Renata Thurler escreveu a partir de Eu sei que vou te amar, de Arnaldo Jabor.

Meu texto, aliás, poderia ser um texto investigativo acerca das semelhanças existentes entre os dois, feito através do aprofundamento de alguns pontos, como a questão da ação das personagens, das passagens idênticas e do tema do casamento desfeito que toma grande parte dos dois enredos, mas não. Essas semelhanças são evidentes, e em nenhum momento a autora pareceu ter tido a intenção de esconder essa matriz referencial.

Referência que não está somente em Jabor, afinal há mais de dois séculos que se fala de e sobre o amor. Todas as épocas, todos os tempos, desde Platão a Scheler, passando por Descartes e Espinosa vimos tratando sobre o amor, cada vez mais complexo, cada vez mais apurado. Assim, Queria te falar, ao devorar Arnaldo Jabor impõe um processo de ampliação de algumas informações ali contidas, que serão transformadas assumindo novos significados em diversos contextos sobre gênero e ideologias.

Se compreendermos, com Butler (1990), que gênero não é uma categoria fixa e pré-discursiva, mas algo que se constrói por atos repetidos e estilizados pelo sujeito generificado, gênero passa a ser compreendido para além da mera representação de papéis a serem desempenhados por corpos de homens e mulheres sob a hegemonia da heteronormatividade; é uma complexidade permanentemente aberta. Assim, gênero é uma representação que é vivenciada pelas performances dos sujeitos sociais que a experienciam através da vivência espacial cotidiana e concreta.

Queria te falar, através das personagens femininas Manu e Rafa, duas jovens mulheres que se reencontram para um papo-cabeça acerca das (des)razões que as fizeram romper seu casamento, comungam as idéias e as hierarquias que a heteronormatividade instituiu. Manu/homem trai, enquanto Rafa/mulher sofre. Manu/homem se apaixona por uma jovem muito jovem, enquanto Rafa/mulher, nem tão jovem, canta Chico Buarque e Maysa, se desespera, se desconcerta:

“Quando você foi embora... de repente, sem falar nada, eu morri mais que cem vezes, eu vivi de pura sorte... Até hoje ainda arrasto pedaços por aí... eu achei tantas coisas, me senti tão abandonada... E você agora vem me dizer na minha cara dizendo que se apaixonou por outra... Enquanto eu te amava, te amava tanto...voava...E nem vi você partir com a menina cor de rosa, você era o meu espinho, minha planta venenosa!”

Renata Thurler, nesse fragmento, evita pensar a desnaturalização da hegemonia dos 'laços afetivos' nascida da necessidade de perpetuação de um discurso heteronormativo e compulsório, patriarcal e machista; não quer questionar as hierarquias sexuais que precisam ser questionadas a fim de que outras subjetividades sejam visíveis, para além daquela eleita como o modelo heterossexual, branco e burguês. E também, que não há linearidade entre sexo, gênero e desejo, pois as identidades instituídas de ilimitadas configurações entre estes elementos estão em permanente transformação e sempre abertas ao novo.

Para Butler, um conceito se constrói através da repetição "estilizada do corpo, um conjunto de atos repetidos em um marco estritamente regulador que vai se sedimentando ao longo do tempo para produzir a aparência e a sensação de algo natural, permanente". Manu e Rafa poderiam ser as transgressoras da ordem compulsória heterossexual, afinal “o questionamento de condições tidas como evidentes torna-se possível, mas não se pode chegar lá através de um experimento imaginado, um epoché, um ato de vontade. Chega-se lá através do sofrimento da deiscência, de ruptura do próprio terreno” (BUTLER, 2003); poderiam desafiar suas formas de expressão e linguagem, afinal, segundo Butler (2004), é esta última quem constitui os sujeitos. 

Mas se Thurler não se aproveita de suas personagens para transgredir a nova ordem, colabora para a discussão sobre o amor e do desejo. Quando Manu começa a explicar o começo da crise, assegura que foi por causa de uma outra pessoa,

“uma menina, assim, menina, que cismou comigo, me queria, me seduzia, sem cansar, sem parar... e eu fui ficando fraca...fraca...não resisti...menina Rosa, era assim que eu chamava, assim que me foi apresentada. E eu sabia que aquela menina ia me levar... ia me tirar daqui.” 

Assim a autora começa a delinear que o desejo é em definitivo caminhar para sua posse, ou como diz Ortega Y Gasset, “possuir significa então, de uma forma ou de outra, que o objeto entra na nossa órbita e passa de algum modo a fazer parte de nós. Por essa razão, o desejo morre automaticamente quando se realiza, fenece ao satisfazer-se”.

E Manu, pouco depois, conclui: “Agora... eu voltei pra casa, não pra “nossa casa”, voltei pra cá, e queria te encontrar. (...) Simplesmente eu voltei e ela ficou, entende? Eu voltei sozinha”.  

No amor é assim, mais uma vez com Ortega Y Gasset, “em vez de esperar que o objeto venha até mim, sou eu quem vou até o objeto e me torno parte dele, (...) sou eu quem gravito em torno dele.” Em Queria te falar amor é gravitação em direção à amada mesmo que às vezes, triste como a morte.


Djalma Thürler é Cientista da Arte (UFF-2000), Professor do Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Cultura e Sociedade e Professor Adjunto do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA. Carioca, ator, Bacharel em Direção Teatral e Pesquisador Pleno do CULT (Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura). Atualmente desenvolve estágio de Pós-Doutorado intitulado “Cartografias do desejo e novas sexualidades: a dramaturgia brasileira contemporânea dos anos 90 e depois”.


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